quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Na parede de certa casa na Sunset Boulevard


E realmente não é tarefa lá muito fácil reparar alguma outra coisa no grand finale de Norma Desmond, além da própria. Por mais vezes que assistamos Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950 de Billy Wilder).

Ao som do “tema de Salomé”, a atriz esquecida e insana desce a escadaria de sua mansão, agora apinhada de repórteres atrás da grande tragédia que aconteceu ali. Na parede uma gigante tapeçaria!

Comparação do detalhe utilizado no filme
Analisada pelo blog The Art of Film, trata-se de um detalhe reproduzindo Guerra de Troia, painel belga do século XV, atualmente no acervo do museu londrino Victoria and Albert. Não se sabe a origem da peça que aparece no filme.

Provavelmente foi retirado dos arquivos cenográficos da Paramount. Era comum a reutilização de material cênico, como vimos antes aqui no post "Um quadro, dois filmes, uma vida", onde localizei um retrato em dois filmes de épocas distintas.

A mansão de Norma Desmond foi montada nos moldes opulentos das velhas residências das super estrelas da década de 20. Com interiores construídos em estúdio, a direção de arte assinada por Hans Dreier levou o Oscar daquele ano.

É bem provável que seja apenas um objeto decorativo, mas o filme é um espetáculo em detalhes sutis (e outros nem tanto) que pode ter muito sentido em estar ali. Se pensarmos só um pouquinho, referenciar Guerra de Tróia naquele momento pode ter vários significados.

O mais óbvio seria Joe Gillis, personagem de William Holden, uma espécie de cavalo de Tróia a levar o caos de Hollywood pra dentro daquele mundo em colapso, como uma guerra. A tantas outras interpretações, como o amor sequestrado, forçado entre dois universos distintos.

Veja também:
“Você sabe quanto custa um Isotta Fraschini?”
Fume tal e qual Norma Desmond
Um quadro dois filmes

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