quarta-feira, 31 de maio de 2017

Acordes do Coração: Pobre Joan, pobre Joan...

Oh! Duas fabulosidades numa mesma foto! Direto do Instagram oficial da musa maior Vera Fischer, depois que assistiu a Acordes do Coração (Humoresque, 1946 de Jean Negulesco).

O Leonardo Baricala compartilhou essa foto no Facebook dele e aqui está também. Por coincidência revi Humoresque outro dia e tilintou de lá pra cá uma questão um tanto quanto prosaica na minha cabeça e vem comigo ver isso. 
O filme é todo contado pelo ponto de vista do violinista pobretão interpretado pelo John Garfield. Da juventude, quando os pais compram o instrumento para o menino com muito sacrifício, à idade adulta, quando ele continua sobrevivendo de bico com apoio da família.

Até que trabalhando num evento da alta sociedade conhece a ricaça e belíssima Helen Wright, interpretada por Joan Crawford. Aquela que todos querem!
Ela é casada com um senhor de muita idade, porém magnata. Ele não se importa com a nuvem de garotões que ciceroneiam sua esposa, até parece incentivar.

O filme tem exatos 71 anos, mas é ousado assim. Claro que na maioria das vezes é nas entrelinhas, mas a gente aqui em 2017 tá bem ligadinho nos paranauês, né?
Moça se encanta pela petulância do músico pobre (que ainda é mais jovem do que ela) e logo depois já está alugando uma super casa de espetáculos para o talento musical se apresentar.
O marido, como sempre, faz vista grossa, a família do músico vai em peso à grande noite. Oba! Finalmente ele deu certo na vida!
Logo a belíssima (que ainda tem um probleminha de miopia e fácil acesso a muitas garrafas de Martini) estará até escolhendo as roupas que o violinista tem que vestir. Tudo sob medida, no melhor alfaiate que o dinheiro pode ter acesso.
Aí vamos voltar a dar foco à família do rapaz. Pobres nova iorquinos, deitam e rolam com a vida boa que o filho passa a ter subitamente. A mãe faz um stressinho, mas, curte tudo quase numa boa.
Importante dizer que o que poderia ser um relacionamento por interesse não é! Nem ele está apenas usufruindo dos beneméritos (até reclama dessa ajuda toda), nem ela está apenas com um brinquedinho novo.
Tanto que logo eles planejam um casamento, e ela, alguns copos de goró depois conversa com o marido (o velho e magnata) a respeito do divórcio. Parece não haver muita resistência ali, além da básica mágoa de cabocla.

Sabe quem treta pra valer com esta historia?! A véia!
Pois é, gente amada! Enquanto a belíssima, rica, míope e chegada nuns bons drinks estava com a torneira do dinheiro aberta, era ótima, bastou querer casar com o filhinho e não presta mais!
Problema primeiro era de que ela era casada, depois de que ia só brincar com o filhinho, depois, provavelmente seria unha encravada ou sei lá. Pode-se ter tudo nesta vida, menos a simpatia de uma sogra e megera nas horas vagas!

E isso tudo não é spoiler, apenas um desabafo sobre o desaforo! Claro que se você chegou até aqui no texto já deve ter assistido, se não, assista!
 Joan Crawford sempre vale a pena, quando o filme é bacana, vale mais ainda.  Aliás, Humoresque é aquele filme reverenciado por Madonna no clipe de The Power Of Good-Bye, lembra?

Veja também:
Madonna e Joan Crawford
Avesso da cena: John Garfield violinista

terça-feira, 30 de maio de 2017

Dark Universe no Dolce Videos!

Empolgado com o projeto Dark Universe, o nono vídeo do Dolce Canal é totalmente dedicado aos monstros clássicos da Universal Studios. Drácula, criatura de Frankenstein, Monstro da Lagoa Negra, todos estão voltando!

Claro que ainda não poderia faltar uma explanação sobre o que tivemos desses filmes comercializados no Brasil. Em DVD e com mais atenção ao Blu-Ray.


Pra variar, fica o pedido para você assistir, dar like no vídeo e se inscrever no canal! Tá capricahado, garanto!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Filme preferido de uma musa Hammer

 Geralmente atores não costumam revelar qual trabalho mais gostaram de fazer na vida, ou fazem certo doce. Barbara Shelley com nada menos do que 104 títulos na filmografia sabe bem qual é o dela!

Do alto dos seus 80 e tantos anos de idade é enfática em dizer que fica orgulhosa de seu desempenho em Drácula, o Príncipe das Trevas (Dracula: Prince of Darkness, 1966 de Terence Fisher). Shelley declarou isso no documentário ela participou do documentário “Back to Black: The Making of Dracula Prince of Darkness”.
No filme dos estúdios Hammer que retornava a saga de Drácula ela é Helen, a matrona carola com cara de poucos amigos, mas que ao ser vampirizada ganha muito sex appeal. Inclusive com umas sugestões lésbicas/incestuosas.

A musa especifica, inclusive, especifica uma sequencia que lhe enche de orgulho: quando o padre lhe mata com a tradicional estaca. Sua expressão vai da monstruosidade a mais angelical e lívida em segundos.
Toda esta cena é bastante forte e ainda explicita a violência da fé cristã. Ela esteve cortada em algumas versões do filme exibidas na televisão.


Barbara Shelley participou de cerca de sete filmes na Hammer, logo depois se dedicando a produções televisivas da TV britânica. Aposentada desde 1992, hoje participa de convenções de fãs de horror.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Zumbis do pop: Gorillaz feat. George A. Romero

O começo do novo milênio era esperançoso, um novo tempo, apesar dos perigos, como dizia aquela canção. Aí surgiu Gorillaz, mostrando que não havia como os dias não serem sombrios.

O apocalipse zombie estava a caminho, numa época muito antes de zombie ter virado a carne de vaca que é hoje.  Eles até usaram um sampler gigantesco do filme Dia dos Mortos (Day of The Dead, 1985 de George Romero) na faixa M1A1.

Não identificou ou ainda não viu o filme do Romero? Agora assista no player abaixo toda a introdução de Dia dos Mortos (Até 1’25", depois o cara mixou com a faixa do Gorillaz).

Aliás, da trilogia original dos mortos de Romero, este foi um dos menos reverenciados, foi mal de bilheteria, mas o tempo (novamente ele) mostrou que é uma obra muito além de mero “filme de terror com zumbi”. Ter que concentrar esforços com o orçamento apertado só fez bem.

E os efeitos especiais ainda deixam a gente com a pulga atrás da orelha: “Cumé que fizeram isso?”. Graças ao talento de Tom Savini e seu assistente Greg Nicotero, que ainda aparece como ator.

Nicotero você ouviu falar antes aqui no blog, começou a trabalhar sozinho em Uma Noite Alucinante 2 (Evil Dead 2, 1987 de Sam Raimi) e hoje maquia e produz a bem sucedida série The Walking Dead. Talvez por isso exista tanta coisa em comum (além de zumbis e efeitos caprichados) entre o conceito de TWD e O Dia dos Mortos

Veja também:
Os primeiros passos de Greg Nicotero 
Avesso da cena: Tom Savini em Zombie
Barbra vs. Barbara e a revolta dos zumbis
Sua Excelência, o Zumbi Um
DNA: Conheça os principais samplers de Twiggy Twiggy

terça-feira, 23 de maio de 2017

Terror pleno no novo vídeo do canal

Eita que saiu vídeo novo! Assista no player acima ou no YouTube, clicando aqui.

Sabe aquele filme que nos acompanha a vida toda e usamos como parâmetro para todos os outros do mesmo gênero? Pois é, falo sobre o meu favorito de terror.

Pra variar, depois que gravo e edito cinto que ficou um monte de coisa de fora. Fica pra, quem sabe, um “volume 2” do mesmo assunto ou vamos conversando por aqui.

Se você ainda não se inscreveu no canal DolceVideo, por favor, se inscreva! Melhor jeito de você ser informado de uma atualização, já que nem sempre consigo atualizar com a periodicidade que gostaria.

Também é importante dar seu like no vídeo assistido para que mais gente assista e incentivar a realização de outros. Por fim, assista! Espero que goste, evidente.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Morte imita a arte: Coincidência em As Diabólicas

A atriz Véra Clouzot é daquelas celebridades que tiveram sua morte mais noticiada do que sua carreira em si.  Seu trabalho mais lembrado, claro, é As Diabólicas (Les Diaboliques, 1955) em que atuou sob direção do marido de Henri-Georges Clouzot.

Carioca, nascida Véra Gibson-Amado, mudou-se para a França assim que acabou a Segunda Grande Guerra, quando tinha 31 anos de idade. Ela casou pela primeira vez com o franco ator Léo Lapara, que conheceu durante uma turnê dele pelo Rio de Janeiro.

Prima do escritor Jorge Amado e filha do jornalista e político Gilberto Amado, tinha apenas dois anos quando seu  pai se envolveu num escândalo nacional. Após a cerimônia de inauguração da “Sociedade Brasileira dos Homens de Letras”, Gilberto discutiu com o escritor Aníbal Teófilo que não concordava com algumas de suas críticas, acabando por assassiná-lo.
A carreira de atriz só começaria ao casar com Henri-Georges Clouzot, parceria iniciada quando ela era sua assistente. Ao todo participou de apenas três filmes, todos dirigidos pelo marido.

O nome de Véra Clouzot passaria a ser conhecido em todo mundo por As Diabólicas, suspense considerado uma obra prima, que protagonizou ao lado de Simone Signoret. Precocemente ela faleceu em 1960, aos 46 anos de idade.
A imprensa mundial imediatamente colocou spot em sua morte ao descobrir que ela sofreu um ataque cardíaco. Tal e qual a frágil diretora do colégio que interpretou em As Diabólicas cinco anos antes. A coincidência

Veja também:
Assassinato por asfixia de monóxido de carbono pode não ser coisa só de cinemaTriste (tristíssima!) vida de Suzan Ball
Sexo, álcool e morte no primeiro grande escândalo de Hollywood


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Cine Bizarro e os bons tempos da WBtv

Se tudo parece um grande marshmallow de groselha na TV paga de hoje, saiba que nem sempre foi assim. Em seu princípio, 1996/1997, canais como o WB TV (aka uórner) eram a fonte para conteúdo inédito ou raro no Brasil.
O canal misturava bem atrações recentes como a série As Aventuras de Brisco County Jr, estrelada por Bruce Campbell e as mais variadas produções de seu acervo. E era assim que tínhamos a sensação que aquilo era uma emissora de TV pertencente a tradicional Hollywood, aquela fábrica de sonhos dourados.

Era um valioso acesso ao entretenimento de todos os tempos, um diferencial às mesmices popularescas da TV aberta do Brasil. Lembrando que não havia internet, informações vinham por jornais e revistas, que invariavelmente cozinhavam material estrangeiro e o resto dos mortais sonhavam quando poderiam assistir àquilo..

Focando exclusivamente no canal da Warner, distribuído junto ao da Sony (melhor lugar para se ver séries como Friends, antes dela ir para a Warner) deixou muita saudade a sessão de filmes chamada Bizarro. Ela ia ao ar a partir da uma da manhã de todo sábado para domingo e valia a pena ficar em casa para ver.

Ver com uma fita virgem no videocassete, porque, meu amigo, ali era só biscoito fino! Clique no player abaixo e assista a uma chamada de Death Curse of Tartu (1966 de William Grefe) pra você ter uma ideia do espírito (de porco?) da sessão Bizarro.
Está em espanhol porque por muito tempo os sinais destes canais eram o mesmo para toda América Latina e azar o nosso não falar espanhol. Mas os programas em sua maioria possuíam legendas em português, às vezes quando dava pau, não exibiam legendas em idioma algum, mas isso era só às vezes.
Todos aqueles filmes independentes/europeus que a Warner passou a vida toda comprando pra distribuir nos EUA em sessões duplas, cinemas de bairro e similares, agora ela exibia na TV! Joias como From Hell it Came (1957 de Dan Milner) com seu indefectível monstro-árvore sedento por vingança estava finalmente ao nosso alcance.
Monstros de toda espécie passavam por ali! E dinossauros (bombando nos cinemas 90’s com Jurassik Park, risos) não ficaram de fora com Quando os Dinossauros Dominavam a Terra (When Dinosaurs Ruled the Earth, 1970 de Val Guest), clássico da Hammer com a playmate Victoria Vetri e Dinossauro! (Dinosaurus!, 1960 de Irving S. Yeaworth Jr.).
As vítimas geralmente nestes filmes da Bizarro morriam em areia movediça. Por onde anda a areia movediça? Beijos pra você areia movediça!
Do Japão tivemos a oportunidade de conhecer Mothra, A Deusa Selvagem (Mosura, 1961 de Ishirô Honda). Nem Tóquio, nem a gente conseguíamos nos recuperar após conhecer essa  borboleta gigante meio enfeite natalino.
Mas não era apenas produções de ficção científica e terror exibidos neste horário. Foi lá que pude conhecer Polyester (1982 de John Waters), numa época que os únicos filmes disponíveis do diretor no Brasil eram os familiares Hairspray (1988) e Cry-Baby (1990).
Por anos fiquei assistindo a cópia que fiz em VHS de Polyester. Só com o advento da internet percebi que haviam muitos cortes e qualquer referência ao Odorama estava suprida, mas era tudo o que tínhamos, né?

Depois do filme principal era mostrado um episódio de anime tosco 60’s como Marine Boy. Eu nunca havia ouvido falar, mas a musiquinha tema, que você pode ouvir no player abaixo é difícil de esquecer.
Claro que agora temos tudo isso e muito mais no YouTube, Netflix, Blu-Rays, downloads, etc. mas pra pagar pra ver televisão eu preferiria pagar pra zapear e me surpreender. Mesmice por mesmice eu fico olhando pra Maila, minha gata, lavando o rosto. Bonito e é de graça.

sábado, 13 de maio de 2017

Surpreenda-se com os cenários de Scooby Doo sem Scooby Doo

Exatamente onde começou seu apreço por histórias assustadoras? Talvez seja inconsciente, mas o primeiro contato com monstros e fantasmas de muita gente veio daquelas duas primeiras temporadas de Scooby-Doo produzidas entre 1969 e 1970.

Sim, “Scooby Doo, Where Are You!” era aquela série clássica onde os nossos amigos caçavam figuras diabólicas que na verdade eram bandidos. Depois, Scooby Doo nunca mais seria tão fabuloso!

Nessa época os estúdios da Hanna-Barbera contaram com o trabalho do artista Walter Peregoy. Ele vinha de um período célebre na Disney, onde pintou, entre outras coisas, os cenários da obra-prima A Bela Adormecida (Sleeping Beauty, 1959 de Clyde Geronimi e outros).


É possível identificar muito do trabalho de Peregoy nos cenários estáticos dessas temporadas de Scooby Doo. O Dread Central separou alguns frames que além de artes belíssimas ainda se tornam mais sombrios vistos fora de contexto.

























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