sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Avesso da cena: Ash contra um possuído

 Diretamente do fabuloso mundo pré CG: Uma Noite Alucinante 2 (Evil Dead II, 1987 de Sam Raimi). Own! Era só um fantoche encarando Bruce Campbell!
A sequencia toda ainda contou com tomadas em stop motion (plano geral do monstro)...
...e um outro boneco manipulado por cabos como se fosse marionete.
O filme contou com o trabalho do técnico Gregory Nicotero (menos o stop motion), que aparece na segunda foto manipulando o fantoche junto a uma equipe. Na época ele tinha no currículo pouca coisa, mas já tinha sido assistente de Tom Savini em Dia dos Mortos (Day of the Dead, 1985 de George Romero).

Hoje, mesmo em plena era dos efeitos digitais, o rapaz tem uma lista quilométrica de trabalhos. Todos já assistimos muita coisa feita por Nicotero no cinema e na TV entre efeitos especiais e maquiagem.

Gregory Nicotero
Pânico (Scream, 1996 de Wes Craven), Hulk (2003 de Ang Lee), Kill Bill (2004 de Quentin Tarantino), Sin City – A Cidade do Pecado (Sin City, 2005 de Robert Rodriguez e Frank Miller), O Nevoeiro (The Mist, 2007 de Frank Darabont), Annabelle (2014 de John R. Leonetti), etc! São 165 registros como maquiador, 72 como efeitos especiais entre outros créditos.

Claro que será lembrado para sempre como o criador dos perfeitamente pútridos Walkers na série The Walking Dead (2010-?) da Fox. Nove vezes indicado ao Emmy, ganhou quatro vezes, sendo duas pela série de zumbis, em 2011 e 2012.

Nada mal pra quem assistia Tubarão (Jaws, 1975 de Steven Spielberg) e O Exorcista (The Exorcist, 1973 de William Friedkin) quando era criança e queria entender como “aquilo tudo era feito”. Acho que já aprendeu.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Franco Nero vestindo jockstrap

Sim! Isso e apenas isso em uma cena de Salamandra (The Salamander, 1981de Peter Zinner) que você assiste no player abaixo ou clicando aqui.
Não é comum cenas de nudez com o ator. Reza a lenda que “Franco+Nero+Nu” é das coisas mais procuradas no Google.  

Atente que a bunda que quase é esfregada na câmera provavelmente é a de um dublê. Perceba que antes há um corte e ele é jogado contra a parede.

O filme policial/político tem um elenco estrelar que ainda inclui Anthony Quinn, Sybil Danning, Christopher Lee e muito outros. Foi lançado um ano antes de Querelle (de Rainer Werner Fassbinder), pra gente se localizar.

Só acho que o pôster de A Salamandra deveria conter “Franco Nero vestindo jockstrap”. Do mesmo jeito que o de Ninotchka (Ernst Lubitsch)  trazia “Gabo ri”.

Veja também:
Franco Nero, UFOS e capas estapafúrdias
A palavra é: Gorgota!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Os “verdadeiros” Homens de Preto

O filme de 1997 MIB: Homens de Preto (Men in Black de Barry Sonnenfeld) fez tanto sucesso que “Homens de Preto” parece hoje ser apenas personagem como Darth Vader ou Nemo. “Homens de Preto” são seres ligados à ufologia muito antes da popularização no cinema.

Fred Crisman
Considerado por alguns mera lenda urbana ou hoax e um mistério para outros. Várias pessoas que dizem ter tido contato com extraterrestres relatam que foram procuradas por “Homens de Preto” que pediram sigilo sobre as visões.

O primeiro, ou o primeiro a ganhar a mídia foi no chamado incidente na Ilha Maury (Washington, EUA) em 1947. Fred Crisman e Harold Dahl, guardas do porto alegaram terem presenciado um UFOs no formato de donuts e que um deles derramou alo que parecia metal líquido.

Logo depois, Dahl disse que a pedido de um homem vestindo terno preto não poderia falar mais nada sobre o caso. Anos mais tarde revelou que tudo seria uma farsa, o que fez com que crentes ficassem confusos.

Na década de 50 o ufólogo Albert K. Bender foi a público denunciar a suposta perseguição de três “homens vestidos de Preto”, para que parasse com suas pesquisas. Bender acreditava que eram agentes secretos do governo dos EUA.
Arquivo X S03E20

Ainda naquela década, em 1956, Gray Barker lançou o livro “They Knew Too Much About Flying Saucers” (Eles sabia muito Sobre Discos Voadores, traduzindo livremente). Nessa obra que reunia casos de contatos extraterrestres o conceito de “Homens de Preto” é bem delineado e seria a base para o cartunista Lowell Cunningham criar os personagens dos quadrinhos que depois seriam adaptados ao cinema.


Já nos anos 90, antes do filme de Barry Sonnenfeld, os “Homens de Preto” foram citados na série Arquivo X.  No 20º episódio da terceira temporada (1996), Jose Chung's 'From Outer Space', uma história de abdução é recontada por vários pontos de vista, alguns pouco realistas.

Com  três filmes (1997, 2002 e 2012) que originaram ainda animação para TV, o cinema fez com os Homens de Preto o mesmo que fez com vampiros e outras criaturas míticas. Ainda mais famosos, mas também mais difíceis de serem acreditados.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Os Monstros sem maquiagem

 O elenco de Os Monstros (The Munsters 1964-1966) é de um tempo em que atores de TV ficavam marcadíssimos pelos seus personagens. Talvez por isso seja tão estranho vê-los não caracterizados como Munsters.
Fred Gwynne (Herman) e Yvonne De Carlo (Lily) 

Al Lewis (Vovô) e Butch Patrick (Eddie)
De todos, Yvonne De Carlo, a Lily, era a única que havia saboreado uma boa fama em Hollywood antes do programa. Chegou a gravar discos como cantora e, além de vários filmes, estava no elenco do sucesso Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments, 1954 de Cecil B. Demille).

A atriz nasceu em 1922 e Al Lewis, o Vovô, nasceu em 1923. Ou seja, Lewis era um ano mais novo que sua filha no programa (ele era chamado de Vovô, mas era seu pai).

Butch Patrick, o pequeno lobo Eddie, tinha apenas onze anos quando começou no programa. De Carlo e ele desenvolveram tanto carinho que continuaram amigos, sendo que antes da sua morte em em 2007 (aos 84 anos) chegou a ter Patrick como seu cuidador.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Rum, Coca-Cola e um processo na justiça

 Uma das músicas mais tocada nos EUA em 1945 foi Rum and Coca-Cola na voz das Andrews Sisters. A composição de Morey Amsterdam alcançou o topo da Bilboard por 10 semanas e até hoje é bastante popular!
Ouça no player abaixo ou clicando aqui.

Só que a canção era plágio! Amsterdam negou, mas provavelmente havia ouvido na rádio ao visitar a Trindade e Tobago em 1953 e simplesmente trocou levemente a letra em inglês.

Ouça a original no player abaixo ou clicando aqui

Lord Invader
Esse calipso na verdade pertencia a Lord Invader e Lionel Belasco, dois artistas locais que também alcançaram certa popularidade em seu país. Processaram o norte americano e ganharam a ação como era de se esperar.

A letra original, como geralmente são as letras de calipso, comentam um momento do cotidiano da sociedade. No caso, as mulheres de Trindade e Tobago que se aproximavam dos soldados americanos nas duas bases que os EUA tinham no país atrás de benefícios como dinheiro e guloseimas.

Em inglês também há referências sobre prostituição ("Tanto a mãe quanto a filha / Trabalham para o dólar ianque"). As doces Andrew Sisters declaram depois que nunca tinham percebido a fundo o sentido dos versos.

Rum and Coca-Cola chegou a ser proibida em algumas rádios dos EUA, mas não por esse motivo. Algumas emissoras reclamaram da citação a bebida alcoólica, outras pela marca do refrigerante, que poderia ser merchandising gratuito.

Veja também:
Madonna no banco dos réus
O que se passa com a patota do Ronald?
Quibe clássico: Rebecca e A Sucessora
Quando a canção que o cantor odeia vira hit

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Spin-off de As Panteras seria com três rapazes. Assista!

Durante a quarta temporada de As Panteras (Charlie's Angels) no ar em 1980 os produtores pensaram em uma nova série. Dessa vez ao invés de três lindas garotas seriam três lindos rapazes a desvendar crimes.

O novo trio foi apresentado no episódio Os Garotos da Toni (Toni's Boys - S04E23). É possível assistir ao episódio na íntegra, dublado em português, no YouTube ou no player abaixo.
Nesse episódio as nossas ex-policiais favoritas sofrem uma série de atentados misteriosos. Para protegê-las Charlie as manda procurar Toni, uma velha e rica amiga que agencia assim como ele três rapazes que desvendam crimes.

Toni é interpretada por ninguém menos do que a grande estrela do cinema Barbara Stanwyck. Ela, que protagonizou Pacto de Sangue (Double Idemnity, 1944 de Billy Wilder), um noir germinal, não poderia estar mais à vontade entre detetives.

E Toni é durona! Mesmo na terceira idade tem algumas sequencias de ação. Puxa uma toalha num jantar chique, dá garrafada numa briga, etc.

Quase como nos velhos tempos, embora não chegue a planejar a morte de ninguém...

Quanto às Panteras, nessa temporada (a penúltima) apenas Jaclyn Smith tinha sobrado da formação original, sendo que Kate Jackson (a Sabrina Duncan) foi substituída pela modelo Shelley Hack. Estranho como Smith usa roupas e penteados de senhora.


Ela era uma veterana no programa, mas só tinha se passado quatro anos! O tempo para Angels passa mais rápido?

Como é de se esperar rola uma tensãozinha sexual entre elas e os Rapazes de Toni, mas nada chega a se desenvolver. Acho que não deu tempo de ir além de olhares e piadinhas.

Tem uma sequencia engraçada com Cheryl Ladd numa boate de strip-tease masculina. Aliás, “Striper não, eles preferem ser chamados de dançarinos exóticos”.
A ideia não vigou e Os Garotos de Toni não passou deste episódio (backdoor pilot). Aliás, a ideia em si não é das mais felizes, visto que se Charlie’s Angels apresentava cansaço (realmente chegaria ao fim no próximo ano), qual o sentido de se recriar outra com um conceito tão parecido?

Se você assistir ao episódio completo acima também perceberá outro furo imperdoável. A Panteras ficaram anos e anos sendo imbatíveis na lida com a bandidagem e agora precisam ser protegidas e salvas por três homens. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Todos querem Morricone. Menos Almodóvar

Após o sucesso internacional de Mulheres À Beira de Um Ataque de Nervos (1988) Pedro Almodóvar pôde contar com o renomado compositor Ennio Morricone em seu próximo filme. O que parecia um sonho se tornou troca de farpas entre ambos!

Mestre Ennio Morricone
Desde seu inicio Almodóvar contava com as trilhas incidentais compostas pelo amigo Bernardo Bonezzi.  Ter algo de Morriconne para Ata-me (1989) era de certa forma um caminho evolutivo natural.

Só que quando recebeu a trilha o diretor detestou! Pior, disse isso publicamente o que gerou uma resposta do italiano, para quem Almodóvar não entendeu sua composição e por isso picotou e jogou fora boa parte na hora de montar o filme.

Perguntado sobre o trabalho com compositores, ele foi bem claro ao citar Morricone: "Nunca estou feliz com toda a música quando eu dirijo e, na verdade, o trabalho de Ennio Morricone para Ata-me foi removido pela metade porque sua música era mais convencional do que a narrativa do filme. É um risco quando chamo um músico. Quando eu comecei a ouvir outros filmes com composições de Morricone percebi que a única coisa que ele tinha feito foi copiar a si mesmo. O tema central da Busca Frenética (Frantic, 1988 de Roman Polanski), exceto duas notas é igual a Ata-me”.

É bastante discutível, visto que é natural que um artista busque referências próprias em suas obras. Ouvido separadamente dos filmes, a música de Ata-me remete muito mais a produções 70’s do que se ouve em Busca Frenética ou Os Intocáveis (The Untouchables, 1987 de Brian De Palma).

Dez anos depois, em 1999, tanto Morricone quanto Almodóvar se reencontraram no Festival de Berlim. Como a imprensa gosta destas rusgas (não importando se já havia se passado uma década!) foram indagados pela parceria e ambos se disseram “muito satisfeitos com um trabalho um do outro”.

Conforme sabemos, jamais voltaram a trabalhar juntos. Ennio Morricone seguiu uma fantástica e premiada carreira que conta com a participação em 528 filmes até agora, tendo recebido recentemente o Golden Globe por Os Oito Odiados (The Hateful Eight, 2015 de Quentin Tarantino), além de estar indicado ao Oscar deste ano pela mesma trilha sonora.

Almodóvar tentaria outro compositor internacional, o japonês Ryuichi Sakamoto para De Salto Alto (1991). Mais uma vez reclamou do resultado e pra Kika (1993) desistiu de ter qualquer composição original, embalando o filme apenas com velhos hits.

Não se sabe qual a mágica, mas desde A Flor de Meu Segredo (1995) Almodóvar conta ininterruptamente com a música de Alberto Iglesias em todos os seus filmes. Particularmente, vendo ao primeiro teaser de Julieta (2016), está na hora de um novo compositor.

Algumas informações oferecidas por Encandenados

Veja também:
Primeiro parceiro musical de Almodóvar à beira de um ataque de nervos
Um mambo para vampiros, tigres e atores pornôs autoflagelados
Novo Tarantino utiliza trilha sonora de O Enigma de Outro Mundo
Vamos cantar, companheiros!

Batman, O Retorno para jogar de graça!

Entre os milhares de games vintage disponibilizados legalmente no Internet Archive tem a pérola Batman Returns, o jogo baseado no filme de Tim Burton de 1992. Há versões dele para quase todas as plataformas, mas essa para Genesis é uma das melhores.
Ao contrário de muitos games oriundos de filmes, esse tem realmente o rosto dos atores e alguns pontos da trama bem similares ao da tela grande. E claro, o tema composto por Danny Elfman, pra passar o resto do dia com “pam, pam, pam, paaaam, pam!” martelando na cabeça.
Clique aqui para jogar. Não precisa instalar nada! Basta clicar no ícone verde e jogar diretamente do navegador, fácil, fácil.

Com um monte de pistas a serem descobertas nos cenários, a aventura acaba por levar Batman de volta a suas origens, como um detetive soturno. Numa das versões para Mega Drive, por exemplo, ele só anda em linha reta distribuindo socos entre a gangue do Pinguim.

Aqui é possível dirigir o Batmovel, acessar o Batcomputador, canais de TV de Gotan City e até um GPS (!!!) para o herói saber aonde deve ir. Pelo meio do caminho rola a pancadaria com os capangas com direito a sangue pixelado.
Na linha narrativa entra algumas telas referentes à história do filme. Claro que não pode faltar o encontro ~face to face~ de Selina e Bruce Wayne no baile de máscaras.

Gracioso, vale pelo menos uma rápida jogada para matar saudades do filme. Sim, o filme do Batman mais legal que já feito.

Veja também:
Tubarão, o Vídeogame
Michael Myers matando adoidado no Atari
Zombie - O Despertar dos Mortos, o jogo de tabuleiro
Cinema francês em 32 bits
Drácula de Bram Stoker, o vídeo game

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Channing Tatum bem antes da fama

 Seu nome é um dos mais quentes da nova geração de Hollywood. Como todo mundo, Channing Tatum teve de começar por algum lugar, no caso, no clip She bangs de Rick Martin que você assiste no player abaixo ou clicando aqui.
Achou? Ele é o barman sem camisa e com o rosto tatuado de tribal que faz malabares ali ao fundo.
Ele recebeu 400 dólares por sete dias de trabalho. O clipe é de 2000, então, Channing Tatum esperou bastante até ter seu nome reconhecido.

Nesse mesmo vídeo ainda temos outra celebridade com sorte diferente. A brasileira Patrícia de Sabrit!
Ao contrário de Tatum que ficou praticamente decorando as cenas, Sabrit consegui ter close entre dezenas de figurantes! Esse mundo dá voltas mesmo, não?
Já comentei a respeito dessa participação antes aqui no blog, relembre clicando aqui. De quando ela saiu desmentindo os boatos de que estaria namorando Rick Martin. Que boatos?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O brasileiro que dirigiu Hitchcock

É com evidente ponta de orgulho que o cinegrafista Orlando Moreira relembra que já dirigiu o cineasta Alfred Hitchcock. Moreira é um dos funcionários mais antigos da TV Globo.

No documentário O Reencontro (2015), onde jornalistas da emissora contam suas impressões pessoais sobre a trajetória na emissora carioca, ele cita quando em 1976 esteve no Universal Studios para filmar o Mestre do Suspense. A matéria para o Fantástico celebrava os 50 anos da carreira do diretor.

O repórter Hélio Costa exigiu que seu câmera fosse o brasileiro, o que fez com que a Globo pagasse ao sindicato local para conseguirem a permissão. Na hora de filmar ele deu as instruções: “Mister Hitchcock, eu quero que você entre por essa sala, segue aí atrás da sua mesma e fale: good evening”.
E assim foi! Apenas este trecho da matéria que foi ao ar em 11 de julho de 1977 pode ser conferido no Globoplay clicando aqui.

Não há notícias de outro brasileiro a fazer nada parecido. Naquele ano Hitchcock lançaria seu último filme, Trama Macabra (Family Plot), o que pode explicar sua boa vontade com a equipe sul americana.

Sabemos que Eva Wilma, a Vivinha, chegou a  participar de teste com o próprio Hitch para o papel de Juanita em de Topázio (Topz, 1969). O personagem de latina acabou ficando com a germânica Karin Dor.

10 piores representações etnicas de Hollywood

Não é novidade que a indústria cinematográfica norte americana nunca soube lidar com a pluralidade racial. O bacana dessa lista produzida pelo pessoal do Gold Derby é que ela engloba várias épocas, de 1937 a 2013!

 Mundo deu não sei quantas voltas, vários talentos foram perdidos por sua etnia, mas algumas coisinhas continuaram iguais! Claro que existem muitos outros exemplos além destes 10, faça sua lista!

A musa Luise Rainer tentou ser uma chinesa em Terra dos Deuses (The Good Earth, 1937 de Victor Fleming e outros). Ainda que com sotaque austríaco ela levou o Oscar pela interpretação, tornando-se a primeira atriz a ganhar o prêmio consecutivamente.

Em A Estirpe do Dragão (Dragon Seed, 1944 de Harold S. Bucquet e Jack Conway) foi a vez de Katharine Hepburn virar chinesa. Assim como o filme anterior ele é baseado em um livro de Pearl Buck.

E um abraço à maravilhosa Anna May Wong que tinha tudo para ser uma grande estrela de Hollywood a partir do cinema mudo e teve que ir à Europa em busca de papeis relevantes. Provavelmente era mais rentável maquiar uma americana...
Burt Lancaster em O Último Bravo (Apache, 1954 de Robert Aldrich) é apenas um dos astros a viverem nativos. De olhos claros, Lancaster produziu o filme numa tentativa de revisar o papel do índio no faroeste, agora sendo herói.
Já oscarizado, Marlon Brando podia tudo, até se passar por japonês em A Casa de Chá do Luar de Agosto (The Teahouse of the August Moon, 1956 de Daniel Mann). Décadas depois ele enviaria uma falsa índia receber um Oscar em seu lugar...
Sangue de Bárbaro (The Conqueror, 1956 de Dick Powell) é aquele filme fatídico que teria contaminado com radioatividade centenas de pessoas, incluindo os astros Susan Hayward e John Wayne (leia mais clicando aqui).  Wayne de mongol é o menor dos erros.
Um clássico da vergonha alheia! Mickey Rooney como o japonês ranzinza em Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's, 1961 de Blake Edwards) é o erro dos erros em meio à elegância do filme.
Laurence Olivier, o grande intérprete de Shakespeare do século passado, apelou à blackface para interpretar o mouro Othello (1965 de Stuart Burge). Indicado a quatro Oscar, um filme que já nasceu velho.
Alec Guinness encerraria a parceria com o diretor David Lean em Passagem Para a Índia (A Passage to India, 1984). Guinness ficou insultado com a maioria de sua cenas não ter entrado no corte final do diretor, muito mais do que ter interpretado o indiano mais caucasiano do mundo.
2007! Dois mil e sete e produziram O Preço da Coragem (A Mighty Heart de Michael Winterbottom)!!! Não é possível que alguém achou que estava tudo bacana colocar a Angelina Jolie para interpretar uma pessoa de etnia diferente.
Com Tonto, Johnny Deep abraçou a tradição hollywoodiana de brancos interpretando índios em O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, 2013 de Gore Verbinski). A adaptação recente dos personagens clássicos foi tão mal falada que esse probleminha passou batido.


Deep já havia sido um nativo americano em O Bravo (The Brave, 1997), sua estreia sonolenta como diretor. Se ele mesmo se escalou deve ter fé de que passa despercebido como índio...

Veja também:
Anna May Wong: Solitária estrela
O filme mais tóxico de todos os tempos

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Recadinho do Boris Karloff pra você

  Trecho do texto de apresentação de As 3 Máscaras do Terror (Back Sabbath/ I tre volti della paura, 1963 de Mario Bava). Boris Karloff assume o papel de uma espécie de mestre de cerimônias que abre o filme.

Com três segmentos curtos, ele ainda participa do segundo (I Wurdulak) como uma espécie de vampiro russo. Numa filmografia de 206 títulos, segundo o IMDB, foi a única vez em que ele interpretou um vampiro.

O que é incrível dentro da sua galeria de personagens que incluí múmia, cientista louco, Dr. Jekyll  e Mr. Hyde e psicopatas.  E óbvio, a mais famosa encarnação das criaturas de Frankenstein.

Karloff também filmou pequenas introduções para cada historia de As 3 Máscaras do Terror, mais tarde ele diria que foram os momentos mais divertidos que passou dentro de um set. Infelizmente os produtores acharam desnecessárias e mandaram retirar.

Essas cenas fazem parte dos extras da edição distribuída em DVD no Brasil pela DarkSide/ BrookFilm. E uma imagem bem superior a algumas edições lançadas em outros países, conforme você pode comparar nesta postagem aqui.

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