sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Uma foto, três lendas


Numa mesma imagem histórica o maquiador Jack Pierce ajustando o bigode de Vincent Price. O famoso bigode que o acompanhou por quase toda vida.

Estranho vê-los juntos, porque Pierce é o mitológico criador das maquiagens de horror da época de ouro da Universal. São creditadas a ele criações eternizadas no imaginário popular como a do Monstro de Frankenstein, A Múmia, Lobisomem e alguns outros.

Até quem (infelizmente) ainda não viu esses filmes conhece o trabalho dele. Mas aparentemente, Jack Pierce e Vincent Price nunca trabalharam juntos.

O mais perto que Vincent Price chegou dos monstros da Universal foi como O Homem Invisível em Abbott e Costello às Voltas com Fantasmas (Bud Abbott Lou Costello Meet Frankenstein, 1948 de Charles Barton). Comédia que embora reaproveite as tais criaturas, não tem o trabalho direto de Pierce, sem falar que o ator nem aparece fisicamente.

O cara do blog Dr. Gangrene por sorte é chapa do autor da biografia do Jack Pierce e perguntou-lhe se alguma vez eles haviam trabalhado juntos. Sim, uma única vez!

Foi em Serviço de Luxo (Service de Luxe, 1948 de Rowland V. Lee) estreia de Vincent Price no cinema, contratado pela Universal. Jack Pierce não está creditado como maquiador, mas, como a foto comprova esteve, lá.

Divertido imaginar que tem o dedo do famoso maquiador no bigode de Vincent Price. Mesmo sem maquiagem na maioria das vezes, ele também é um monstro célebre.

Veja também:
Todas as caras do monstro de Frankenstein na Hammer

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Quando a altura interfere no romance


 E se há alguém que pode dizer que começou por baixo em Hollywood, esse alguém é Sophia Loren. Não que ela tenha sido contratada por estúdio norte-americano para um papel inóspito.

Nos EUA ela estreou logo sendo a protagonista em A Lenda da Estátua Nua (Boy on a Dolphin, 1957 de Jean Negulesco). É o terceiro nome nos créditos, após Alan Ladd e Clifton Webb, e o problema foi enquadrá-la com o primeiro, seu par romântico, sem revelar a baixa estatura do ator.

Ela tem 1, 74cm, ele tinha 1,68cm!  Reza a lenda que Sophia Loren teve parte das pernas enterradas na areia para ficar na mesma altura que Ladd na hora do beijo.

Não há nenhuma sequencia, pelo menos na cópia que assisti, que possa dar a entender ou confirmar isso. O derradeiro beijo acontece com Alan Ladd deitado sobre ela, porque na horizontal todas as diferenças se resolvem, né?

Mas a coisa não deve ter sido fácil mesmo! Eles nunca ficam na mesma direção em plano aberto (geralmente ela fica posicionada mais atrás, repare), ou ainda, quando um aparece sentado e outro está em pé.

No começo de sua carreira, Alan Ladd teria sido recusado exatamente por ser baixo, o que lhe fez se refugiar no rádio. Década de 30, inicio do cinema sonoro, ainda não haviam explorado todos os recursos para superar enquadramentos, ou Ladd não demostrava valer as tentativas.

Só voltaria a tentar a sorte em Hollywood tempos depois, na era do noir que assolou o cinema norte- americano dos anos 40.  E se tornou um daqueles astros populares que a crítica torce o nariz, mas arrasta multidões à bilheteria,

Sua altura deve ter ajudado na parceria que fez com Veronica Lake em sete filmes (Entre 1942 e 1947).  Embora não pareça na tela, Lake media apenas 1,51cm conforme uma foto revela (clique e confira).

Não era preciso pensar estratégia nenhuma pra eles aparecerem juntos em cena além dos usuais cuidados fotográficos. Formaram um dos casais mais bem sucedidos na história do cinema.

Mas a parceria não podia durar pra sempre. Veronica Lake teve a carreira minguada e Alan Ladd continuou atrás de outra partner igualmente ideal.

Veja também:
Veronica Lake: estrela da posteridade



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Diabolik em DVD no Brasil!

  Demorou, mas valeu! Já nas lojas o clássico kitsch baseado em quadrinhos Diabolik (Danger: Diabolik!, 1968 de Mario Bava).

Assim como Barbarella (de Roger Vadim) que é do mesmo ano, Diabolik levou ao pé da letra a transposição dos quadrinhos para o cinema. De forma bem humorada soube tirar proveito das extravagâncias visuais.

Coincidentemente, ambos contam no elenco com o ator John Phillip Law, de anjo a anti-herói mascarado. Mas Barbarrela não é páreo para Diabollik em termos de linguagem pulp e estética psicodélica daquele tempo.


O DVD brasileiro possui escopo original em widescreen e áudio em português, inglês e o original italiano. Tudo com excelente qualidade!


Os extras são faixa de comentário do ator John Phillip Law junto com o historiador Tim Lucas e o doc de 20 minutos "Danger: Diabolik: From Fumetti to Film". Além, claro, dos inevitáveis teaser e trailer da época.

Ainda destaco o clipe Body Movin’ dos Beast Boys de 1998, uma super oportunidade de guardá-lo junto ao filme. Há a possibilidade de se assistir ao clipe, todo calcado no filme de Mario Bava, com comentários de Adam Yauch.

Mas você ainda não viu nada... São dois discos!!!

No primeiro disco vem o filme e os extras e o segundo é de áudio. Nada menos do que uma versão de luxo da trilha sonora composta por Ennio Morricone com 34 faixas, incluindo versões alternativas e diálogos marcantes.

A edição especial limitada, uma das melhores no mundo, é um lançamento da BrookFun/London Films. A empresa já havia colocado no mercado A Maldição do Demônio (Black Sunday/ La maschera del demonio, 1960) e as Três Mascaras do Terror (Black Sabbath/ I tre volti della paura, 1963) também do mestre Mario Bava.

Veja também:
Diabolik: Robin Hood da luxúria

Com a palavra, Godzilla. Ouça!

A semana começa bem! Aumente o volume ao máximo e clique no player acima para ouvir o novo rugido de Godzilla (ou aqui, caso não o visualize), uma gentileza dos produtores do filme.

O "roar" era audível no último trailer, mas não tão completo assim. Outra revelação de hoje veio da aparência dele.

revista Empire divulgou a capa especial da edição de março, mostrando o bicho de corpo inteiro pela primeira vez. O renascimento histórico de um ícone no ocidente!

O novo Godzilla deve estrear mundialmente em maio próximo. É a segunda tentativa de Hollywood em lidar com o monstro gigante japonês.

Pelo que se observa comparando trailers, será reverente ao primeiro filme de 1954. Confira clicando aqui.

As expectativas são as melhores possíveis. Agora vai?

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Mad mostra o assassino de Miguel Fragonard

 Ou não! Edição 74 da primeira encarnação da revista Mad do Brasil entrando na onda do misterioso assassinato do milionário de Água Viva, Star Wars e da série Incrível Hulk de uma tacada só.

Todos sucessos do ano de 1980! A exibição atual da novela de Gilberto Braga no Canal Viva está entrando na reta final. Miguel Fragonard (Raul Cortez), o cirurgião plástico muito bonzinho, já começou a mostrar que tem uma arma de fogo.

SEM SPOILERS! Eu sei quem o matará porque acidentalmente eu li naquele dicionário da TV Globo, e fui observando os passos desse personagem no decorrer da trama.

 Ele está envolvido em toda a história, desde o começo da novela. Não é um culpado como fazem agora, que vira qualquer personagem, ou um muito óbvio (embora a imprensa na época tenha chamado de redundante).

Na lista da capa da Mad, de certeza não foi Darth Vader, nem Lou Ferrigno como Hulk ou o Alfred E. Neuman! O ator Dary Reis, caseiro da casa do médico em Angra, tinha aparecido muito pouco até o capítulo (124) que o Viva exibiu na madrugada de hoje (22).

Muito pouco para um ator bastante conhecido do público das novelas desde Irmãos Coragem (1971). Sua caricatura está embaixo da jovem politizada e chata Janete (Lucélia Santos).

Curioso como eles não incluíram aí a Celeste (Arlete Salles). Boazinha de personalidade ambígua, revelou há pouco tempo que nutre paixão pelo futuro morto, marido da amiga Lígia (Betty Faria).

 Mas eu escrevo este post antes do crime acontecer, apenas especulando pela capa da revista de humor, não sei quem ainda demonstrará ser suspeito. Na verdade, até agora o grã fino é tão boa praça que é até difícil imaginar que alguém teria motivos para mandá-lo pro além.

A capa da revista é uma indicação do David Oak, originária do Mercado Livre

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Harrison Ford em Belém do Pará. Não!


 Errinho geográfico em Perigo Real E Imediato (Clear and Present Danger, 1994 de Phillip Noyce). No filme estrelado por Harrison Ford, a CIA arma uma guerra contra o cartel de drogas colombiano.

Quando os agentes norte-americanos se encontram num apartamento com o vilão interpretado pelo português Joaquim Almeida, há uma visão externa do prédio. Na tomada que não dura mais do que dois segundos, aparece nada menos do que o Edifício Manuel Pinto da Silva em Belém do Pará.

Tradicional na cidade, até a década de 50 era considerado o mais alto da capital paraense. No filme ele aparece exatamente aos 55 minutos e 21 segundos, mas há este trecho no You Tube.

Boa parte da história se passa na Colômbia e as locações foram próximas à Cidade do México. Mas não deviam ter à mão nenhum prédio como o Manuel Pinto. Pelo menos na hora de montar o filme.

E usar velhos trechos de arquivo é uma prática bem comum em filmes B (Ed Wood até se orgulhava disso!), mas em produções hollywoodianas com grandes astros tem lá sua graça a mais. Nesse, repare nas duas imagens que abrem este post como a textura da imagem do Brasil é muito diferente do resto do filme .

Ed Fury: Três é demais?

Na esquerda uma foto do elenco durante as filmagens de É Melhor Ser Pobre (A Slight Case of Larceny, 1953 de Don Weis). Na direita um dos pôsteres do filme que reutilizaram a imagem, ignorando o seguinte detalhe abaixo:

A foto correu o mundo (inclusive em revistas do Brasil) promovendo o filme como prova do quão divertido estava sendo filmar, mas foi alterada no poster. O rapaz ali embaixo é o fisiculturista, modelo e ator Ed Fury!

Além de desaparecer na foto aproveitada no cartaz, seu nome também não consta entre o elenco na página de É Melhor Ser Pobre no IMDB. Talvez essa cena da praia em que Ed Fury serve literalmente de escada para Eddie Bracken e Mickey Rooney não tenha entrado na edição.

Talvez qualquer participação dele também tenha ficado de fora e o retrato ficou apenas como registro dos bastidores. Há outra foto numa praia onde aparece se exibindo para uma garota, que provavelmente pertence a mesma produção de 1953.

É estranho que existam várias imagens promocionais com Ed Fury e ele não participar do filme. Tem cara de ser mais um caso onde deu o ar de sua graça, mas que ainda não foi listado na filmografia dele.

Fury tentou de tudo para encontrar seu lugar ao sol no show business a partir de 1946, quando estava com 18 anos e se mudou para a Califórnia. É hoje muito mais famoso pelas fotos 50’s com pouca roupa que posou para o lendário fotógrafo Bob Mizer do que pelas DEZENAS de filmes que participou naquela época.

A maioria desses trabalhos foi como figurante, sem ter créditos, e agora na posteridade os fãs vão o encontrando pouco a pouco. Já comentei isso aqui antes, o quanto a filmografia dele no IMDB era pequena nos primórdios da Internet.

Você já deve ter assistido a muitos filmes com ele sem saber, embora sua figura seja fácil de ser reconhecida depois. Confira alguns dos títulos mais famosos clicando aqui.

Pena que será difícil tirar a prova dos nove, já que "É Melhor Ser Pobre" é raro de ser encontrado, até mesmo nos mais profundos rincões dos downloads da internet. Certeza mesmo é que de quatro foi limado do cartaz.

Veja também:
Ed Fury: Nem todo passado condenaCorto cabelo mas não pinto
EXCLUSIVO! Bill Cable em um pornô 70’s!

Bond girls ao gosto do censor: Versões do mesmo pôster

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Mimo ideal para os fãs de Cheech e Chong

A Paramount distribuiu fósforos para o lançamento dos filmes de Cheech e Chong em VHS, no começo dos anos 80. Salve Nossa Senhora do Marketing Correto!!!


Parece óbvio, mas lembre-se, eu já ganhei de brinde até bandeirinha do Brasil num musical de Rodger& Hammerstein. Poucas vezes na vida fiquei com tanta cara de “uéééé?”...

Fósforos é a coisa mais relacionada que a distribuidora poderia dar pra Cheech e Chong. Melhor que isso só se a capinha fosse impressa em papel de seda.

Já recebi régua plástica de 20 centímetros de uma distribuidora. Antes de ver o filme fiquei tentando imaginar sobre o que trataria a história.

Minha mente limpinha, claro, conseguiu supor que fosse uma comédia tipo Porks, onde os rapazes medissem seus atributos. Mas era só um filme sobre concursos públicos...

Outra promoção boa foi aquela da Fox em que rifaram viagem até o Triângulo das Bermudas entre os telespectadores de Arquivo X. Não sei se algum vencedor voltou de lá pra contar.

As imagens são um oferecimento Robert

Veja também:
Presente de siamês
Só faça o que a Disney diz
Vá ao Triangulo das Bermudas

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Katrina Vs. Santanico Pandemonium


 
Duas estrelas burlescas de bares que ficam abertos até o amanhecer, repletos de vampiras disfarçadas de strippers. Santanico Pandemonium de Um Drink No Inferno (From Dusk Till Dawn, 1996 de Robert Rodriguez) e Katrina de Vamp – A Noite dos Vampiros (Vamp, 1986 de Richard Wenk) têm tantos pontos em comum...

Se não conhecêssemos a genealogia de Santanico mostrada em Um Drink No Inferno 3: A Filha do Carrasco (From Dusk Till Dawn 3: The Hangman's Daughter, 1999 de P.J. Pesce), daria pra suspeitar de algum parentesco. Uma tia talvez? Fazem parte do mesmo sindicato pelo menos?

Mudas, a vampira de Grace Jones tem relação com as pirâmides egípcias, a de Salma Hayek tem com as pirâmides Astecas. Katrina provavelmente levaria a melhor numa lutinha hipotética entre as duas, até por ser muito mais antiga, e de influência bem maior na casa noturna onde se apresenta.

Ou ainda, talvez o lugar nem existisse sem ela. Seu rosto aparece até em anúncios de jornal pra atrair turistas desavisados ao The After Dark Club.

É claro que as apresentações de ambas são muito distintas, embora façam igualmente a casa parar. Santanico Pandemonium usa cobras, faz tomarem vinho do seu pé, Katrina sem nada disso, além de um manequim sem cabeça pintado por Keith Haring, parece ser mais exótica.

A frequência do lugar 80’s tem muitos tipos rústicos que parecem caminhoneiros. O que a princípio, faz a gente pensar o quão estranho é parar as apresentações das strippers pra entrar no palco um show conceitual que parece de travesti, mas no final todos aprovam.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sinal vermelho para Mitzi



 Notinha publicada na revista A Scena Muda em 1954... Exatos 60 anos depois é interessante analisar o texto diante do que aconteceu com os nomes citados e o que de verdade havia nele.
As coisas não andam correndo bem, atualmente, para a estrepitosa Mitzi Gaynor e isso porque seu estúdio, a Fox, vem negando sistematicamente maiores oportunidades para sua "estrelinha". São vários os motivos, segundo os mexeriqueiros de Hollywood. Um dêles é a presença da "borbulhante", Sheree North, substituta eventual de Marilyn Monroe, e outro, são o atual namorado de Mitzi, Jack Bean. Dizem que o rapaz gosta de interferir na carreira de Mitzi e a Fox não está contente com essa maneira um tanto estranha de amar alguém. Cabe a Mitzi Gaynor mudar a situação, colocando a carreira acima de um amor inconsequente...

Tem pessoas talentosas que não decolam e geralmente a culpa recai na massacrante mídia, no caso específico em Hollywood. Pra informação desse desconforto do estúdio ter chegado até a uma revista no Brasil as coisas já tinham azedado entre Mitzi Gaynor e Fox.

Sheree North, estepe da Marilyn
Sempre tão zelosos com a publicidade em torno de seus contratados é estranho essa informação ter vazado. Eu já havia postado aqui sobre Mitzi. Justamente o quão talentosa era pra sempre ter ficado á sombra das outras, na ocasião apostei que foi por não ser tão bonita, leia clicando aqui.

Como substituta acaso Marilyn Monroe se recusasse a algum projeto tinham a borbulhante Sheree North na manga. Borbulhante, mas com carreira irrisória, logo seria dispensada quando o estúdio contratou Jayne Mansfield, que era célebre como um tipo de caricatura oficial de Monroe.

Sheree North é pouco lembrada agora, embora tenha trabalhado por muitos anos em filmes B e series de TV. Suas aparições mais conhecidas do grande público são em Mary Tyler Moore, As Super Gatas (The Golden Girls) e Seinfield.

Mitzi chegou a protagonizar uma grande produção, o musical Ao Sul do Pacífico (South Pacific, 1958 de Joshua Logan) um enorme flop em seu tempo. Logo depois foi finalmente dispensada pela Fox.

Quanto ao então atual namorado Jack Bean, que gostava de interferir na carreira da moça, o que a revista chama de “estranho jeito de amar” e “amor inconsequente”, não teve jeito. Casaram-se no final do ano em que a nota foi publicada.


A única união da atriz foi de 1954 a 2006, quando Bean faleceu. E o tempo mostrou que os mexericos estavam certos quanto a ele opinar bastante na carreira dela, quando se tornou também o agente da moça.

Mitzi Gaynor, que continua em atividade nos palcos aos 83 anos, se afastou do cinema em 1963 e conquistou nova popularidade a partir de 1968 ao protagonizar especiais anuais televisivos onde cantava e dançava. Todos com produção executiva do esposo e agente.

A segunda imagem é um oferecimento Pretty Pix, a terceira Tremainedance, e a quarta LA Stage

Veja também:
O furacão Mitzi
Mitzi Gaynor, certinha do La Dolce

Lobisomem apavora cidade

  A pequena São Gonçalo dos Campos, município com 32 mil habitantes do interior baiano vive uma onda de medo. Populares se autodeterminaram uma espécie de toque de recolher para escapar do lobisomem que estaria assombrando por lá.

Ninguém sai de casa após as 21 horas desde que os boatos começaram, entre o final de janeiro, começo de fevereiro. Ganhou relevância após um morador afirmar ter ficado cara a cara com a fera metade homem, metade lobo.

Segundo o jornal local A Tarde, tudo começou após um rapaz de nome Pingo contar a um blog que havia avistado uma criatura estranha. Ele estaria esperava ônibus por volta das 3 horas quando viu o ser que descreveu como "Um monstro de cor negra, aparentando mais de um metro e meio de altura, peludo, e que se contorcia sem parar".

 Seu Mário Sérgio, vizinho, contou que Pingo correu para casa, onde entrou esbaforido e desmaiou por conta do susto, "Dizem que foi a sogra dele que abriu o portão. Mas ele ainda viu o bicho na esquina".

Procurado pela reportagem, a esposa do rapaz disse que ele se recusa a falar aos jornalistas porque virou alvo de piadas. O periódico conseguiu o depoimento do aposentado Paulo Dias, que também teria testemunhado um sinal de que o lobisomem tem rondado a cidade.


Dias diz ter notado "algo estranho" fora de casa e sem saber o que seria, preferiu acender uma vela e orar. "Era mais de meia-noite. Ouvi um bicho arranhando o portão e fiquei quieto, sem dar um pio. Não posso garantir que foi o lobisomem, nem quero saber se era. Tá repreendido, em nome de Jesus."

Até que apareceu um vídeo no You Tube intitulado "Criatura filmada em São Gonçalo dos Campos". Assista clicando aqui, o que já provaram não ter relação com os recentes falatórios do município, porque que o mesmo vídeo havia sido postado em 2007.

Para o prefeito Antonio Dessa, a história é no “mínimo hilárias”, coisa da imaginação fértil da população. Mesmo com crescentes narrativas, a delegada Cristiane Oliveira conta que, por enquanto, não decretou investigação, e que nem há ocorrências relacionadas em seus registros.

Não é a primeira vez nos últimos anos que o lobisomem ganham destaques na imprensa após assustar pequenas cidades. Em 2009 o G1 noticiou que uma jovem de São Sepé (RS) alegou ter sido atacada pelo monstro.

A vitima, segundo o boletim de ocorrência, teria sido arranhada no rosto e no braço. O exame de corpo de delito comprovou as escoriações.

Na delegacia ela desenhou o que seria um tipo de retrato falado do seu agressor. Veja a imagem abaixo...


...A mais reveladora e exclusiva descrição de um lobisomem na história da humanidade.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Muitos litros de silicone

Esse sexplotation foi mais longe ao atualizar O Ataque da Mulher de 15 Metros (Attack of the 50 Foot Woman, 1958 de Nathan Juran) do que o remake oficial de 1993 estrelado pela Daryl Hannah. O que pode superdesenvolver uma garota ao ponto de assustar homens do que os cuidados estéticos excessivos?

Attack of the 60 Foot Centerfolds é uma produção de Roger Corman, dirigida por Fred Olen Ray em 1995, mesmo diretor do cultuado Hollywood Chainsaw Hookers (1988). Encabeçando o elenco está a portentosa J.J. North que participou de punhadinho de filmes que necessitavam de uma linda garota disposta a mostrar os seios.

É obscuro, mas não muito. Saiu em VHS no Brasil com o título “Altas Confusões” (imagem ao lado), um trocadilho que cabia bem num filme da Sessão da Tarde, se ao retirar toda a nudez feminina sobrasse alguma coisa, claro.

Uma tradução literal talvez fosse “Ataque da pinup de 18 metros”, simplificando “centerfolds “ que na verdade é uma expressão que pode ser algo como “garota do pôster central”, “a gata do mês”. Em suma, se refere à pelada de destaque numa publicação.

A trama, que brinca com clichês da ficção científica 50's, é sobre três garotas que disputam aparecer como destaque do ano numa revista masculina chamada Centerfolds. A loira toma uma poção de um cientista maluco para crescer seus atributos, mas algo dá errado...

A primeira imagem é um oferecimento CDUniverse, a segunda Mercado Livre

Veja também:

Sci-Fighter! Mulheres gigantes

R.I.P. Shirley Temple

A graciosa Shirley Temple faleceu nesta segunda (10) aos 85 anos nos Estados Unidos. Ela é a maior atriz mirim que Hollywood já fabricou, começando a trabalhar aos três anos.

Contratada pela Fox na década de 30 para estrelar adocicadas produções que eram consideradas um alívio perante a Grande Depressão que os EUA passavam. Naquele tempo chegou a ser o astro do estúdio mais bem pago, façanha suplantada por Carmen Miranda na próxima década.

Muitas meninas que nasceram no período foram batizadas com seu nome, a mais famosa delas talvez seja Shirley Maclaine em 1934. Sua figura de cachinhos dourados bem definidos e covinhas na bochecha a transformou num personagem forte do cinema acima dos filmes que participou.

É também muito lembrada nas gerações recentes pelas constantes reprises de O Pássaro Azul (The Blue Bird, 1940 de Walter Lang) na Sessão da Tarde dos anos 80. Espécie de resposta da Fox para O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939 de Victor Fleming) da MGM, que cogitou a presença da menina, empréstimo recusado por seu estúdio.

Previsível que a atriz não conseguiu o mesmo êxito profissional ao crescer e perder os atrativos, embora nunca tenha sido esquecida. Shirley Temple é um ícone hollywoodiano, tal e qual Marilyn Monroe, Bruce Lee, Carlitos e poucos outros.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

História de horror espanhola: Coven

Lá vem Álex de la Iglesia tacar na nossa cara uma overdose de referências cinematográficas enquanto discute peculiaridades sociais. No recente Las brujas de Zugarramurdi (2013) ele pode não entregar um filme redondinho, mas ainda é um espetáculo surpreendente.

O roteiro une um monte de gags sob a espinha narrativa, o que justifica o resultado nem sempre bom, mas quando acerta chega ao brilhantismo. Tanta informação que uma segunda assistida é necessária.

Começa freneticamente com um assalto a mão armada que tem entre os meliantes o Bob Esponja (!), Minnie Mouse estilo 25 de Março(!!) , Jesus Cristo (!!!) e um menino de onze anos (!!!) que não deve ser facilmente esquecido. Pouca coisa da filmografia mundial recente ousou tanta irreverência nos totens da nossa civilização.

Na fuga alguns sequestram um táxi e partem pra Paris (uma citação ao sucesso popular de Besson?). Acabam parando em Zugarramurdi, um município espanhol que realmente existe na fronteira com a França e que em sua história consta a condenação pela Santa Inquisição de 40 vizinhas em 1610.

E a partir do encontro de fatos históricos com ficção o filme se enriquece de uma força peculiar de cartão postal para interessados em ocultismo. Uma das atrações turísticas do pequeno povoado, a Caverna do Sabbat ou Zugarramurdi, repleta de lendas do século XVI, acaba virando um personagem importante no apoteótico desfecho.

Quanto às bruxas em si, encabeçadas pela eterna almodovariana Carmen Maura (a cara de Christopher Lee em O Homem de Palha!), pode-se dizer que embora sigam conceitualmente a cartilha equivocada da Santa Sé, escapam do maniqueísmo. Podem assar uma criancinha com maçã na boca, mas tudo em nome da natureza medieval que cultivam.


 Com o desenrolar o discurso se firma na perpetuação de antigos e bolorentos preceitos, sendo a evidente guerra entre machistas e feministas apenas um deles. Sem assumir lados, se atém a mostrar com doses corretas entre terror e comédia, como La Iglesia já se mostrou ser o principal mestre vivo.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

E diziam que ela estava na pior...

Em 1959 a Vampira entrou pra história ao participar de Plan 9 From Outer Space. A bomba dirigida por Ed Wood é considerada o pior filme de todos os tempos e só viraria cult muitos anos depois.

No ano anterior foi homenageada num rock-n-roll por Bobby Bare, que posteriormente se consagraria como cantor country. Ele lançou um compacto com a música Vampira que você ouve no player abaixo ou clicando aqui.


A precursora da Elvira rumava ao ostracismo (o filme de Ed Wood foi rodado entre 56 e 57), mas ainda mereceu ser citada numa canção. Já não tinha há algum tempo o programa de TV de estrondoso sucesso onde apresentava filmes de terror, mas havia se tornado uma celebridade exótica na mídia.


A própria declararia muitos anos depois que sabia o quanto as coisas iam mal quando embarcou em Plan 9: "Na época achei que o filme era horrível. Eu soube imediatamente que estaria cometendo suicídio profissional, mas eu pensei 'que escolha tenho?' De alguma forma, eu parecia já estar morta."

Podemos duvidar de que a canção é mesmo pra ela pelo nome pouco exclusivo da personagem, mas tudo indica que sim. Amiga íntima de James Dean e Elvis Presley, Vampira ainda combinava com o ritmo do diabo que fazia a cabeça da molecada.

No final da década de 50 o que mais devia ter era gente lançando músicas parecidas. Ao que parece, a canção não fez o menor sucesso, assim como qualquer projeto que ela se envolveu a partir daqueles anos.

A imagem é uma colorização própria sobre imagem que circula pela Internet.

Veja também:
Vampira citada na Folha de São Paulo em 1955
Entrevista com Vampira
Maila Nurmi e a vingança dos rejeitados

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Filme de baixo orçamento, festa idem

 Fantástica ideia para um bolo decorado! Não requer prática nem habilidade, apenas um bonequinho de plástico do Godzilla.

Olha aí pai! Olha aí mãe! Uma dona de casa de Chicago (EUA) criou uma festa de aniversário temática com o monstro gigante japonês a custo baixíssimo.

O bolo de chocolate usava prédios de biscoitos em cima, mas o resultado ficou muito mais legal depois de destruído. Não há Godzilla sem o caos instaurado!

Ela ainda reproduziu Tókio na mesa de doces (que lá possuem um conceito bem diferente dos nossos, né?). Tudo com caixa de papelão forrado de papel craft, como não poderia deixar de ser.

Entre as guloseimas, colocou pipoca caramelada verde dentro de uns cones apoiados numa caixa onde estava escrito “catota de Godzila”. A imaginação é o limite. Que tal melão verde transformados em ovos do monstro?

Festa bem em conta, com um resultado muito divertido. O aniversário era de uma criança de seis anos, mas, né? Até eu me encantei tendo muito mais do que isso...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Doce lar de um bad boy


Momento de pura ternura de Robert Mitchum cozinhando para seus filhos James e Christopher. Para um ator que insistia em ser o cara do mau, o machão que desprezava a arte, deixando claro que só fazia filmes pra pegar mulher e ganhar uns trocos, é de uma candura ímpar.

Mitchum conquistou uma carreira espetacular de tipos detestáveis ou assustadores. É um dos quatro atores a aparecer duas vezes na lista do American Film Institute sobre os 100 anos dos maiores vilões (e heróis).

Apareceu lá como Max Cady de O Círculo do Medo (Cape Fear, 1962 deJ. Lee Thompson) e o nada religioso pastor Harry Powell deo Mensageiro do Diabo (The Night of the Hunter, 1955 de Charles Laughton). Os outros atores que aparecem duplicados são Jack Nicholson , Bette Davis e Faye Dunaway.

Na vida real, seu alcoolismo veio a público em 1984 quando se internou numa clínica, não que antes não cultivasse imagem de bêbado. A fama de incansável mulherengo não atrapalhou seu único casamento que durou mais de 60 anos, até sua morte em 1997.

No final de 1940 tornou-se um dos primeiros grandes astros a ser detido por porte de maconha. Ainda assim, era conhecido como célebre defensor das causas republicanas, chegando a fazer campanha para Bush pai em 1992.

A primeira imagem é um oferecimento WELCOME TO THE BIG SLEEP

Veja também:
Robert Mitchum CANTA!
Mais vida doméstica das estrelas

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Robocop: Detroit, mas com o pézinho em Tókio

  Poster japonês de Mad Max (1979 de George Miller) e o do remake de Robocop (2014 de José Padilha) para IMAX. E salve Nossa Senhora da Cultura Pop, que se regozija com a antropofagia.

Talvez seja acidental, mas expõe de certo modo onde estão mirando. Sem fazer, claro, nenhum juízo de valor do filme que ainda vai estrear, apenas apontando uma curiosa similaridade.

E em se tratando de blockbuster nunca se sabe direito onde começam as meras referências artísticas e acabam os interesses de mercado. Uma coprodução com a Columbia, propriedade da Sony...

Mas vá lá, essa ligação nipônica não é novidade no universo do Policial do Futuro. O filme de 1987, dirigido por Paul Verhoeven, guarda evidentes pontos em comum com o argumento do mangá e anime 8 Man ( 8マン), um dos primeiros a ser exibido em outros países, inclusive no Brasil.

O personagem japonês criado em 1963 é considerado o precursor dos heróis cyborgs deles. A história basicamente gira em torno de um policial que morto por bandidos é reconstruído com partes de robô, voltando à ativa para combater malfeitores.

Os primeiros esboços aprovados para o visual do Robocop 80’s revelariam influências de 8 Man e do tokusatsu Detetive Espacial Gavan (Uchuu Keiji Gavan/ Space Sheriff Gavan, 1982). Conceitos que em parte parecem ter sido reaproveitados na refilmagem.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Você precisa conhecer este astro!


Preciosa capa de A Scena Muda de 1931 com o valente William Haines. Pra não termos dúvidas de que ele não era apenas um ator em Hollywood como tantos outros, mas um astro, merecedor de capa de revista!!!

Conforme vemos pela prestigiosa publicação brasileira, não faz o menor sentido sua existência ter sido praticamente apagada. Em tempos de correções históricas, o cinema (incluindo aí os fãs) tem uma dívida com este homem!

Forte homem que na década de 30 se recusou a deixar o amado pra fazer o jogo do estúdio que queria casá-lo, como era comum. Leia sobre sua impressionante história clicando aqui.

Tantos, mas tantos em 2014 ainda cedem ou se anulam por locais tão menos glamourosos que Hollywood... O preço que pagou, embora tendo se tornado depois um renomado decorador de interiores, foi o esquecimento, contrariando a promessa da imortalidade que o cinema sempre ofereceu.

Ao contrário dos que foram acusados de comunismo na trágica caça às bruxas do Macartismo, ainda não houve redenção a William Haines. E a muitos outros, que um dia, se a história deixar, descobriremos.

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