terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Agora só no ano que vem

Eita! Feliz ano novo de novo!!! Não poderia deixar de passar aqui e desejar que 2014 seja repleto de concretizações positivas.

Ok, é só uma data, um número novo no calendário e o tempo continua o mesmo, com os dias nascendo e morrendo independente de qualquer criação do homem... Mas, né?

Custa nada pensar positivamente. Até lá!

A imagem é um oferecimento 貳之其~ノモシカツナト告廣誌雜之和昭

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Hammer tentou produzir King Kong!

Entre o final da década de 50 e início da 60 o estúdio britânico Hammer ficou conhecido em todo mundo por produzir “refilmagens” em cores dos monstros hollywoodianos da década de 30. De Frankenstein a Drácula, passando pelo Fantasma da Ópera, parece óbvio que o interesse em King Kong.

Esperavam rodar em 1966, marcando com ele seu 100º filme literalmente em grande estilo. O porém ficou a cargo dos detentores da RKO, que não tinham interesse algum em ceder os direitos para refazerem seu principal filme, sucesso astronômico de 1933.

Coube à Hammer então refilmar O Despertar do Mundo (One Million B.C., 1940 de Hal Roach Jr. e Hal Roach) clássico com dinossauros em stop-motion na “mesma linha” de King Kong. Mil Séculos Antes de Cristo (One Million Years B.C., 1966 de Don Chaffey) contou com os efeitos do papa da animação quadro a quadro Ray Harryhausen.

E mais! Raquel Welch no auge da formosura trajando nada mais do que peles de animais. Não podia dar errado e não deu mesmo! Tremendo sucesso fez surgir várias produções parecidas de outros estúdios que misturavam belas garotas e dinossauros.

A própria Hammer voltaria ao tema em Quando os Dinossauros Dominavam a Terra (When Dinosaurs Ruled the Earth , 1970 de Val Guest) estrelado pela coelhinha da playboy Victoria Vetri. Com tanto dinheiro em caixa e as velhas criaturas revividas por ele já demonstrando sinal de cansaço nas bilheterias, a Hammer voltou a pensar em King Kong, não importando o quanto custasse.

Harryhausen trabalhando em Fúria de Titãs
No topo da empresa estava Michael Carreras, o maior entusiasta do projeto. Apostando alto em refilmar King Kong, contratou novamente Ray Harryhausen para animar o macacão. Harryhausen, lendário pelos efeitos em filmes como Jasão e o Velo de Ouro (Jason and the Argonauts, 1963 de Don Chaffey), nunca escondeu que foi justo o fascínio ao ver King Kong em 1933, quando era um garoto, que o impulsionou a seguir na área.

Honrado pela oportunidade, ao mesmo tempo se sentiu confuso ao não ver a necessidade de refilmar, já que o original permanecia excelente. A empreitada chegou também a David Allen, responsável pelos efeitos de Quando os Dinossauros Dominavam a Terra.

Allen por sua vez viu a necessidade eminente de modernizar o monarca da Ilha da Caveira. Empolgado, por conta própria fabricou um bonequinho muito parecido ao da década de 30 e filmou vários testes de movimentos para demonstrar o que poderia fazer.
Um ano depois de negociações com a concessionária responsável pela RKO e nada! O presidente da empresa chegou publicamente a declarar que um remake de King Kong jamais veria o dia enquanto ao mesmo tempo cobrava uma pequena fábula de quem se propusesse a comprar os direitos além de incontáveis exigências.

Quase cinco anos depois os direitos do personagem estariam expirados, época em que o produtor italiano Dino De Laurentiis finalmente dará ao mundo um novo King Kong, dirigido por John Guillermin. Aliás, após uma acirrada disputa com a Universal que também queria fazer o seu, mas isso já é outra história.

Voltando à Hammer, os ânimos esfriaram após tanto tempo de negociações infrutíferas. Michael Carreras, o chefão, finalmente recuou desapontado por não conseguir comprar a autorização.

Imaginável também a frustração de Ray Harryhausen, morto em 2013, que jamais realizou o sonho de movimentar seu amado King Kong. Ao mesmo tempo o alívio de não carregar nos ombros uma produção com custos faraônicos.

Quanto a David Allen, seus esforços não foram totalmente em vão. Os testes acabaram de certa forma sendo aproveitados num comercial de TV para a Volkswagen.


Muito parecido ao original de 1933. Furiosamente em cores no topo do Empire State.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Onda nova que virou tsunami

À esquerda, o pôster de New Wave Hookers com Traci Lords (ainda TracY) em 1985, à direita pôster do mesmo vídeo com Ginger Lynn em 1986. O célebre trabalho dos Dark Brothers foi um dos principais a cair no furacão Traci.

Assim que as primeiras notícias de que a estrela era menor de idade quando o rodou começaram a pipocar o filme foi recolhido. Leia sobre a polemica que estremeceu a ascendente indústria pornô 80’s clicando aqui.

Traci e Kristara Barrington na premiere mundial
New Wave Hookers foi relançado logo a seguir, com o segundo pôster e sem a quinta cena (ao todo eram sete), com o desempenho (derradeiro antes dos 18 anos) de Traci e Rick Cassidy. É provável que o escândalo só tenha ajudado a promover o filme que se tornou um grande clássico do gênero, ao invés de qualquer prejuízo,.

No Brasil foi distribuído em VHS pela Onyx com o título Geração New Wave, Sexo New Wave. Segundo guia de vídeo da época, que lhe deu cinco estrelinhas, tivemos a proibida versão com Traci Lords.

Por algum mistério, todo o falatório internacional não prejudicou em nada a comercialização das fitas com a moça aqui. Se os produtores norte americanos tinham duas edições de New Wave Hookers e tivemos a primeira, não parece ter sido o caso das fitas já estarem no mercado brasileiro quando a bomba estourou lá.

Veja também:
Rainha do pornô aos 15 anos

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Celeste Holm num dia bom

E Celeste Holm nunca esteve tão linda quanto na estreia mundial de Mary Poppins em 1964. Aliás, bem estranho a ver em tecnicolor!

Sempre foi antes de tudo (na minha cabeça) aquela amiga estranha da Bette Davis em A Malvada (All About Eve, 1950 de Joseph L. Mankiewicz). De extensa carreira (de 1946 a sua morte em 2012), seu auge foi mesmo em glorioso preto e branco.

No red carpet do filme da Disney foi apresentada ao público como a estrela de A Luz é Para Todos (Gentleman's Agreement, 1947 de Elia Kazan), filme que lhe rendeu seu único Oscar. E ela vai logo perguntando: “Isso é a cores? Está sendo fotografado em cores?”.

 Está vestida, maquiada e penteada com todo o glamour de diva hollywoodiana de outrora. Na época devia estar cafona, deslocada de seu tempo, embora tivessem feito uma estreia de gala como “nos velhos tempos”, segundo o apresentador diz a ela antes de lhe garantir que está linda colorida ou preto e branco.

Aparecer com cores devia ser um sonho recorrente das estrelas mais antigas. Em 64 Celest Holm já estava a algum tempo relegada a produções para TV, veículo encarado como muito menor no início.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Cine BR: Locação exótica preservada

E a casa que serviu de locação para O Corpo (1991 de José Antonio Garcia) ainda existe! O ninho de amor de Xavier e suas duas esposas continua de pé e conservado.
Em termos de Brasil não é pouca coisa. O site São Paulo Antiga publicou recentemente várias fotos mostrando seus detalhes, encantado com seu estilo que imita uma árvore de concreto.

Segundo a página, há poucos registros sobre o histórico do imóvel. Aparenta ser um derivado tardio do Art nouveau, ou seja, da primeira metade do século passado.

A casa fica em São Paulo capital, no bairro da Bela Vista (Bixiga), região central. E pelo que foi publicado na época em que o filme foi lançado (1996), apenas a fachada foi utilizada, as internas foram rodadas em outro lugar.

Desde as filmagens há 22 anos mudaram pouca coisa observando pelo Google Maps. A árvore na frente (agora é uma bem menor), a cor dos portões, nas janelas tiraram as persianas e colocaram vidraças coloridas.

Ainda aparece um quintal, importante para o desenvolvimento do roteiro, o que provavelmente também não é lá. Não foi a última no estilo a sobreviver na cidade, mas é talvez a mais conhecida.

Veja também:
O Corpo: da escola de Dona Flor
As locações de O Beijo da Mulher Aranha
Mansão “assombrada” da Hammer à venda!

Para qualquer tipo de lobo


(Uivo)
-O que é isso?
-Deve ser o lobisomem que tá se sentindo solitário.
-Lobisomem?!?!
-É!
-Por que a gente não convida ele para tomar um Campari?

 ...E segue o comercial brasileiro mais insólito (e maravilhoso) para uma bebida alcoólica. Assista no player assista ou clicando aqui.

Parece quadro do TV Pirata, mas é só uma propaganda de 1974. Com temática de terror, bem humorada, mas mais involuntariamente engraçada.

A sensualização com o lobisomem se fecha com o slogan: “Campari, a bebida para qualquer tipo de lobo”. Mulher e álcool está longe de ser uma invenção da publicidade contemporânea.

Até que foram originais. Filmaram com a atmosfera de um clássico de terror da década de 40, embora fosse a década de 70!

O efeitinho de sobreposição da transformação da fera virar homem também é eficaz. Embora saibamos que na realidade, com uns goró, aconteça exatamente o inverso.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

No camarim com Edith Massey

De garçonete em boteco hippie a estrela de cinema. Com uma trajetória interessante como atriz underground, Edith Massey se lançava como cantora punk em 1982, época em que concebeu ao jornalista R.D. Era a entrevista a seguir.

Publicada pela primeira vez em inglês na revista Touch, foi resgatada em espanhol pelo blog Vivir in Tucson que gentilmente autorizou a repostagem aqui, em português. E é uma entrevista encantadora e engraçada, que desnuda um pouco a mulher por trás do mito.

E quem é que diria que ela jamais estudou interpretação? Lemos suas respostas ouvindo a singular voz de Massey em nossa cabeça.

Ao final ela comenta o próximo projeto no cinema, que seria com John Waters, um filme que jamais aconteceu. O último trabalho juntos foi mesmo Polyester, que era seu papel preferido.

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Edith Massey, se tornou uma instituição graças aos filmes de John Waters, viaja pelos EUA apresentando seu compacto, Big Girls Don't Cry/Punks Get Off the Grass. Agora, além de atriz é cantora punk. Nós a conhecemos enquanto ela se preparava para uma de suas performances bem-sucedidas e perguntamos sobre o sucesso, o amor dos fãs e sua cidade, Baltimore:

- Olá Eddie, como é que você entrou no show business?
- Olá. Bem, eu trabalhei em casas noturnas a maior parte da minha vida, principalmente como garçonete. Em uma dessas casas noturnas conheci John Waters. Eu estou no show business desde então.

- Esta noite você se apresenta em Los Angeles. Você gosta da Califórnia? Quais são as diferenças com a cidade de Baltimore, onde normalmente você reside?
- Eu amo a Califórnia, e eu também gosto de Baltimore. É mais frio lá, no último inverno foi muito frio! Mas eu gosto de Baltimore.

- Você gosta de fazer filmes?
- Bem, honey, você sabe que fazer filmes não é nenhuma brincadeira. Mas eu gosto dos amigos que faço com o filme... e os fãs.

- Quem você gostaria de filmar uma cena de amor?
- (risos) Essa é uma pergunta difícil. Gostaria que Bob Barker me levasse pra tomar café da manhã. O meu amigo Paul Letherman, eu gostaria de filmar uma cena com ele. Você conhece o Paul? Honey, eu acho que você adoraria Paul.

- De todos os seus papéis, qual é o seu favorito?
- Eu realmente gosto da Cuddles de Polyester (John Waters, 1981). As filmagens de Polyester foram fáceis e divertidas. Eu nunca tomei aulas de interpretação e meus papéis nem sempre são fáceis.

- O que você faz normalmente em Baltimore?
- Você sabe que eu tenho uma loja de antiguidades. Lá você pode encontrar art deco, cartões postais e roupas. Bem, eu também vendo coisas extravagantes, botões e todos os tipos de tranqueiras. Normalmente eu estou na loja, conversando com os fãs que me chamam ao telefone. Agora eles ligam pra perguntar sobre o vídeo que fiz com John Cougar. Meu telefone aparece em um livro de John (Waters), Shock Value.

- E como você faz para se divertir, o que você gostaria de fazer?
- Eu sou muito simples, eu gosto de sair e passear.

- O que você acha do estrelato?
- Eu acho que é genial ser uma estrela. É divertido. Amo meus fãs, e acho que a maioria deles também me ama.

- Você me disse que conheceu John enquanto trabalhava como garçonete. Você se lembra de como foi?
- Eu trabalhava em um bar durante o movimento hippie na década de 60. John e seus amigos costumavam vir e conversar comigo. Finalmente eles me perguntaram se eu gostaria de participar de um filme como atriz. Nós nos tornamos amigos e eu apareci em todos os seus filmes desde então.

- O que você recomendaria aos jovens que tentam entrar no show business ? 
- Deixe-os tentar, pelo menos. É fascinante. Mas eu diria que eles devem procurar outro emprego, enquanto tentam chegar ao topo, para pagar as contas. Eu sei o que é querer ser encantador.

- Qual é a coisa mais surpreendente que você já leu sobre você na imprensa? 
- Bem, a Newsweek disse que eu deveria ter um Oscar ou uma enfermeira para cuidar de mim sete dias da semana. Eu acho que só precisarei dessa enfermeira se eu conseguir um Oscar.

- Qual é o próximo, Edith?
- Eu vou ser uma professora e intérprete de Shakespeare no próximo filme de John Waters. E Divina será mãe de trigêmeos. Bem, isso se John (Waters) não mudar de ideia (John costuma mudar de ideia). Começamos a filmar dentro de um ano.

- Isso soa muito bem. Obrigado por falar conosco, Eddie.
 - Ahhh, vocês são bem-vindos, honey.

                                       ************************
Toda a trajetória de Edith Massey, a Cinderela que continuou no borralho, você lê clicando aqui.

George Lucas sem a barba

Acho que o George Lucas já nasceu barbado. Procurando pelo seu nome no Google realmente vem milhares de imagens, das mais distintas eras e galáxias distantes sempre com barba.

Tanto que sem a legendinha ali embaixo levaria um bom tempo pra se adivinhar quem era o moço de gravata chamativa e ombreiras hiper salientes. Parece que em certo momento dos anos 80 ele tentou ser yuppie.

E eu não entendia porque George Lucas quer tanto dinheiro (relança seus produtos tantas vezes!!!), se nem uma peruca realista ele comprava. Erro! É cabelo mesmo, mas assim como barba ele tem predileção por um corte ruim.

A imagem é um oferecimento Forgotten Silver

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Nem tudo é mistério em Laura

 Laura, a obra-prima de Otto Premiger filmado em 1944, você já assistiu? Caso contrário, talvez este post não deva ser lido, mas por você mesmo, assista. É sensacional!

A trama noir cheia de twists é a principio muito simples. Um detetive chamado a resolver o assassinato de uma bela garota, a Laura do titulo, acaba se envolvendo com a morta, cujo retrato sobre a lareira lhe parece bem vivo.

 Daí inúmeras surpresas acontecem, inclusive, e evidente, a identidade do assassino é revelada no final. Coisa que o pôster finlandês abaixo simplesmente parece revelar!!!!


Há alguns comentários na internet a respeito desse "absurdo"... Mas na imagem está claro que NÃO É Clifton Webb encarando Dana Andrews com uma espingarda!

 De relance, em tamanho menor, pode parecer, mas trata-se de Vincent Price... Que na verdade é apenas um dos suspeitos, como você deve se lembrar, que a certo momento segura uma arma.

Portanto, é uma pista falsa! É provável, como geralmente acontecia, que o artista usou como base um lobby card para se inspirar na confecção do cartaz.

E realmente encontramos uma dessas fotos publicitárias que adornavam o hall das salas de cinema com o Vincent Price e Dana Andrews numa cena do filme. Nenhuma com Clifton Webb na revelação final.

Webb era famosíssimo na época em papeis semelhantes, o que daria muito na cara. Já Vincent Price era quase um principiante, ainda distante dos papeis soturnos com que se consagraria.

E se você chegou até aqui e está espantado com o lobby card colorido é porque não viu a cópia de Laura que a TV Cultura de São Paulo exibiu no último setembro. A emissora conseguiu (sabe-se lá onde) uma versão do filme colorizado por computador!!!

Comentei esse tropeço da emissora na página do blog no Facebook no dia, mas vale registrar aqui. Aliás, curta o La Dolce Vita lá porque sempre rola conteúdo a mais (encare como bônus! :) ).

Se caboclo dá importância ao filme ter cor ou não pra se dispor a assisti-lo, é porque não merece assisti-lo. Amarelo, verde, preto e branco ou furta-cor continuará sendo muita coisa pra criatura.

Colorizar Laura, produzido em esplendoroso B&W, tá logo ali com a restauração do Ecce Homo feito pela dona Cecília. Francamente...

Veja sempre:
Para sempre Laura
Divirta-se como um policial 40's

A rua mais noveleira do Brasil

Bem comuns estabelecimentos populares com nome de novela. Como a maioria, talvez até pela lógica de quem os nomeie assim, não duram muito, palmas a essa lanchonete de Campo Limpo Paulista!

O surrado letreiro ostenta o nome de uma novela das sete, exibida em 1980! Não precisam nem colocar o “Desde 1900 e lá vai fusquinha” pra demonstrar que são tradicionais no mercado porque a gente sabe.
frame da abertura da novela
E o mais legal nessa Lanchonete Chega Mais é que ela não tem apenas o nome da novela, mas o logo igualzinho! Com a fonte 80’s e o pingo do “i” em vermelho ali dentro do “h”.

E não é um bar temático da década de 80! Como se o tempo não tivesse passado e a Rita Lee ainda estive no topo das paradas.

Agora, mais curioso ainda é que na mesma rua, a menos de dois metros dali, existe açougue Belíssima!!! Mesmo nome da novela de 2005 escrita por Silvio de Abreu.

 E não é lojinha de lingerie nem nada!  Dois comércios com nome de novela na mesma rua!!!

Imagina pelo país afora? Ou é nome de santo ou é de novela. E isso deve dizer mais sobre o Brasil do que alguns tratados sociológicos.

Se você encontrar algum outro aí na sua cidade, por favor, não se faça de rogado! Fotografe e envie pra mim >> miguel andrade100@gmail.com.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Primeira adaptação de Miyazaki para live action!


Os filmes animados de Hayao Miyazaki transpiram tanta humanidade que soa estranho imaginá-los com pessoas de carne e osso. Ainda assim, acaba de sair o trailer da nova versão de O Serviço de Entregas da Kiki (Majo no takkyûbin, 1989), o primeiro a tentar a façanha do desenho animado para o live action.

Com total apoio do Studio Ghibli (mas sem o dedo deles), o filme deve estrear no Japão em março de 2014. A direção ficará a cargo de Takashi Shimizu, conhecido no ocidente por O Grito (Ju-On, 2002).


Infelizmente Shimuzu, e toda a boa leva de terror “made in japan”, ficaram saturados muito rápido graças aos remakes americanos e a grande quantidade deles. O próprio diretor filmou nos EUA uma malfadada versão de Ju-on (The Grudge, 2004), muito aquém da originalidade narrativa que o tornou conhecido.

Então, que os bons ventos do início voltem a inspirá-lo na história da jovem bruxa que enquanto tenta se adaptar ao mundo vivendo por conta própria se dedica a um serviço de entregas aéreo. Um filme divertido sem lugar para qualquer tipo de maniqueísmo.

Resta saber se este será o primeiro de uma série de refilmagens Ghibli, mas isto, só as bilheterias dirão. Embora muito cuidadosos com o tratamento de suas produções, nunca se sabe o que pode vir por aí diante de um possível mega sucesso comercial.

R.I.P. Joan Fontaine, a atriz inesquecível

A atriz Joan Fontaine morreu aos 96 anos. Ela era irmã da também atriz Olivia de Havilland que está com 97 anos de idade.

Ela era filha de pais britânicos, mas natural de Tóquio, Japão. A família se mudou para a Califórnia (EUA) para ajudar na saúde das meninas, que estavam sempre adoentadas no arquipélago nipônico.

Sua primeira indicação ao Oscar veio por Rebecca, A Mulher Inesquecível(Rebecca, 1940 de Alfred Hitchcock). Levaria o único prêmio no seu próximo Hitchcock, Suspeita (Suspicion, 1941).

Entre os mitos de Hollywood está a rixa que teria com a irmã. Olivinha foi indicada ao Oscar pela primeira vez antes, por ...E O Vento Levou (Gone with the Wind, 1939 de Victor Fleming), mas só levaria a estatueta depois, em 1947 por Só Resta Uma Lágrima (To Each His Own de Mitchell Leisen).

 Ainda repetiria o feito em 1949, por Tarde Demais (The Heiress de William Wyler). Fontaine foi indicada pela última vez em 1944 e nunca mais foi lembrada pela Academia.

Passou a trabalhar cada vez menos no cinema, sendo uma das primeiras atrizes da era de ouro de Hollywood a aderir à TV. Na década de 60 comprou os direitos de um livro para também estrelar uma fita de terror, como tantas colegas estavam fazendo.

A Face do Demônio (The Witches, 1966 de Cyril Frankel), produção da inglesa Hammer, ficou sendo seu último trabalho na tela grande. Seguiu fazendo participações televisivas até se aposentar oficialmente em 1994.

A primeira imagem é um oferecimento returntogodsgarden, a segunda MailOnline.

Veja também:
Apavorando miss Fontaine
Joan Fontaine para a Hammer

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Trailer do novo Godzilla tem muito do velho Godzilla. Confira!

Esta semana saiu o primeiro trailer do novo Godzilla produzido pelos americanos a estrear em 2014. A tentativa é esquecer de vez a criticada versão que fizeram em 1998.

Não se pode esperar absolutamente nada de remakes ou releituras hollywoodianos de filmes asiáticos, mas parece existir dessa vez um cuidado em seguir direitinho a cartilha. Pelas primeiras imagens divulgadas, há muitos elementos do Godzilla de 1954, o primeiro, dirigido por Ishirô Honda.

Guardando, claro, os devidos clichês do gênero, muitos deles, fundados pelo próprio “Gojira”. Confira a comparação entre os dois trailers!

Plano geral da cidade no caos. 

Prédios amassados. 
Rotas de fuga sendo explodidas (Em 1954 um navio, 2014 um avião). 

Pessoas fugindo na chuva. 
 Militares em ação. 

Crianças na escola tendo que se refugiar. 

Close em homem adulto sofrendo (Pondo a mão na boca!). 

Mocinha chorando (provavelmente porque alguém terá que se sacrificar). 

Closes em pessoas numa multidão sem saber pra onde ir. 

Pessoas dentro de um trem enquanto Godzilla o pisa. 
O trem após Godzilla pisar.

 E o grandão, que é muito mais visível no trailer japonês.

O que tinha numa noite fraca de programação de filmes na TV em 1973


Filmes na TV
Drácula no 13 
Uma velha reprise com Joan Crawford é a atração da TV em termos de filmes, hoje. Como a noite é fraca, pode-se tentar a sorte assistindo à Sessão Mistério, que traz uma fita com o Conde Drácula, ao gosto dos apreciadores da Fantasia ensopada de sangue.
 (...)

22h30, Canal 4 - ALMAS MORTAS (Straight Jacket), um drama que vem desfilando pelos canais de TV há muito tempo. Joan Crawford, nos bons tempos (hoje é mulher de negócios, dona da Pepsi-Cola), vivia a personagem Lucy Harbin, que mata o marido e a amante deste a golpes de machado. Por isso, passa 20 anos num nosocômio, até receber alta para ir morar com o irmão. Começam aí os problemas da mulher: primeiro a reaproximação com Carol, a filha de 23 anos, que ainda criança presencia o assassínio do pai pela mãe. Depois, as suspeitas recaem sobre Lucy por causa de crimes misteriosos que ocorrem nas proximidades de onde ela mora. O resto é surpresa que o diretor William Castle prepara para o telespectador. Mas ela não chega a provocar nenhum grande impacto em quem vê o filme.
 (...)
23 h, Canal 5 - DRÁCULA O PRÍNCIPE DAS TREVAS (Dracula, Prince of Darkness), fita de terror da Hammer Films, que começa onde termina a aventura anterior, "O Vampiro da Noite". Drácula morto e transformado em cinzas, volta a atacar a região do seu castelo. Com Christopher Lee, que várias vezes foi Drácula, e Barbara Shelley.

1h, Canal 5 – ÊXITO FUGAZ - Comédia irreverente com Kirk Douglas, Lauren Bacall e Doris Day nos papéis principais. Uma história onde Doris, a mulher americana típica, defende o seu ar ingênuo contra toda sorte de investidas.

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Texto ipsis litteris publicado na Folha de São Paulo em 30 de maio de 1973. Numa noite de quarta-feira as emissoras exibindo William Castle, Terence Ficher e Michael Curtiz, sem falar na batelada de astros.

Parece, em vista do que temos hoje, uma programação especial, mas é o mais ordinário do que o crítico podia esperar. E é o conteúdo de apenas três emissoras (Tupi 4, Globo 5, Bandeirantes 13), contra dezenas existentes agora, entre canais abertos e pagos exibidores de filmes.

Ao mesmo tempo, precisamos levar em conta o seguinte: Pra ilustrar este post me levantei, fui até a estante e peguei três disquinhos contendo três dos filmes transmitidos há 40 anos. Não precisei esperar até a uma da matina pra ver a Doris Day sendo assediada sexualmente pela Lauren Bacall.

Uma comodidade e qualidade de áudio e imagem inimagináveis em 1973. Rever filmes só quando eram relançados nos cinemas ou na TV mesmo, com Bombril envolvendo a antena para dar um up na recepção.

Então, o passado era legal, era batuta, mas truco dez!
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