sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A cara do tataravô?

Mestre Vincent Price cara a cara com o rosto do antepassado maquiavélico. Maquiavélico, mas que lhe deixou como herança um castelo com tijolos trazidos um a um da Europa.

O Castelo Assombrado (The Haunted Palace) é aquele dirigido por Roger Corman em 1963 que forçadamente o estúdio American International Pictures promoveu como se fosse “adaptação de Edgar Allan Poe”. Leia mais respeito do filme e da edição em DVD clicando aqui.

Colecionador de arte, com livros publicados a respeito e tudo, seria curioso conhecer a opinião de Vincent Price sobre a tela. Do jeito que ele estava doido para pular fora do longo contrato firmado com a AIP, aposto que nem parou pra firmar opinião nenhuma...


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Apologia à positividade

Pouquíssimo a declarar! Mal abro minha antiga coleção de gibis, e quando cato pra dar só uma olhadinha me deparo com essas coisas.

O crossover entre Peter Pan e Branca de Neve já é algo a se estranhar. Como se as duas histórias não rolassem em épocas e universos distintos.

Tem ainda o lace de a madrasta continuar horrenda forever nos quadrinhos. Antes de conhecer as dicas da Sininho...

[Ouvindo: Coconut Water– Robert Mitchum]


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Por onde roda o Vigilante Rodoviário?

Como não temos tradição em feiras nerds, antigos heróis fazem o que podem para permanecer na ativa. O intrépido Vigilante Rodoviário, um dos primeiros heróis da TV brasileira, por exemplo, participa de eventos de carros antigos.

Carlos Miranda esteve aqui em Jundiaí no último domingo (26) exibindo o Simca Chambord 1959, usado no seriado em 1962. Pelo que se vê na foto, não havia fila de fãs pedindo autógrafo...

O mais emocionante é a lembrança e respeito ao cachorro Lobo “primeiro e único”. Ao invés de descolarem um novo pastor alemão, uma lembrança do original.

Muitos cães devem ter sido batizados com o mesmo nome graças a ele. Uma vez num posto de gasolina fotografei um vira latinha todo digno (como todo vira latinha costumam ser) cuja casa improvisada de madeira tinha escrito “Lobo”.

Na hora associei com o papel do Tor Johnson em A Noiva do Monstro (Bride of the Monster, 1955 de Ed Wood). Evidente que até pela localidade de sua residência deve ser coisa de algum antigo fã do Vigilante Rodoviário.

Homenagem bem mais importante do que qualquer fila de fãs espevitados. Vigilante Rodoviário não é o Spock, mas o Spock não marcou trivialidades culturais de um povo como o Vigilante Rodoviário.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Cinco cabeças sem corpos

Nomes de filmes na Itália é coisa que sempre surpreende. Muito mais do que em Portugal, viu?

Como é que Almas Mortas (Strait-Jacket, 1964 de William Castle) foi virar 5 Corpos Sem Cabeça (5 Corpi Sensa Testa)? Imagino o responsável assistindo a fita e contando as decapitações.

E pior que nem lembro se é meia dezena mesmo. Revi não faz muito tempo e pra mim são apenas quatro cabeças que rolam.

Os Italianos tinham mania de colocar numerais. Só do Mario Bava lembro de uns três: I tre volti della paura (As Três Máscaras do Terror, 1963), Sei donne per l'assassino (1964) e 5 bambole per la luna d'agosto (1970).

Do Dario Argento mesma coisa: 4 mosche di velluto grigio (1971), Il gatto a nove code (O Gatod e Nove Caudas, 1971), Le cinque giornate (1973). existem centenas de exemplos!

Se alguém sabe o motivo, não é este que vos escreve. Nem deve haver algum, visto que aqui tivemos algumas manias também, como usar palavras que remetem à religiosidade: Pecadora, mundana, pecado, alma, anjos disso e daquilo...

A primeria imagem é um oferecimento Ebay.it, a segunda Benito Movie Poster

Veja também:
Italianos: Tão parecidos e tão diferentes da gente
Nua para tudo na Itália


[Ouvindo: When Is Sometime? – Frank Sinatra]

sábado, 25 de agosto de 2012

Relembre trabalho de Tony Scott para o Brasil

Falecido nesta semana, o diretor Tony Scott dirigiu anúncio dos sorvetes Kibon para ser exibido na TV brasileira. Profissional do tipo pau pra toda obra, intercalou filmes hollywoodianos e publicidade televisiva.

No anúncio em questão, produzido pela agência ALMAP/BBDO em 1995, seu nome deve ter sido acidental. Na verdade interessava bem mais a estrela Sharon Stone do que quem assinaria a direção.

Stone, no auge da fama pós Instinto Selvagem (Basic Instinct, 1992 de Paul Verhoeven), fez propaganda até de sapato aqui, sem ter precisado necessariamente ter vindo pisar nestes lados dos trópicos. Por isso devem ter catado quem estava disponível pra comandar.

Época em que o Dólar estava igualado à nossa moeda, foi o famoso negócio da China. A coluna da Joyce Pascowitch na Folha de 3 de abril daquele ano noticiou (leia ao lado) que o caché da loira tinha ficado mais em conta do que o que muitas celebridades nacionais estavam cobrando.

Assista a peça no player acima ou clicando aqui.

[Ouvindo: Outa Space – Billy Preston]

Bette D. drogada e prostituída

Amo Bette Davis entrar de cabeça em todos os personagens que interpretou. Estrelíssima, mas não temia aparecer na tela um farrapo.

Impossível escolher a Bette Davis favorita. Já tentei muitas vezes fazer um "top ten" e acabo desistindo, mas a de Servidão Humana/ Escravos do Desejo (Of Human Bondage, 1934, de John Cromwell) está lá.

Ela é a garçonetinha sem modos por quem um rapaz bonzinho, mas que puxa de uma perna, se apaixona perdidamente. Sem corresponder o afeto, a moça sapateia como pode em cima dele (e de seu dinheiro).

Definindo Bette Davis em uma palavra aqui: Repulsiva! Embora seu visual de yonkie 30’s hoje aparente ser moderno, é uma das mulherzinhas mais desagradáveis já registradas em película.

Infelizmente nem indicada ao Oscar foi pelo interpretação que a transformou em estrela. Já contratada da Warner, convenceu o chefão Jack Warner a lhe liberar para trabalhar no estúdio concorrente.

Apostando no fiasco, ele topou. Como aconteceu o contrário, ele teria mexido os seus pauzinhos poderosos para que a Academia desse as costas a ela, num tempo em que a premiação não era auditada.

[Ouvindo: Just One Of Those Things – Ella Fitzgerald]

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Cicciolina Vs. Debbie Harry

O que mais teve foi loira sensualizante se lançando como cantora no embalo do furacão Madonna. Justiça seja feita: Este não foi o caso da Ilona Staller (aka Cicciolina).

O single Ska Skatenati é de 1981. Época em que a senhora Ciccone era só mais uma periguetinha sonhando com o lugar ao sol.

Ouvindo a música em questão no player abaixo (ou clicando aqui), nota-se que a inspiração da futura parlamentar italiana é de outra loira.

Agora (se é que você não conhece) ouça Atomic de Debbie Harry e o Blondie (de 1979).

Pra mim, Ska Skatena é o refrão de Atomic repetido a exaustão com outras palavras. Não se trata de tradução para o italiano, só uma preciosidade freak do universo musical.

A capa é um oferecimento The Mad Room


Vida de menininha salva pelo Leite Moça!

Toda tragédia necessita de grandes personagens com histórias emocionantes para alimentar a imprensa. O afundamento do navio Itagiba em 17 de agosto de 1942 começou por ser chamado de Pearl Harbor brasileiro.

Alvejado por torpedo do submarino nazista U-507 no litoral baiano, vitimou fatalmente 36 passageiros. Foi a 19ª embarcação nacional a ser atacada, e a quarta a afundar em menos de 48 horas.

Esse fato fez com que (conforme a história nos diz...) a opinião pública força-se o “apático” governo do Brasil a declarar guerra à Alemanha e Itália. Exatamente em 22 de agosto, há 70 anos.

O choque da população veio principalmente quando o Diário da Bahia publicou a foto da sobrevivente Valderez Cavalcanti de quatro anos de idade num leito hospitalar. A legenda era: "A pequenina náufraga recebe curativos enquanto que os seus dedinhos fazem o V da vitória, que não poderá deixar de vir".

Apelidada de “A pequena náufraga”, a imagem foi reproduzida na imprensa de todo país o que transformou a garotinha numa celebridade instantânea. Ainda mais quando se soube que ela chegou á praia usando uma caixa vazia de Leite Moça como bote salva-vidas, após passar mais de duas horas sozinha em alto mar.

No vídeo que você assiste abaixo, ou clicando aqui, há um cinejornal da época contando a desventura da garota.


A fabricante Nestlé cita isso na linha de tempo de sua história no seu site em nossa língua. Mais notoriedade ao leite condensado enlatado, popular na época graças à escassez de produtos alimentícios durante a Segunda Grande Guerra.

Valderez foi regalada pela multinacional com uma boneca e a quantia de Um Conto de Réis, algo que talvez hoje fosse R$ 100.000. A pequena ideia de quanto isso valha em Reais é baseada na estimativa presente no livro 1808, quando Um Conto de Réis equivalia a R$ 56.000.

Julgo que a empresa doaria um valor redondo, além de ter passado mais de um século do calculo apresentado no livro. Curioso que, embora a Nestlé seja conhecida sobretudo pela comercialização de produtos infantis, não os doou (suprimento vitalício?) à “pequena náufraga”, ou pelo menos não noticiou isso.

Vivendo em Maceió, Valderez tem agora 73 anos e é psicóloga aposentada. Seu depoimento faz parte do livro “U-507 – O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial”.

A capa de O Globo é um oferecimento Brasil Na Segunda Guerra. Menina e lata vintage são divulgação Nestlé.

[Ouvindo: S'posin' – Frank Sinatra]

terça-feira, 21 de agosto de 2012

E Deus criou o Barbosa...

De longe o personagem mais famoso da carreira de Ney Latorraca, a criação e Barbosa tem pelo menos duas versões. Uma sem graça e outra bacana!

A sem graça: Na biografia “Ney Latorraca em Além do Script”, de Lucia Rito (Editora Globo, 1999) conta-se que o ator interpretava um velhinho desde a infância. Colocava uma barrigona falsa pra alegrar os amigos.

Levou o personagem pra televisão porque no TV Pirata só lhe reservavam papeis chatos de velhos, porque era o de mais idade no elenco. Assim teria virado o marido gagá da Clotilde na novelinha Fogo no Rabo.

Versão bem melhor ouvi o próprio Latorraca contando num programa de TV. Barbosa é a junção do cabelo do Walmor Chagas com a boca do Carlos Alberto Riccelli!

Faz muito sentido! TV Pirata começou em 1988, quando a novela Vale Tudo bombava às 20 com Riccelli fazendo o galã mau caráter César Ribeiro.

Chagas, veteraníssimo, era quase onipresente nas novelas dos anos 80. Seu cabelo prateado (desde sempre) era algo a ser notado.

A imagem do Walmor Chagas é um oferecimento Area Vip, a do Riccelli, Digplanet.

[Ouvindo: HAJNALI NÓTA – Márta Sebestyén with Muzsikás]

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A fantástica fábrica de esposas

Faça você mesmo a sua incrível esposa, futura dona de casa. E de baby doll e tudo!

Essa capa da Fantastic Science Fiction é de 1957. A busca pela mulher idealizada, sob medida, é dos sonhos mais antigos no imaginário masculino.

Kelly LeBrock foi uma das belezuras também criada prela ciência em Mulher Nota Mil (Weird Science, 1985 de John Hughes). Invariavelmente é o tipo de invento que sempre sai melhor do que a encomenda.

A imagem é um oferecimento PopKulture

[Ouvindo: Tanguedia II – Astor Piazzolla]

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Nova chance para ter seu filme B favorito na estante!

Para quem estava com saudades dos DVDs da London Films, olha que boa notícia! Encontrei dezenas deles à venda num hipermercado.

Agora o nome da distribuidora virou Antares. Aliás, fui atraído por um cartaz na porta do mercado que anunciava DVDs Antares custando seis e alguma coisinha.

Palavras mágicas: DVD + bom preço. Entrei pra ver o que seria Antares: Aquela malfadada animação da Disney?

Vários de kung-fu, alguns faroestes, sendo que muitos eu ainda não os tinha visto nos tempos em que inundavam as bancas de revista. Conforme vemos na foto maior, eles só adicionaram um adesivo com o novo nome e o código de barras.

No conteúdo aparece exatamente o logo de sempre, igual a esse aí ao lado. Se for algum de terror (selo DarkSide), quiçá apareça aquele monstro em CG tosco (que aprendemos a amar) fazendo “Uaaaá! Uaaaá!”.

[Ouvindo: I'm Checkin' Out, Goombye – Rosemary Clooney & Duke Ellington]

De olho no lance

Só pra lembrar que atualizando ou não, estou sempre de olho aqui! Hahaha!

E vejo essa parte de Kill Bill e lembro logo de um professor de ciências que eu tive na oitava série. O japonês devia ter alguma daquelas taras à lá Guinea Pig.

Mandou a gente levar olho de boi na aula pra furar e ficar olhando o liquidozinho gosmento escorrendo. Ponto. Não explicou mais nada com nada.

Foi só pra isso mesmo. Lavamos as mãos e partimos pras mitocôndrias ou algo que valha...

[Ouvindo: Black Hole Sun – Cibo Matto]

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