sexta-feira, 27 de abril de 2012

Adriana Esteves, foi, voltou e ficou

Não me recordo com exatidão quando Adriana Esteves surgiu. Se apresentando game no Faustão, num daqueles concursos desse mesmo programa pra descobrir novos talentos, mesma oportunidade da Gabriela Duarte (risos), ou num especial da Sexta Super com modelos e serial killers.

Lembro que na reprise de Vale Tudo (88) nos anos 90 a carinha dela era bem conhecida pra ser identificada entre os figurantes de uma cena. De Tininha a Patricinha, personagens com nomes no diminutivo lhe caiem bem.

Parecia uma daquelas moças insossas que volta e meia a Globo insiste em dar sucessivos papeis. Não há quem realmente simpatize com elas, mas a emissora insiste.

A capa dessa Interview de novembro de 1995 poderia ser uma referência a isso. Depois do vexame de Renascer (1993), Adriana Esteves chegou chegando dois anos depois na minissérie Decadência de Dias Gomes.

Achincalhada, disse em entrevistas posteriores que pensou até em abandonar a carreira em 93. E é notável o distanciamento dessa fase, o amadurecimento profissional principalmente na comédia, distante de ser outra gostosinha do horário das 8.

No ar em Avenida Brasil como Carminha, tem se mostrado apta à galeria das grandes vilãs das telenovelas, posto que já flertou como a Sandrinha de Torre de Babel (1998). Está ótima muito mais pela sua interpretação do que pelo texto em si, um tanto quanto remissivo ao teatrinho infantil.


O Gigante de Ferro: Ser ou não ser

Filme do coração! O Gigante De Ferro (The Iron Giant, 1999 de Brad Bird) é tão legal, mas tão legal, que se tornou vítima tal e qual o personagem título que luta entre o que é e o que as pessoas querem que ele seja.

No lançamento, mesmo com a crítica global se rasgando em elogios, a Warner claramente não soube direito como promover. No Brasil apareceu em festivais e depois saiu na miúda em VHS, com pouquíssimas cópias.

Foi parar na prateleira “infantil”, embora boa parte das citações político-sociais só sejam compreendidas pelos pequenos se explicadas por adultos. Esse é um dos pontos pra que depois de tanto tempo continuar maravilhoso, com a nossa melhor identificação da cultura 50’s!

O descompasso do estúdio com a obra que produziu (sonhando em algo boboquinha a lá Disney?) é tão gritante que gerou coisas como a que você lê no still maior. Uma bela tropeçada da legenda em português do DVD.

“Traduziram” beatnik como bicho-grilo! Palavra que nada lembra 1957, plena paranoia nuclear, período em que a história se passa, sem falar que o personagem Dean é bem distante do que se possa considerar como hippie.

Nada disso importa perto da dificuldade que continuou sendo encontrar o filme em DVD. Coisa facilitada com a aura cult que ganhou e o fato do diretor ter se tornado o "autor" de hits da Pixar como Os Incríveis (The Incredibles, 2004).

Veja também:
Dependendo de legendas estranhas
É com esse ou cedilha?


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Quanto menos cor melhor

Dá certo estranhamento trombar com foto colorida de filme preto e branco. Mais ainda se for de um que a gente já viu centenas de vezes como Quanto Mais Quem Melhor (Some Like Ite Hot, 1959 de Billy Wilder).

Nada menos do que a melhor comédia já feita. Uma das poucas coisas que me fazem gargalhar! Tão hilário e inteligente que não enjoa nunca.

Dizem que ele foi fotografado sem cor para dar realismo à maquiagem feminina de Tony Curtis e Jack Lemmon. Wilder teria tido até que convencer Marilyn Monroe sobre isso, já que seu contrato exigia produções coloridas.

A explicação técnica faz sentido, mas não deve ser a verdade absoluta. Porque uma história que se passa nos anos 30, contada como uma velha e ágil comédia maluca, repleto de gangster e referências ao período (inclusive utilizando astros então esquecidos) seria rodada em tecnicolor?

Nenhum! Seria uma discrepância com todo o cuidado de ambientação de época estendido até para a trilha sonora recheada de ragtimes e similares.

Parece claro que é P&B por puro estilismo. Em 59 a ausência de cor ainda não era tida como veneno de bilheteria, e sim mera opção artística.

A imagem é um oferecimento What Makes The Pie Shops Tick?

Veja também:
Uma vida em tons de cinza
Marilyn agora em cores!!!
Em glorioso preto e branco


As Certinhas do La Dolce

Capucine

Felinialismo

Um oferecimento As I Live And Gag



O melhor de Drácula em fotonovela

Quem quer o resto, tem aqui ó. Mas o legal mesmo é isso aí, vampiro que vira pó fazendo SSS-TTT!!! E morri!

... Morri pelo menos até ver o saldo da bilheteria. Em se tratando de O Vampiro da Noite (Horror of Dracula, 1958 de Terence Fisher) qualquer um levantaria da tumba para mais umas mordidinhas. 

Gloriosa estreia da Hammer no universo do Conde, mostrou que com violência e cores os monstros clássicos ainda davam um bom caldo. De cabidela! 

 Essa edição especial da Famous Films com versões em fotonovela das duas primeiras incursões no horror do estúdio britânico, é do tempo em que filmes geravam subprodutos para quem queria reviver as emoções da tela. Além das trilhas sonoras, claro.


Agora é só catar o DVD na estante e voi lá! perdemos em imaginação, mas não dá prareclamar, apostando que naquele tempo alguém devia suspirar sonhando emalcançar a praticidade atual.

Lembro bastante do meu pai que amava cinema, mas foi embora tendo conhecido apenas o precário Super8.  Ao mesmo tempo penso no que ainda virá e nós não chegaremos a conhecer.


terça-feira, 24 de abril de 2012

Sal canta. NÃO!

Aqueles antigos hábitos da indústria fonográfica: Qualquer moça bonitinha ou qualquer galãzinho gravava disco. Com apelo adolescente (aka público de gosto cru) era venda certa.

 De olho nas tietes adolescentes que Sal Mineo arriscou soltar o lado cantor romântico. Ouça Start Movin' de 1957 no player abaixo ou clicando aqui.

Por quê, meu Deus? Uma vozinha anasalada beirando o insuportável, embora a musiqueta seja graciosa.
 Pelo quanto ele é conhecido nessa área, creio que nem as meninotas caíram nessa. Ainda bem.

  A capa é um oferecimento Thriftheaven

Vida de negro é difícil...

Vendo nas madrugadas A Escrava Isaura. A lendária Escrava Isaura!Novela que ouvimos falar desde que nascemos.

Sensação de que aquela super festa que perdi teve uma nova edição em que agora fui convidado. Oba!

Estou ainda no segundo disco (de um total de cinco), mas algumas coisinhas já posso falar. Lucélia Santos é carismática pra chuchu, impossível não torcer por ela, mesmo sendo a sofrida mocinha.

Aliás, a novela é da época em que autores (no caso Gilberto Braga) não precisavam apelar pra macaquices dos vilões pra alavancar ibope. Atitude cada vez mais rara no gênero, dependia, de um pouco mais de esmero do texto.


 E de um público menos acostumado ao imediato. Há Leôncio, o vilão memorável que nem surge pronto. 

É um bom vivant que volta da Europa após torrar os dobrões do pai coronel na esbórnia, embora minta ser estudante de física. Sempre pensei que ele já começasse a história adulto, dono dos escravos, coisa e tal. 


Falando em escravos, e a Zeni Pereira de Mammy desbocada? Amor, amor, amor! Muito franca, ás vezes chega a assustar, o que contrasta muito bem com a escrava branca e finíssima. 

 PS: O único porém é que por muitos capítulos acho que eles só tinham a música de abertura pra tocar nas cenas. E dá-lhe “Lerê, lerê” infinitamente.


[Ouvindo: Hold Me – Ann Margret]

Detonando a Liberdade desde priscas eras

Caso lindo de antropofagia pop! A capa da Fantastic Universe de agosto/setembro de 1953 (!!!) antevendo uma das cenas mais famosas do cinema de 1968.


Daí eu fico naquelas: Seria spoiler discernir sobre o tema? Mesmo que a imagem da Estátua da Liberdade enterrada na areia seja bem manjada ao ponto de aparecer na capa de uma das edições de Planeta dos Macacos em DVD?

Falando em estraga prazeres, parece piada, mas segundo os portugueses chamaram o longa de O Homem que Veio do Futuro. Título que nem faz muito sentido.

É por essas que rola aqui aquela lenda de que Psicose além mar é conhecido como “O Assassino Não É A Mãe”. Isso não e verdade conforme você lê clicando aqui.

 Enfim, astronautas que viajam a uma futurística e inóspita Terra, com o símbolo yankee em frangalhos, não era novidade a quem consumia ficção científica. Pode parecer uma ideia bem óbvia agora, principalmente após o 11 de setembro, mas chocante aos adocicados 50’s.

A capa da revista é um oferecimento X-ray delta one

[Ouvindo: Sweet Love – The Commodores]

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Pausa para nossos comerciais

O pudim mais gostoso que existe. Vigor

Do idos em que “leite gelificado” ainda era chamado de pudim. E que creme era um sabor, não uma consistência.

Difícil intender quando era creme e quando era baunilha. Desconfio que sabor creme seja referência a “creme de confeiteiro”, aquilo que recheia sobretudo sonhos.

De qualquer forma, sabores industrializados seguem tendências e modismos. Vide avelã, usado pra tudo depois que a Ferrero Rocher passou a investir em publicidade da Nutella.

Ainda ontem era “frutas vermelhas” pra tudo. E eu tenho amigo que fez a guria da lanchonete engolir seco com a simples pergunta na hora de pedir o suco: Quais frutas vermelhas?


Tão 60's... Onde as coisas aconteciam

Na Baltimore dos anos 60 era aí onde as crianças brancas aprendiam a dançar “o passarinho”. A loja de discos da Motormouth Maybelle!

A locação de Hairspray – E Éramos Todos Jovens (Hairspray, 1988 de John Waters) foi divulgada pelo Trashy Travels que tenta mapear os locais em que o diretor filmou. Aparentemente, rodaram as internas no mesmo local.

Hoje, após 24 anos, vendo o endereço pelo Google Maps (203 W Saratoga St Baltimore, MD 21201, EUA), a loja está fechada. Lembra pouco os bons tempos do Twist.

Dando uma navegadinha pelas ruas, tudo cheira às ruas que vemos no filme. Se bobear devem ter filmado algumas outras cenas na região mesmo.

Veja também:
A casa de Mamãe é de Morte
Conheça Baltimore!


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Obrigado, Senhor Balzac

”... Apenas savoir-faire como o seu pode fazer os nossos amigos americanos realmente entenderem o joie de vivre picante do coração francês.”

Brigitte Bardot vendendo filme e livros numa tacada só. Material promocional da edição de 1958 de “Best of Balzac - Movie Tie-in with Brigitte Bardot”.

A atriz está aí numa referencia à película Please! Mr. Balzac (En effeuillant la marguerite, 1956 de Marc Allégret). Precisava de muito mais que estas palavras para abarrotar livrarias e salas de cinema norte americanas?

Nem pelada ela estava, embora seu personagem Agnès Dumont seja conhecido como Mademoiselle Striptease. Oui! A Balzaquiana com a menor cintura do planeta.

A imagem é um oferecimento UK Vintage

VHS disasters

Sempre que escuto o blablablá de que “no meu tempo era melhor”, lembro logo das fitas cassete. Aquela alegria tão passageira, o máximo em sentimento de possessividade frustrado.

Comprava-se para ter um filme, embora cada vez em que era assistido estávamos o danificando um pouco. Isso se com sorte o videocassete não o mastigasse logo de cara.

Em suma, o passado (sempre melhor que o presente) é uma fita de VHS, no qual não existe “para sempre”. Frágil, consumido por fungos, amarrotado sempre naquela cena especial.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Segredos de moça

E de pensar seriamente analisando essa capa qual será o segredo de Marilyn. Que gosta de mastigar gelo é que não deve ser.

Por suposto deve ser um segredinho daqueles! Resolvido numa clínica clandestina em Marrocos.

Ou algo banalíssimo, do tipo, prestação de serviços duplos ao governo russo e norte americano. Que sem graça...

A capa é um oferecimento Bikini Machines

Vingança sem raízes: Do inferno ele voltou

Para quem acredita na força da natureza, From Hell It Came (1957 de Dan Milner) é o filme de cabeceira. O Cidadão Kane do mundo dos vegetais.

Um cara injustamente acusado pelos nativos de ilha dos mares do sul é sacrificado num ritual de vodu. No além e com sede de vingança ele retorna, ou melhor brota (!!!) da terra na figura de uma árvore.

Mas não uma árvore qualquer, daquelas que ficam paradonas pelos cantos. Possuído pelo espírito Tabanga, consegue perfeitamente caminhar buscando a desforra de quem duvidou de sua palavra.

Para sorte, há na ilha um grupo de cientistas americanos brancos que podem salvar a todos. Entre eles, evidente, há uma doutora loura e frágil por quem a árvore cairá de amores.

Essa ficção científica com toques paranormais é uma das mais indicadas para quem gostaria de se iniciar no cinema de baixo orçamento 50’s. Não se trata daqueles que o roteiro é tão ruim quanto os efeitos especiais.

Engraçado involuntariamente o tempo todo e com duração curta, entra facilmente em qualquer lista dos melhores entre os piores. Até pelo inusitado monstro-árvore de borracha...

...E a cena da areia movediça! Um registro de vergonha alheia em celuloide.

No Brasil, From Hell It Came foi exibido com certa frequência nos anos 90 antiga sessão Cine Bizarro do Warner Channel. Nos bons tempos em que se pagava para ter uma TV um pouco diferente.

[Ouvindo: Get Yourself High – The Chemical Brothers]

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Vizinha boazinha na folhinha

Toda mocinha, Betty Hutton ilustrando um calendário. Bem útil saber que o hoje (18) foi domingo em 1943...

Hutton é citada no livro Mamãezinha Querida, aquele em que Christina Crawford solta cobras e lagartos em cima de sua mãe Joan. Segundo a autora, a loirinha morava na mansão ao lado.

Várias vezes ela teria se metido na casa dos vizinhos quando o couro comia. Uma boa alma, preocupada com as constantes surras que a molecada levava.

Não que isso faça algum sentido verossímil. Basta pensar na distancia entre os imóveis, época em que aconteceu (educação era diferente), enxerimento na vida privada de estrela de grandeza bem maior, etc.

Não que um livro desses faça algum sentido. Gosto duvidoso a gente só admira, não tenta justificativas maiores.

A primeira imagem é um oferecimento Pulp Magazine, a segunda Get On The Carouse

Veja também:
Betty Hutton, Certinha do La Dolce



Roger Corman nas boas lojas do ramo

Após a ressaca da venda direta, voltaram a surgir algumas preciosidades em DVD nas prateleiras das lojas. Por exemplo este O Castelo Assombrado (The Haunted Palace) dirigido por Roger Corman em 1963.

Desovado pela Flashstar numa coleção chamada “MGM Clássicos”, infelizmente encontrei apenas este título do diretor nela. O resto é Van Damme, Stallone e similares.

O bom é que o preço é aquele de amendoim torradinho que a gente tanto gosta. Irresistível levar pra casa e dar fim aquela nefasta cópia em RMVB.

Não tem extras algum, mas tem uma imagem ótima em widescreen coisa e tal. O único defeito que encontrei é que ao selecionarmos o áudio original entra a dublagem brasileira e vice versa, sendo que o mesmo acontece com as legendas.

Estrelado por Vincent Price, o roteiro adapta (livremente) a novela de The Case of Charles Dexter Ward de H.P. Locraft. Por imposição da produtora American International Pictures incluíram créditos também a Edgar Allan Poe ao usar o nome de um de seus poemas no título.

Corman e Price vinham fazendo uma série de filmes que adaptavam esse autor, o que justifica a mistureba comercialmente falando. A ideia a principio era justamente dar uma parada nas obras de Poe, que então já somavam seis.

Pode-se esperar a mesma atmosfera gótica e o capricho cênico, um verdadeiro milagre para o orçamento apertado que Corman gosta de ostentar. Com Vincent Price em cena, mas dá tempo de prestar atenção a cenografia reutilizada.

Veja também:
Lista com as adaptações de Poe por Corman



“Iaiá, uma baianinha tão bonita”

Aurora Miranda, irmãzinha de você sabe quem, cantando pros quindins de Iaiá em 1990 (aos 75 anos) em Dias Melhores Virão de Cacá Diegues. A canção de Ary Barroso a acompanhou a vida toda.

Música que ela aparece cantando em Você Já Foi À Bahia? (The Three Caballeros, 1944) cujo pôster aparece ao fundo. Aquele mesmo desenho que a gente via nas sonolentas manhãs de domingo na Globo, quando chegávamos da missa.

Ainda impressiona a mistura perfeita entre pessoas e animação. Sem computador nem nada, efeito feito à unha.

É ainda mais incrível sabendo que as partes live action foram filmadas na garagem da casa da Carmen, segundo a própria Aurora. Sem ironia, não há quem diga.

Veja também:
Quindins de Iaiá


terça-feira, 17 de abril de 2012

E Daryl Hannah lá precisa de Oscar?

Conhecendo a Daryl Hannah como se conhece hoje é bem estranho ver sua figura associada ao Oscar. Mas essa Vanity Fair é de 1984, quando a moça era uma super promessa.

Muito antes de ela mandar o star system ás favas e seguir seu plano de transformar o planeta num mundo melhor e ser feliz. Sem vergonha de confessar que topa papeis em troca de hospedagem em hotel com open bar.

Na época de Splash - Uma Sereia em Minha Vida (Splash, 1984 de Ron Howard) ela já teria dado um trabalhinho na sequencia em que precisou comer lagosta. Vegetariana, precisaram criar um crustáceo falso.

Veja também:
Dura vida de sereia
Oh! Darryl


Batman e Drácula possuem o mesmo DNA

Percalços da carreira de um astro pop! O Morcego (The Bat) fez tanto sucesso no início do século XX, que originou personagens iconográficas, embora ele esteja esquecido.

Hoje pode parecer um emaranhado de clichês, mas o texto de Avery Hopwood e Mary Roberts Rinehart causou uma sensação nos palcos. Escritora de livros de mistério aluga um antigo casarão para passar uma tranquila temporada, mas ela e seus convidados serão assombrados pelo criminoso Morcego, cuja identidade será revelada ao final.

Impulsionou uma versão cinematográfica em 1926, na era do cinema mudo, outra em 1930 (The Bat Whispers) e em 1959 com o título brasileiro de A Mansão do Morcego, estrelado por Vincent Price e Agnes Moorehead. A de 30 é celebrada como um dos primeiros a ser fotografado numa variante arcaica de 70mm, o que por si demonstra a aposta orçamentária do projeto.

Voltando ás origens teatrais, o melhor fruto talvez seja Drácula! Com o êxito The Bat produtores pensaram em outro livro de mistério que também tivesse um morcego, e o livro de Bram Stoker parecia ter todos os elementos para se igualar.

Ou melhor, superar, já que deixaram a modéstia à parte e estamparam no pôster que era “melhor do que O Morcego”. A imagem do monstro utilizado fazia alguma referência ao assassino anterior também, distante da imagem que temos de Bela Lugosi, que repetiria o papel em 1931, na célebre adaptação de Drácula produzido pela Universal Studios.

Aliás, o roteiro do filme de Tod Browning adaptou essa peça teatral, não o livro de 1897. Daí por diante, ninguém mais parou o Conde da Transilvânia que se mostrou realmente imortal na cultura pop.

Mas diretamente, O Morcego de 1926 inspirou ninguém menos do que Batman! Bob Kane teria admitido ter se baseado no personagem, mas analisando frames do filme de 26 com os primeiros quadrinhos do Paladino da Justiça (uma gentileza de Head Injury Theater) ele nem precisa falar nada.

As “coincidências” de muitos elementos são mais do que óbvias em ambos os personagens. Claro que o Batman (que surgiu 13 anos depois) é um herói e o outro é um vilão, mas os dois se vestem como mamíferos de asas e suas histórias ainda têm como essência casos de detetive.

Nesse tempo todo de longevidade o guardião de Gothan City se distanciou de muita coisa, mas preservou outras tantas do filme mudo. Como o Batsinal, por exemplo, e a mania de usar objetos em formato de morceguinhos.

Quem sabe agora com as atenções de Hollywood voltadas a antigos personagens como Tarzan e Cavaleiro Solitário alguém não tenha a ideia de ressuscitar O Morcego? Johnny Depp talvez, sem querer entregar um spoiler da identidade do criminoso antecipadamente...

Uma última curiosidade: Embora com “pai” em comum, Batman e Drácula só se encontrariam cara a cara em 2005, numa animação feita pela Warner diretamente para o DVD. Sabendo da origem de ambos, a ideia nem é tão estúpida assim.

Nada estúpida, diga-se de passagem! Fico devendo um post sobre esse desenho cheio de pontos interessantes.

O poster é um oferecimento jk2swag, algumas outras imagens e informações Head Injury Theater e Steven Nix.

Veja também:
O Morcego! Quando ele voa, alguém morre!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mixtape #5: Sweet things to say

Mais de meia horinha de música! Ideal para pessoas com objetivos afetivos em comum.

Ouça no player abaixo ou clicando aqui.

Mixtape #5: Sweet things to say by Miguel Andrade on Mixcloud


Avisando que é melhor baixar. Estourei a cota grátis do Soundcloud o que fez com que ocultassem a primeira mixtape.

Estou procurando alternativas. Mixcloud parece batuta, mas achei meio assim, assim o tocadorzinho deles.

Veja também:
As outras mixtapes


R.I.P. Adriano Stuart

Faleceu ontem (15) o ator e diretor Adriano Stuart. Um dos maiores artistas populares do Brasil, estava com 65 anos e sofreu parada cardiorrespiratória.

Com o rosto pouco conhecido do grande público, ele comandou sucessos como Os Trapalhões, grupo que dirigiu no cinema e na TV Globo. Mas sua carreira ia bem além disso.

Bastante lembrado nestes tempos de Internet pelas versões debochadas de grandes sucessos hollywoodianos. É dele Bacalhau (1975) versão brasileirinha do Spielberguiano Tubarão (Jaws, 1975) e Kung Fu Contra as Bonecas (1975) conhecido em blogs gringos como Brazilian Bruce Lee.

O último filme que dirigiu foi Fofão e A Nave Sem Rumo de 1988, uma das poucas ficções científicas rodadas aqui. Stuart também foi o responsável pelo personagem de Orival Pessini quando este foi para a TV Bandeirantes, agora Band.

Como ator na TV, segundo o IMDB, seu trabalho derradeiro foi na minissérie JK em 2006. No cinema, se despediu em 2008, completando o que Jece Valadão deixou em A Encarnação do Demônio, produção mais recente com Zé do Caixão de José Mojica Marins.

Momento histórico da vida privada: Casamento a três

Norte americano é um povo estranho, mas pago pau pra algumas coisas. Como a praticidade em formalizar casórios.

Vai-se numa capelinha qualquer com 20 pratas e dois marinheiros e tcharam! Estamos casados até que a ressaca da manhã seguinte nos separe.

Creio que a Mortícia aí da foto só casou com um, mas levou dois em 1944. Contraiu núpcias e alguma DST.

A imagem é um oferecimento Movimiento involuntario de los ojos

[Ouvindo: Toada e Desafio – Quinteto Armorial]

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sexo: Dos quadrinhos para a tela do cinema

Há quem acredite que se Sex in the Comics (de Eric von Letch) tivesse sido vendido apenas como uma comédia pornô seria lembrado agora como cult.
Mas era 1974 e pra atrair público foi divulgado mesmo como um pornô cômico.

Ponto pro atual obscurantismo. Uma das mais antigas adaptações de quadrinhos eróticos para o cinema, chama atenção pela fidelidade à origem, com cenários cartunescos e quase todo o elenco masculino usando bizarras máscara para parecer desenho.

A premissa é simples: jornalista visita um artista do estilo Tijuana Bibles (conhecido no Brasil como catecismo) e toma uma aula de história sobre a sexualidade invadindo mídias convencionais. A princípio ela toma só isso mesmo. Risos.

Junto à entrevista surgem imagens ilustrativas raras e depois as sketches, apresentadas por intertítulos. O humor do texto é ingênuo como se espera, sempre descambando para uma piadinha visual fácil tal e qual as publicações.

Não chega a ser memorável, mas vale a pena pela produção inusitada. Principalmente pra quem gosta de ganhar uma boa dose de vergonha alheia.

Aqui adaptaram os catecismos do Carlos Zéfiro em 1986. Os Anos Dourados da Sacanagem (de Paulo Antonione) tem roteiro melhor, mas não é tão bem feitinho quanto Sex in the Comics.

[Ouvindo: Johnny Remember Me – The Meteors]

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