segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Amizade na mira das línguas de trapo

E se alguém falar que a boa e velha fofoca não movimenta Hollywood está mentindo. Discutir a sexualidade de galãs é coisa bem antiga.

Tyrone Power e Cesar Romero eram amigos de longa data. Trabalharam juntos e gostavam de voar por diversão no avião particular de Power, adquirido do milionário e Howard Hughes.

Romero, que entraria para a posteridade como o Coringa da série de TV Batman dos anos 60, era homossexual assumido. Isso numa época em que não se podia nem tocar no assunto.

Muito simpático e talentoso, sempre foi bastante respeitado pelos estúdios que o empregavam quanto pela imprensa. De ascendência latina, foi amigo pessoal da nossa Carmen Miranda e da jornalista Dulce Damasceno de Britto.

Dulce comentou em sua coluna da revista Set (março de 2007) que ele, que frequentava sua residência, sempre elogiava muito a beleza das brasileiras e dos brasileiros. Quando ia a São Paulo frequentava o Nick Bar, casa noturna que ficava ao lado do TBC.

O falatório sobre um affair entre os atores correu solto de forma contundente a partir de 1958, após o velório de Tyrone Power. A viúva Debbie, muito emocionada, pediu para que o amigo fizesse o discurso fúnebre.

Romero então leu um poema que escreveu dizendo que “Tyrone era um homem bonito. Bonito por fora e por dentro”. O termo “Beautiful” soou fora de contexto, o que foi o suficiente para eclodir o tititi.

De humor franco e debochado, ele sempre desmentiu qualquer boato, deixando claro que se referiu exclusivamente à personalidade do finado. Parece evidente que caso contrário, teria no mínimo se calado.

Toquei no assunto aqui porque cheguei a algumas faíscas sobre o falatório da época ainda resistindo na web. Nesses casos, acredito na jornalista brasileira, que conviveu com eles.

As duas primeiras imagens são um oferecimento CorDUray

Veja também:
Galãs acima de qualquer suspeita
O homem que peitou a máquina
Jeitinho hollywoodiano de por fim a romances inconvenientes
O lar feliz de Cary Grant e Randolph Scott
Desmascarando o Coringa
A 7 chaves: Rock Hudson e Lee Majors


14 comentários:

Ed. disse...

Tyrone Power! Acho dificil olhar para uma foto dele e não pensar na palavra "Lindo!".

Alice Faye disse que a sensação de beijá-lo era como morrer e ir para céu, chegar ao paraíso..algo assim...
E ainda segundo ela, outro fato que o tornava irresistível era que ele não fazia o estilo 'galã convencido', e sim, era gentil e educado.

Miguel Andrade disse...

Ed. que fofura essa declaração da Alice Faye!

Leticia disse...

Conhece a marchinha antiga? (pena que não há áudio disso, mas lá vai a letra, capaz do Refer lembrar):

Como é que é?
Como é que é?
Você que pensa que é Tirône Povér
Mas com essa cabeleira
Mais parece Ava Gardinér!

Miguel Andrade disse...

Letícia, tinha isso? Nunca tinha ouvido falar.

Raphael Gomes disse...

No conto Uma criança linda, do livro Música para camaleões, do Truman Capote, em uma conversa com a Marilyn Monroe, eles comentam sobre um caso do Tyrone Power e o Errol Flynn, e inclusive do Flynn com o próprio Capote. Agora, se dá pra confiar nele...

Miguel Andrade disse...

Raphael, não dá né? hahaha! Sem falar que capote era pouquíssima areia! rs

Leticia disse...

Capote era pouquíssima areia em termos. Influente pacas naquela época!

Quanto à marchinha, não veio nem daqui de casa. Foi uma senhora, adêvogada, que me passou a bola. E, é fato, nunca encontrei por aí.

Miguel Andrade disse...

Letícia, mas creio que enquanto esses atores eram super astros ele não devia ser tanto assim.

Leticia disse...

Ele não era astro-astro. Era um puta escritor respeitado, tinha prestígio pacas, vários livros adaptados pro cinema...

Valia alguma coisa além do corpinho atarracado.

Miguel Andrade disse...

Letícia, sim, claro. A questão é: Quando ele teve prestígio pacas, vários livros adaptados pro cinema, tanto Tyrone Power quanto Errol Flynn não eram mais super astros do cinema.

São universos diferentes até pela época. No auge deles, creio que Capote era outra pessoa.

Leticia disse...

É, tem isso.

Miguel Andrade disse...

Letícia, no final dos 50, começo dos 60 ele tava super up. Dava festas badaladas, amigo íntimo de Marilyn.

Aí sim, devia chover pretendentes.

Leticia disse...

Mas imagino que, ao longo de ascenções e declínios, o mundo da fofoca se misturava...

Sabe o caso clássico do cineasta ex-ator pornô que revelou ter sido assediado por um cineasta caipira que já morreu? Coisas assim.

Ou talvez foi maledicência pura, fruto de uma tara juvenil...

Miguel Andrade disse...

Letícia, verdade. Vá saber...

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