quinta-feira, 27 de abril de 2006

A Dama do Cine Shangai

Gosto da Regina Casé! Desde que apareceu no Sítio do Pica Pau Amarelo com Luis Fernando Guimarães fazendo um falsificador de dinheiro. Era a primeira metade da década de 80 e eu estava lá! Tá? Sempre me encantou a semelhança com a Bruxa Má do Norte. E a Tina Pepper de Cambalacho? Roubou o livro Os Segredos de Salamandra da Wilza Carla, cliente da Phisycal, pra fazer mandinga e conquistar o seu Aramis. Isso quando não ambicionava ser ninguém menos do que Tina Tuner, ou você acha que Albertina Pimenta escolheu esse nome artístico porquê? Veio o TV Pirata, e alguns outros trabalhos solo, a maioria entrevistando o Zé Povão simpaticamente. Quanto tudo desandou foi produzir e apresentar um programa sobre árvores brasileiras em canal educativo. Era tão legal que a TV Globo também o exibiu. Ás 7 da manhã de sábado... Da fase teatral no Asdrúbal Trouxe o Trombone só ouvi falar, e posteriormente esteve nas famigeradas Pornochanchadas. “Sabe porque beijo mulher na boca, papai? Pra me sentir menos puta!” esbravejou em Os Sete Gatinhos. A cena de sexo da empregadinha espevitada com Igor, o auxiliar do cientista Wilson Grey, em O Segredo da Múmia é uma das cenas mais engraçadas que já vi em um filme. E chocantes, of course! Só decidi expor minhas fotos (mesmo com resolução tosca) no Flicker depois que comprei o seu livro Já com centenas de Polaroids. Não têm que ser obras-primas, são só imagens a serem compartilhadas com amigos! Quando pego o ônibus que passou antes pela favela quase sempre vem cheio de jovenzinhas, todas com seus filhos sentados sem cerimônia em uma poltrona ao invés do colo materno. Em pé por quase meia hora suspiro achando que é uma gente maravilhosa. Pra ser vista em um programa da Regina Casé.

[Ouvindo: Daybreak - Barry Manilow]

terça-feira, 25 de abril de 2006

Psicose

Rapar a cabeça me fez sentir a pessoa mais importante do planeta! Ouço de qualquer pessoa que passe por mim se ficou melhor ou pior, assim ou assado. Isso sem perguntar nada, e se não pergunto... Benzadeus meu cabelo cresce pra chuchu, em uma semana já dá (teoricamente) para se pentear para o lado. Na hora de usar xampu é um desperdício que impressiona! Nunca lembro que cortei. E poucos segundos depois faço exatamente o mesmo com o condicionador. Gosto de comprar xampu e condicionador, nunca espero acabar pra ter um novo, quase sempre daqueles com moreninhas no rótulo. Caso isso vá mudar a sua vida em alguma coisa, começo sempre lavando a cabeça. Já me falaram que a gente começa pela parte que mais gosta. Não é verdade.... Falando em regras de almanaque, todo brasileiro se auto-intitula um amante de banho. O que também não deve ser verdade. No primeiro friozinho mais forte arrisque respirar profundamente no ônibus voltando pra casa e depois me conta! Também desconfio dos hábitos higiênicos de quem os propaga: “MMMMM, vou tomar um banho!”, “Nossa, que calor! Hoje já tomei três banhos!”. O pior é a catinga misturada com perfume. Nunca uso perfume e prefiro que ao meu lado também não se use. Acho bizarra uma pessoa exalando odores doces, cítricos, amadeirados ou sei lá do quê pela pele. E se é pra disfarçar a falta do banhinho piora ao cubo. Tomo normalmente dois, e olhe lá! Ninguém precisa saber disso. É necessidade, não qualidade ou vantagem. Se estiver indo a um lugar a contragosto evito ir limpinho apenas por pirraça, e se fizer muito frio prefiro dormir sujo a ter chilique no banheiro, o Boris, o único que divide a cama comigo nunca reclamou. Ele mesmo toma a cada quinze dias e parece tão feliz com isso.

[Ouvindo: Man Of The Year- Len]

quinta-feira, 20 de abril de 2006

My Fair Lady - Minha Bela Dama


Fora o fato de falar mais que o índio da cobra, e muitas vezes até exprimir em palavras meu cérebro já achou outro assunto que aparentemente não tem nada haver com o anterior, sou uma pessoa bem normal. Talvez… Lá na escola, a mocinha (mas nem tanto) do departamento de marketing quando vai fechar uma matrícula e o futuro aluno quer conhecer o professor vai logo avisando: “Ele tem essa cara de loco, mas é muito competente”... Já tirei a barba ou a mudei pra mil jeitos alterei o cabelo e continua me apresentando com toda essa finesse. Tenho implicância e posso simplesmente execrar pro resto da vida quem me responde por duas vezes seguidas com “Hã?”. Ok, quando a preguiça tá braba costumo achar que duas ou três letrinhas já servem pra me expressar, e ainda abro a boca o menos possível, mas tem horas que parece ser pobreza de vocabulário do interlocutor mesmo. Nove entre dez alunos adolescentes padecem deste mal. Corrigindo avaliações teóricas já cheguei a pensar que as respostas estavam em tupi guarani. “Índia Potira?” “Presente!”. A moçadinha (palavra típica de professora de geografia prestes a se aposentar, né?) é incapaz de formar uma frase completa com o mínimo de nexo. Pras vírgulas basta dar uma salpicada aqui e ali e tá ótimo! Outro dia no MSN fui cruel “Credo, fulana! Porque você está escrevendo assim?”, “Axim comu?”. Alegou ser só hábito de usar “mensenger”. Essa nunca mais esteve on-line pra mim...


[Ouvindo: Três da Madrugada - Nouvelle Cuisine]

terça-feira, 18 de abril de 2006

Boleiros

Acho um saco futebol. Um segundo de Globo esporte que seja já me dá náuseas de desinteresse... Ponha a culpa no meu pai que morreu quando eu era muito pequeno, antes de me ensinar as regras. Os caras ficam horas vendo outros caras correndo de um lado para o outro... E daí? E brigam! Putz, quê que tem se o Coringão perdeu esta semana se vai ter outro jogo na que vem, e outro na que vem e assim sucessivamente!!! Em Itapeva (SP) um “feliz” pra comemorar a vitória do Santos foi estourar um rojão e acabou estourando a mão junto. Virou atração na lojinha de CDs do irmão.Putz, o cara mora a quilômetros (e bota quilômetros disso) de Santos e foi se estrupicar por causa deles? Confesso que fico pelo menos interessado se o Paulista (“Gaaaaaaaaaalo!!!”) ganhou porque é o time da minha cidade, mas não passa disso. Bizarro é ver um jundiaiense sacolejando de alegria porque um time de um bairro de São Paulo ganhou. Se ainda envolvesse ideologia, sei lá, até dava pra entender... E Copa do Mundo é a lesma lerda, pra vender mais cerveja a mídia engrupe o Zé Povinho de que o evento tem alguma importância para o resto do planeta. Tem tanta importância quanto qualquer outro campeonato. E só pra ser estraga prazer lá por maio, junho começo dizendo pra quem quiser ouvir: “Tomara que perca!”. Acho chato mesmo...

[Ouvindo: Bedtime Story - Madonna]

quinta-feira, 13 de abril de 2006

A Morte lhe Cai Bem

Mostro a língua pra quem vem elogiando meus atributos físicos. Qual o controle que mantive quanto á genética? Sem demagogia alguma, tudo isso virará dia menos dia fosfato e ponto. Galanteios realmente merecedores são os ganhos por algo executado por esforço e talento meramente próprios, mesmo com todas as adversidades impostas ao redor. E nem encano com a idade em estado galopante, a maioria ainda me dá 5 anos a menos do que realmente tenho. Ou dava. Desde que passei a acordar as 6h30 (!!!) para trabalhar faz um tempinho que ninguém erra. Chego á quase que científica conclusão de que (pelo menos na conservação da cútis) Deus ajuda não quem cedo madruga, mas quem dorme bastante, não importando se de dia como todos os mortais, ou se só se consegue entrar no reino de Morpheus após as sete da manhã. Continuo amando ficar acordado de madrugada (“i love night live...”) mas despertando nesse horário cruel nem todo o botox aplicado na Cher e Sônia Braga daria jeito. Só prometo nunca usar roupa de adolescente, nem namorar tal faixa etária. E claro, se algum dia aparecer na sua frente de acaju nos cabelos interna que é pura senilidade...


[Ouvindo: Rock and Birds - Cowboy Junkies ]

terça-feira, 11 de abril de 2006

Rosalie Vai às Compras

Mudo de canal ininterruptamente! Pode ser o presidente Bush alardeando a invasão marciana que eu nem qüém! As vezes os comerciais são bem mais divertidos. Principalmente absolutamente todos que envolvem a filha da Glória Pires, aquela guria com boca de coringa mal amado. Se alguém já a viu fazendo um deles que não a deixasse com cara de idiota que me diga, porque quando esse foi exibido acho que tinha mudado pro programa do Ronnie Von, que ás quartas, junto com Casamento á Moda Antiga são as únicas coisas realmente assistíveis na TV á noite. Mas voltando á filha da outra, a fulana já apareceu contracenando com um tosco Napoleão em GC pra vender gordura de passar no pão (“MMMM, então você é o mister Deli?”), levando um cata em anuncio de chinelo furreca e agora com toda a prole Pires pra jurar que uma rede de eletrodomésticos fala sério. Fala sério! Os de carro estão na categoria insuportáveis, e misteriosos porque mesmo sendo um produto caríssimo, anunciam mais que sabonete. Sempre com o subtexto de que se você não tem um deles não é cool o suficiente. Minha filha, nem andar de patinete eu sei! E aquele da Fiat onde criancinhas detestáveis falam de como imaginam o futuro? Que falta faz o Homem do Saco!!! Os de supermercados são os vitoriosos no quesito “escolhe um dedo”. Os reclames de onde compro tem o slogan “Bons motivos pra sorrir”. Caraca, então deve ser por isso que posso comprar uma dúzia de bananas mais mais beterraba, chego no caixa e desembolso R$ 50,00! Ah, sim, ta explicado! E aqueles funcionários com distribuição farta de sorrisos são igualzinhos aos que vi domingo. Outro dia pedi pra levar uma conversinha daquelas com o gerente. Se é pra ver gente trabalhar mau humorada peço pra dona da escola encher a sala de aula de espelhos e pronto!

[Ouvindo: Bette Davis Eyes - Kim Carnes ]

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Os Goonies

Sempre admirei crianças e velhos. Ambos são um porre, mas possuem suas vantagens neste planeta. E nem me refiro a andar de ônibus free. Os pequenos no contorcionismo de passar por debaixo da roleta e a galera da Corega exibindo RG como se fossem agentes do FBI. Me encanta o fato de ambas as categorias não darem patavina de bola á opinião alheia, pelo menos teoricamente. É dia do índio? Êêêêê!!! Não se tira a maquiagem de Pele Vermelha que a tia da escola cruelmente nos pintou! É páscoa? Vou passear de coelho usando uma máscara de cartolina. É absolutamente natural! Deveria haver uma lei estipulando pelo menos um dia do mês para se ir ao trabalho trajando o que bem entendesse. Tentaria conseguir de volta minha roupa de Superman. Era da marca Capitão 7 e vinha com umas polainas de plástico amarelo fingindo ser bota, e tanto a capa quanto a cueca que fica por cima (!!!) da calça eram feitas de tule vermelho. Amava chegar da escola e vesti-la pra ver TV, fazer a lição de caça, ir á padaria... Quem já soprou mais de 60 velinhas parece ganhar o crachá que o libera pra dizer o que bem entender sobre e para qualquer um. Minha avó parece ser PHD nisso. Tacou na cara de sua cunhada que ela é absolutamente ridícula. “Uma velha como tu, com a cara toda amassada usando cabelo preto! Onde já se viu?” Assim, na bucha! Detalhe, a outra havia apenas atravessado o oceano para visitá-la, no que seria (agora se sabe) a última vez que se veriam nesta vida. Se tiverem que reclamar da alface no supermercado, pode ter certeza que o gerente será chamado. No figurino nem confiança se a moda mudou ou não, sempre ficam em algum ponto de quando tinham 30 anos. Me imaginei em 2040 de costeleta, pulmão artificial, usando exatamente a mesma armação de óculos, levando pela centésima vez os bigodes da Glenda e os do Boris pra clona-los. Já tenho um cofrinho de 1,99 cheio deles. Batuta!

[Ouvindo: Tango Pra Teresa - Angela Maria ]

terça-feira, 4 de abril de 2006

Laranja Mecânica

Não uso drogas ilícitas simplesmente porque em um belo dia acordei, lindo, e vi que á minha volta só havia resquícios de personalidades moldadas no ventre da classe média burguesa. Desde que meu pai morreu, quando eu tinha 5 anos, minha situação financeiras caiu vertiginosamente, subiu, desceu, desceu mais um pouco e agora, com algumas braçadas tento pegar fôlego com a cabeça pra fora. Não posso me dar ao luxo de brincar de menino mau, deixemos isso aos pequenos de alma. Certa vez, (a um bom tempo) saindo do club onde trabalhava (No chamado circuito Bebete Indarte dos Jardins) encontrei uma amiga supostamente acompanhada por um conhecido. E lá fomos até uma cidade da região pegar cocaína, ou como chamávamos Mary Claire. Lembro dos primeiros raios do sol nos lavando a cara amanhecida, e nós ali, na porta de uma caótica favela com aviões dando rasantes em nossas cabeças. Uma longa espera até o “amigo” dela voltar das entranhas da miséria com alguns gramas. Já no caminho pra casa já mandei parar em um posto de gasolina pra usar o banheiro. Mesmo passando muito mal o dia estava só começando, e ás 11 da manhã estávamos todos de saco cheio daquele “amigo da amiga”, que na verdade (olha que perigo!) era um desconhecido que se aproximou quando nos cumprimentamos, e agora, ali depois de muita cocaína não parava de falar em peças de moto, carros turbinados, e eu apenas sonhando que aquilo tudo acabasse logo, todos fossem embora... Precisei simular um ridículo sono (!!!) súbito pra me ver livre deles e correr ao banheiro pra regurgitar centenas de pequenos pontos negros. Tal e qual o teto de um fusca 68. Fiquei desacordado praticamente 24 horas e nem sequer vi um túnel de luz na minha frente... Vaso ruim sabe como é, né?

[Ouvindo: Cuando tu me miras - Victoria Abril ]
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