quarta-feira, 6 de abril de 2005

Kill Bill Vol.1


E me encanta, como você, querido e fiel amigo, já deve ter percebido, não só ver telenovelas, mas qualquer coisa que passe na TV! Ou melhor ainda, dar uma experimentada em qualquer produto pop/trash que a chamada indústria "cultural" (Note as aspas. Note!) venha a produzir. Meu faro crítico um tanto quanto apurado necessita regularmente de combustível. Leia-se prazer para apodrecer pura e simplesmente o que aparecer pela minha frente. E se isso for fruto de uma major melhor ainda! Nasci assim, vou ser sempre assim... O resto dá pra adivinhar. Ai que vontade de estar cara-a-cara com um legítimo Invisible Bra! E qualquer telelágrima pra mim tá valendo. Delícia quando o SBT, na falta óbvia de ter o que passar após as 3 da matina, tasca o bloco final do Bom dia e Cia da manhã seguinte (Porque a Jéssica e o Kauê falam que gostaram da historinha mas que estão tristes com o fim do programa T-O-D-O S-A-N-T-O D-I-A?) e logo depois exibe um capítulo de Rubi sem intervalos nem nada! E Rubi me espanta pela diversidade em uma trama cucaracha, afinal, você já viu mocinha que é a vilã? Uma amiga mais desocupada (Alô, Samanta!) me contou, via MSN, que para a Televisa ter produzido isso contratou uma estrela do canal concorrente. Oh! Las chicas mexicanas no pueden ser malas! E a boazinha, que teve o noivo roubado pela protagonista no dia de seu casamento, ainda por cima é manca e foi miss México. Lindo! E você que ia dormir sem essa informação, hun? E tô a fim de ver novela brasileira mas a Globo não tem deixado! O que foi aquele festival de teatro infantil chamado Senhora do Destino? O pouco que deu pra ver, notava-se que a certo ponto o autor desencanou totalmente de escrever e mandou o sobrinho de 7 anos à frente do PC pra concluir o "trabalho". E alguém já viu um dramaturgo que dá mais entrevistas, enquanto a novela tá no ar, do que o Aguinaldo Silva? Pensar em soluções inteligentes? Praquê? Se havia 8 pessoas em cena, cada uma tinha obrigatoriamente que proferir uma frase rasa! Ux, e ainda dava audiência recorde? E sempre que começa uma novelinha dele, com a trama toda rebuscada, só uma frase me vem à cabeça: "Dô 30 capítulos para esse cara se perder em meio a isso tudo e imperar o pastiche!". Batata! Ai que peninha da Renata Sorrah jurando estar arrasando em meio a tanta bobagem. E nunca tinha visto a Susana Vieira pééééééssima! E o pior estava por vir! Basta ter a assinatura de Glória Perez para saber que se trata do mais baixo folhetim possível. E o que é pior, deslocada de seu tempo, ainda vem com a balela de que o peão de rodeio é herói ao invés de um estúpido covarde. E os mexicanos que falam português corretíssimo e pra tentar dar um clima ainda colocam "ita" no final de cada palavra em diminutivo! E rogam a Nossa Senhora de Guadalupe! NOSSA SENHORA? Resta esperar Belíssima de Silvio De Abreu, que sempre pareceu levar seu oficio a sério, ou pelo menos parece tentar sair do óbvio. Com título luxo chupado do filme de Luchino Visconti, onde aliás, temos uma estupenda Anna Magnani tentando transformar sua filha em uma espécie de... Celebridade!!! Que para um Gilberto Braga também não era lá estas coisas em originalidade. Quando absurdamente fracassou a inovadora As Filhas da Mãe no Jardim do Éden (a 2ª trama de que assisti religiosamente todos os capítulos), também de Abreu, sabia que bom sinal não era. Inesquecível a frase de Débora Bloch no especial "Último Capitulo" (92) do TV Pirata: "A cada trama mirabolante que afunda, outras dezenas irão erguer a bandeira da repetição", ou coisa que o valha. Mudando um pouco de assunto, tem visto a cotação do dólar? E os conflitos no Oriente Médio? Ai o Betinho que só queria dar de comer às criancinhas...


[Ouvindo: Andante con molto - George Gershwin]
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