segunda-feira, 31 de julho de 2017

Socialite casou com bênçãos do Papai do Chão

 Foi o casamento do ano! Em 1967 a socialite Judith Case e o jornalista John Raymond subiram ao altar para dizer o “sim”, mas não em qualquer altar, era o altar da recém inaugurada Church of Satan em São Francisco na Califórnia.
A imprensa foi em peso cobrir o grande dia, embora os próprios noivos, que riam muito, não pareciam lá muito féis. Existe o vídeo (que você assiste abaixo ou neste link com melhor qualidade) da cerimônia.

Fundada por Anton LaVey (que usava uma fantasia de capeta carnavalesca) um ano antes, a ocasião serviu principalmente para divulgar a igreja satanista. Os pombinhos casaram de novo no dia seguinte numa igreja convencional.
Para entender o contexto da época, em 1966 a revista Time trouxe em sua edição de abril a polêmica capa “Is God Dead?”. No chamado “Ano 1” (dia 6 do mês 6 de 1966) nasceria o Anticristo - o que parece não ter muita relação com a igreja de Lavey já que sua igreja não acredita no Diabo, nem numa noção cristã ou islâmica de Satanás, mas podemos vislumbrar o que acontecia no inconsciente coletivo.

O filme O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, 1968 de Roman Polanski) foi rodado alguns anos depois, mas preserva a mitologia da data (6/6 de 1966). Tanto que Rosemary encontra  essa edição especifica na sala de espera do médico.
Anton LaVey seguiu atraindo curiosos e celebridades de Hollywood para sua religião, conforme você confere neste outro post.  Seguindo os preceitos de uma bíblia própria, a Igreja de Satã ainda existe, se tornou uma organização religiosa internacional com sede em Nova York.

Veja também:
O avesso da cena: Dirigindo Rosemary
Ano Um e O Papa Negro

O homem que enganou o papa
Verdadeira face de Lâmia
Cidadezinha contra deus pagão (ou quase)

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Tarantino e tragédia de Sharon Tate no novo vídeo do canal

 
E o 10º Dolce Vídeo está no ar!  Aproveitando o diz-que-me-diz sobre o próximo projeto de Quentin Tarantino, um pouco sobre o terrível crime que vitimou a atriz Sharon Tate.

O assunto foi por muitos anos um tabu para este blog. O massacre de agosto de 1969 ajudou a enterrar o sonho de paz e amor da década de 60.

Ainda no mesmo vídeo uma análise da caixa com Blu-rays de Tarantino lançada pela Imagem Filmes. Assista, deixe seu like, se inscreva no canal
:)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Gringos imitando brasileiros: NBC vs. TVS

 Dono da coisa toda, quando líamos na Amiga ou Contigo! que o Silvio Santos estava de férias nos EUA havia a certeza que muita coisa mudaria na TVS, futuro SBT. De camelô a sacoleiro televisivo.

A mais yankee das emissoras de televisão brasileiras. De programas de auditório a linguagem visual, tudo vinha de gringa,  como por exemplo, a vinheta "Let'sAll Be There" da rede norte-americana NBC, no ar (em sua primeira versão) desde 1983.

Em 1987 os brasileiros se depararam com “Quem Procura Acha Aqui”, adaptação composta por Mário Lúcio de Freitas. Assista abaixo e se divirta na comparação.
Detalhe para o momento das palminhas. Se eles tinham Michael J. Fox e Pierce Brosnan...
... nós contra-atacamos com Vovó Mafalda, Silvio Santos e Cristina Rocha!

Menção honrosa para um raro e rápido registro da Bozolinda, assistente de palco do palhaço Bozo, interpretada pela Flor. Depois ela foi trocada por um efeito sonoro.
Em 1985 a NBC seguiu atualizando "Let's All Be There".
Colocou seu principal elenco da época usando umas cartolas brancas fosforescentes.
E claro que em 1989 a TVS também faria uma nova versão de “Quem Procura Acha Aqui”. Hebe, Mara e o elenco de A Praça É Nossa não poderiam ficar sem a sua cartolinha.
Pelo menos a emissora era fiel ao espírito do canal estrangeiro. Perceba que muitas das estrelas que aparecem nas vinhetas da NBC, como exceção o elenco de Family Ties, na programação da Globo como Caras e Caretas desde que Michael J. Fox estourou no cinema, eram de seriados exibidos pela emissora do Baú da Felicidade.

Era uma época em que a emissora assumia rivalizar com a Globo pelo primeiro lugar no Ibope, que se autoproclamava uma das maiores emissoras de TV do mundo. Época distante, sem internet ou TV paga para que alguém comparasse e apontasse qualquer falta de originalidade.

Veja também:
O dia em que o SBT caiu numa pegadinha
Inspiração fantástica do Hans Donner?

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O improvável encontro de Tab Hunter e Divine

Depois de James Dean só Tab Hunter fez tantas adolescentes suspirarem na década de 50 e você pode ler mais sobre ele clicando aqui. Após quase duas décadas ele estava quase esquecido quando foi convidado a ser par romântico da Divine em Polyester (1981 de John Waters).

O papo de Hunter com John Waters começou com o diretor lhe perguntando o que ele achava de beijar uma travesti de 130 quilos. “Tenho certeza que já beijei coisa bem pior!” respondeu o ator, enquanto Waters torcia para que ele não tivesse assistido Pink Flamigos (1972), onde Divine apareceu comendo cocô de cachorro de verdade.
A real é que ele não tinha nada a perder no estado em que sua carreira se encontrava. Tab Hunter foi a primeira estrela hollywoodiana de verdade que a turma de John Waters pode contratar, ainda assim, só puderam contar com ele por uma semana.
“Foi o caché mais baixo que Tab Hunter já recebeu e o mais alto que já pagamos”, relembrou John Waters no documentário Tab Hunter Confidential (2015 de Jeffrey Schwarz). Com bom humor o astro lembra que foi um divertido período de trabalhar até as duas da manhã e compartilhar pizza fria no chão entre um take e outro.

Quando filmaram as cenas quentes ninguém acreditou de que estavam ali rolando no chão Divine e um astro de Hollywood. Mas a coisa aconteceu e funcionou! 
Pessoas diziam para Tab Hunter não se preocupar, porque ninguém ia assistir aquele filme, mas muito pelo contrário! Polyester foi lançado e foi um sucesso.

A ótima bilheteria reascendeu, por ironia do destino, a sua carreira! As pessoas se lembraram de seu nome e ele voltou a ser convidado para aparecer em programas de TV como há muito tempo não era, graças a um filme independente bem distante do estilo machão americano que havia ficado famoso.

Polyester está para a carreira de Tab Hunter como Pulp Fiction (1994 de Quentin Tarantino) está para a de John Travolta! E agora, que rumo tomar?  
Outro filme ao lado de Divine! E assim, o mundo ganhou a comédia faroeste A Louca Corrida do Ouro (Lust in The Dust, 1985 de John Bartel), segundo uma ideia do próprio ator.

Claro que não foi nada fácil que algum produtor aprovasse um projeto como “Lust in The Dust”, mas ele bateu de porta em porta com o roteiro debaixo do braço, tendo agora o sucesso de Polyester no currículo. Enfim seu nome poderia interessar à geração 80's!
Foi frequentando os estúdios para conseguir apoio a esta loucura que ele conheceu Allan Glaser, então um jovem executivo da 20th Century Fox, cerca de 30 anos mais jovem.  Hunter e Glaser iniciaram um romance que dura até hoje.

Veja também:
Documentário expurga demônios de Tab Hunter
Tab Hunter na TV do Brasil
Poster raro de Lust in The Dust
Pobre Francine... Pobre Francine!
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