quarta-feira, 19 de abril de 2017

Faye Dunaway, a pior pessoa de Hollywood segundo Bette Davis

Tem circulado um vídeo de uma entrevista de Bette Davis em 1988 onde ela é enfática sobre a pior pessoa em Hollywood. Sem pestanejar: Faye Dunaway!

Na hora de explicar disse que não tinham tempo para apontar todos os motivos, “realmente ela muito difícil de trabalhar”. Assista ao vídeo no player abaixo ou clicando aqui.

“Senhora Dunaway é para Senhora Dunaway” e olha que Bette Davis trabalhou com barras pesadas como MiriamHopkins e, claro, Joan Crawford.  Mas no final da vida, nenhuma se comparava a Faye Dunaway.

Muita gente recebeu essas declarações como se ela tivesse bode por Dunaway ter interpretado Joan Crawford no infame Mamãezinha Querida (Mommie Dearest, 1981de Frank Perry) e a estaria associando. Muito pelo contrário!

Quando o livro Mamãezinha Querida, onde a filha de Joan Crawford narra supostos abusos, foi lançado,  Bette Davis se posicionou contra a publicação. Como qualquer pessoa humanamente sensível se posicionaria diante daquele oportunismo em cima de quem nem estava mais vivo para se defender.

E quando a adaptação para o cinema começou a ser produzida, várias atrizes recusaram o papel em respeito à memória de Joan Crawford. O filme foi uma queimação de filme para quem o protagonizasse até no meio artístico.
 Se Davis já detestava Faye Dunaway pelo seu comportamento depois que trabalharam juntas no telefilme O Desaparecimento de Aimee (The Disappearance of Aimee, 1976 de Anthony Harvey), passou a ter repulsa após Mamãezinha Querida.  Por mais que tenham sido rivais de Joan Crawford (e ela teve várias rivais!), houve mal estar com o projeto que adaptou aquele embuste.

Em tempo: Olivia de Havilland, amiga íntima de Davis e a única viva das retratadas na série Feud: Bette e Joan, respondeu ao Hollywood Reporter por e-mail sobre o programa. As poucas linhas diz muito sobre o que as estrelas acham (ou iriam achar) dessas interpretações de fatos.

“Recebi seu e-mail com suas duas perguntas", respondeu De Havilland. "Eu gostaria de responder primeiro à segunda delas, que me pergunta a exatidão de uma série de televisão atual intitulada Feud, que diz respeito a Bette Davis e Joan Crawford e sua suposta animosidade uma com a outra. Não tendo visto a série, não posso fazer um comentário válido sobre ela. No entanto, em princípio, me oponho a qualquer representação de personagens que não estão mais vivos para julgar a precisão de qualquer incidente descrito que as envolvia". 

Veja também:


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Uns passam tempo jogando biriba, prefiro procurar capa de revista

 Cada um com suas manias. E eu não posso ver foto antiga com astros lendo alguma revista que não descanso até descobrir qual revista é aquela.

 Geralmente eles estão lendo alguma revista onde aparecem na capa. Não é o caso desta imagem de Roger Corman e Vincent Price no set de A Mansão do Terror (The Pit and the Pendulum) de 1961.

Uma revista japonesa com Audrey Hepburn na capa não foi nada fácil receber as graças do Google para quem não fala japonês. Mas, após anos de busca, e alguns macetes desenvolvidos... voi lá!
Foi a mesma alegria de encontrar figurinha que completaria um álbum. É provável que exista uma matéria sobre eles no miolo? Nunca saberemos...

O nome da revista é “Screen Magazine” (ou スクリーン), uma publicação bastante tradicional daquele país sobre estrelas de Hollywood. A edição é de abril realmente do ano de 1961 (pensei na possibilidade de ser anterior a 1961 pela distância e distribuição da época).

Num leilão virtual do Yahoo JP  foi levada por 1.000 ienes (algo em torno de 28,000 Golpinhos). Ou seja, ela realmente é difícil de ser encontrada mesmo fisicamente no Japão. .

Hepburn apareceu na capa da Screen incontáveis vezes. Inclusive foi fotografada lendo uma das revistas, edição e agosto daquele mesmo ano.

E claro que esta é bem fácil de ser encontrada, em várias resoluções. Difícil mesmo foi a que eu queria, a do Roger Corman e Vincent Price (sempre assim...).

PS: Reparem como eles estão vendo a última página da revista achando provavelmente que é a primeira.

sábado, 1 de abril de 2017

O galã clássico de Hollywood que topou filme adulto!


Alguns antigos astros da era de ouro de Hollywood após certa idade voltaram ao estrelato em filmes B de horror. O galã Aldo Ray foi fazer filme pornográfico, no auge do gênero, na década de 70!

Aldo Ray já foi lembrado antes aqui no blog, quando Quentin Tarantino o homenageou em Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009). Astro de clássicos como Os Boinas Verdes (The Green Berets, 1968 de Ray Kellogg e John Wayne) e Veneno de Cobra (We're No Angels, 1955 de Michael Curtiz) ao lado de Humphrey Bogart e Peter Ustinov, caiu em desgraça ao afundar no alcoolismo.
Como precisava trabalhar topou participar de Sweet Savage (de Ann Perry), faroeste de sexo explícito filmado em 1978. Filmes adultos eram moda naquela época, o conceito de participar deles, diferente do que é hoje, significava quase uma revolução.

Mas isso, claro, não se aplicava a um astro com uma trajetória gigante em Hollywood, com uma indicação ao Globo de Ouro.  Mais tarde Aldo Ray se lembrou da hostilidade dos colegas quando souberam desse trabalho.
Ele disse que precisava de uma aventura descolada, recebeu alguns milhares de dólares pra passar uma espécie de férias no deserto.  “Mas eu sei que não fiz nada de errado!” sentencia, comemorando que ainda levou o Oscar da indústria pornô por aquela atuação.

Aliás, atuação sem sexo explícito, já que ele é o vilão asqueroso. Seu nome foi um excelente atrativo publicitário para promover o filme e nos créditos  iniciais aparece abaixo de Carol Connors, que já havia interpretado a solicita enfermeira de Garganta Profunda (Deep Throat, 1972 de Gerad Damiano).
Sweet Jane é uma das poucas produções a levar sexo para os faroestes, num tempo em que havia filmes do gênero sobre tudo e os spaghetti westerns já não tinham o mesmo fôlego. A história de uma índia que vira uma cidade de ponta cabeça tem esse mérito, além do astro.

Se analisarmos como um mero bang bang, sua presença ali faz sentido, mais personagem durão igual a qualquer outro que interpretou aos montes em grandes filmes. No ano seguinte Peter O'Toole e Helen Mirren apareceriam em Calígula, também cercados por sexo por todos os lados.

 A principal diferença está no dinheiro gasto nas produções e o verniz de “tem putaria, mas é filme de arte” que Tinto Brass e Bob Guccione deram a seu filme sobre o imperador romano. Sweet Jane é pobre e sujo e sem a menor vergonha do sensacionalismo.

Politicamente incorreto, martela aquele mito da sexualidade desacerbada dos nativos norte-americanos.  Não é preciso dizer que Sweet Jane encontrasse facilmente nos bons sites de vídeos adultos (num arquivo estranhamente dublado em francês!) e continua não valendo muita coisa além do nome famoso no elenco.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Maior gafe televisiva virou lenda urbana mundial

Há exatos 40 anos os norte americanos assistiam a uma das mais famosas gafes da TV. Foi em 1977 no programa tradicional  The Newlywed Game (O Jogo dos Recém Casados).

No programa uma das pessoas do casal responde perguntas sem o outro saber, aí esse outro terá que adivinhar. Silvio Santos já fez incontáveis versões disso no Brasil.

Na ocasião o apresentador perguntou à dona de casa Olga Perez qual o lugar mais estranho você já fez “woopie” (algo como “nheco nheco”). Ela pensou um pouco e respondeu na lata: “No cu?”.

O apresentador correu corrigir que era lugar, espaço da casa!!!! Por muitos anos isso foi tido como mera lenda urbana, inclusive negada pelo apresentador Bob Eubanks, que chegou a oferecer uma recompensa para quem provasse que isto realmente existiu.

Até que uma antiga fita do programa veio à luz e esclareceu que realmente isso foi ao ar. Esse trecho aparece ainda no filme Confissões de Uma Mente Perigosa (Confessions of a Dangerous Mind, 2002 de George Clooney).
A lenda urbana chegou até aqui ao Brasil. Mas claro, dizia-se que isto tinha acontecido num programa da TV portuguesa.

The Newlywed Game foi produzido entre 1966 a 2013, existiram muitos outros constrangimentos, mas nenhum ficou tão conhecido quanto este. Olga Perez agora está imortalizada em incontáveis arquivos upados ao YouTube.

quarta-feira, 22 de março de 2017

O Avesso da cena: Olhos hipnóticos de Drácula

 A Hammer inovou, entre outras coisas, na cor! Nunca o sangue havia sido visto em cores tão vermelhas quanto em seus filmes, e é claro, os olhos de Drácula sanguinários como nunca!

Os olhos de Christopher, o maior Drácula desde Bela Lugosi, eram assustadoramente vermelhos. Vermelhos como quem não pisca nunca, como um morto.
Hoje isso é conseguido fácil, lentes de contato coloridas vendem a cada esquina. Em 1966, ano de Drácula, O Príncipe das Trevas (Dracula: Prince of Darkness de Terence Fisher) a coisa não era tão simples inclusive para o ator.
O efeito era conseguido com lentes de acrílico, duras, que se encaixavam no glóbulo ocular. Nas imagens dos bastidores desse filme dá pra ver o maquiador colocando no Lee e claro, imaginar o desconforto dele.
E nesse mundão de filmes posteriores de vampiros, monstros e zumbis a coisa continuou assim! Só a partir da década de 80 que chegaram as lentes coloridas gelatinosas que conhecemos hoje e foi uma revolução!

Os Garotos Perdidos (The Lost Boys, 1987 de Joel Schumacher) é considerado o primeiro filme a mostrar os olhos dos vampiros coloridos pela nova maravilha! 21 anos após o filme da Hammer.
Aliás, parece algo tão comum, mas esse filme faz apenas 30 anos agora em 2017. É relativamente recente se compararmos ao estrelado pelo Christopher Lee. 

Um ano antes das lentes de contato coloridas dos vampiros adolescentes no cinema elas foram muito importantes nos rumos da novela Selva de Pedra da TV Globo. Para desvendar um suposto atentado Simone, a mocinha, volta disfarçada como outra pessoa.

Se na primeira versão (de 1972) ela se transformava em Rosana Reis apenas com uma peruca, agora ela mudava até a cor dos olhos. Fernanda Torres ficou super natural e irreconhecível, né? 

quinta-feira, 16 de março de 2017

O Homem de Hollywood versus O Homem do Sul

Na metade da década de 90 alguém achou que seria uma ótima juntar quatro dos nomes do cinema independente americano mais promissores naquela época. O resultado foi Grand Hotel (Four Rooms, 1996 de Allison Anders, Alexandre Rockwell, Robert Rodriguez e Quentin Tarantino).

Irregular como era de se esperar (e o tempo confirmou), apenas os episódios de Rodriguez (Os Pestinhas) e Tarantino (O Homem de Hollywood) são memoráveis. Pra ser sincero, naquela época eu só gostei do de Rodriguez, bastante cartunesco.

Não me era muito palatável aquela verborragia do Tarantino sobre a superioridade de Jerry Lewis, champanhe Crystal. Até ali ele só tinha dirigido dois longas bastante incesados: Cãe de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992) e Pulp Fiction: Tempo de Violência (Pulp Fiction, 1994).
O episódio “O Homem de Hollywood” é a essência de Tarantino conforme veríamos posteriormente, muito mais do que seus dois primeiros filmes.  Texto, texto, texto e PÁ! A antítese do que se pode considerar suspense.

Aos menos interessados pode aborrecer como pode aborrecer comer uma coxinha. Tem que estar muito disposto pra aguentar toda aquela massa pastosa até chegar ao frango desfiado.

A premissa é ótima, citando “O Homem do Sul” (Man from the South), 15º episódio da quinta temporada da série Alfred Hitchcock Apresenta (Alfred Hitchcock Presents), exibido em 1960. No filme eles se referem a ele como O Homem do Rio, mas na verdade é do Sul.
Na história um homem oferece a um rapaz ambicioso a oportunidade de ter seu carrão conversível. Para isso ele precisa apostar que acenderá seu isqueiro zippo 10 vezes sem a chama falhar uma única vez.

Se falhar ele perde o dedo mindinho ali na hora, a sangue frio! Para quem não conhece, a famosa marca de isqueiros é conhecida por ser resistente inclusive ao vento, na realidade não é bem assim, além de dar um trabalhão ficar trocando a pedrinha e o fluído.
Essa história é na verdade uma adaptação conto de Roald Dahl (o mesmo de A Fantástica Fábrica de Chocolate e tantas outras histórias) publicado pela primeira vez em 1948. Antes da série de Hitchcock o texto já havia sido adaptado para a TV em 1955, para a série Cameo Theater.

Como a história é boa mesmo, foi novamente adaptada em 1979 para a série Tales of the Unexpected (exibida na Globo com o título Shock).  É possível assistir a este episódio legendado em português no YouTube ou clicando no player abaixo.
“O Homem do Sul” ainda seria refeito em 1985 no piloto do remake da série Alfred Hitchcock Apresenta. O elenco contava com John Houston, Melanie Griffith (no papel da garota do rapaz) e Kim Novak e Tippi Hedren.

Assim como a ação de Grand Hotel, todas as versões se passam em hotéis. O que foi engenhoso resgatar o velho episódio, visto que todos os episódios dos outros diretores transcorrem no mesmo espaço, interligados pelo carregador atrapalhado.

Pode não parecer nada agora, veja bem, tem até uma versão de O Homem do Sul legendado em nossa língua disponível no YouTube, mas foi uma referência bem legal lá em 1996. Nem parece que existiu um tempo em que penávamos para assistir, ou até mesmo ter conhecimento, sobre alguma coisinha mais diferentona.

terça-feira, 14 de março de 2017

Eva Green através dos séculos

 Uma bruxa com séculos, não é uma bruxa há séculos se ela não tiver algum quadro na parede registrando o tempo. Angelique Bouchard Collins de Sombras da Noite (Dark Shadows, 2012 de Tim Burton) ostenta nada menos do que cinco pinturas e uma foto (além de uma escultura que não vem ao caso agora).
Não entendo muito de artes plásticas, mas parecem estar bem ok pelos estilos de épocas distintas. Não há um período de tempo exato entre uma tela e outra, mas provavelmente é de cerca de sessenta anos.
Isso levando em conta a pintura art decó com a fotografia 80’s (antes que alguém pergunte, o filme se passa em 1972, mas a Angelique viaja no tempo. Pelo menos na novela do qual o filme se inspirou). Eva Green art decó é a mais encantadora por não ser realista.

Aliás, a fotografia de uma fase yuppie é a única a aparecer apenas de relance no filme. Lembra um pouco o visual da Bette Midler naquela época.
Dois nomes aparecem nos créditos como responsáveis pelos retratos: Gill Andrae-Reid e Sally Dray. Ambos, numa rápida pesquisa, possuem uma variedade de estilos de pintura.

Suas trajetórias em Hollywood possuem um mínimo de vinte anos. Seus nomes também são creditados em produções como Titanic (1997 de James Cameron), Harry Potter’s e o novo A Bela e A Fera (Beauty and the Beast, 2017 de Bill Condon).

No currículo de Sally ainda consta um retrato particular para a então família formada por Helena Bonham Carter e Tim Burton. Sombras da Noite foi o único trabalho que ela fez para Burton, então ele deve ter ficado bastante satisfeito com as representações de Eva Green para contratar seus serviços de forma privada.

Veja também:
Os Olhos Grandes de Margaret Keane
Bette Davis como Sarah Siddons, a Musa Trágica
Na parede de certa casa na Sunset Boulevard

sexta-feira, 10 de março de 2017

Dolce video com ufos, monstros, naves e... Gays!

Eles não vieram do espaço sideral, mas nem sempre são visíveis a todos os olhos! Nesta edição do Dolce Video falo de alguns filmes B da década e 50 que podiam estar se referindo a gays.

Época efervescente para a ficção científica, existiu lugar para todo tipo analogia travestida de alienígena. Entre comunistas, armas nucleares e planetas feministas habitados apenas por mulheres malvadas a sexualidade também assombrava as plateias.

Como sempre, peço para que dê seu like lá no Youtube, se inscreva no canal e acione o “sininho”, para ser alertado a cada nova atualização. Nem sempre consigo atualizá-lo com a frequência que gostaria, então, você será informado sempre que isto acontecer.

Para assistir às outras edições, click aqui. 

segunda-feira, 6 de março de 2017

O Avesso da cena: Suplício de uma colina

 Circula pela web uma única foto dos bastidores de O Suplício de Uma Saudade (Love is a Many-Splendored Thing, 1955 de Henry King). E ela deprava um pouquinho de todo aquele encantamento.
A célebre colina, importantíssima para a triste história de amor não existe! Ou melhor, existe, mas Jennifer Jones não estava realmente lá!

No corte final não há o ângulo da foto, com o ponto de vista da árvore para a vista da cidade. O espaço também parece ser bem maior do que o que parece na maioria do filme. 

Algumas filmagens realmente aconteceram na China, mas interiores e planos fechados ficaram em Hollywood mesmo, nos estúdios da Fox. Toda a colina, a real, que serve de fundo ao romance e recebeu atores e dublês deles para algumas tomadas fica na Califórnia, não em Hong Kong.

Retroprojeção, blackmate e o moderno chroma-key são manjados recursos para inserirem atores em lugares onde não precisam ou podem ir. Sabemos que são usados desde sempre à exaustão, mas especificamente neste filme era bom acreditar na mentira.

Ok! Nem Jennifer Joner tem uma gota que seja de sangue chinês, mas ela interpreta a eurasiana Han Suyn. Acreditar nisso já basta para o filme funcionar e muita gente acreditou, afinal, a atriz conquistou sua quinta indicação ao Oscar pelo papel.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Hoje é dia de teatrinho infantil!

 A Empire Films está distribuindo no Brasil um box de DVD contendo a série O Teatro dos Contos de Fada (Faerie Tale Theatre). Uma caixa branca que remete a um robusto livro de histórias, linda, linda!

São ao todo cinco discos contendo as seis temporadas do programa, de 1982 a 1987. Lembra dele? Passava na TV Cultura de São Paulo e era apresentado (e criado) pela Shelley Duvall.

Aliás, a apresentação dela em cada episódio é por si só um bordão maravilhoso. Todos os “Hello! I’m Shelley Duvall” foram compilados hipnoticamente no vídeo abaixo.

Anteriormente a série havia sido distribuída em DVD no nosso país em discos separados para cada história. E qualquer um que coleciona DVDs e os separa por temas já suou a cuequinha pra achar aquele episódio especificamente.

Prometo que num dos próximos vídeos do canal aqui do blog explicarei um pouco sobre meu estilo de colecionismo de filmes. Por hora, basta dizer que muitos astros e diretores de sub coleções fizeram parte de O Teatro dos Contos de Fada.
Vincent Price é o Espelho em Branca de Neve
Por exemplo, Aladim é dirigido por Tim Burton (uma das primeiras coisas que ele dirigiu), assim como O Dorminhoco foi assinado por Francis Ford Coppola. Astros colecionáveis idem! Vincent Price é o narrador num episódio e o Espelho em Branca de Neve, assunto já abordado aqui antes neste post.

Ainda em Branca temos Vanessa Redgrave como a Madrasta Malvada (!!!). Susan Sarandon é a Bela e o colossal Klaus Kinski como a Fera (!!!) num episódio que ainda conta com Anjelica Houston.
Mick Jagger no assustador O Rouxinol
Um dos elencos mais bacanas é o de O Menino Que Saiu de Casa Para Saber O Que Era Medo, com narração de Vincent Price, Christopher Lee como o rei e o músico Frank Zappa como corcunda Attila. A Flashdance Jennifer Beal é a Cinderela numa história que conta ainda com o curtindo a vida adoidado Matthew Broderick como príncipe.

Bem, não faltam ótimos nomes a apontar (Karen Black, Leonard Nimoy, Liza Minnelli...). A encenação é mesmo de teatro infantil, os pequenos devem adorar, mas ex-crianças que assistiam na TV e colecionadores de DVDs também vão curtir ter a coleção toda.
O esvoaçante fundo do mar de A Pequena Sereia
Digo isso porque nunca assisti na TV, eu já era adulto, nunca tive muita paciência pra ver, porém,  as adaptações dos contos clássicos são diferentes das apresentadas pelos filmes da Disney e dá certa curiosidade desse pacote de gente boa atuando, além da estética televisa 80’s dos EUA ser legal (um monte de chromakey todo vazado <3) . E óbvio, o fator acumulador também dá uma gritada.

Por último, destacando que este não é um post pago, vocês sabem que eu avisaria se fosse. A empresa gentilmente me enviou alguns produtos e achei bacana frisar a disponibilidade no mercado deste especificamente. 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Os Três Patinhos, os amiguinhos da Gretchen

 Percebendo que Gretchen, sua principal criação, fazia um tremendo sucesso entre as crianças o produtor argentino Mister Sam bolou um projeto direcionado a elas. Os Três Patinhos – Fazendo a Festa foi lançado em 1980 pelo selo Visior/Copacabana.

O carro chefe era, claro,  suas composições já gravadas por adultos como Freak Le Boom Boom da Gretchen e ainda Severina Xique Xique muito popular na voz de Genival Lacerda. Aliás, os vocais eram de anônimos eletronicamente alterados para parecerem patos.
Deu bastante certo como sabemos e gerou muitos outros discos. A ideia não era novidade alguma. Em 1958, nos Estados Unidos, Alvin and the Chipmunks (Alvim e os Esquilos) foi um fenômeno de vendas também com anônimos de vozes alteradas cantando músicas natalinas, sucesso que se estendeu por décadas até virar série de filmes e desenho animado nos dias atuais.

Os Três Patinhos vinham num vinil colorido que enchia os olhos da molecada. Curiosamente (ou não), mesmo voltado ao público infantil eles incluíam músicas de duplo sentido, como por exemplo Ela Deu o Rádio ou Mata o Véio que você escuta no player abaixo.

Até citações a drogas como nessa versão de Lança Perfume da Rita Lee. Patinho nem se furta de imitar o tsss, tsss do entorpecente. Ah, os anos 80 (“no meu tempo era tudo tão ingênuo”?)!

No embalo do sucesso passaram a lançar discos temáticos para festividades como dia das mães, natal, etc. Nenhum vendeu tanto quanto o que tinha “parabéns a você”, um compacto praticamente onipresente nas festinhas da época.
Único porém é que os convidados cantando sempre abafavam os Três Patinhos na vitrola, por mais alto que estivesse o volume. Essa situação está na memória afetiva de toda uma geração.

O inevitável encontro finalmente aconteceu, Gretchen, a Rainha do Bumbum, máquina de hits da discoteca nacional, se encontrou com os Três Patinhos num compacto por volta de 1984. Foram nada menos do que quatro grandes sucessos da diva agora acompanhados do vocal dos nossos amiguinhos baladeiros. Ouça a contagiante Freak Le Boom Boom! 

Incluindo aí os tradicionais gemidos da cantora e na capa um dos patinhos de olho no célebre traseiro da cantora.  Isso tudo anos antes de Xuxa, modelo e capa de revistas masculinas, virar a maior vendedora de discos cantando para crianças.

Gretchen, como já dito aqui, era muito popular entre crianças. Tanto que espontaneamente virou cantiga de roda e jogo no recreio da molecada: “Gretchen, bolete, pisa no chiclete, quem se mexer vai imitar o bumbum da Gretchen” e quem se mexia depois de girar ia no meio da roda e rebolava com todo mundo cantando Piripiripiri.

Mas o tempo passou e se foi difícil para Leo Jaime e Ovelha, foi difícil para Os Três Patinhos. Como tantas outras estrelas oitentistas, Os Três Patinhos continuaram sua trajetória lançando discos e coletâneas até serem esquecidos pela maioria.
Imagens: Mercado Livre
Atualizados com o momento, chegaram a lançar CDs na década de 90, com visual modernizado na capa e cantando hits do momento, mas foi difícil se manterem no auge. Hoje vídeos no YouTube  com seus grandes sucessos são sempre acompanhados de centenas de comentários nostálgicos.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Assassinato por asfixia de monóxido de carbono pode não ser coisa só de cinema

É uma das formas de matar ou morrer mais comuns da ficção: intoxicação por monóxido de carbono. Principalmente nos filmes de detetive e mistério sempre tem alguém desmaiado na garagem e o vilão ligando o carro.

A lista de produções é imensa! Até Bette Davis apelou ao expediente para se livrar do marido inconveniente em A Barreira (Bordertown, 1935 de Archie Mayo).
Deixou o véio bêbado no banco de trás e saiu lívida e viúva para os braços do amante
Só Hitchcock explorou esse tipo de crime pelo menos em dois de seus filmes. Na prática em À Sombra de Uma Dúvida (Shadow of a Doubt, 1943) e citando como método em Pacto Sinistro (Strangers on a Train, 1951).

No Brasil, o recurso foi usado em telenovelas. O misterioso assassino do Zodíaco Chinês enviou para o além o passivo Eliseo na garagem da Família Ferreto de A Próxima Vítma (1995 de Silvio de Abreu).
E na vida real? Já houve casos de morte por intoxicação de monóxido de carbono? Sim, é uma morte bem comum, com uma lista extensa de famosos que inclui a escritora Sylvia Plath.

Nenhuma se compara a da atriz Thelma Todd que em 1935 abalou Hollywood. Sua morte com apenas 29 anos e uma carreira em ascensão (após inúmeros filmes, inclusive comédias de O Gordo e o Magro/ Laurel e Hardy) parece ser roteiro de um filme policial daquela época.
Todd foi encontrada morta dentro do seu carro no dia 16 de dezembro, dois dias depois de ter sido vista pela última vez. A garagem pertencia aos pais de Jewel Carmen, ex-atriz de cinema mudo e esposa de Roland West, amante da falecida e atual sócio (com quem tinha um restaurante e bar), que ficava ao lado da casa do casal.

A investigação policial apurou que ele havia estado no seu restaurante durante o jantar dado pela amiga Ida Lupino e seu pai no último sábado (14). No evento discutiu publicamente com o ex-marido, mas se manteve de bom humor, o que ajudou a desconsiderar a hipóteses de suicídio.
Thelma Todd e Pat DiCicco, seu então marido  em 1934, durante jantar de gala       nutty nut news network
Nas primeiras horas de domingo seu motorista a levou para sua casa. A partir daí tudo se tornou um mistério, não havia marcas de violência em seu corpo, além de um leve ferimento no lábio, segundo a autópsia.  

Investigadores deram como morte acidental, ela teria ido até a casa dos West e se refugiado na garagem para fugir do frio. O júri apoiou decidindo que era acidente, “mas que uma investigação maior deveria ser feita”.

A imprensa, inclusive a do Brasil, apontou imediatamente para assassinato. A investigação durou quatro meses e não chegou a nenhum indicio de crime ou conspiração.

O caso acabou sendo encerrado como "acidental com possíveis tendências suicidas", mesmos sem nenhum bilhete suicida e os amigos e pessoas próximas garantindo a impossibilidade disso. Carmen Jewel, a esposa do amante, ganhou suspeita notoriedade, mas logo foi inocentada.
Roland West na garagem durante a manhã em que encontraram o corpo                               getty
Algumas pessoas apontaram a possibilidade da morte ter sido arquitetada pela máfia, porque Todd não permitia encontros de criminosos ou a prática de jogos de azar em seu restaurante. Em seu leito de morte em 1952, Roland West teria confessado a um amigo que ele foi o único assassino da amante, mas isso nunca foi comprovado.

Ida Lupino (que dava o jantar na noite que a atriz não foi mais vista) jamais se esqueceu da amiga constantemente fazendo referências a sua memória. Coincidência ou não, ela aparece cometendo um assassinato com monóxido de carbono no filme Dentro da Noite (They Drive by Night, 1946 de Raoul Walsh).

Thelma Todd ganhou uma estrela na Hollywood Boulevard na década de 60. Seu corpo foi cremado e após a morte de sua mãe em 1969 suas cinzas foram colocadas dentro do caixão e enterradas no cemitério de sua cidade natal, a pequena Lawrence, Massachusetts.

Veja também:
Breve trajetória de uma estrelinha Universal
Sexo, álcool e morte no primeiro grande escândalo de Hollywood
Star 80: A coelhinha assassinada
Tragédia de atriz que inspirou Agatha Christie
Escândalo sexual arruinou atriz de Hollywood
O crime que abalou Hollywood
Triste (tristíssima!) vida de Suzan Ball
Tentativa de suicídio na primeira página

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Dolce Video no ar sobre legendas ou dublagem

Sexto episódio do Dolce Video levanta a polêmica: Dublado ou legendado? Volta e meia alguém discute isso nas redes sociais, então, aproveitei para opinar.

É claro que não dá pra ficar só nisso. Ainda aproveito para relembrar como era antes, quando não havia a possibilidade de múltiplos áudios e legendas (somos felizes e não sabemos?).

Como sempre, conto com sua participação para clicar em “curtir o vídeo”, opinar e compartilhar. E claro, quem nãos e inscreveu ainda no canal vai lá!

Assista também aos outros vídeos do canal!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Mister, o melhor amigo de Billie Holiday

 A lenda do jazz Billie Holliday teve uma vida bastante conturbada entre narcóticos e relacionamentos abusivos, mas sempre encontrava alento entre seus muitos cães. Teve um poodle que ao morrer foi cremado envolto no melhor visom da grande dama.

Mas nenhum outro ficou tão conhecido na noite quanto o boxer Mister a partir da metade da década de 40, conforme lembrado pelo site Flashback. Ele é bastante citado na biografia Wishing the Moon - A Vida e o Tempo de Billie Holiday de Donald Clarke (publicado no Brasil pela José Olympio).
O músico Big Stump lembra de Mister com encantamento. “O Mister era o melhor cão da Terra, sabe? O Mister poderia aguentar, coitadinho. Eu não sei como ele fez isso, e entre bartenders e tudo o que iria alimentá-lo. Mister se sentava nos bastidores perto de onde ele podia ouvir a voz de Lady. Enquanto ele ouvia sua voz, ele estava feliz ....”.

Billy Holiday passou a demorar cada vez mais no camarim, procurando uma veia para se injetar. John Simmons (o jazzista) dizia que Mister sabia quando ela deveria continuar a apresentação, e às vezes ele puxava a barra do vestido para ela sair do palco.
Há relatos obscuros de que o cachorro também consumia drogas. Eles eram literalmente inseparáveis, na tristeza, na alegria e no crime.

Em 1949 ela posou para a revista Ebony numa matéria sobre a recuperação, após vários incidentes envolvendo polícia terem ido parar no jornal. Tranquilamente frita um bife ao lado de Mister em seu apartamento no Harlem.
Ela tricotou blusas e vestiu-o com um casaco de visom, Mister tinha direito a tudo o que ela tinha. Holiday ainda o levava para passear na rua constantemente em passeios à meia-noite.

A história dos dois amigos foi retratada no livro infantil Mister and Lady Day: Billie Holiday and the Dog Who Loved (Mister e Lady Day: Billie Holiday e o Cachorro que lhe Amava). O texto é de Amy Novesky e as ilustrações de Vanessa Brantley Newton.

Muito fofinho, voltado para crianças dos seis aos oito anos, ele omite detalhes sombrios da vida da cantora. Quando ela foi presa, por exemplo, contam que esteve em apuros, mas os olhinhos comoventes de Mister e sua lição de companheirismo merecem ser lembrados.

Veja também:
Gloomy Sunday, a canção do suicídio
O mais inteligente dos Bundy
Por onde roda o Vigilante Rodoviário?
O famoso Nibbles de Liz Taylor
O gato de Poderoso Chefão
Nepotismo Burtoniano
Related Posts with Thumbnails