sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O menino que amava Joan Crawford

Joan Crawford Best
Ao falecer em 1988, o publicitário Dore Freeman possuía, segundo obituário do Los Angeles Times, talvez a maior coleção pessoal de uma única estrela: Joan Crawford. Ele acumulou nada menos do que 20.000 fotos, 3.000 instantâneos caseiros, restos de seu guarda-roupa e até mesmo seu cartão de Seguro Social.

Como o sonho de muitos fãs, ele conseguiu contato pessoal com sua estrela favorita e trocaram correspondência por anos, numa bonita relação de amizade e fidelidade. O primeiro encontro dos dois tem algo de mágico, digno de um filme da era de ouro hollywoodiana.

LA Times
Freeman era um “office-boy” e estava na principal estação e trens de Nova York junto a fotógrafos, jornalistas e centenas de fãs aguardando Joan Crawford.  Primeira metade da década de 30, ela era uma das maiores estrelas do cinema norte americano.

Na ocasião estava se separando do primeiro marido, o também astro Douglas Fairbanks Jr., enquanto engatava um relacionamento com o ator Franchot Tone. Crawford estava viajando discretamente no mesmo vagão dele.

Ao descer na estação o enxame de repórteres começou a especular sobre o romance, inclusive perguntando se eles iam ficar noivos. A atriz ficou constrangida sem saber o que responder, tentou e começou a gaguejar.

Foi aí que ouviu uma voz juvenil vindo da multidão gritando: “Diga a eles, 'O tempo dirá', Joan!". Ela imediatamente respondeu aos repórteres o que o menino falou, “O tempo dirá!”.

Alguns dias depois um funcionário de Joan Crawford foi atrás do garoto com uma caixinha. Dentro dela havia um relógio de ouro gravado: “O tempo dirá. Amor, Joan Crawford”, e assim começou uma amizade que durou até a morte dela, em 1977.

Joan Crawford com Christopher e Christina
Crawford também arranjou para ele emprego no departamento de publicidade da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM). E a frase espirituosa não foi mero lampejo, seguiu carreira lá dentro até se aposentar no começo da década de 80, como chefe de publicidade do poderoso estúdio.

Na década de 50, quando Joan voltou a trabalhar lá, os dois estreitaram a amizade. Freeman já tinha se tornado importante lá dentro e era a ele que Crawford recorria quando acontecia algo que lhe desagradava.

Solteiro, além da incrível coleção sobre Joan Crawford , ao falecer ele deixou sozinhos seus dois schnauzers com quem morava. Os nomes deles eram Christopher e Christina, o mesmo dos filhos adotados pela atriz que se dedicaram a sujar sua imagem ao ficaram de fora da herança da mamãezinha querida. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O mundo é falso segundo Laerte


O bom de ter blog há tanto tempo é poder provar que de algumas coisas eu já gostava antes de ser modinha. Sou destes! O cartunista Laerte, por exemplo, já citei que ele era genial num post de 2003.

No final a década de 80 ele e seus colegas da revista Chiclete com Banana viraram roteiristas na TV. Mais precisamente do histórico humorístico TV Pirata, onde foi responsável por quadros inesquecíveis como o que você pode assistir no player abaixo, pinçado do primeiro ano do programa (1988).
Conhecido por fãs como “O mundo é falso”, poderia muito bem se tornar um curta metragem. A história originalmente havia saído na edição número três da revista Circo, publicada em 1987.

 Com o título “A Insustentável Leveza do Ser” (mesmo do conhecido romance de Milan Kundera), parece quase um storyboard do que a televisão exibiria anos depois com algumas diferenças. Você pode ler as seis páginas abaixo ou clicando aqui.

Levar esse tipo de pensamento à TV aberta (na Globo!!!) foi um lampejo ainda não superado. O mundo é falso, Zé Luis ou Renato. ,  
Se por um lado nada é o que parece ser... Você pode ser quem você quiser!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Verdadeira face de Lâmia

Dos demônios cinematográficos, Lâmia não é tão popular quanto Pazuzu, mas a tendência é que isso mude. Mal de bilheteria, mas muito reprisado na TV e disponível há anos em serviços de streaming, Arraste-Me Para O Inferno (Drag Me To Hell, 2009 de Sam Raimi) será daqueles filmes que se tornaram queridos com o tempo.

Ao negar atendimento a velhinha, a jovem bancária Christine não imagina que assinou sua sentença para o inferno.  A idosa na verdade é uma poderosa cigana que a amaldiçoará entregando sua alma a Lâmia.

Antes de enfrentar as brasas eternas da danação, Christine será atormentada em momentos estritamente corriqueiros de sua vida. De hemorragias públicas a bolos de larvas no jantar em que conheceria a pedante sogra.
Esse pequeno conto moralista dirigido por Sam Raimi misturou em seu enredo tradições judaicas e do leste europeu. A Lâmia do filme em si parece ser uma mistura de seres folclóricos como Baphomet e Krampus, diabólico ajudante do “Papai Noel “ que assusta crianças em alguns países.

Na mitologia grega, Lâmia era uma rainha da Líbia que se tornou um demônio que comia crianças. Filha de Poseidon e amante de Zeus, ela despertou o ciúme de Hera que passou a matar seus filhos, o que, por desespero, a fez virar um monstro.
S-Caruso
“Lâmias” também serve para chamar bruxas ou demônios que seduziam jovens para lhes sugar o sangue, o que lhes aproxima do mito do vampiro. Geralmente são representadas por mulheres belíssimas com a parte de baixo do corpo em forma de servente, como se fossem sereias terrestres.

No filme geralmente sua figura é vista em forma de bode, em referências masculinas. Apenas em uma cena, como sombra, observamos a forma feminina, o que lhe aproxima das conhecidas figuras lendárias.
Embora seja um personagem folclórico bem rico, com diversas variações em várias regiões do mundo, Lâmia ainda é pouco explorada na cultura popular. Ponto para Raimi que apresentou à sua maneira no horror moderno uma entidade diabólica clássica  “plausível”.


Veja também:
4 vezes “The Classic”
Cidadezinha contra deus pagão (ou quase)
Ano Um e O Papa Negro
O homem que enganou o papa

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Sentinela da TV: Reality Show japonês da Netflix

A gente gosta de reality de confinamento? Gosta! A gente gosta do Japão? Gosta! Então Terrace House - Boys & Girls in the City, que a Netflix acaba de estrear a segunda parte da primeira temporada, é fabuloso? Talvez.

Seis jovens (três de cada sexo) são reunidos numa casona com carrões em Tóquio  sem roteiro e ficam lá até quando quiserem. No estúdio são analisados por comediantes, sem eles terem acesso direto a isso. Já dá pra imaginar altas confusões, barracos, disputas de território, né? Errado!
Parece redundante, mas o programa é muito japonês, sem concessões dos costumes ao mercado internacional.  os participantes são muito contidos, tão contidos que às vezes só descobrimos o que aconteceu quando os tais comediantes comentam as atitudes, “olha, como ele ficou decepcionado”.

Há momentos bem emocionantes, claro, como quando a participante tentou voltar para o ex (eles podem ter contato com o mundo externo), o rapaz pede tempo pra pensar até que no dia marcado para a resposta a mocinha leva um toco homérico. Na TV!!!
Disse isso assim, na bucha, virou as costas e foi embora! E ela ficou ali sentada,  numa manhã cinza chuvosa, toda contidinha tentando inutilmente segurar as lágrimas... Foi de cortar o coração...

Pelo menos um casal está durando, a modelo Minori (que lembra a Fernanda Torres quando menina. risos) e o cabeleireiro Tatsuya, continuam firmes e forte nessa segunda parte da temporada, uns fofos.  Não decoro o nome nem de participante de BBB, que dirá de reality japonês.

Enfim, é tudo muito pacato, a diversão está mais na oportunidade de conhecer o cotidiano de uma cultura tão distante do que nos ~ babados e confusões ~ que o gênero reality pode nos oferecer. Isso, pelo menos até a segunda parte que estreou na semana passada.

“A casa mais vigiada” do Japão promete pegar fogo com a entrada de dois participantes. Pra gente aqui no Brasil, uma curiosidade a mais com o brasileiro Hikaru Ota, paulistano de 18 anos que há dois foi para o Japão trabalhar como pedreiro enquanto batalha seu lugar ao sol como ator e modelo.

E junto a ele uma também modelo toda espevitada que já chegou enchendo a Minori de perguntas inquisitórias sobre seu relacionamento. Pareceu a certo ponto de quando a saudosa Princesa Carola Scarpa entrou na Casa dos Artistas 2 e foi logo xingando a roqueira Siang, lembra? Com as devidas diferenças, obvio.

Segunda noite todos (que moram lá há meses) de boa na sala, e essa garota nova chega do trabalho, vai tomar água na cozinha e volta de lá dizendo que tudo está imundo. Climão! Mais uma vez começou a jogar farpas pra Minori agora sobre o quanto tempo pretende ficar na casa, que ficar tempo demais ali é uma vergonha, folga, etc.

Minori apenas faz cara de paisagem e depois confidencia ao amado que não vai aguentar muito tempo viver perto da linda. Até que resolveu ir pro embate com a rival e foi um dos catfights entre damas educadas mais engraçados que já vi.
Não dá pra morrer de amores por Terrace House, do tipo dedicar maratonas de fim de semana. Seu ritmo lento combina mais para quando se quer ver algo antes de dormir, mas nada muito profundo ou que vá nos tirar o sono. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Simpsons e James Bond se encontram no Brasil

O tiozinho carioca exótico que aparece no episódio Blame It on Lisa (S13E15) de Os Simpsons apareceu antes em 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker, 1979 de Lewis Gilbert). Naquele mesmo episódio de 2003 em que eles foram ao Brasil e causaram tanta bafafá.

A bola foi cantada num grupo do Facebook dedicado ao James Bond. Simpsons são famosos por referenciar inúmeros filmes, mas nesse caso é bem interessante, já que esse folião aparece por segundos na tela, mesmo tempo que esse gif abaixo.
Acho que nem dá pra dizer que é figurante, aparece num plano rápido em meio a tantos outros foliões num baile carnavalesco do Rio de Janeiro de 1979. Só alguém muito atento perceberia a similaridade.

A explicação é bem simples. Para produzir a animação, a equipe pesquisou em filmes estrangeiros que se passavam no Brasil, não vieram pra cá procurar um retrato fiel.
Assim sendo, que imagem seria melhor para representar a “sexualidade ambígua” aos olhos da Marge? No mesmo episódio ainda aparecem referencias mais obvias a este James Bond, como a disputa com os vilões no teleférico do Pão de Açucar.

Muito famoso pela polêmica gerada aqui, parece óbvio que o programa (que citaria o país em outros episódios) fez graça com os clichés perpetuados culturalmente, não do Brasil em si. A pista começa logo por seu título, referência a Blame It on Rio (Feitiço do Rio), filme de 1984 dirigido por Stanley Donen que se passa numa Cidade Maravilhosa igualmente estranha.

Após ser exibido três vezes, Blame It on Lisa nunca mais foi exibido pela Fox no Brasil até 2012. Agora, imagina se eles tentassem reproduzir a fanfarra de bichinhos que anima todo mundo no filme do 007...
Aí sim, o então presidente Fernando Henrique Cardoso teria pedido embargo à importação de marshmallow! Tá pensando que o Brasil é bagunça?

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Por onde anda a atriz trans de Pink Flamingos

Todo mundo que assistiu ao acinte contra a moral e bons costumes chamada Pink Flamingos (1972 de John Waters) deve se lembrar dela. A belíssima que ao ser exposta ao pênis de um assediador abre o vestido e mostra que também tem o seu.

Elizabeth Coffey Williams passava por um momento de transição quando teve seu corpo eternizado em película. Sentiu um grande alívio fazendo parte dos chamados Dreamlanders, grupo de jovens (a princípio de Baltimore) que trabalha nos filmes de John Waters, após um período bem conturbado de sua juventude na Pensilvânia natal, onde sofreu todo tipo de desmerecimento simplesmente por ser quem é.

Ela fez cirurgia de troca de sexo semanas após filmar Pink Flamingos. Participaria ainda de Female Trouble (1974), o filme seguinte do diretor, como a colega de cela e amante da Divine no corredor da morte.
Coffey ainda pode ser vista no clip da música Walk Like A Man, estrelado por Divine em 1985. É a garota do saloon resgatada por Divine ao final.

Acabou por se separar dos Dreamlanders ao casar e sair de Baltimore após as filmagens de Female Trouble. A partir daí desenvolveu uma carreira como produtora cultural (na área da música e cinema) e artista plástica, criando colchas em tecido.
Aos 67 anos de idade continua casada e tem um filho adotivo. Sua trajetória é mencionada num texto da ONG “Freedom for all americans” sobre a história de 10 idosos do Estado da Pensilvânia pertencentes ao grupo LGBT que após sofrerem discriminação no passado, pedem mais atenção das leis estaduais. 

A artista já teve cirurgia biliar emergencial recusada num hospital após o médico ler seu histórico. Coffey atualmente está fundamentada e confiante, orgulhosa do trabalho pioneiro e público que ela fez décadas atrás: "Me destacar assumidamente como uma performer e artista mulher trans há mais de 40 anos foi um ato de extrema provocação."

Diz que muita coisa mudou na Pensilvânia desde que foi criança, a grande maioria da população agora apoia LGBTs, o que permite que muitos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros conquistem carreiras de sucesso. Mas o Estado não têm acompanhado a opinião pública falhando em dar proteção suficiente contra a discriminação no emprego, habitação e espaços públicos. 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O dia em que o SBT caiu numa pegadinha

Um dia da caça outro do caçador! Em 2007 o SBT protagonizou uma constrangedora saia justa entre as emissoras segundo noticiou o jornal Folha de São Paulo no dia 03 de março.

O canal anunciou em seu site um pacote de filmes com Jean-Claude Van Damme, começando pela a exibição de Soldado Universal (Universal Soldier, 1992 de Roland Emmerich) no dia 04, sexta-feira. Para aquele mesmo dia 04 a Rede Record anunciava à exaustão em sua programação o mesmo filme, quase no mesmo horário!

Só que Soldado Universal pertence à Universal Studios, que no Brasil tinha contrato de distribuição exclusiva com a TV do Bispo. Todo mundo ficou com cara de “Ué... De onde eles tiraram essa cópia?”.

Obvio que a Record notificou a emissora do Silvio Santos que suspendeu a exibição. A Folha procurou Denise Assumpção, gerente-geral da Universal Studios no Brasil que foi enfática: “O SBT caiu no conto do vigário”!!!

Segundo ela, o SBT “comprou” o pacote de filmes de um empresário chileno. No golpe ainda faziam parte outros dois títulos de Van Damme distribuídos pela Sony, que mantinha acordo com a TV Globo no país.

Antes do SBT aceitar a oferta, o tal chileno (que, claro, sumiu do mapa) havia oferecido a proposta a outros canais, inclusive à TV do Bispo. O jornal ainda dizia que o tema não era comentado por ninguém do alto escalão da emissora, proibidos de falar com jornalistas e o departamento de imprensa dela estava desativado desde o último dezembro.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Um lamé dourado que entrou para a história

 Marilyn Monroe fez uma sessão de fotos promocional para Os Homens Preferem as Louras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953 de Howard Hawks) cujas imagens transcenderam o filme. Acabaram reproduzidas em camisetas, pôsteres, cartões e todo tipo de quinquilharia.

O provocante longo de lamé dourado costuma suscitar dúvidas ainda sobre a sua originalidade, afinal, antes Ginger Rogers havia aparecido vestindo algo muito parecido em O Gênio da Televisão (Dreamboat, 1952 de Claude Binyon), sendo que os dois filmes são produções dos estúdios 20th Century Fox.
Alguns sites dizem que Marilyn visitou o set e assim que o viu imediatamente amou o vestido. Estúdios também costumavam reprisar figurinos, como até já vimos aqui antes, onde um que Joan Crawford usou e depois foi reutilizado por anos.
Mas nem precisa ser muito observador pra notar que não se trata do mesmo vestido! Únicas coisas parecidas são o material e a cor, mas até aí, e principalmente depois das fotos da Marilyn, vários outros similares foram e são feitos.

Outra coisa em comum entre eles é a assinatura do figurinista William “Billy” Travilla, que após os Homens Preferem as Louras vestiria Marilyn outros sete filmes, inclusive o vestido esvoaçante de O Pecado Mora Ao Lado (The Seven Year Itch, 1955 de Billy Wilder).

Uma das coisas que deve ter gerado a dúvida é que em “Os Homens...” o vestido aparece brevemente e apenas de costas. Na verdade sua frente teria sido considerada muito provocativa.
Marilyn realmente gostou muito dele e o usou no jantar do grande Photoplay Magazine naquele ano, quando ganhou o prêmio de estrela ascendente mais rápida. Naquele evento onde Joan Crawford disse aos repórteres que a novata era vulgar, ela estava vestindo um trabalho de William “Billy” Travilla.

Poderia ser muito provocativo para as telas, mas naquela noite fez a alegria dos fotógrafos e dos editores das revistas. Marilyn soube aproveitar o momento como poucas e provar que não era apenas a estrela ascendente mais rápida, mas um dos maiores mitos norte americanos.

Continua influenciando mulheres como ícone da beleza e sensualidade, assim como o trabalho de Travilla, que tão bem soube mostrar suas curvas, serve de inspiração para atuais designers de moda.
A cantora Beyoncé  no tapete vermelho do Golden Globe 2014 provando que clássicos são clássicos. Seu vestido é assinado por Elie Saab.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Lost in translation: Claudia Ohana no Japão!

Antes de ficar conhecida nas novelas da TV Globo, Claudia Ohana teve certa visibilidade no exterior graças ao cinema. Foi assim que entre 1984 e 1985 a atriz apareceu na TV japonesa nos comerciais que você assiste abaixo.
Ao lado da brasileira está o cantor e compositor Ryuichi Sakamoto que então preparava o disco “Illustrated Musical Encyclopedia”. Na propaganda ouve-se “M.A.Y. In The Backyard”, quarta faixa deste LP.

Além de propagandas na TV, os anúncios foram veiculados em revistas, inclusive no nobre espaço da contracapa. Alba Success é a versão econômica dos relógios Seiko, marca de relógios tradicional nipônica. 
LazyCalm
Ohana estava com cerca de 21 anos de idade e casada com o cineasta Ruy Guerra. Foi sob a direção dele que estrelou um dos seus filmes mais conhecidos, Erêndira de 1983, uma co-produção da França, México e Alemanha Ocidental.
Baseado no livro de Gabriel García Márquez concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Claudia Ohana divide a cena com a musa grega Irene Papas.

Veja também:
Faye Dunaway e um ovo cozido no Japão
A tal graça na Ohana da Cláudia
Michelle Pfeiffer “falando” em português para Lux Luxo. Bizarro!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Indiana Jones e o templo da antropofagia pop

George Lucas foi uma criança feliz na década de 40, consumiu um monte de coisa legal que quando adulto usou para ganhar dinheiro. Foi assim com star Wars e foi assim com indiana Jones e suas tantas referências àqueles anos.

Quando apresentou o projeto de Indiana Jones em 1978 para Steven Spielberg, ele já vinha amadurecendo a ideia há algum tempo. Spielberg, como se sabe, gostou da ideia, e também sugeriu elementos para o roteiro que dirigiria em 1981.

O diretor falou do ídolo asteca que ao ser tirado de secular posto desencadearia a perseguição por uma rocha gigantesca. A sequencia emblemática foi lembrada, inclusive, quando o filme ganhou o Oscar de Efeitos Visuais.
Spielberg conta que tinha visto isso num gibi do Tio Patinhas que havia lido quando guri e nunca esqueceu. A história era As Cidades do Ouro (The Seven Cities of Cibola) foi escrita pelo lendário Carl Barks e publicada pela primeira vez em 1954.

Ali está todo o conceito da famosa cena de Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark). A imagem abaixo foi originalmente vista no blog Novo Clarim.
Assim como Indiana Jones, ir atrás de relíquias milenares e desencadear aventuras inimagináveis também é a base de tantos outros trabalhos de Carl Barks estrelados pelo sovina de Patópolis. Republicados de tempos em tempos em edições especiais, mexeram com a imaginação de geração de leitores.

Provavelmente no embalo do sucesso do herói criado por Lucas e Spielberg, a Disney produziu a série Duck Tales – Os Caçadores de Aventuras a partir de 1987. Os roteiros eram assumidamente baseados em Barks.

Aí foi a vez de Indiana Jones ser referenciado pelo Tio Patinhas. O episódio 49 da primeira temporada teve como título “Raiders of the Lost Harp”, desconheço como se chamou aqui, mas poderia ser “Os Caçadores da Harpa Perdida”.

Eram muito comuns citações, sátiras e inspirações a Indiana Jones nos desenhos animados da época, mas o curioso neste caso é Duck Tales, criado a partir de  Carl Barks, apontar para o que havia se inspirado nele mesmo.  O pop abraça tem infinitos braços e aponta para todos os lados, inclusive para si.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

54 filmes que no Brasil tiveram títulos muito loucos

Sabe aquele meme que às vezes surge nas redes sociais em que devemos trocar uma palavra do título de um filme por outra? As distribuidores de filmes no Brasil amam brincar disso e não é de hoje!

Não há regra, mas a chance é grande de comédia com grande elenco, muitas tramas paralelas e esquetes receber o subtítulo “muito louca”, ou até mesmo “muito louco” aparece como título tendo qualquer palavra precedendo. Verdadeira obsessão que serve pra tudo, tudo, tudo!

Selecionei nada menos do que 54 capas de DVD, VHS e pôsteres, todos provenientes do Mercado Livre. A qualidade das imagens, evidente, é variável! 

 Um Morto Muito Louco (Weekend at Bernie's, 1989 de Ted Kotcheff) – Pensei que fosse o pai de todos os outros, mas existem umas fitas bem anteriores a ele. Ainda assim, dá pra apostar nele como um dos principais agentes para tantos outros títulos parecidos nos anos 90.

 1941 - Uma Guerra Muito Louca (1941, 1979 de Steven Spielberg)
 Um Assalto Muito Louco (The Almost Perfect Bank Robbery, 1997 de David Burton Morris)
 Um Anjo Muito Louco (Heaven Sent, 1994 de Craig Clyde)
 Os Deuses Continuam Loucos (Kwagga Strikes Back, 1990 de David Lister) - Ao contrário do que o título nacional sugere, nãos e trata de uma sequencia de Os Deuses Devem Estar Loucos. Não há registro no IMDB com esse nome, aliás.
 Class Act - Alunos Muito Loucos ( Class Act, 1992 de Randall Miller)
 Kickboxer Muito Louco (Operation Condor/Fei ying gai wak , 1991 de  Jackie Chan)
 Um Jurado Muito Louco (Jury Duty, 1995 de John Fortenberry)
 Um Fim de Semana Muito Louco ( Weekend with Kate, 1990 de Arch Nicholson)
 Uma Troca Muito Louca (Hero in the Family, 1986 de Mel Damski)
 Um Assalto Muito Louco (Audace colpo dei soliti ignoti, 1959de Nanni Loy) - Trocou de nome ao sair em VHS. O título nos cinemas do Brasil foi Golpe dos Eternos Desconhecidos.
 Um Apartamento Muito Louco (Very Close Quarters , 1986 de Vladimir Rif)
 Top Gang! - Ases Muito Loucos (Hot Shots!, 1991 de Jim Abrahams) - Além de "Muito Louco", nosso título ainda o aproxima de Top Gun. Isso é que é!
 Tapeheads: Uma Dupla Muito Louca (Tapeheads, 1988 de Bill Fishman)
 Loucos Muito Loucos (Lunatics: A Love Story, 1991 de Josh Becker) - O cume esse título!!!
 Férias Muito Loucas (Poison Ivy, 1985 de Larry Elikann) - O útlimo telefilme de Michael J. Fox antes da fama internacional, hã!
 Um Sequestro Muito Louco (Beverly Hills Brats, 1989 de Jim Sotos )
Madrugada Muito Louca ( Harold & Kumar Go to White Castle, 2004 de  Danny Leiner) - Assim como Um Morto Muito Louco ajudou a surgir similares nos anos 90, este aqui pode ter levado o "muito louco" ao novo milênio.
 Marci X - Uma Loira Muito Louca (Marci X, 2003 de Richard Benjamin) - Calma que Lisa Kudrow não é a única de Friends a aparecer nesta lista.
 Robby Um Robozinho Muito Louco - Não tem registro! Não tem registro!
 Heróis Muito Loucos (Mystery Men, 1999 de Kinka Usher) - Este flop foi lançado pela primeira vez como  Quase Super-Heróis. Mudar pra "Muito Loucos" no DVD e VHs deve significar algum apelo comercial...
 Breakout - Uma Aventura Muito Louca (Breakout, 1998 de John Bradshaw )
 No Oeste Muito Louco (The Great Scout & Cathouse Thursday, 1976 de Don Taylor)
 Um Resgate Muito Louco (A Ranson Very Crazy/ Kunyonga - Mord in Afrika) - Hahahahaha! Que coisa! O título original não é nem aqui nem na china "A Ranson Very Crazy", como aparece escrito ali na capa, mas eles supuseram que devia ser "very crazy" também nos Estados Unidos.
 Ed - Um Macaco Muito Louco (Ed, 1996 de Bill Couturié) - Olhaí outro do elenco de Friends! Também é o segundo da lista com macaco muito louco.
 Um Pato Muito Louco (Hildegarde, 2001 de Di Drew)
 Uma Viagem Muito Louca ( Harold & Kumar Escape from Guantanamo Bay, 2008 de Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg) - Também conhecido como Madrugada Muito Louca 2.
 Uma Noite Muito Louca (The Night Before, 1988 de Thom Eberhardt)
 Uma Cidade Muito Louca (Soggy Bottom,, 1981 de Theodore J. Flicker)
 Uma Escola de Arte Muito Louca (Art School Confidential, 2006 de Terry Zwigoff)
 Um Acampamento Muito Louco (Happy Campers, 2001 de  Daniel Waters)
 Um Funeral Muito Louco (Eulogy, 2004 de Michael Clancy)
 Uma Pensão Muito Louca (A Bed Of Roomers, 1980 de Joseph McGrath)
 Um Golpe Muito Louco (Back in Business, 2008 de Chris Munro)
 Sexta-feira Muito Louca (Freaky Friday, 2003 de Mark Waters)
 O Esperma Muito Louco (Frozen Assets, 1992 de George Miller) - Esse é o campeão, hein? Nada pode ser melhor que um esperma muito louco!
 Monster High - Uma Fusão Muito Louca (Monster High: Freaky Fusion , 2014 de Keith Wagner)
 Mickey Em Um Verão Muito Louco - Coletânea de curtas clássicos da Disney sob o tema verão. muito. louco.
 Um Verão Muito Louco (One Crazy Summer, 1986 de  Savage Steve Holland)
 Matinee - Uma Sessão Muito Louca ( Matinee, 1993 de Joe Dante)
 Volta ao Mundo em 80 Dias: Uma Aposta Muito Louca (Around the World in 80 Days, 2004 de Frank Coraci)
 Um Natal Muito, Muito Louco (Christmas with the Kranks , 2004 de Joe Roth) - Mas muito, muito, muitíssimo louco!
 Um Hotel Muito Louco (The Hotel New Hampshire, 1984 de Tony Richardson)
 Uma Noite Muito Louca (Monster Night, 2006 de  Leslie Allen e Lorenzo Doumani)
 Uma Lanchonete Muito Louca (The Halo Effect, 2004 de  Lance Daly)
 Rebobine, Por Favor - Uma Loucadora Muito Louca (Be Kind Rewind, 2008 de Michel Gongry) - LOUCADORA! LoUcadora muito louca!!!!1!
 Um Rally Muito Louco (Cannonball Run II, 1984 de  Hal Needham) - Comédia com muitos personagens em tramas paralelas geralmente é "muito louca", não tem jeito. Terceiro "muito louco" com a presença de Jackie Chan, ele já pode pedir música você sabe aonde.
 Ainda Muito Loucos (Still Crazy, 1998 de Brian Gibson)
 Um Trânsito Muito Louco (Moving Violations, 1985 de Neal Israel)
 Brice: Um Surfista Muito Louco  (Brice de Nice, 2005 de )
 Muito Loucos (Crazy People, 1990 de Tony Bill e Barry L. Young) - olha que simplicidade esse título!
 Um Golpe Muito Louco (The Brink's Job, 1978 de William Friedkin)
 Uma Escola Muito Louca (Soul Man, 1986 de Steve Miner)
Um Time Muito Louco (Major League II, 1994 de David S. Ward)

Isso tudo excluindo títulos com "Deu A Louca", "Loucuras de ", "Muito Louco", variantes de Loucademia e coisas do tipo. Aí a lista cresceria em milhares!

E com filmes brasileiros? Tereza Raquel foi a Amante Muito Louca no filme dirigido por Denoy de Oliveira em 1973 e antes disso, O Alienista, obra de Machado de Assis, foi adaptada para o cinema por Nelson Pereira dos Santos como Azyllo Muito Louco.
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