terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Marquês de Sade para Donas de Casa

Que 50 Tons de Cinza o quê? Publicitários da década de 70 apelaram ao Marquês de Sabe para vender depilador feminino Walita.

A propaganda de 1972 foi estrelada pelo ator Raul Cortez, já bastante consagrado na época. Assista no player abaixo ou clicando aqui.
“Depilador Feminino Walita: O fim das torturas, o fim do Marquês de Sade.”. Sou mau fisionomista, mas a Justine não parece ser a Elke Maravilha nos idos de modelo? 
Criado pela DPZ, o filme levou o Leão de Bronze em Cannes. Foi um dos primeiros do Brasil a ser premiado no festival.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Beatles encontram Joan Crawford no céu com diamantes

  Em Submarino Amarelo (Yellow Submarine, 1968 de George Dunning) Joan Crawford faz uma aparição em desenho animado. O filme é uma viagem lisérgica em animação ao som os Beatles.

A técnica artística empregada é a rotoscópia, que você pode ler mais a respeito clicando aqui. No processo os desenhos são criados em cima de um filme com atores de verdade.

No caso utilizaram cenas de Amor de Dançarina (Dancing Lady, 1933 de Robert Z. Leonard), estrelado por Joan Crawford e Clark Gable. Primeira incursão de Fred Astaire em Hollywood, o dançarino é muito associado á parceira Ginger Rogers, mas a primeira foi Crawford!

No longa dos Beatles há referências a muitos outros filmes e a várias tomadas de Amor de Dançarina. Como na sequencia com as coristas da MGM abaixo

O quão louco é saber que tudo isso acontece ao som de Lucy In The Sky With Diamonds? E coincidentemente o nome de batismo de Joan Crawford é Lucille Fay LeSueur , aka Lucy.

Veja também:
Bette Davis em desenho animado!
Rotoscopia: De carne e osso para desenho

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Village People não é um grupo gay segundo seus fundadores

Desde que nos entendemos por gente a banda disco Village People é considerada gay. Seus integrantes se vestem como os icônicos fetiches da comunidade LGBT , suas músicas remetem ao universo gay, fizeram filme sobre o universo gay, mas agora eles dizem que não tem nada a ver com gay.

Parece daquelas curiosidades bizarras do mundo pop pra gente jogar numa mesa de bar. Alguns dos integrantes originais da banda que deu ao mundo hits como YMCA e Macho Man na atualidade dizem que não havia nenhum subtexto homossexual nestas letras.
Victor Willis

David Hodo, o “trabalhador da construção civil” disse que estava quase se alistando na marinha na época de In The Navy.  "As pessoas sempre falam sobre o duplo sentido. Não havia um duplo sentido na música " revelou no documentário The Secret Disco Revolution (2012 de  Jamie Kastner).

E o caldo realmente entornou mesmo no ano passado (2014) quando Victor Willis, o “policial”, se recusou a ceder a música YMCA para a cerimônia dos Jogos Olímpicos de Sochi, na Rússia. Seria uma espécie de protesto contra o governo homofóbico de Vladimir Putin. Dono de um terço da música, Willis proibiu a execução por não aceitar seu uso político contra a Rússia.


Felipe Rose, o “nativo indígena”, que é abertamente gay, frisa que sua banda era apenas um grupo de festa e que jamais colocaram sentido homossexual nas letras. Ao Huffington Post tentou explicar: “Era uma piada. Sabíamos logo no início que teríamos que rir de nós mesmos em primeiro lugar. Tivemos de ter algum tipo de sentido insolente de humor. Eu acho que se não tivéssemos feito isso provavelmente só teríamos tido cinco minutos no palco. Foi por causa da ambiguidade e por causa da dúvida sobre quem é e quem não é, que o nosso grupo é tão sexualmente diverso, como etnicamente diverso. Eu acho que mantivemos as pessoas intrigadas.".

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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Música para Salomé, A Rainha da Rumba bailar

Bem servido de momentos emblemáticos, Bye Bye Brasil (1979 de Cacá Diegues) ainda nos dá alguns dos personagens mais interessantes do nosso cinema. Salomé, a Rainha da Rumba, tragicamente sensual é só uma delas.

Interpretada por Betty Faria, a “internacional” bailarina tem uma grande cena de dança, tradição hollywoodiana embaixo de uma tenda de chita. Como só poderia ser no Brasil.

A música é “Para vigo me voy” do maestro Xavier Cugat. Há várias versões, com diversos vocais, no filme é uma gravação de 1935 como vocais de Pedro Benios que você ouve no player abaixo, ou clicando aqui.

Impossível não lembrar dos passinhos da estrela do momento. “El amor... El amor como só se faz en caribe!”.
Essa conga é tocada uma segunda vez no filme, mas pelo sanfoneiro Ciço, interpretado por Fábio Junior. Não houve disco com a trilha sonora além de um compacto com o tema de Chico Buarque e algumas músicas instrumentais.

Veja também:
Um mambo para vampiros, tigres e atores pornôs autoflagelados
Tieta num mercadinho perto de você

Trailer raro de Drácula com Bela Lugosi revela cena inédita

Como não amar a Internet? Hoje no Facebook surgiu nada mais, nada menos do que um trailer que era raro de Drácula (1931 de Tod Browning)!

Tanto nas edições do filme em DVD quanto em Blu-Ray da Universal o que vem como bônus é o trailer de um relançamento. A surpresa: O recém-exposto contém sequencia não utilizada no filme assim como diálogos alternativos.

Confira a preciosidade no player abaixo ou clicando aqui.

1931 Universal DRACULA trailer
NOT the Realart re-release trailer
Posted by Craig Scott Lamb on Domingo, 11 de outubro de 2015
Van Helsing às voltas com um espelho não está no corte final. Fãs apontam que isso faz parte do teste do ator para o papel, provavelmente inserido no trailer antes da conclusão do filme.

O diálogo de Mina diz que “ele abriu uma veia em meu peito”, não no braço. A música ainda não estava definida, por isso ouvimos esta que parece de desenho animado, frisando que o gênero horror era quase uma novidade, com conceitos em formação.

Antes de ser lançado oficialmente o chefão do estúdio Carl Laemmle viu o filme e assustado mandou reedita-lo, assim a história tem alguns saltos bruscos. Desapontado o diretor Browning disse que o melhor do seu trabalho ficou no chão da sala de edição.

Quem sabe algum dia ressurge das catacumbas uma “versão original” de Drácula. Até ontem nem o trailer original dele muitos de nossa geração conheciam.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Tragédia de atriz que inspirou Agatha Christie

É claro que se você ainda não leu A Maldição do Espelho Lado a Lado de Agatha Christie, ou viu o filme deliciosamente kitsh A Maldição do Espelho (The Mirror Crack'd, 1980 de Guy Hamilton) inspirado no mesmo, este post não é pra você! Siga lendo cinte da revelação do crime, ou a maior parte dela.

Gene Tierney, a belíssima atriz de Laura (1944 de Otto Premiger) e Amar Foi Minha Ruína (Leave Her to Heaven, 1945 de John M. Stahl) teve uma vida maculada por tragédias e dissabores. Deu a luz a sua primeira filha, Antoinette Daria Cassini em 1943, conhecida simplesmente por Daria.

A mãe havia contraído rubéola durante a gravidez o que prejudicou seriamente a gestação da menina. Daria nasceu prematura exigindo uma transfusão de sangue completa, além de surda, parcialmente cega e com retardamento mental grave.  

Esse drama pode ter acarretado a futura instabilidade emocional de Gene Tierney, que chegaria a ser internada e exposta a tratamento de eletrochoques na década de 50. Isso, como era de se esperar, prejudicou para sempre sua vida pessoal e profissional.

Algum tempo depois do nascimento da menina Tierney estava numa festa e foi abordada por um fã que pediu autógrafo. Muito alegre ele lhe revelou já a tinha visto, que em 1943 era um soldado que fugiu da quarentena de rubéola para assistir à sua única apresentação no Hollywood Canteen, esforço das estrelas para arrecadar fundos e elevar a auto estima dos soldados norte americanos na II Grande Guerra.

E assim, diante daquela doce euforia de fã, Tierney descobriu o motivo de todo aquele drama que sua vida foi sugada. O chão se abriu ali bem ali, bem na sua frente!

Agatha Christie publicou A Maldição do Espelho Lado a Lado em 1962 e na época um leitor indignado escreveu à editora reclamando da inspiração do livro ter sido a tragédia pessoal da atriz. Os editores alegaram coincidência, que a autora só tomou conhecimento da tragédia muito tempo depois do livro estar escrito.

O que é mais inverossímil do que qualquer solução de crime que Miss Marple já tenha desvendado. Se a história envolvesse uma costureira, operária, ainda vá lá, coincidências acontecem, mas é até sobre uma atriz de cinema famosa...

Quando assisti pela primeira vez a adaptação com Kim Novak e Elizabeth Taylor fiz um post, leia clicando aqui. Encerro aquele texto de 2011 encafifado de que eu já conhecia a solução do crime de algum lugar, não sabia se de alguma série ou filme que havia assistido.

Gene Tierney morreria em 1991, aos 71 anos, sua filha Daria em 2010 e a segunda filha (que nasceu em 1948), Christine Cassini, faleceu este ano (2015). Tierney registraria o triste evento do encontro com o fã em sua autobiografia, lançada em 1979, mas bem antes disso a imprensa já havia noticiado.

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Avesso da cena: 007 contra Spectre

E nem tudo no cinema contemporâneo é fundo verde e computadores! O absurdo plano sequencia que abre 007 Contra Spectre (Spectre, 2015 de Sam Mendes) foi real, todo filmado em locação na Cidade do México mesmo.

Ao todo a cena dura quatro minutos contínuos com três cortes (bem) disfarçados. Afinal, começar na rua em meio a multidão, subir de elevador, deixar a mocinha no quarto do hotel e sair pela janela ainda é humanamente impossível.

Para “facilitar”, ainda havia cerca de 1500 figurantes na rua caracterizados para o Dia De Los Muertos. A mágica foi captada de forma não digital, utilizando uma câmera Panavision Millennium XL, em negativo 35 mm.
Tradicionalmente na cine série os primeiros minutos são tomadas de ação que culminam na glamorosa abertura. Sam Mendes disse ao AmericanCinematographer  que  usou esta expectativa para submergir a plateia na pele de Bond através do longo plano sequencia sem ela esperar já a história.

“Uma única tomada diz para a plateia:  ‘Isso está acontecendo em tempo real. Isso é Bond; você vai viajar com ele; vai ser sua jornada nesta parte do filme, então se contente em apenas observar e se concentrar; nós não estamos deixando-o fora do enredo; veja o quão longe você pode ir com a gente. Com o tempo você chegará ao final desta tomada , você chegou.’ E eu amo essa sensação” explicou o diretor.  Continuou: “Isso é o que Altman fez brilhantemente no início de O Jogador (The Player, 1992), e, é claro, Orson Welles no início do A Marca da Maldade (Touch Of Evil, 1958).”

Originalmente a ideia de Mendes era que a tomada durasse dez minutos, mas ele achou que seria exibicionismo demais. Isso além de consumir muito mais tempo para ser produzido, sendo que representa tão pouco tempo de filme.

Completo no You Tube: A Hora do Medo

Um slasher feito na Boca do Lixo!!! A Hora do Medo foi dirigido em 1986 por Francisco Cavalcanti (de Ivone, a Rainha do Pecado e Que Delícia de Buraco), com auxílio de José Mojica Marins.

Época de Jasons e similares com facões estraçalhando a molecada que saísse da linha. Aqui o caso não é tão simples assim.

Quase uma versão da Rua Aurora de Psicose (Psycho, 1961 de Alfred Hitchcock). Mas é como se o Norman Bates satisfizesse seus desejos com total apoio da mamãe.
Eles são ricos (mas não aparentam, viu?) alemãs que vivem sozinhos, colocando anúncios no jornal atrás de domésticas que não tenham família. Tudo para satisfazer o carinha que tem a necessidade de matar as moças quando se sente sexualmente atraído.
Culpa de um trauma infantil? Calma que entra um flasback pra mostrar. Aliás, muitos flasbacks!

Quando está ruim de encontrar aspirantes a funcionárias a mãe sai à caça, resgatando prostitutas ameaçadas por cafetões. Difícil uma senhorinha lutar contra bandidos?
Simples, Dona Strudel (não lembro o nome certo, tanto faz) tem uma arma tipo a do Pinguim!!! O guarda-chuva dela vira uma espécie de espingarda que lança dardos venenosos!

A dupla principal é interpretada por Marie Edelgunde Platz Wichering e Platz Wichering, que pelo sobrenome talvez tenham algum parentesco real. Não há registros de outros trabalhos deles ou qualquer dado biográfico na Internet, mas que a senhora Marie Edelgunde, onde quer que esteja, saiba que sua estreia na sétima arte conquistou fãs.
Todo o elenco é “esteticamente exótico”,  as interpretações são nível teatrinho de igreja, e o que não faltam são momentos involuntariamente cômicos, mas o filme é delicioso aos olhos dos de boa fé.  Além da estética 80’s subnutrida, tem um fio condutor interessante de ser acompanhado.

Aviso que é para audiência adulta devido a cenas de gore e violência e alguma nudez frontal masculina e feminina. Claro que pessoas de imaginação estreita também irão torcer o nariz, mas aí o azar é delas.
Imagem relativamente boa (levando em consideração a origem da produção) em cópia proveniente de exibição no Canal Brasil. Assista no player acima ou clicando aqui.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Spielberg esclarece boato de que iria refazer Tubarão

 Parece sempre que nada é sagrado em Hollywood quando o assunto são rendimentos, vide o eterno forrobodó com Star Wars. Como Steven Spielberg e sua Amblin retornaram  ao Universal Studios, voltaram boatos sobre um reboot ou remake de Tubarão (Jaws, 1975).

O diretor, que em 2001 renovou E.T. O Extraterrestre (1982) foi enfático à Deadline: “Eu nunca iria refazer um dos meus próprios filmes - começando com Tubarão - mas há títulos na biblioteca da Amblin que geraram filmes populares e poderiam inspirar novas histórias".  Mas insistiu que jamais faria Tubarão.

Trocando em miúdos, nada contra explorar franquias clássicas, como ele já fez com Indiana Jones recentemente. Lembrando que semanas atrás o ator Zach Galligan falou sobre Gremlins 3 também da Amblin.

Atuais gerações podem não compreender todo o foco em Tubarão (além dos milhões de bilheteria para a Universal), mas ele foi o precursor dos filmes eventos de verão. Aqueles blockbusters que arrastarão multidões ao cinema todo santo verão americano começaram com ele, há exatos 40 anos.

Que Spielberg tem um carinho por esse filme, que colocou seu nome no topo da indústria, todos sabemos. Resta saber se o “jamais” dele significa a mesma coisa que no nosso mundo. 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Uma pinup no banco dos réus

 O que seria uma virada na carreira da stripper Lili St. Cyr, assim como no conceito pinup, se transformou num espalhafatoso processo judicial. Ciro's, um super club de Hollywood contratou a beldade para fazer concorrência a uma casa noturna que estava abarrotada graças a um conjunto brasileiro.

Fachada do Ciro's Club
No começo de 1951 e nunca uma bailarina havia passado dos clubes masculinos mal afamados a um palco prestigiado por celebridades como Bette Davis e Humphrey Bogart. A casa já havia apresentado como atrações Edith Piaf, Marlene Dietrich, Duke Ellington.

Foram gastos milhares de dólares para a reforma do palco. O número de Lili St. Cyr se chamava “Um interlúdio antes de tudo” e culminava com um banho de banheira espumante enquanto a plateia bebericava e jantava.

Para tirar a roupa ela contava com sua empregada Sade e depois deslizava como veio ao mundo na banheira. Só que a nudez na verdade era falsa, um truque feito graças a um biquíni cor da pele e iluminação.
O sucesso do show foi instantâneo. Em outubro daquele ano um grupo de deputados de Los Angeles entraram com uma ação contra o descaramento. Lili St. Cyr e o proprietário do Club foram presos por desacato à moral e bons costumes.

Drama? Foi uma benção de promoção para Lili St. Cyr! Para ajudar ainda contratou um advogado celebridade que adorou o escarcéu na imprensa, com fotos da pinup fazendo caras e bocas no banco dos réus enquanto apresenta provas fotográficas de que estava vestida.
Era meio verdade. Biógrafos atuais não entram num consenso sobre sua nudez, realmente não existia no número da banheira do Ciro's, mas tirar a roupa completamente fazia parte de alguns dos seus números.

Para o bem geral, tanto Lili St. Cyr quanto o proprietário foram absolvidos das acusações.Na foto acima ela aparece ainda segurando a prova cabal de que não estava nua.

 Lili, um pouco mais famosa, continuou seu show burlesco, perseguindo os holofotes do estrelato em revistas masculinas e filmetes sensuais.Chegou a ser conhecida internacionalmente graças a essas publicações.

A primeira foto é um oferecimento W. Magazine, todas as outras e informações são do Pulp Magazine

Veja também:

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Novo Tarantino utiliza trilha sonora de O Enigma de Outro Mundo

 Certeza a cada filme novo de Quentin Tarantino que vários velhos hits serão recuperados. Agora com Os Oito Odiados (The Hateful Eight, 2015) ele quis uma trilha exclusiva, originalmente composta pelo mestre Ennio Morricone.

Ter uma trilha sonora original do compositor é um sonho antigo de Tarantino, mas de difícil realização pela agenda do compositor de 87 anos de idade. Agora conseguiu, mas conseguiu em termos.
Kurt Russel em The Thing
Morriconne não conseguiu finalizar a tempo, alegando novamente problemas de agenda. O próprio lembrou ao diretor que a música que fez para O Enigma de Outro mundo (The Thing, 1982 de John Carpenter) não foi utilizada.

Segundo comentário do Tarantino, publicado no Bloody Disgusting, Morriconne escreveu uma trilha de orquestra inteira para a produção de 1983 e ainda uma faixa para sintetizador, que era o que o que Carpenter estava mais acostumado. E batata! Carpenter utilizou apenas a do sintetizador durante todo o filme, ignorando o resto.

Então o italiano sugeriu a tarantino ficar longe do tema principal de “The Thing” e utilizar todo o resto, uma trilha original inédita. Ouça no player abaixo ou clicando aqui.

Acidentalmente mais uma coisa em comum entre Os Oito Odiados e O Enigma de Outro Mundo. Além de pessoas isoladas na neve e a presença do ator Kurt Russell, a música composta por Ennio Morricone.

Veja também:
Vamos cantar, companheiros!
 K-Y Gel aos montes em The Thing
Stalkeando Tarantino, o balconista
Warren Beatty por pouco em Kill Bill

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Avesso da cena: Harlow em O Aviador

Gwen Stefani como Jean Harlow em O Aviador (The Aviator, 2004 de Martin Scorsese)
Jean Harlow em 24 de maio de 1930 na première de Anjos do Inferno (Hells Angels, 1930 de Howard Hughes e outros). Exatamente o mesmo momento retratado no filme de Scorsese.

A cantora Gwen Stefani está ótima como a vênus platinada Jean Harlow, mas comparando os dois momentos é decepcionante. Além do visual distinto, a atriz verdadeira parecia muito mais insegura.

Outra diferença importante: Howard Hughes não estava ao lado dela! Na foto abaixo o vemos vindo ao fundo à esquerda, não ao lado como está Leonardo Di Caprio na reprodução do filme de 2004. 
 O gif comparativo foi feito com o cinejornal da época (assista clicando aqui). Provavelmente foi a mesma base para Scorsese levando em conta a ordem dos entrevistados, que depois entra o ator Roscoe Turner segurando um filhote de tigre.
Mas eles não erraram na produção de 2004, ou não pode ser considerado erro. A arte não é cópia da realidade, mas sim uma representação dela, mesmo quando resolve retratar fatos.

Se fossem mais realistas é provável que não conseguissem transmitir às plateias de hoje o que foi o glamour daquela noite de maio de 1930. Os conceitos mudaram bastante nesse tempo todo.

A terceira imagem é um oferecimento Classic Movies Favorites

Veja também:

Quando o título no Brasil mente

A indefectível capa do VHS da Top Tape para Poderes Eróticos (Wicked City/Yôjû toshi, 1987 de Yoshiaki Kawajiri). O título em português do Brasil mais estúpido da história?

Desde aquela época desconfio que quem escolheu esse nome assistiu apenas aos primeiros cinco minutos do anime. É ali que aparece uma mulher aranha com vagina perigosíssima, mas no resto da fita é uma ficção científica bem legal.

O que isso tem de mais? Muita gente pode não ter assistido a este clássico porque locadoras provavelmente acondicionaram a fita na parte dos pornôs, e nós sabemos o estigma que pornôs possuem.
 Além de decepcionar quem queria ver um filme picante... Claro!

Até hoje na internet  impera esse título a lá hentai, embora continue inédito em DVD no Brasil. Poderes Eróticos é considerado um dos primeiros animes a serem distribuídos em VHS no país, claro que antes veio Sonhos Molhados - Amy My Baby (Cream Lemon, 1985 de Nobuhiro Yamashita), mas esse sim, é hentai.

Lembro quando fui com meu cunhado (o único da família que possuía fabuloso Semp Toshiba duas cabeças) alugar Uma Noite Alucinante (Evil Dead II, 1987 de Sam Raimi).  O atendente correu procurar na prateleira dos pornográficos...

Veja também:
Casa da Mãe Joana de títulos. Até quando?
Nomes de filmes no Brasil e em Portugal
O que terá ou o que aconteceu com Baby Jane?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Primeiro parceiro musical de Almodóvar à beira de um ataque de nervos

Alaska, Almodóvar, McNamara e Bernardo Bonezzi: No princípio era o brilho
Como qualquer um, Pedro Almodóvar estava cercado de gente talentosa quando chegou lá, a um passo de alcançar o olimpo dos grandes ídolos cinematográficos. Fora algumas coisinhas no You Tube, não existe cinema de um homem só.

 A parceria com o músico Bernardo Bonezzi durou praticamente o mesmo tempo da que manteve com a atriz Carmen Maura, do começo até o sucesso internacional de Mulheres À Beira de Um Ataque de Nervos (Mujeres al borde de un ataque de nervios, 1988). Pedrito não é fácil.

Bernardo Bonezzi em foto recente
Filho de um italiano com uma brasileira, Bonezzi ficou famoso no movimento La Movida (“El Mozart de la Movida Madrileña”)  um pouco antes do que Almodóvar. Estourou nas rádios com o hit Groenlandia, primeiro compacto da sua banda Los Zombies.

Mais tarde estaria por traz do duo Almodovar & McNamara produzindo e compondo várias canções.  Algumas delas entrariam nos filmes de Almodóvar como "Gran ganga" em Labirinto de Paixões (Laberinto de pasiones, 1982) e "Suck It to Me" em Maus Hábitos (Entre Tenieblas, 1983).

Muito além do pop 80’s, Bonezzi imprimiria sua marca na melhor fase da filmografia de Almodóvar compondo as trilhas sonoras instrumentais/incidentais. Melancólicas, com sintetizadores cortados por instrumentos acústicos, aprendeu a pontuar filmes ao mesmo tempo que o diretor a dirigi-los.

Tarefa ingrata visto que as trilhas de Almodóvar são recheadas com os mais vibrantes sucessos populares de todos os tempos. Difícil imaginar o clima desolador com que vivem aqueles personagens sem os temas do ítalo-brasileiro.

Para ilustrar, ouça “El adiós de Gloria” de A Lei do Desejo (La ley del deseo, 1987) no player abaixo ou clicando aqui. Almodovariano quanto um sofá verde alface.

Esse tema originalmente apareceu com pouco destaque em Que Fiz Eu Para Merecer Isto? (¿Qué he hecho yo para merecer esto!!, 1984) como “La soledad de gloria”. Em A Lei do Desejo ele abre o filme, sendo que nada mais foi composto pelo autor.

Bonezzi acabou pondo de lado a carreira de cantor para se dedicar apenas a compor trilhas para programas de TV, cinema e teatro para os mais diversos diretores. Concorreria ao prêmio Goya quatro vezes, inclusive por Mulheres À Beira de Um Ataque de Nervos, saindo vitorioso em 1996 por Ninguém Falará de Nós Quando Estivermos Mortos (Nadie hablará de nosotras cuando hayamos muerto de Agustín Díaz Yanes).

Nos anos 2000 voltaria às origens, lançando discos próprios. Sem ele Almodóvar trabalharia a seguir com o mestre Ennio Morricone em Ata-me! (Átame! 1990) e Ryuichi Sakamoto em De Salto Alto (Tacones lejanos, 1991).

Construindo uma fama de difícil entre músicos, contaria com a música de Alberto Iglesias a partir de A Flor do Meu Segredo (La flor de mi secreto, 1995). Essa parceria completará mais de 20 anos quando estrear Julieta em 2016.

O Mozart de la Movida Madrileña foi encontrado morto (causas desconhecidas) em sua casa em 2012, aos 48 anos de idade. Apaixonado por redes sociais, sua última mensagem no Facebook foi “Estou desaparecendo”.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

25 anos depois: Como está a cidade que acolheu Edward Mãos de Tesoura

Nesta semana faz 25 anos que estreou Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands, 1990 de Tim Burton). A fábula cosmética que sobreviveu ao tempo.

O subúrbio a que o tentam inserir é tão certinho, tão plástico que muita gente pensou se tratar de uma cidade cenográfica. Mas trata-se de uma locação, realmente certinha, mas com as cores pastel alteradas para o filme.
Fica no bairro Tinsmith Circle em Lutz, cidade da Califórnia. É possível navegar pelas ruas no Google Streetview, embora as casas com as cores reais em sua maioria cinza e bege deixam difícil a identificação específica.

Outro detalhe a ser notado: A vegetação está muito maior duas décadas e meio depois.  A topiaria importante na história era de mentirinha.

Locação bacana também é o shopping que Edward monta um salãozinho. Com faixada retrô futurista, o Southgate Shopping Center fica em Lakeland na Califórnia.
Southgate Shopping Center em foto recente, publicada no Flickr
O centro de compras foi inaugurado em 1957, por tanto, sua estética é legítima daquela época. Estava assim em 1990, como continua em 2015, um ícone da cidade.
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