segunda-feira, 30 de junho de 2014

Deus e o diabo na terra da coca


A propaganda oficial diz que o Carnaval de Oruro é o melhor carnaval do mundo. A gente sabe que sabe que não é verdade, mas isso não diminui a secular tradição do evento boliviano.

Não há muita coisa em comum entre o que existe no Rio de Janeiro e nessa cidade da Bolívia além da palavra “carnaval”, acontecer no começo do ano e de ser um evento muito popular. Ah, sim! Também atrai turistas de todo planeta atrás do exotismo.

No vídeo abaixo você assiste ao spot de 2014. A tradução brasileira seria um misto de carnaval carioca, baiano e festas juninas.

A UNESCO registrou o carnaval de Oruro como uma das “Obras-primas do Patrimônio Oral e Patrimônio Imaterial da Humanidade”. Sua origem remonta ao período pré-inca, quando a festividade pagã Ito celebrava Pacha Mama e o Tio Supey entre outras divindades mitológicas.

Com a colonização espanhola, os nativos disfarçaram sincreticamente as comemorações em cristãs, da mesma forma que religiões Africanas fizeram no Brasil. Assim, as figuras de Pacha Mama e Tio Supey se transformaram em Virgem Maria e o Demônio.

A consolidação do carnaval de Oruro como folclore nacional aconteceu entre o século XVIII e na primeira metade do século XX, após um período em que foi proibido. Na festividade, milhares de pessoas separadas por grupos fazem um tipo de dança, por mais de quatro quilômetros até chegarem à igreja Sanctuaria del Socavon.

Junto desfilam bandas tocando marchas animadas com ritmos chamados de Diablada, Morenada entre outros. Uma peculiaridade preservada são as vestimentas das divindades que remetem a dragões e demônios do folclore chinês, embora pelo distanciamento geográfico e histórico, não deve passar de mera coincidência.



A primeira imagem é um oferecimento Sounds from Worn Grooves

quinta-feira, 26 de junho de 2014

25 anos de Jack Coringa Nicholson

 Batman de Tim Burton completa 25 anos este mês, embora no Brasil só tenha estreado em outubro. Nada mais justo que relembrar Jack Nicholson se transformando em Coringa, bem ao espírito de 1989, com a imprensa apontando que ele roubou o filme.

Na verdade, a maquiagem é quase uma caricatura do que já é o rosto do ator. Um dos casos incríveis de atores que nasceram para um papel.

O próprio Nicholson acreditava nisso, visto que na produção milionária trocou o cachê por porcentagem na receita bruta da bilheteria e se deu bem. Posteriormente, quando lançado, sabia-se que pelo barulho promocional que a Warner fez, dificilmente Batman não daria certo...

Nesse contrato, o ator conseguiu ainda a palavra final na maquiagem, conforme o maquiador Nick Duckman contou ao blog 1989 Batman. Quanto à aparência do personagem (já explorado nos quadrinhos e na série de TV 60’s), Duckman disse que o brief era bem claro: “A maquiagem tinha que ser alcançada em duas horas. Tanto mais, ela seria impraticável. Ah, e Jack teria a palavra final sobre o olhar.”.

Deram cinco esculturas para Jack Nicholson escolher a sua favorita e ponto! De resto foi tomar cuidado em escolher uma cola que ele não fosse alérgico.

Veja também:
Chamada de Batman estreando na Tela Quente
Batman na capa da Veja

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Julia Mattos entre vampiros e cowboys

Num mercado quase dominado por publicações infantis, a revista Audax foi uma tentativa da Editora Abril de alcançar leitores jovens adultos de quadrinhos em 1978. Terror, faroeste, ficção científica, aventura e romance audaciosamente conforme o título sugere.

Quinzenal, cada edição continha histórias de artistas diferentes e mesmo com boas intenções não durou mais do que onze números. A partir da edição 8 as gostosas a nanquim foram trocadas por celebridades do momento.

Estreando essa nova fase da capa, Sonia Braga como Julia Mattos de Dancin’ Days, embora essa foto não pareça ter qualquer relação com sua personagem da novela. Mas Julia estava na crista da onda, pra usar uma expressão da época, e ela poderia alavancar as vendas.

Vai de encontro ao depoimento da atriz Gloria Pires ao Viva, agora que o canal reprisa a história de Gilberto Braga. Ela, que aos 15 anos interpretou Marisa, recorda que foi a primeira novela que todas as pessoas assumiam assistir.

Embora o tema fosse comum apenas a revistas com fofocas de astros da TV, pela capa da Audax, até os leitores de quadrinhos violentos e fantasiosos se interessaram por Dancin’ Days. Tinha acabado definitivamente ali a desculpa de que “estava passando pelo quarto da empregada e vi qualquer coisinha a respeito na TV dela”.

As imagens são um oferecimento Morto Vivo 3

terça-feira, 24 de junho de 2014

Bianca Del Rio do agreste


Vencedora da edição 2014 do reality RuPaul's Drag Race, Bianca Del Rio mira agora no cinema. Hurricane Bianca (Furacão Bianca, embora Bianca Furacão fosse mais legal aqui por parecer nome de chacrete) será produzido com doações de fãs.

Comédia de humor negro, contará uma história simples de vingança. Roy Haylock será um professor muito doce e simpático de Nova York que uma cidadezinha do Texas o expulsará ao descobrirem que ele é gay.

Regressará disfarçado como Bianca Del Rio, afim de não deixar pedra sobre pedra com todos os que lhe hostilizaram. A direção e roteiro ficarão a cargo do estreante Matt Kugelman.

Nada é novidade alguma como se nota. Incontáveis filmes já falaram sobre uma pequena cidade provinciana contra alguém que julgam imoral, inclusive drags em Para Wong Foo, Obrigada Por Tudo! Julie Newmar (To Wong Foo Thanks for Everything, Julie Newmar, 1995 de Beeban Kidron).

Até no Brasil, tendo o romance Tieta do Agreste de Jorge Amado já adaptado para TV e cinema o principal exemplo. Outros tantos tiveram homem disfarçado de mulher para conquistar seus objetivos.

É claro que o diferencial em Hurricane Bianca será a própria Bianca Del Rio, metralhadora de gags que remetem aos velhos tempos de Vaudeville. Não tem como não ter boas expectativas no projeto.

Interessante que o argumento para ela preserva a dupla identidade do personagem, como convém a uma drag. O que difere de outros atores célebres por trajarem roupas femininas como Divine e Charles Busch que na tela interpretam mulheres.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Escolhendo o elenco a dedo


Esse moço esquisito é Brad Pitt, pouquíssimo antes de virar astro de cinema. Pagando as contas com qualquer coisa que surgia, como a série de televisão A Hora do Pesadelo - O Terror de Freddy Krueger (Freddy's Nightmares) em 1989.

Ele aparece no episódio 14 da primeira temporada (Black Tickets), disponível no Brasil apenas em VHS. De relativo sucesso nos EUA, a série chegou a ser exibida aqui no SBT e no Warner Chanel.

Pitt ficaria internacionalmente conhecido em 1990, como o garoto bonitão que engana Geena Davis em Thelma & Louise de Ridley Scott. E graças aos poucos minutos em cena foi um estouro!!!!

Passou a fazer não sei quantos filmes para moçoilas pouco exigentes suspirarem na sala escura. Também resgataram outros mais antigos nas locadoras de VHS, como O Príncipe das Sombras (The Dark Side of the Sun, 1988 de Bozidar 'Bota' Nikolic).

 Enfim, visto que Johnny Depp também teve uma de suas primeiras oportunidades em A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984 de Wes Craven) concluímos que Freddy Krueger pode ter as garras afiadas, mas o pé é quente!

A primeira imagem é um oferecimento Alan Oliveira.
Veja também:
A série de TV do Freddy Krueger
Freddy Krueger o símbolo sexual
Horror high-society
In Memoriam: Amanda Krueger

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Mamie Van Doren com a bola toda

Ok! Falaremos da Ingrid Bergman, mas na capa será a Mamie Van Doren... 1958, com as loiras platinadas entrando em extinção, e ela ainda como muito gás comercial.

Isso porque, filmes de baixo orçamento, categoria em que reinou, sempre foram quase um universo paralelo, com público cativo. Conforme mencionado por quem postou essa imagem no Flikr, o verbete dela no livro “The Illustrated Who's Who of the Cinema” é fabuloso:

"Uma das loiras platinadas de produções B geradas pelo sucesso de Marilyn Monroe, em meados dos anos cinquenta... Apareceu em uma série de melodramas escabrosos produzidos para a MGM por Albert Zugsmith... Eles frequentemente exploravam pânicos morais contemporâneas sobre adolescentes drogados (Escola do Vício/High School Confidential!), beatniks (A Noite dos Malditos/The Beat Generation) e o crime organizado (Sindicato de Vigaristas/The Big Operator)... Faltando a vulnerabilidade calculada de Monroe ou excessos caricaturais de Jayne Mansfield, Mamie Van Doren se tornou a soberba sirene, uma fantasia delirante Fifties de encarnada sensualidade feminina. "

Perceba que seus filmes possuem títulos em português, ou seja, foram distribuídos no Brasil e depois esquecidos em VHS ou DVD. Pode estar relegada a orbita Cult, como a “Marilyn Dos Pobres”, mas já foi considerada uma atriz pop como outra qualquer.

Pesa contra seus trabalhos, assim como em todo o cinema exploitation, os temas terem sido oportunamente atuais na época, visavam comercialmente apenas o momento. Não são clássicos, são apenas filmes antigos, adquiriram humor involuntário.

Embora Mamie Van Doren como bad girl 50's seja muito mais interessante do que qualquer bad girl 2014, são histórias datadas para o grande público.  Azar o dele!

Veja também:
A Marilyn Monroe dos pobres
Mamie Van Doren, a venusiana

Mamie, Certinha do La Dolce

terça-feira, 17 de junho de 2014

OITNB: Você não precisa estar na cadeia para aprender a fazer seu próprio isqueiro

 O livre comércio de tabaco dentro da prisão é parte importante da segunda temporada de Orange Is The New Black. Junto com ele apareceu um bizarro isqueiro nas mãos das detentas.

Trata-se de um isqueiro caseiro, já que assim como tabaco, condutores de fogo são proibidos na prisão. Esse método é tradicional, não foi criado para a série, e chama-se justamente “Prison Lighter”.

Consiste simplesmente de uma pilha e de um daqueles papeis laminados que embalam o chiclete Trident. Fumante ou não, quem nunca se viu na mão, sem fósforos ou isqueiros?

Existe um vídeo que ensina a fazer passo a passo, em inglês mas não há segredo algum, dá pra entender apenas observando. Clique aqui para assistir.

Basicamente é: Corte uma tira fina do tamanho que cada ponta fique num dos polos da pilha. Divida essa tira em duas e emende elas novamente apenas as enrolando, será aí que a chama deve acontecer!

Em OITNB elas simplesmente usam uma tira, sem cortar e a chama surge ali perto de um dos polos, podendo queimar o dedo. Conforme no vídeo é, portanto, mais seguro (embora se crianças fizerem qualquer um dos métodos irão fazer xixi na cama. Estejam alertados!).

Eu tentei usar aquele papel laminado de cigarro mesmo, mas não consegui provavelmente por ser mais grosso do que o do Trident. Foi minha única e frustrada tentativa.

Sem pilha ou papel de chiclete ainda há a opção de bater pedrinhas ou esfregar pauzinhos... Acho que desses jeitos só o Macgyver consegue.

Marilyn e o Monstro da Lagoa Negra

Pouco antes da célebre sequência do vestido esvoaçante em O Pecado Mora Ao lado (The Seven Year Itch, 1955 em Billy Wilder) há um diálogo interessantíssimo. Marilyn Monroe, A Garota, e o vizinho travam o seguinte diálogo após assistirem O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, 1954 de Jack Arnold).
A Criatura é triste, de aparência apavorante, mas meramente solitária. De burra a garota realmente não tinha nada, muito menos de insensível ao ir ao cinema.

O brilhante diálogo de Billy Wilder e George Axelrod é um dos tantos momentos que elevam o filme a muito mais do que uma comédia romântica tola. Um compêndio da eterna discussão entre o erudito e o popular
travestido de comédia romântica tola.

Simpático também o uso do blockbuster (escapista como tal) da concorrente Universal (o filme da Marilyn é da Fox) que ainda cria um paralelo entre A Garota e o vizinho solitário e galanteador interpretado por Tom Ewell. Geralmente entretenimento popular só é reverenciado após os anos o tornar Cult.

Claro que um filme de Marilyn Monroe também era popular, mas na direção deste estava Wilder, o gênio já consagrado aquela altura. A própria Marilyn, a atriz do momento, é citada pelo roteiro em outro diálogo inspirado.

 A personagem da loira nem nome tem, é mero devaneio do homem casado com um fim de semana longe da família. Em 1954, todos os sonhos masculinos giravam em torno de Marilyn Monroe, embora sua voluptuosa figura escondesse alguém que só queria ser amado.

Os gifs são um oferecimento Missing Marilyn

Veja também:
Comichão mundo afora
O Pecado Mora Ao Lado novinho em folha
Homem casado e batata frita

Rachmaninoff's à meia luz
Como uma lenda brasileira virou sucesso em Hollywood
Espelho, espelho meu...


segunda-feira, 16 de junho de 2014

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Quase Tarzan com uma boa causa


Capa de O Menino Rei (少年王者), arte e criação de Soji Yamakawa. Ele possui evidente referência ao ocidental Tarzan, um dos mais famosos personagens transformado em pulp a partir da década de 30 no mundo todo.

Tarzan de Edgar Burroughs gozava de muita popularidade no Japão até ser varrido, por razões óbvias, dos cinemas e livrarias durante a 2ª Grande Guerra e um bom depois. A capa acima data de ano Showa 21, provavelmente 1946 no nosso calendário.

Muitos artistas locais criaram sua versão do Homem Macaco, saciando a sede dos fãs por aventuras na selva. Osamu Tezuka (logo depois de Soji Yamakawa) criou o Jungle Makyo (imagem ao lado) com seu inconfundível traço.

Não deve ser exagero apontar que Hayao Miyazaki também foi na fonte de O Menino Rei para criar a obra prima Princesa Mononoke (Mononoke-hime , 1997). Miyazaki assume ter sido um leitor de Soji Yamakawa na juventude.

O Menino Rei não era bem mangá, embora tivesse suas aventuras publicadas com regularidade junto com as de outros personagens, conforme os mangás são até hoje. Eram ilustrações riquíssimas acompanhadas por texto.

 Sua leitura foi bastante incentivada para crianças do Japão pós-guerra por seu fundo de superação. Afinal, a nação em frangalhos podia tirar alguma lição da história do garoto que esquecido à própria sorte no Quênia tornou-se um rei.

As imagens são um oferecimento Tezuka Osamu Official

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Tor Vs. George: Trocados na maternidade

Tor Johnson em A Torre dos Monstros (The Black Sleep Lot, 1956 de Reginald Le Borg)
George 'The Animal' Steele como Tor Johnson em Ed Wood (1994 de Ed Wood)
  Tem muito, mas muito filme ruim atualmente baseado em pessoas famosas, que já começam errando ao escalar o ator. Ed Wood (1994 de Tim Burton) foi feliz até nisso.

George 'The Animal' Steele
Mesmo com Johnny Depp interpretando mais “o pior cineasta de todos os tempos”, do que aparentando fisicamente ser ele. O filme tem talvez a melhor reinvenção de alguém que já viveu da história do cinema: George 'The Animal' Steele como Tor Johnson!

 Até por que, era um lutador, não é um ator, interpretando outro lutador que também tentou ser ator. George 'The Animal' Steele tinha pouca experiência no cinema, sempre fazendo participações especiais como ele mesmo, portando, pode-se considerar Ed Wood sua estreia.

Para ser o Tor Johnson sempre perdidão em cena não poderia ter melhor interprete. É até muito melhor que o incrível Martin Landau como Bela Lugosi, papel coadjuvante que rendeu ao filme um dos dois únicos e injustos Oscars.

O outro foi para Rick Baker que produziu justamente a maquiagem de Bela Lugosi. 'The Animal' nos fez acreditar que era Tor Johnson de cara limpa, com um par de lentes de contato brancas.

'The Animal' detonando nos ringues
Para viver o infame astro 50’s, ele aprendeu o sotaque sueco e calçar sapatos pesados. Ao contrário do original, George é muito ágil, e precisava ter mais lentidão no caminhar.

De resto, acho que era o famoso “Se melhorar estraga”. Um ator profissional ali não seria tão parecido ao que vimos em A Noiva do Monstro (Bride of the Monster, 1955) ou Plano 9 do Espaço Sideral (Plan 9 from Outer Space, 1959 de Ed Wood).

Infelizmente George 'The Animal' Steele está aposentado dos ringues e das telas. Sabemos que nos últimos 20 anos não apareceram no cinema outros personagens sob medida para ele.

A primeira imagem é um oferecimento Morbius19, a terceira e quarta georgetheanimalsteele.com

Veja também:
Tor Johnson tem um sonho
Locação histórica... E trash!
Pelúcia e horror

terça-feira, 10 de junho de 2014

E Hollywood se rendeu a Dorothy Dandridge

 A estrela subia! 60 anos que Dorothy Dandridge conquistou a capa da revista Life por sua atuação em Carmen Jones (1954 de Otto Preminger), sendo a primeira negra a aparecer ali.

Poster de Saul Bass
Bem antes do fenômeno blacksploitation, Camen Jones mostrou aos estúdios o óbvio quanto à diversidade da plateia. Com a elevação da autoestima das minorias, era evidente que não dava mais para continuar vendendo apenas um tipo de sonho inalcançável.

A adaptação da opera de Bizet para o universo black (que ainda contava com o galã Harry Belafonte) anteveio em quase uma década os conflitos raciais que mudariam a história. Mas os conflitos raciais já estavam pululando a cada esquina, no cotidiano segregador da época.

Dorothy Dandridge chegava ao topo da carreira, protagonizando uma grande produção hollywoodiana como nenhuma outra da sua etnia. Após papeis muito menores em filmes idem, como por exemplo rainha africana em aventura do Tarzan.

Otto Preminger foi além de abrir a Caixa de Pandora, chegou a aconselhar sobre o futuro profissional de sua estrela. Como primeira grande diva negra de Hollywood, no sentido de rivalizar com tantas loiras do momento, não deveria mais aceitar papéis que não fossem de protagonista.

O filme ainda renderia a indicação ao Oscar de melhor atriz para Dandridge. Feito então também inédito para uma atriz afro descendente, perdendo para Grace Kelly por Amar é Sofrer (Coutry Girl, 1954 de George Seaton).

Apenas em 2002 Halle Berry seria a primeira negra a ser contemplada com o Oscar de melhor atriz. Por ironia, Berry interpretou a vida da pioneira no telefilme Dorothy Dandridge - O Brilho de uma Estrela (Introducing Dorothy Dandridge, 1999 de Martha Coolidge).

A atriz, que teria chegado a ser cogitada pela Fox para ser Cleópatra, papel que ficou com Elizabeth Taylor, faleceu em 1965 com apenas 42 anos de idade após uma acidental ingestão de barbitúricos. Deixou um legado mais do que artístico, uma referência de conquistas.

A primeira imagem é um oferecimento Huffington Post, a terceira Music2MyEars.

Veja também:
Dorothy Dandridge certinha do La Dolce
Bela e suicidas
O primeiro beijo inter-racial na TV
Blacula esteve em cartaz no Brasil

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Vashta Nerada em 1969?

Doctor Who - Silence in the Library (2008 de Euros Lyn)
Gangsters da Lua (Moon Zero Two, 1969 de Roy Ward Baker)

São 50 anos de vilões de Doctor Who, sendo que alguns deles, como os robôs Daleks atormentando a série desde o primeiro ano. Vashta Nerada é relativamente recente, mas um dos mais interessantes, inclusive na concepção.

Apareceu pela primeira vez no episódio Silence in the Library de 2008, com roteiro do produtor Steven Moffat. O mesmo que apresentou a duradoura River Song, a “futura ex” esposa do Doctor (Spoileeer!, como a mesma diria).

Vashta Nerada (As Sombras Que Derretem A Carne) são seres microscópicos que em enxame são confundidas com sombras. Existem em quase todo o universo, inclusive na Terra, o que, segundo o Doctor, justificaria o medo ancestral pela escuridão.

Conhecidas com “Piranhas do Ar”, vivem dormentes nas florestas, recolhidas na madeira das árvores, esperando algum ser de carne passar por elas. O episódio transcorre no nosso planeta no século 51, quando tudo foi transformado numa gigantesca biblioteca.

O conceito visual dos astronautas em osso, transformados em errantes canibais, tornaram-se ícones da ficção científica moderna. Instantaneamente estamparam camisetas, viraram bonequinhos...

Mas não era novidade! Muito semelhante ao que é mostrado no filme Gangsters da Lua (Moon Zero Two, 1969 de Roy Ward Baker), da Hammer Films, incursão do estúdio britânico no sci-fi para capitalizar com a chegada do homem à Lua.

Os laços entre a série e a produtora patrícia são estreitos desde sempre. De locações ao estilo inglês de produzir suspense e horror, passando pelo elenco.

 Só pra citar um ator, Patrick Troughton , o segundo Doctor, participou de pelo menos dois filmes da Hammer. Já era celebre na TV pilotando a TARDIS quando interpretou o auxiliar deficiente mental de Drácula (Christopher Lee) em O Conde Drácula (Scars of Dracula, 1970 de Roy Ward Baker).

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Cleyde Yáconis e Leonardo Villar em desenho animado!


Assista no player abaixo (ou clicando aqui) a abertura do programa Show a Dois da TV Record. De 1960, é um dos mais antigos registros da televisão brasileira.

 De quebra, ainda temos a versão em desenho animado dos grandes astros Leonardo Villar e Cleyde Yáconis. O estilo da abertura é anterior às dos seriados norte-americanos Jeannie É Um Gênio (I Dream of Jeannie 1965/1970) e A Feiticeira (Bewitched).

Podemos supor ainda que é uma das mais antigas animações produzidas no Brasil. Hoje, graças à tecnologia, existem muitos produções similares, antes, pelo custo artesanal os profissionais do país ficavam restritos a aberturas de programas da TV e anúncios publicitários.

Creio que as referência aí são os filmes da Doris Day e Rock Hudson, até pela tipologia empregada. É preto e branco, mas nossa imaginação vê com aquelas tonalidades típicas do Tecnicolor 60’s.

Há poucas informações sobre “Show a Dois”, nem se era um programa de variedades ou um tipo de sitcom. A redação, junto a outros programas, marcou a estreia de Jô Soares na emissora ao chegar a São Paulo.

Por fim, ressaltando a preciosidade de podermos assistir ao registro, embora ínfimo, da antiga parceria televisiva entre os atores Leonardo Villar e Cleyde Yáconis. Já trabalhavam juntos desde o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

O pano caiu para a dupla na novela Passione (2010 de Silvio de Abreu) onde interpretaram com sucesso o casal saliente Brígida e Anteiro Gouveia. Yaconis faleceu em novembro de 2013.

terça-feira, 3 de junho de 2014

A Hora do Espanto: Ator em produções X-Rated

  Parece lenda urbana propagada pela internet, mas não é! O ator Stephen Geoffreys de A Hora do Espanto (Fright Night, 1985 de Tom Holland) anos depois seguiu carreira na indústria pornográfica.

No clássico filme de vampiros 80’s ele é o adolescente Evil Ed, o amigo bad boy do protagonista. Seu rosto vampirizado estampa a capa do DVD do filme no Brasil.

Geoffreys em ação nos anos 90
Não se sabe o motivo, mas na década de 90 ele atuou em uma série de vídeos pornôs voltados ao público gay. É um dos poucos atores com carreira no cinema mainstream a entrar para a indústria adulta.

Nos EUA, claro! Aqui no Brasil, comparando male mar, já que não temos algo que possa ser chamado de indústria de entretenimento adulto, tivemos os célebres casos de Alexandre Frota, Matheus Carrieri e Leila Lopes.

É comum o contrário, atores que surgiram em adultos tentarem a sorte em filmes “sérios”. Ainda assim, são raríssimos, pra não dizer nulos, os casos dos que conseguiram ser aceitos no meio permitido para menores de 18 anos.

Mesmo Traci Lords, lendária, tem uma filmografia pequena, com filmes B e diretores alternativos. O que deixa a possível escolha de Stephen Geoffreys ainda mais estranha, porque, se estava difícil conseguir papeis, a situação não deveria melhorar.

Estou supondo que ele não tinha papéis, pode ter feito por pura opção, prazer, sei lá. Também não estou julgando moralmente, nem poderia, o ator por ter feito filmes pornografia, apenas sublinhando o fato incomum.

Na maioria dos vídeos, a partir de 1994, ele foi creditado como Sam Ritter, mas também foi chamado por Stephan Bordeaux. Alguns títulos são sobre fetiches, em que participou na posição de passivo.

No IMDB, a última produção adulta com ele foi em 2002, mas são encontráveis na internet vídeos curtos do tipo “buttmachine” em que aparenta ter mais idade, então, não dá pra saber até quando continuou na área. Por razões óbvias, vídeos assim não são contabilizados na filmografia do site.

Em novembro de 2014 ele completa 50 anos de idade. Em sua página oficial não há menção alguma a seu trabalho fora do cinema convencional.

Recentemente Stephen Geoffreys voltou a trabalhar em filmes de terror ou fantásticos. Tem projetos até 2016, o que provavelmente o tornará não só um dos primeiros a embarcar no cinema hardcore, como a sair de lá. Em convenção de fãs de terror é bastante requisitado para fotos.

Teria se recusado a reprisar seu papel mais conhecido no último A Hora do Espanto 2 (Fright Night 2 – New Blood, 2013 de Eduardo Rodriguez) por crer que isso fosse prejudicial a sua carreira. Ok! Esta última frase é mentira, mas não resisti.

Veja também:
Tracy Lords: Rainha do pornô aos 15 anos
Galã nas mãos de Deus
A grande chance de Bill Cable
Sua Majestade, John King

A garota do sabão atrás da porta verde

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Japonesinhas made in Nova York

Compacto para o mercado japonês das gracinhas The Ronettes. Na Roma como os romanos e no Japão idem.

O lado A não poderia deixar de ser o maior hit delas: Be My Baby. Ouça no player abaixo ou clicando aqui.

A canção é uma das quatro do grupo a alcançar o Billboard Hot 100. Composta por Jeff Barry e Ellie Greenwich em 1963, é considerada uma das pedras fundamentais do pop moderno.

A imagem é um oferecimento Cool Cover
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