sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Avante, Capitão Falcão!

Feministas, comunistas, barbudos e capitães de abril tremam! Portugal se rende a seu herói de todas as horas, Capitão Falcão e seu fiel escudeiro Puto Perdiz.

Surgido como piloto para série de TV (que nenhuma emissora de televisão quis!), o personagem alcançou tanto sucesso na internet, que mereceu virar um longa a estrear em 2014! Dirigido pelo estreante João Leitão, o filme se passa na década de 60 em pleno regime de Salazar.


Capitão Falcão é o braço direito do Regime Novo, sempre alerta principalmente contra a ameaça vermelha. Ironicamente fascista, não olha os meios para atingir os fins: Por amor à nação, exterminar os que defendem a bandalheira da liberdade e democracia.

Filmado no estilo “old school”, é esperado que nem todos entendam que o mocinho na verdade é o vilão, e os antagonistas os mocinhos. Como realmente era produzido qualquer material aprovado pelo governo nos tempos de ditadura.

Comparando male mar, Capitão Falcão está para a política como a Irmã Cleycianne está para os evangélicos. Até hoje vai gente comentar impropérios cristãos no blog como se ela realmente fosse uma crente extremista!

O herói é muito oportuno nesses tempos em que voltou à moda reclamar do comunismo, como se as notícias do fim da Guerra Fria não tivessem chegado devidamente à cabeça do Zé Povim. Enfim, gente estranha suspirando saudosamente pelos anos de chumbo não é privilégio brasileiro.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

John Waters admirado com a obscenidade atual

John Waters, diretor que chocou o mundo com filmes como Pink Flamingos (1972) e Female Trouble (1974), declarou à BBC que fica pasmo com a escala de perversidade que existe no cinema convencional e na pornografia de hoje. Nunca foram por um caminho tão fácil, sem provocar o espectador.

“Hollywood atualmente se dedica ao mau gosto e, em sua maioria, o faz mal” sentencia o homem também conhecido como Papa do Mau Gosto e Príncipe do Vômito. Ele gostou de filmes como Se Beber, Não Case! (The Hangover, 2009 de Todd Phillips), mas aponta que geralmente não são engraçados, são apenas grosseiros.
Lembrando que em seus trabalhos há nudez, sexo, estupros, raptos e muitas outras formas de violência em tom de comicidade crítica, nunca como apologia a padrões sociais. Existe um abismo, diz, entre "a tentativa humorada de chocar em Pink Flamingos e a violência forense detalhada e realista dos chamados 'torture porn' , como Jogos Mortais”.

Waters, que incluiu em seu livro de 2010 o pornográfico “outsider” Bobby Garcia (cujos famigerados VHS, se tornaram clássicos da rede) como influência, diz que a pornô de internet está deprimente e inquietante. “Alguém disse que não estão fazendo amor, eles estão fazendo ódio. Especialmente no pornô heterossexual.”.

Na pornografia gay haveria ainda, segundo o diretor, uma relação semelhante entre os praticantes, muito diferente ao tratamento dispensado às mulheres heterossexuais. “Mas estes são os limites da liberdade de expressão com que temos de nos virar.”, diz ele que repudia a burrice dos censores.

A primeira imagem é um oferecimento Le Monde

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Meu poderoso chefão favorito

O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972 de Francis Ford Coppola) citado em Meu Malvado Favorito (Despicable Me, 2010 de Pierre Coffin e Chris Renaud)! É como encontrar uma joia entre bijuterias.

Não que a animação seja ruim, mas encontrar uma referência dessas num filme “para toda família” é no mínimo surpreendente. E logo a sequência mais sangrenta, uma das mais chocantes do cinema, talvez.

Há outra interessante antes para uma história de pretensões aparentemente fofas. Quando uma das meninas entra numa câmara de tortura que se fecha e vemos um líquido vermelho escorrendo.

Por alguns incríveis segundos de inesperado suspense mórbido chegamos a pensar que aquilo é sangue e que a pequena já era! Mas é só um desenho “para toda família”, não poderia ser outra coisa...

Produções “para toda família” seguem uma linha previsível, com regras rígidas. Qualquer coisinha a mais é digno de louvor em novena.

Por ousadias como estas mereceu uma continuação em 2013 em tom de paródia dos filmes de espionagem 60's. Lamentável que mesmo com roteiro melhor, era inevitável moralizar seu protagonista.

As Certinhas do La Dolce

Gillian Hills

Camaleoa
Um oferecimento Blow-up-doll

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Franco Nero, UFOS e capas estapafúrdias

E, macacos velhos, a gente acha que sabe identificar do que se trata o filme só pela capinha. Não só a trama, mas o que realmente estão tentando nos vender por trás da arte.

Veja o caso do filme italiano Top Line (1988 de Nello Rossati) estrelado por Franco Nero. Só pelos VHS em diversas partes do mundo pode significar qualquer coisa! Q-U-A-L-Q-U-E-R coisa!!!

Essa segue os moldes dos filmes de aventura dos anos 80. Tudo por Uma Esmeralda (Romancing the Stone, 1984 de Robert Zemeckis), As Minas do Rei Salomão (King Solomon's Mines, 1985 de J. Lee Thompson) e qualquer outra cópia de Indiana Jones utilizou mocinha loira com herói no cipó, estilo pintado como pôsteres dos anos 40.

Pelo título, deve ser dos EUA. Lá eles chamaram de Alien Terminator numa tentativa de faturar em cima de O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984 de James Cameron) e Alien, o 8º Passageiro (Alien, 1979 de Ridley Scott).

Pra ajudar, deram capa ao vilão (“ei, quem sabe será um novo Schwarzenegger?”). Franco Nero, o astro com a carreira já contendo dezenas de títulos, foi parar numa pequena foto da contracapa.

Olha, pode ser a mais mentirosa, mas o desbunde dos japoneses é o mais fantástico! Parece que a história se passa numa galáxia distante repleta de monstros gosmentos!!!

E chegamos à capinha do Brasil! Aqui o titulo virou O Tesouro do Ovni (que tem cara de ser spoiler...), utilizaram aquela primeira arte e na contracapa incluiriam uns índios colombianos, pra dar um gostinho sul-americano.

Logo abaixo a foto de uma explosão, porque filme que não termina com ~a big explosion~ não tem graça. Pelo menos Franco Nero aparece na lombada.

Todas parecem fabulosas, mas fica a dúvida...
  Com o perdão do trocadilho, qual seria a mais franca?

As primeiras capas são um oferecimento Cult Trailers, a nacional, Reduto do VHS

Veja também:
Poster e trailer versus a verdade
Letras garrafais e entrelinhas

VHS disasters

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Frankenstein em anime!

Ao contrário dos quadrinhos, que sempre flertaram muito bem com o terror, a animação tem parcos exemplares do gênero. A começar por isso, Frankenstein (Kyofu densetsu: Kaiki! Furankenshutain, 1981 de Yugo Serikawa) em anime já impõe uns pontos a mais de interesse.


Japoneses, menos suscetíveis aos êxitos adocicados da Disney, sempre exploraram a animação como técnica artística, não como gênero, quase que sinônimo de infantil como nós. Frankesntein é voltado para jovens adultos.

Não há concessões a cenas de sangue e violência, o tornando, a seu modo, umas das versões mais hardcore de Mary Shelley. Relativamente fiel ao conto, adiciona conflitos familiares o que o faz em alguns momentos descambar para o dramalhão.

Narrado em cerca de quatro grandes atos, possui subtramas bem desenvolvidas. Depois que “nasce”, o monstro passa a ser um assombro entre os personagens, até ganhar a forma que todos nós conhecemos: A figura solitária, hostilizada pela aparência.

A animação é bastante econômica, como era comum aos animes da época, e não há pressa, o que exige certa paciência do espectador. Ainda assim diverte, seja pela hiper violência gráfica, seja admirando o estilo kitsh tão nipônico, onde tem espaço até para uma canção enka relevante à história.

Produzido pela Toei Animation, é originário daquele acordo que a empresa japonesa firmou nos anos 70 com a Marvel Comics. Da mesma safra apareceu um Homem-Aranha (Supaidāman) em seriado e o longa Drácula (Yami no Teiô Kyûketsuki Dorakyura) de 1980, baseado nas revistinhas Tomb of Dracula.

Frankenstein não teria nada de sua versão em quadrinhos, além da aparência. Que por sinal, é bastante semelhante também á caracterização de Boris Karloff no filme de 1931 da Universal Studios, com direito aos eletrodos no pescoço e tudo.

Outra referência notável é a do anime Heidi (Arupusu no shôjo Haiji, 1974). A filhinha do Frankenstein visita o avô que mora nas montanhas junto com as cabras e tem um amigo pastor, etc.

No Brasil aportou em VHS proeminente da Itália com 90 minutos de duração, diferente do que foi visto nos EUA com minutos a menos. É essa cópia de baixa resolução que hoje circula pela Internet, dublada em português com pouca sincronicidade.

Sua majestade, a rainha Aracy Cortes

Difícil falar de Aracy Cortes sem cair no clichê de “Mulher à frente do seu tempo”. Nascida em 1904 no Rio de Janeiro, a menina Zilda de Carvalho Espíndola foi criada com dificuldades financeiras pela madrinha de moral rigorosíssima nos efervescentes anos do começo do século passado.


Geniosa, escapou dos desígnios reservados a mocinhas da época para se dedicar à música, cenário então, dominado por artistas do sexo masculino. Ficou muito conhecida nos palcos por se apresentar e interpretar de jeito bem despojado, distante das outras bem comportadas cantoras que se espelhavam nas artistas internacionais.

Participando dos teatros de revista, Aracy Cortes tornou-se a primeira grande cantora da Música Popular Brasileira quando tanto o rádio, indústria fonográfica ou a mídia em geral apenas engatinhava no Brasil. Bem humorada e desbocada, suas brejeiras apresentações eram memoráveis, gerando incontáveis admiradores.

Surpreendeu a todos quando anunciou ao final da década de 20 que se casaria com o bailarino espanhol Pablo Palos, já que demonstrava ser duro na queda no ramo afetivo. A turbulenta união durou até seu único filho morrer, com apenas quatro meses.

Pioneira a atravessar o Atlântico para apresentações, excursionou por pela Europa em 1933 junto ao Oscarito na Companhia de Jardel Jércolis. Sua figura coloquial antecedeu Carmen Miranda, a quem se referia por toda a vida como “A outra”.

Fila na estréia de sua própria Companhia em 1931
Falando em rivalidades, o campo não era fácil nas escadarias espelhadas do teatro de revista. Qualquer empresário sabia que jamais poderia haver duas grandes vedetes no mesmo espetáculo, disputando a atenção do público.

 Era notório que Aracy não tinha temperamento dos mais fáceis. Por causa de um problema contratual, ela, já muito mais popular, teve que dividir o espetáculo “O Bode Está Solto” com Virginia Lane, o que transformava a plateia numa espécie de torcida partidária.

A memória registra que o samba na veia de Aracy, claro, suplantou as belas e maliciosas pernas de fora, ornadas por plumas de Virginia Lane. Só houve uma Rainha do Teatro de Revista.

Junto a seus holofotes surgiram nomes que se tronariam mitos da nossa arte, como Ary Barroso, Assis Valente, Clementina de Jesus e mais tarde, Paulinho da Viola. Dos primeiros sucessos destaca-se Jura, composição de Sinho, gravada por ela em 1928 (Ouça no player abaixo ou clicando aqui).


De origens controversas, “Linda Flor (Iaiá/Ioiô/ Ai, ioiô!)”, sob composição final de Luis Peixoto, ficou imortalizada em sua voz, embora também gravada um pouco antes, com a letra levemente alterada, por Chico Alves e Vicente Celestino. Depois, todas as cantoras respeitáveis do país a regravaram, de Isaura Garcia, Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso a Maria Bethânia, Alcione, Tetê Espíndola e Ná Ozzetti.

Em 1984, no show do projeto Linda Flor
Aracy a incluiria no histórico musical “Rosa de Ouro” de 1964 e ficaria tão marcada pela canção que sua biografia, escrita em 1984 por Roberto Ruiz, é subintitulada Linda Flor. “Rosa de Ouro” marcaria um logo hiato em sua carreira.

Só voltaria aos palcos em 1976, aos 72 anos, no show “Uma Rosa na Boca da Noite”, em que cantava, dançava e contava histórias de sua vida num vocabulário que a empresa 70's chamou de “ainda hoje bastante desbocado”. A mesma imprensa que a designava aquela altura como “talvez o mais consumado, temido e respeitado monstro sagrado de sua atividade profissional: o teatro de revista".

Faleceu em 1985, aos 81 anos, em sérias dificuldades financeiras. Mesmo com a gigantesca trajetória registrada nos anais da cultura brasileira, não conseguia provar à Previdência Social seus anos de trabalho...

A primeira imagem é um oferecimento Dr. Zem, a segunda e terceira Teatro e Revista Brasileira

Veja também:
Virgínia Lane pê da vida
Irmãs Castro: doce sabor da roça
Vida doméstica: Lindaura e Noel

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Pulp art: O Garanhão Italiano em espanhol

 A capinha mais legal de O Garanhão Italiano (Italian Stallion/The Party at Kitty and Stud's, 1970 de Morton Lewis) em VHS! E olha que existem muitas, inclusive em português.

Sylvester Stallone, El Semental Italiano, num estilo super-herói pulp. “Acorralado”, referência ali embaixo do titulo, deve ser Rambo em espanhol.

Este pornosoft ficou muito conhecido na década de 80 e 90 ao ser lançado no formato VHS, mas ele já era de conhecimento público desde os anos 70. Depois das 11 indicações ao Oscar de Rocky – Um Lutador (1976 de John G. Avildsen).

Stallone foi indicado duas vezes, como ator e roteirista. Ter um astro desse porte num pornô, mesmo que rodado, vários anos antes, nos tempos de vacas magras, era uma mina de ouro.

Há um trailer produzido (já off) nessa época (sem nudez), já citando a presença do “cara de Rocky” em cenas picantes. E precisa de muita boa vontade chamar aqueles hippies dançando pelados de “picantes”.

A última vez que ouvimos falar disso foi em 2010, quando os negativos supostamente originais estavam sendo vendidos no Ebay (relembre clicando aqui). O comprador anônimo desembolsou US $ 412,100.00!

 Nada mal para uma película cujo astro principal (e único motivo para gerar algum interesse em tal bobagem), recebeu apenas 200 dólares de cachê.

A primeira imagem é um oferecimento El Videoclub


Veja também:

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Ficção científica 80’s virará série de TV

Força Sinistra (Lifeforce, 1985 de Tobe Hopper), ficção científica produzida no embalo do cometa Halley, virará uma série de TV. Os direitos do romance original (The Space Vampires) foram adquiridos para ser explorado na televisão.

O filme do mesmo diretor de O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chain Saw Massacre, 1974) foi um fracasso de bilheteria, mas muito famoso nas reprises da TV. Mais pela alienígena que anda por aí pelada sugando as energias dos outros do que pela história do filme em si, que se torna um tanto quanto cansativa, relembre clicando aqui.

A trama não tem nada de excepcional com muitos pontos exaustivamente explorados em outros filmes. Astronautas estudando o cometa cruzam com criaturas aparentemente mortas e muito bem conservadas no interior de uma espaçonave abandonada.

Resolvem trazê-las pra serem estudadas aqui na Terra e o resto já se imagina o que acontece. fartura de nudez gratuita e cadáveres ressecados.

O tratamento televisivo deve manter o título "Lifeforce", a ser explorado também em graphic novel, videogames entre outras mídias.

Veja o que aconteceu ao Bebê de Rosemary...

 ...Nada! O inferno é morno levando em conta as expectativas de “Look What's Happened to Rosemary's Baby” (1976 de Sam O'Steen), sequencia produzida para a TV de O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, 1968 de Roman Polanski).

Curiosamente, a trilogia A Profecia (1976, 1978 e 1981), claramente calcado no filme de Polanski, desenvolve muito melhor os rumos do anticristo na Terra. O caminho mais lógico seria alçar um cargo público.

No telefilme oficial, que começa exatamente do ponto onde o filme acabou, Rosemary promete cuidar do garoto, foge com o filho, mas é roubado anos depois pela seita. Ela entra num ônibus sem motorista (!!!) e sabe Deus (ou o capiroto) onde foi parar.

Criado por uma dançarina exótica, Adrian não quer saber de nada com nada. Tem um ponto que ele aparece de maquiagem que lembra a do Tim Curry em The Rocky Horror Picture Show (1975 de Jim Sharman), o que sugere que se tornaria um pop star, mas que nada!

É tanta apatia que os bruxos, que tanto fizeram pra gerá-lo, cogitam matar sua cria. Tudo aquilo que a Rosemary passou foi pra nada?

Do elenco original sobreviveu a Ruth Gordon repetindo sua Minnie Castevet (Papel laureado com o Oscar em 1969). O ator Sidney Blackmer, interprete do poderoso Roman Castevet, já havia falecido e foi substituído pelo grande Ray Milland.

Ao invés de Mia Farrow, a pobre Rosemary é vivida pela ex-atriz mirim Patty Duke. Como Marido, agora um famoso astro em Hollywood, sai John Cassavetes, entra George Maharis, ex-galã teen 60’s.

Sam O'Steen foi diretor de alguns poucos telefilmes como este, mas teve uma carreira longa no cinema como editor, chegando a ser indicado três vezes ao Oscar. Montou inclusive o Bebê de Rosemary , mas não deve ter prestado muita atenção.

Veja também:
Não diga! Joan Crawford iliminada de O Bebê de Rosemary!!!
A poderosa raiz de tannis

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Winona Ryder diz que estará em Beetlejuice 2

E a ideia de Beetlejuice 2 começa a parecer menos estapafúrdia. Winona Ryder se junta a Tim Burton e Michael Keaton na sequencia de Os Fantasmas Se Divertem (Beetlejuice, 1989 de Tim Burton).

A atriz confirma que volta como Lydia Deetz, um dos primeiros sucessos de sua carreira (assim como do diretor Tim Burton). Esclareceu que está sob um tipo de juramento de sigilo, mas que não se tratará de uma refilmagem, mas continuação mesmo, ou seja, mostrará o que aconteceu aos personagens 27 anos depois.

Os boatos sobre esse filme começaram a surgir há muito tempo até pelos bons lucros que gerou à Warner. Ryder diz entender a torcida de nariz de muitos fãs do filme original ao projeto, mas que ela provavelmente não teria embarcado sem as presenças de Tim E Michael.

Lembrando que no final do primeiro a garota gótica e seus pais yuppies nova-iorquinos passam a viver em harmonia com os residentes fantasmas. Betelgeuse está preso ao burocrático universo do pós-vida.

Não há notícias ainda se Geena Davis, Alec Baldwin ou outro remanescentes estarão no novo filme. Ainda do elenco original, a veterana Sylvia Sydney (Juno, a chefona do além) e Glenn Shadix (gordinho místico Otto) já faleceram.

A garota mais censurada em Hollywood

E indiretamente Jane Russell e o produtor diretor Howard Hughes lucraram com a moral e bons costumes do inicio da década de 40. O título O Proscrito (The Outlaw, 1943) ajudou a fomentar a imaginação da plateia da época por anos a fio até poderem realmente assisti-lo.

Finalizado em 1941 o filme só seria exibido em 1943 na tentativa de escapar dos muitos cortes impostos pelo órgão regulador formado pelos próprios estúdios. Com 115 minutos (a metragem que temos na maioria das edições em DVD) chegou a ser exibido em alguns estados, mas logo recolhido pelo próprio Hughes que não queria retalhar ainda mais a película.

Seria relançado em 1946 com furor público! O dono de um cinema de São Francisco foi preso por exibir fita "ofensiva à decência" o que causou o banimento em muitos lugares, incluindo Nova York.

Ainda assim, o filme continuou sendo exibido pelos EUA e ganhando muito dinheiro. A estreante Jane Russell tornou-se estrela embora seus atributos físicos, explorados à exaustão para promover O Proscrito, fossem muito mais comentados do que qualquer aptidão dramática.

De picante mesmo o filme tinha sua figura sexy, revolucionária como o primeiro papel feminino num faroeste. Antes as mulheres eram figuras meramente ilustrativas, sem interesse relevante às histórias de cowboys.

Entre os mitos que surgiram está o de que Howard Hughes, também aviador, usou seus conhecimentos de dinâmica para projetar seu sutiã, semelhante aos que existem hoje. Russell confirmava isso, mas dizia que não o usou em cena, porque ele não pediria pra conferir.

 Com todos os entraves com a censura explorados pela imprensa e Hughes gastando os tufos em promoção, Jane Russell ficou conhecidíssima sem nunca ter sido vista no cinema. Só voltou a trabalhar em outras produções a partir de 1946.

Veja também:
Jane Russell no cúmulo da voluptuosidade
A classificação dos filmes de Hollywood
Howard Hughes: A garota esquecida do harém

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Quando a maconha estreou no horário nobre

A feitura de um baseado de maconha foi vista na TV pela primeira no capítulo 39 da novela Água Viva, exibida na TV Globo em 1980. Atualmente ela é reprisada no canal pago Viva.

O ator Fernando Eiras aparece bolando um cigarro passo a passo enquanto conversa com Maria Padilha e Gloria Pires no apartamento do núcleo jovem. A cena acaba com o rapaz convidando Sandra (Gloria Pires) para ir ver o “novo filme da Jane Fonda”.

Poderia ser um singelo cigarrinho de palha se numa das sequencias anteriores a Beatriz Segall (a vilã Lourdes Mesquita, que foi até lá procurar o filho) não tivesse esbravejado contra o ambiente hippie. Mas o fumacê não acabará por aí!

A coluna “As Novelas Ontem” do jornal A Folha de São Paulo registrou a seguinte nota em 03 de junho de 1980 (desfoquei as últimas linhas pra esconder spoilers).
Parece que será mais explícito e no apartamento do Doutor Miguel Fragonard! Hare Krishna no lugar do costumeiro Tristão e Isolda e como bem disse um amigo meu, menina Sandrinha já é lenta, agora ela para de vez...

No capítulo 39 foi tão displicente que escapou aos olhos da imprensa e, consecutivamente, da censura. Assim como outros temas “modernos” expostos por Água Viva (falei a respeito deles aqui antes, leia), mais de três décadas depois continua sendo tabu na TV e na sociedade.

Cena de Dancin' Days, 1978
Gilberto Braga, o autor, já havia explorado o tema de forma ainda mais sutil na sua novela anterior, Dancin’ Days de 1978. Também com a personagem de Gloria Pires, que no caso se chamava Marisa.

Mimadinha, criada pela tia rica e malvada (Joana Fomm), a garota entra em parafuso ao descobrir que a mãe biológica é a ex presidiária simpática que a rodeia. Passa a usar roupas indianas e enche seu apartamento de cabeludos esquisitos.

Marisa fica deitada num pufe ouvindo som psicodélico e qualquer um que tenta puxar assunto ela diz “Escuta o som! Escuta essa guitarra, esse Cara é fera!!!”. Nenhuma menção a cigarro algum é dita ou mostrado uma fumacinha de incenso que seja, mas entendemos o que acontece ali.

Veja também:
Grã fina com hábitos de pedreiro
Valia tudo nos dias dançantes

Ken nos pulsantes anos 70

E nem sempre o Ken teve o cabelo agarrado na cabeça, conforme ficou celebrizado em Toy Story 3 (2010 de Lee Unkrich).  Mod Hair Ken transformava o galã da Barbie no suprassumo do style 1973.

Assista ao comercial no player acima ou clicando aqui. O boneco de gola rolé acompanhava dois modelos de bigode, costeletas e cavanhaque, pra ele ir mudando o visual conforme o espírito do dia (creio que cavanhaque mais costeletas formava barba, mas barba era uma coisa então meio fora de moda) .

De bigode ele viraria o cara mau e apenas de costeletas é o herói que salva a garota! De qualquer jeito, parece pronto pra caminhar pela “42nd Street” atrás de aventuras junto ao Ken Black (que havia sido lançado em 1969).

Ken nunca teve a aparência tão marcante de uma época. O brinquedo ainda promovia para as meninas uma rara interação com esses itens tão masculinos.

Adultas, nunca mais tiveram que decidir sozinhas entre bigode ou cara limpa, caso não se tornem drag kings, claro. Nessa hipótese, muito velcro dos bigodes foi colado na cara da Barbie (~Tudo o que você quer ser~)...


As imagens são um oferecimento Man behind the doll e Wipwapweb.

Veja também:

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

20 anos de Arquivo X: 20 verdades que estão lá fora


Duas décadas correram desde que Arquivo X (The X-File) estreou na TV fazendo uma mistura de Twin Peaks com Além da Imaginação (The Twilight Zone). Durou nove anos suadinhos, mas com momentos espetaculares (1993 – 2002).

Abaixo 20 curiosidades que talvez você não saiba, talvez tenha esquecido e gostaria de relembrar. Algumas informações ajudam a contar a trajetória do programa.

1- O filme favorito do Agente Fox Mulder é Plano 9 do Espaço Sideral Plan 9 from Outer Space (1959 de Ed Wood).

2- O famoso acorde do tema de abertura foi um acaso. Mark Snow acidentalmente descansou o cotovelo no teclado que estava na função “echo”, gostou do resultado e compôs toda a música em torno dele.

3- David Duchovny originalmente sugeriu Jennifer Beals , atriz de Flashdance (1983 de Adrian Lyne ) para ser a Agente Scully. Eles haviam sido colegas na universidade.

4- Todas as vezes que Gillian Anderson foi indicada ao Globo de Ouro pela série (de 1996 a 1999), David Duchovny também foi categoria correspondente. Ambos ganharam em 1997.

5- Ao Emmy, Duchovny foi indicado apenas em 1997 e 1998 e sua parceira de 1996 a 1999. Gillian Anderson recebeu o prêmio máximo da TV por Arquivo X em 1997.

6- No áudio em português brasileiro, a voz que lia as frases que apareciam na abertura (atividade paranormal, A verdade está lá fora, Arquivo X, etc.) e o título dos episódios é a mesma de Homer Simpson, também exibido no canal Fox. Serviço do ator e dublador Valdir Santana, famoso nos anos 80 como capataz de Sinhozinho Malta na novela Roque Santeiro.

7- A série foi filmada no Canadá até a quarta temporada pelo clima úmido e por ser mais barato. Vários atores locais são vistos em papeis diferentes.

8- Bruce Campbell, ator de Evil Dead (1981 de Sam Raimi) fez teste para ser o Agente John Doggett, papel que ficaria com Robert Patrick. Campbell estreou um divertido episódio na sétima temporada.

9- Nos crachás do FBI que aparecem na abertura está escrito “Federal Bureau of Justice” ao contrário do lógico “Federal Bureau of Investigation”. Seria ilegal, mesmo para um programa de TV, reproduzi-los.

10- Grávida no início da segunda temporada, Gillian Anderson voltou a trabalhar como Dana Scully apenas 10 dias após dar a luz. A gravidez acabou se tornando importante mote na mitologia central da série.

11- A atriz Anne Elizabeth Gish, que interpretou a Agente Monica Reyes nas derradeiras temporadas, não é parente da lendária atriz do cinema mundo Lilian Gish. Ela diz que pertence a “galhos distantes da mesma árvore genealógica”.

12- O site do FBI cita a série na sessão que tenta desmistificar mitos relacionados a eles. Assumem que têm registros estranhos em seus arquivos, mas estão longe de investigar como no programa. Eles não têm arquivos secretos. A série publicava um aviso no final de cada episódio deixando claro que o FBI não tinha relação alguma com eles.

13- Mulder, assim como os investigadores de romances policiais pulp, tinha o hábito de mastigar petiscos. No caso dele eram sementes de girassol.

14- Os contratos de elenco e produtores seriam para cinco temporadas. Convencidos pela Fox gravaram duas e depois outras duas temporadas. Assim, a série teve dois “desfechos” mal sucedidos além do final em 2002, o que alterou consideravelmente os rumos da mitologia, encerrando e criando novos arcos.

15- O piloto exibido em 10 de setembro de 1993 alcançou 12 milhões de telespectadores nos EUA. O último episódio exibido com pompas de grande evento em 19 de maio de 2002 atraiu 13 milhões de telespectadores.

16- Distribuído em VHS em reedições de alguns episódios (dando certo sentido como filmes) desde 1996 inclusive no Brasil, teve todas as temporadas posteriormente lançadas em DVD em boxes por ano e em caixas com todos os episódios. Ainda teve os discos vendidos separadamente em bancas de revistas junto a fascículos.

17- Os Pistoleiros Solitários (The Lone Gunmen) é o único spin-off televisivo de Arquivo X (desconsiderando Millennium), no ar em 2001. Protagonizado com um tom bem humorado pelos ajudantes hackers de Scully e Mulder a série foi cancelada no mesmo ano.

18- Lucy Lawless, uma estrela após o sucesso de Xena, ganharia um papel fixo, mas foi afastada por ter uma gravidez de risco. Sua sensual aparição em dois episódios acabou ficando uma participação especial.

19- Foram lançados três discos contendo entre música compostas para a série e compilações: “Songs in the Key of X: Music from and Inspired by the X-Files” (1996), “The Truth and the Light: Music from the X-Files” (1996) e The X-Files: The Album (1998).

20- David Duchovny dirigiu três episódios: “The Unnatural”( S06E19), “William” (S07E16) e “Hollywood A.D.”( S07E19). Gillian Anderson teve sua única experiência dirigindo no sensível “All Things” (S07E17).

 Fontes básicas: IMDB, Wikiepédia 

A primeira imagem é um oferecimento Parade

Veja também:

Pausa para nossos comerciais


Prists não faz biquinis. Em compensação Prists faz a dona do biquini olhar para você com muito mais entusiasmo. Não é melhor assim?

Short masculino de banho com cintinho! Do tempo do biquíni de bolinhas, como percebe-se pela atenciosa moça ali embaixo...

Cinto na cintura, tecido grosso, areia e água salgada deviam ser uma combinação maravilhosa no final do dia. Antes da aderente Lycra facilitar a vida de meio mundo...

Lycra seria deposta de seu trono ensolarado só em meados dos anos 90 por aquelas bermudas de teckel. As teimosas bermudas de teckel ainda vistas aqui e acolá, mas tão sem graça.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Prato preferido de Vadinho


Ipsis litteris a receita conforme publicada em 1966 no livro Dona Flor e Seus Dois Maridos de Jorge Amado, adicionados aqui apenas os grifos. E a gente lê inevitavelmente ouvindo na nossa cabeça a voz da Sonia Braga....

 RECEITA DE DONA FLOR: MOQUECA DE SIRI MOLE

Aula teórica: INGREDIENTES (para 8 pessoas): uma xícara de leite de coco, puro, sem água; uma xícara de azeite de dendê; um quilo de siri mole. Para o molho: três dentes de alho; sal ao gosto; o suco de um limão; coentro; salsa; cebolinha verde; duas cebolas; meia xícara de azeite doce; um pimentão; meio quilo de tomates. Para depois: quatro tomates; uma cebola; um pimentão.

Aula prática: Ralem duas cebolas, amassem o alho no pilão; cebola e alho não empestam, não, senhoras, são frutos da terra, perfumados.
Piquem o coentro bem picado, a salsa, alguns tomates, a cebolinha e meio pimentão. Misturem tudo em azeite doce e a parte ponham esse molho de aromas suculento.
(essas tolas acham a cebola fedorenta, que sabem elas dos odores puros? Vadinho gostava de comer cebola crua e seu beijo ardia). 

Lavem os siris inteiros em água de limão, lavem bastante, mais um pouco ainda, para tirar o sujo sem lhes tirar porém a maresia. E agora a temperá-los: um a um no molho mergulhando, depois na frigideira colocando um a um, os siris com seu tempero. Espalhem o resto do molho por cima dos siris bem devagar que esse prato é muito delicado. (ai, era o prato preferido de Vadinho!) 

Tomem de quatro tomates escolhidos, um pimentão, uma cebola, tudo por cima e em rodelas coloquem para dar um toque de beleza. No abafado por duas horas deixem a tomar gosto. Levem depois a frigideira ao fogo. (lá ele mesmo comprar o siri mole, possuía freguês antigo, no Mercado...

Quando estiver quase cozido e só então juntem o leite de côco e no finzinho o azeite de dendê, pouco antes de tirar do fogo. (Ia provar o molho a todo instante, gosto mais apurado ninguém tinha).

Ai está esse prato fino, requintado, da melhor cozinha, quem o fizer pode gabar-se com razão de ser cozinheira de mão cheia. Mas, se não tiver competência, é melhor não se meter nem todo mundo nasce artista do fogão. (Era o prato predileto de Vadinho nunca mais em minha mesa o servirei. Seus dentes mordiam o siri mole, seus lábios amarelos do dendê. Ai, nunca mais seus lábios, sua língua, nunca mais sua ardida boca de cebola crua!) 
Do livro Dona Flor e Seus Dois Maridos de Jorge Amado


A aula intercalada aos devaneios saudosistas da Dona Florípedes abre o apetite para tentar encarar o livro é um primor. Difícil será desassociar do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976 de Bruno Barreto).

Na adaptação cinematográfica  a receita tem bastante destaque, mas é abreviada durante as lembranças da protagonista pós velório. Resumida é ainda um bônus do DVD distribuído pela Paramount.

Parte do texto original reaparece durante a aula de culinária em que Vadinho acaricia as nádegas das alunas. Mas aí a receita é de quibebe de camarão e depois sarapatel, não incluídas na obra original.

Não sei se ela se mete atrás de um fogão de verdade, mas Sonia Braga ficou tão célebre como cozinheira (por Dona Flor e Gabriela) que fez muitos anúncios na TV de produtos culinários, além de ilustrar capas de livros e revistas de receitas. Hoje seria convidada pra fazer uma visitinha ao Mais Você...

Veja também:
Related Posts with Thumbnails