segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Pausa para nossos comerciais

“Tempos atrás, ela jamais se imaginaria vendo uma peça de Eurípedes.” – Rede Globo
“Na sua curta história, a televisão teve a sua fase de conquista de audiência.
Foi a época das concessões. Foi a época em que ela sofreu mais críticas, também.
Mas era uma etapa necessária.
Sem espectadores torna-se impossível fazer qualquer tipo de televisão. Boa ou má.
Felizmente, para a Rede Globo a época das concessões já acabou. O espectador brasileiro começa a se cansar do popularesco, exigindo mais.
Quem imaginaria, anos antes, que uma peça de Eurípedes — Medeia, em versão atualizada — pudesse bater, em todos os níveis de audiência, um programado tipo popular?
E o mesmo está acontecendo com Dostoievsky, Molière, Gogol ou Guimarães Rosa.
Resultados como esse é que animam a Rede Globo a continuar a desenvolver um trabalho de renovação, que tem apenas oito anos de existência, possibilitando uma televisão cada dia melhor.”
Enfim, a elitizada na programação da Globo no começo dos anos 70 (1973 pra ser mais específico) foi notória e divulgada. Anúncios como este nas revistas deixavam claro que a emissora do Roberto Marinho era diferente, mas também é uma indireta bem direta a alguém.

Em 2011, época em que lançou sua biografia, o Boni, diretor artístico da emissora por décadas, lembrou do atrito que aconteceu com o Chacrinha, que insistia em fazer TV pro povão no começo dos 70. Culminou no afastamento do apresentador, que só voltaria ao canal muitos anos depois, relembre clicando aqui.

“A audiência a todo custo não interessa” diz o ex Todo Poderoso até hoje. E assim, nasceu o chamado “Padrão Globo de Qualidade”, um diferencial que se tornou mais maleável desde a década de 90.

Em tempo, a Medéia a que se referem foi um Caso Especial com o texto de Eurípedes adaptado por Oduvaldo Viana Filho, dirigido por Fabio Sabag e protagonizado por Fernanda Montenegro. Exibido no mesmo horário que o Programa do Chacrinha, agora na Tupi, conseguiu alcançar 20 pontos de audiência.

E ao mesmo tempo em que este anúncio mostra a sempre bem vinda tentativa de se fazer TV de qualidade, também exala certo ranço elitista. Embora a mensagem pareça ser clara ao Velho Guerreiro que deixou a emissora , e se referia ao “popularesco”, ainda assim parece que cultura popular é menor, desmerecedora de ser exibida na tela da TV.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Spartacus volta em versão estendida

O canal Starz anuncia para o dia 26 de outubro a reexibição da série Spartacus em versão uncut. A promessa é de que agora terá mais sangue, nudez entre outras sequencias inéditas.

Receberão o material extra as três temporadas e a minissérie, produzida quando o primeiro protagonista adoeceu. Uma versão sem cortes para uma série é algo bastante incomum, ainda mais por se tratar de algo que acabou há tão pouco tempo.

Sem falar que os episódios já eram bastante adultos, por assim dizer. O que mais pode ter num programa de TV além de nudez frontal feminina e masculina, tripas e dilacerações em meio a batalhas selvagens jorrando litros de sangue?

A ideia cheiraria completamente desnecessária se a última temporada, que foi ao ar no começo deste ano, tivesse sido satisfatória. Arrastada, sem a maioria do elenco principal, foi duro de chegar até o fim, até porque, todos nós já sabíamos qual seria o fim.

Então, podemos sonhar em ver “War of the Damned  finalmente com aquele sabor pop (pra não dizer esculhambado) dos dois primeiros anos e menos blablablá pomposo. Spartacus não nasceu para ser Game of Thrones. Ave, Spartacus!

Veja também:
Spartacus no século XXI
Sangue de Spartacus tem poder!


[Ouvindo: Vuelvo Al Sur – Astor Piazzolla]

O coração quebrado de Jennifer Gray

Em uma imagem todo a minha preguiça diante de romance. Esse draminha aí foi publicado em 40 e alguma coisa, mas poderia estar ainda em horário nobre na TV. Em 2013!

É sempre aquele mesmo prenuncio de “Futuro de lágrimas”. Mas no final dá tudo certo, viu Jennifer?

A imagem é um oferecimento eBay
Veja também:
Top 10 filmes de moça


[Ouvindo: Mata-Me Depressa– Núbia Lafayette]

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A palavra é: Gorgota!


Bem aventurada seja nossa amada última flor do Lácio. Sempre com palavras obscuras que a gente sabe o que é, mas não ligava o nome à pessoa, como "gorgota".


Imagino que a expressão gorgota tenha surgido em algum cais do porto, embora o Houaiss diga que sua etimologia seja desconhecida. Consecutivamente me fez lembrar de Querelle, Franco Nero, Jean Genet....

E procurei no acervo da Folha e há incidências da palavra desde 1924, mas nenhuma que eu tenha visto se encaixa na definição aí do dicionário. Dona Bela, a senhora já conheceu uma gorgota?

A primeira imagem é um oferecimento apoteosi248
Veja também:
O pato potoqueiro
A língua portuguesa na caixa de pandora

As Certinhas do La Dolce

Charlotte Rampling


Dourada
Um oferecimento Listal


[Ouvindo: Ticket To Ride – John Keating Sound]

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Lovelace: Faça amor, não faça cinebiografias

O fato de Linda Lovelace ser lembrada em meio a essa febre de cinebiografias de celebridades é ponto positivo. Extremamente popular em sua época, na posteridade acabou se tornando conhecida apenas por um nicho cult

Lovelace (2013 de Andy Bellin) também possui a qualidade de ser leve, feito para um grande público. Mas tão leve que em nenhum momento emociona, ou tem tempo de desenvolver qualquer empatia com a personagem principal.

Escorrega ainda no maior pecado destes filmes baseados em pessoas famosas: Conta geralmente apenas um lado da história. O maior prejuízo disso é apresentar personagens rasos, que não nos entregam muito mais do que já estamos carecas de conhecer.

Sua existência talvez ainda seja um oportuno eco do estrondoso sucesso que Garganta Profunda (Deep Throat de Gerard Damiano) conquistou no longínquo ano de 1972, muito além de fazer justiça com sua atriz. Perdeu-se a chance de desmistificar não só o lendário filme, mas toda época, assim como o gênero pornô que tinha um significado muito distinto em relação a outras épocas.

O roteiro dá a entender que Garganta Profunda lucrou muito porque Linda Lovelace praticou muito bem a modalidade que dá nome à fita. Aliás, boa parte das reconstituições é justamente da celebre sequencia em que o doutor Young descobre a exótica localização do clitóris da moça.

Sabemos que filmes pornôs sempre existiram e que o estrelado por Lovelace teve a audácia de incluir uma história de humor cínico e socialmente crítico entremeado por cenas de sexo. Transformou sua protagonista em estrela assim como alavancou uma industria ao ponto do X-Rated ultrapassar a fronteira das salas de cinema para adultos e ser encarado como um gênero como qualquer outro.

Mas isso tudo não está em Lovelace, da mesma forma que Hitchcock dirigido por Sacha Gervasi em 2012 minimizou não só o mestre Alfred Hitchcock como a feitura de Psicose (Psycho, 1961). E é por essas e outras que essas cine biografias que estreiam aos borbotões começaram a feder.

E quanto ao elenco, brincou que Amanda Seyfried, toda branquinha, magrelinha e frágil poderia se passar por Linda Lovelace... Adam Brody de Harry Reems, Debi Mazar de Dolly Sharp? Todos com carinha de gente bem criada, muito longe do underground californiano.

Se além de tudo isso ele tivesse uma reconstituição de época espetacular? Não tem! Pelo tema, pensamos no fantástico Boogie Nights: Prazer Sem Limites (Boogie Nights, 1997 de Paul Thomas Anderson) e seu perfeccionismo em reproduzir clássicos pornôs dos anos 70, conforme você confere clicando aqui.

Lovelace contêm-se apenas em reproduzir trechos de Garganta Profunda e mesmo assim erra em quase todas as vezes. Erros como incluir um técnico de áudio durante as filmagens da cena de abertura dentro do carro quando não havia áudio, a detalhes de figurinos, cabelo, maquiagem, cenários, ângulos...
Ainda tem uma trilha sonora não mais do que banal. Nem de longe lembra todo aquele suingue e malícia de “Love Is Strange”

E com todos os poréns, importante dizer que Lovelace é um filme indolor. Pra quem não se importa com cinema (que é diferente de gostar de ver filmes), não leva em conta a existência da figura retratada ou que não tenha curiosidade sobre o período pode achar o filme direitinho.

Veja também:
Nem tudo foi mar de rosas no pornô 70’s
Carbono erótico: Incrível reprodução de Boogie Nights
Inspiração profunda: Garganta Profunda no imaginário pop 70's
Harry Reems, o doutor de Garganta Profunda
Garganta Profunda, sinos e jorrões
A música de garganta Profunda


[Ouvindo: Os Ricos Também Choram (Sombra) – Sara Regina]

terça-feira, 24 de setembro de 2013

BBC recorda data histórica de Doctor Who

A TV estatal britânica BBC lembrou que no dia de hoje (24 de setembro) em 1963, começavam as filmagens do primeiro episódio de Doctor Who, portanto, o programa chega exatamente aos 50 anos. Na histórica cena aparecia a TARDIS (a cabine policial utilizada como nave/máquina do tempo) num cenário desértico junto a uma sombra.

Trata-se da sequência final de "An Unearthly Child". O 1º Doctor, sua neta Susan (!!) e dois professores dela aterrissavam a milhares de anos atrás, mas isso só saberíamos no próximo episódio.

Um pequeno passo para a BBC, um salto gigantesco para fãs de fantasia, história, filosofia, suspense e ficção científica em todo planeta. Estava começando aí uma das mais duradouras e criativas séries já criadas que duraria no ar até 1989 e após hiato de 16 anos, voltaria em 2005 permanecendo até agora em 2013 tornando-se fenômeno novamente, juntando gerações de ávidos telespectadores.

A página oficial do programa lembra que a partir da data celebrada hoje “uma linha foi cruzada, estamos agora exatamente em 50 anos desbravando em torno do espaço e do tempo com um estranho enigmático, e isso é um tempo ridiculamente longo. Nos 50 anos antes de "An Unearthly Child" houve duas guerras mundiais, os loucos anos vinte, a Grande Depressão, surgiu o rock 'n' roll, o surgimento dessa coisa que chamamos de "adolescente", e a introdução destas interessantes caixas azuis da polícia nas ruas das cidades britânicas”.


“Nos anos seguintes”, continua o artigo, “tivemos o swing 60’s, hippies, punks, yuppies, ravers e góticos, Watergate, o Vietnã, o movimento pelos direitos civis, um homem na lua, a internet e o design da caixa azul tem servido mais anos como (máquina do tempo e) nave espacial do que jamais foi como uma cabine telefônica.”.

E diante de tudo isso, fãs (ou Whovians), sem poderem ir até lá, imaginam como será o mundo quando mais 50 anos, ou um século de Doctor Who se concretizar. Falando em Whovians, a lista das celebridades é interessante.

 Entre os ilustres estão Bob Dylan,Simon Pegg, Steven Spielberg e até o ator David Tennant que acabou interpretando o 10º Doctor, um dos melhores. Ah, sim! Dizem que Sua Majestade Rainha Elizabeth II e o Príncipe Charles são telespectadores assíduos do programa.

O último episódio até aqui (The Name of the Doctor ) aguçou bem a curiosidade de todos eles, preparando para o especial de 50 anos, “The Day of the Doctor”, que estreia em 23 de novembro simultaneamente para vários países (inclusive Brasil). "The Name of the Doctor" foi o primeiro a colocar um personagem da fase moderna interagindo com personagens da fase clássica.

Uma das coisas mais fascinantes de Doctor Who é que quando a série retornou em 2005 não optaram por um reboot ou um prequél, que seria comum aos norte-americanos quando reaproveitam produtos de antigo sucesso. Deram continuidade e vão alinhavando todo o universo dos arcos já exibidos, brincando com o tempo e espaço reais e da ficção.

A primeira imagem é um oferecimento dalekdom-fanart

Veja também:
Londres de Dr. Who para turistas (e Daleks?)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Gênio gastronômico cria o McTudo

Com pouco menos de 200 dólares sobrando, Nick foi até uma loja do McDonalds nos EUA e pôs em prática sua extravagância: O McEverything. Que, como se percebe na foto, vai muito além do nosso popular X-Tudo.

Na verdade foram gastos U$ 141,33, algo em torno de R$ 310, e mais bambus que serviram de base para encaixar os 43 sanduíches. Ele conta no site Dude Food que acalentou essa ideia por três anos até colocá-la em prática.

Seu maior temor era que a gerência se recusasse a fazer as dezenas de sanduíches diferentes de uma só vez. Isso não aconteceu, embora foram necessários todos os funcionários presentes para realizar apenas o seu pedido.

Por mais estúpida que a ideia seja eu gostei de sua explicação. Do mesmo jeito que tem gente que gasta bastante para perseguir tubarões ou subir ao cume de uma montanha desafiando a morte, a proeza econômica dele é juntar hambúrgueres.

E não dá pra ler tudo isso sem pensar numa edição brasileirinha. Precisaria ser adaptado já que não temos 43 sanduíches diferentes no McDonalds e levando em conta que qualquer sandubinha de pão murcho sai por umas 20 Dilmas, a façanha custaria muito mais.

Veja também:
O que se passa com a patota do Ronald?
 Veja o dono do sobrenome McDonald

[Ouvindo: Smart Patrol/Mr. DNA – Devo]

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Nas garras do Rock N Roll

Olha! Assim como os livros, jamais julgaremos um cantor pela capa. Almofadinhas também faziam rock, que o diga Billy Devroe.

Ele se especializou, aliás, a adicionar um pouco a mais de picardia no ritmo do diabo. Ouça a sugestiva The Buttercup no player abaixo, (ou clicando aqui).

E voltando à capa de Broad Minded, melhor representação gráfica de tolerância não deve haver... Geralmente me irritam as associações dela com qualquer garota 60’s que tenha aquele penteadão.

Mas veja, a moça indignada tem cabelo curto e mesmo assim é muito parecida! Seria a finada Amy Winehouse uma viajante do tempo tal e qual o patrício Doctor Who?

A imagem é um oferecimento Anorak

[Ouvindo: Mini Skirt – Orchester Lou Castell]

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Um quadro, dois filmes, uma vida

Frame de Boêmio Encantador (Holiday, 1938 de George Cukor)
Frame de Os Amores Secretos de Eva (Queen Bee, 1955 de Ranald MacDougall)

Como muitos atores da era muda do cinema, Luke Cosgrave está hoje esquecido. Sua filmografia tem a peculiaridade de possuir um filme com Katharine Hepburn e outro com a Joan Crawford sem nunca ter pisado nos sets deles!

Na década de 30 já estava com décadas de carreira, fazendo papéis de pouco destaque como velhinho. Aceitou posar para o departamento de cenografia da Columbia Pictures como o falecido avô da milionária família de Boêmio Encantador (Holiday, 1938 de George Cukor).

Cary Grant e o retrato de Cosgrave ao fundo
O filme é uma das comédia ligeiras estreladas por Hepburn e Cary Grant. O galã, ao entrar na mansão pela primeira vez chega a perguntar de quem é aquele retrato, ocasião em que o quadro recebe um close.

Até falecer em 1949 aos 86 anos, Cosgrave continuou trabalhando muitas vezes sem ser creditado . É dessa forma que aparece em ...E O Vento Levou (Gone with the Wind , 1939 de Victor Fleming) e Caminho Áspero (Tobacco Road, 1941 de John Ford), duas das produções mais conhecidas em que aparece.

Talvez justificando a fama da Columbia de ser o mais pão duro entre os grandes estúdios de Hollywood, foram reutilizar o tal retrato de Luke Cosgrave 17 anos depois. Ele decora um cenário de Os Amores Secretos de Eva (Queen Bee, 1955 de Ranald MacDougall).

Aparece lá na parede do conjugado de um dos quartos da mansão de Joan Crawford. E podemos dizer que mesmo no cinema mudo ele nunca teve tanto destaque na carreira quanto o conquistado com essa pintura a óleo!


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Carrão mais legal de James Bond é vendido!

Todo tipo de cacareco cinematográfico é leiloado depois, mas um carro de James Bond é um carro de James Bond. Aliás, o Lotus Esprit S1 não é apenas um carro, mas também um submarino!

Visto em O Espião Que Me Amava (The Spy Who Loved Me, 1977 de Lewis Gilbert), o veículo híbrido mais cool das telas alcançou na semana passada o lance de £ 616.000, algo em torno de R$ 2. 214, 836,45. Ao todo foram fabricados oito modelos para serem filmados.

De acordo com a casa de leilões RM Auctions, embora equipado com barbatanas e hélices (e seja o único dos oito a ficar totalmente fechado para submergir), não é funcional para fins aquáticos. Quem desembolsou mais de dois milhões de reais não poderá sair por aí e depois dar um role com ele no mar para se refrescar. Não me diga!

Interessante mesmo é a história anterior desse Lotus Esprit S1. O veículo foi encontrado em 1989 num depósito em Long Island (NY), daqueles que os americanos alugam para guardar qualquer tipo de trecos inúteis.

Esse tipo de negócio é muito comum nos EUA, país extremamente consumista. Depois de um tempo que a pessoa não paga o aluguel, leiloam tudo sem revelar o que tem dentro para quem dá os lances cegos.

Existe até um reality show disso chamado Quem Dá Mai$?, exibido no Brasil pelo canal A&E. Às vezes eles pagam mil dólares (O que pra eles é uma dinheirama) e ao abrir a porta e fuçar só encontram aparelhos de ginástica velhos.

O cara que encontrou o carro do 007 é um dos que tiveram o final mais feliz na história da prática. Sua intenção era encontrar provavelmente algumas ferramentas e, portanto deu o lance de 100 dólares...

[Ouvindo: I Happen To Like New York – Judy Garland]

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Divine em um pôster raro

E eis que das entranhas da internet (essa mãezinha infinitamente caridosa) surge isto. Um pôster incomum de A Louca Corrida de Ouro (Lust in the Dust, 1985 de Paul Bartel) com a Divine!

Na verdade é um teaser pôster, anunciando a futura produção. Repare inclusive como a postura dela com o Tab Hunter é semelhante ao que é visto em Polyester (1982 de John Waters), película anterior da dupla.

Duas coisas fazem esta imagem ser incrível! A primeira é o ineditismo do material pela película em si, publicado originalmente pelo usuário Cowbearuk do Flicker, tomei a liberdade de dar uma tratada para republicar aqui com mais qualidade.

A Louca Corrida do Ouro foi o filme errado na hora errada, satirizando faroestes quando o próprio gênero estava desacreditado, fazendo comédia com o que ninguém levava mais a sério. Hoje é muito mais conhecido (e querido) pelos atores do que por qualquer outro mérito cinematográfico.

O pôster oficial de A Louca Corrida do Ouro é o que você vê ao lado. A mesma arte com a fotografia do elenco foi utilizada mais tarde no VHS e agora em DVD, inclusive no Brasil.

Outro motivo que deixa este poster especial é por ser relativo à Divine. Artista alternativa, morreu em 1988 quando fazia a transição para o grande público (apareceria até na série Married with Children num papel masculino), portanto, não é todo dia que se cruza com algo nunca visto dela.

Diferente de Marilyn Monroe, por exemplo, que de tantas fotos e material promocional sempre há imagens pouco comuns dela sendo compartilhadas na web. Muito mais do que várias celebridades ainda vivas, aliás.

Veja também:
Divine em momento Jennifer Jones

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Spielberg liderou reclamações do SAC

Daquelas coisinhas que a gente lê e perde um pouco mais a fé na inteligência da humanidade. Sabe a fotografia desgastada de O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, 1998 de Steven Spielberg)?

Por motivos estéticos, Spielberg reduziu em 60% a cor do filme. Segunda Grande Guerra, etc. e tal...

 Mesmo assim, consta que após uma ou duas exibições na TV paga (Directv entre as operadoras), tiveram que alterar os matizes para algo mais próximo do comum. Os centros de atendimento ao consumidor receberam saraivada de ligações com telespectadores reclamando da qualidade da imagem!!!

O filme ganhou 5 Oscares, essa aparência foi super comentada na época e virou tendência por longos anos até em editoriais de moda. O que faziam os telespectadores enquanto isso?

Isso se soma aquele outro post dos que devolveram o VHS de Gremlins 2 - A Nova Geração (Gremlins 2: The New Batch, 1990 de Joe Dante) porque estaria com defeito quando os monstrinhos atacam a película. Relembre clicando aqui.

Comigo mesmo, já contei isso aqui inúmeras vezes. Fui ver Planet Terror (2007 de Robert Rodriguez) e a bilheteira pediu desculpas e gentilmente avisou que a cópia deles estava muito ruim, cheia de riscos e que muitos estavam reclamando.

Com O Artista (The Artist , 2011 de Michel Hazanavicius), tinha gente reclamando em páginas de torrents que o arquivo estava vindo com defeito, sem áudio. E a gente achou que fosse brincadeira...

Veja também:Todos os VHS de Gremlins 2 teriam defeito!Um filme para cada perfil
Sexta à noite na TV

[Ouvindo: Oglan, Oglan / Pinar Basi Ben – Özkartal, Hüsnü Orkestrasi]

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Gloriosa Darlene do cinema brasileiro

“Herculaaaaano! Herculaaaaano! Vês-me? Estou na capa da Veja!”, diria a prostituta Geni, enfim feliz por ter conquistado a respeitabilidade burguesa. Darlene Glória louvada com o sucesso de Toda Nudez Será Castigada (1973 de Arnaldo Jabor).

Nas plateias lotadas dos cinemas, donas de casa penalizadas com frases como “Tomara que nasça um câncer no meu seio. Bem grande!”, senhores suburbanos tiravam chacota da penalizada meretriz. A revista conta que só no Rio arrecadou em suas duas primeiras semanas de exibição 1, 1 Milhão de Cruzeiros.

Não precisamos fazer continha nenhuma pra ser o quanto isso valia de dinheiro. A matéria nos ajuda informando que o filme estava lucrando mais dos que Love Story (1970 de Arthur Hiller).

Outra: Foram sete páginas contando a trajetória da atriz até ali e apenas um quadrinho elogiando o trabalho de Jabor, que havia “saído do túnel do hermetismo”. Enfim, tínhamos uma estrela com legitimo aplomb de diva de cinema.

Recordam inclusive de quando se candidatou a miss Cachoeiro do Itapemirim. Infelizmente as concorrentes recalcadas a denunciaram como menor de 16 anos e por fazer uso de enchimento de espuma nos peitos.

Veja também:
Ladrão Boliviano, esse ícone de estilo

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Universal e sua volta ao reino de Drácula!

O estúdio que formatou para gerações o personagem do romance de Bram Stoker no filme de 1931 pretende retomá-lo. A última tentativa aconteceu em 1979 naquela produção estrelada por Frank Langella.

Depois disso, o Conde repaginado apareceu pela Universal no malfadado Van Helsing (2004 de Stephen Sommers). Mas ali era apenas um monstro entre tantos outros, tentando “seu lugar ao sol” dos franchisings de quinquilharias.

Curioso que na década de 90, quando a Columbia investiu no retorno dos monstros clássicos, a Universal não reagiu. Deixou tudo para a concorrente e preferiu investir num A Múmia modernizado, indo para o campo da aventura.

Segundo o Hollywood Reporter, a novo produção (a estrear em 2014) tratará das origens do personagem, como qualquer retomada de filme pipoca hoje em dia, prevendo uma longa franquia e quem sabe, com sorte, um grande sucesso como aconteceu a partir do filme de Tod Browning em 31. Pode parecer impossível um raio cair duas vezes no mesmo lugar, mas a Hammer, do outro lado do Atlântico, foi feliz na empreitada três décadas depois.

Seu título por um tempo foi “Dracula: Year Zero”, depois virou apenas Drácula e agora está como Drácula Untold. A palavra traduzida em português tem múltiplos sentidos que se encaixam na trajetória do Romeno, como por exemplo, incontável, incalculável, o que não foi dito, não revelado.

O roteiro conta a história do jovem príncipe que, quando a vida de sua esposa e filho são colocados em perigo por um sanguinário sultão, arrisca sua alma para salvá-los. Na luta acaba por tornar-se o primeiro vampiro.

No lugar de Bela Lugosi, o grande Drácula da Universal, entra Luke Evans, interprete de Zeus em Imortais (Immortals, 2011) e Apollo em Fúria de Titãs (Clash of the Titans, 2010 de Louis Leterrier). No lado sombrio da tela esteve na recente versão de O Corvo (The Raven, 2012 de James McTeigue).

Expectativa zero ao projeto e nem é pela direção do iniciante Gary Shore. O personagem que já foi retratado tantas outras tantas vezes por gente como o já citado Lugosi e Christopher Lee na Hammer teve seu filme definido em 1992, dirigido por Francis Ford Coppola.

Mesmo tendo passado 21 anos, ele continua excelente, seja na interpretação de Gary Oldman, seja na produção. Pode haver uma coisinha aqui, outra ali fora dos eixos, mas nada que mereça ser refeito ou recontado agora.

O do Coppola já tinha inclusive um prólogo não presente no romance original explicando sua origem. Que, aliás, era muito bem feito, embora detone todo o mistério presente na essência de um monstro de horror.

Tivemos ainda no ano passado o Drácula do Dario Argento que me deixou tão desnorteado pela fartura de desacertos que a ideia de um outro Conde me faz fugir como ele faria diante de uma cruz. Esse ano ainda vai estrear um seriado com o mesmo Drácula na TV dos EUA!

Em tempo: A página do IMDB continua de pé, mas nunca mais se ouviu falar naquele Drácula da produtora do Di Caprio que se chamaria Hacker.

Veja também:
O Drácula favorito de Coppola
Universal multiplicando o horror
Quibe no Drácula de Coppola?
Sessentões na luta: Quando os monstros voltaram a assombrar nos 90
O Drácula de 1979


A Mosca da Cabeça Branca em Blu-ray

Belíssima arte da edição em Blu-ray de A Mosca da Cabeça Branca (The Fly, 1958 de Kurt Neumann) nos EUA. Provavelmente teremos uma parecia.

Veja bem, é bonita, mas não sei se é correta, já que se trata de uma ficção científica, não um filme de terror como a imagem pode sugir. Sci-fi 50’s da melhor qualidade, confira clicando aqui 10 razões para amá-lo.

Está fora de catálogo em DVD no Brasil faz certo tempo, e continha apenas trailers (incluindo o do remake dos anos 80) como bônus. Pelo que foi divulgado lá fora, o BR possuí como características especiais faixa de comentários, biografia de Vincent Price, doc sobre o filme e um Fox Movietone News.

Lembrando que a trilogia jamais foi completada aqui. A Fox distribuiu o primeiro de 58 e a terceira parte, A Maldição da Mosca (Curse of the Fly, 1965), continuando inédito O Monstro de Mil Olhos (Return of the Fly, 1959 de Edward Bernds).

Veja também:
10 razões para amar A Mosca 50’s
Originalidade classe B



[Ouvindo: The Warrior – Scandal with Patty Smyth]

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Faye Dunaway e um ovo cozido

Obrigado, internet por nos proporcionar momentos como este. Assista no player acima um daqueles comerciais bizarros feitos no Japão com a estrela Faye Dunaway.

Toda diva ela simplesmente descasca um ovo cozido e o come! Há quem diga que é sua melhor interpretação desde Mamãezinha Querida (Mommie Dearest, 1981 de Frank Perry).

E fica aquela dúvida sobre o que é Parco, o produto anunciado. Trata-se de uma tradicional loja de departamentos de Tókio, que ao que tudo indica, não vende ovos.

Falando sério, ou tentando abster o estranhamento do conteúdo, a peça é de uma delicadeza ímpar. A direção é do fotógrafo de moda Kazumi Kurigami, muito popular na década de 80.

Dunaway num plano sequência mostra como fazer algo extremamente ordinário com classe. Um lampejante encontro entre a publicidade e arte.

O último ovo cozido a me impressionar ao ser descascado por um astro havia sido este:


A alma do negócio. Só que Robert De Niro em Coração Satânico (Angel Heart, 1987 de Alan Parker) não vendia, comprava.

Veja também:
Faye Dunaway querida!


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