terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Cinderela às avessas versão Hollywood

Constance Smith, "estrêla" cinematográfica da Fox, num cômodo modêlo de cloquê ornamentado de gola e reversos escoceses cujo casaco se fecha por meio de casas e botões. 
Departamento de publicidade de Hollywood era mesmo uma mão na roda pra revistas de moda de antigamente. Provavelmente esta foto é de algum filme, não de um editorial fashion.

Pra fazer seu star system ter peso, os estúdios iam fazendo manutenção nos contratados famosos e promovendo aspirantes a starlet. Emplacar uma nova celebridade equivalia a encontrar mina de ouro!

Não foi o caso da tal “Constance Smith”. A atriz protagonizou uma vida real trágica, que mais pareceu melodrama mexicano, sem nunca realmente emplacar nas telas com estrela de alguma grandeza.

Seu último trabalho foi em 1959 (O scan de moda nesta página é de 1951), um western spaghetti sem maior expressividade. Mas virou notícia em 1962 ao ser condenada a três meses de prisão por esfaquear o namorado Paul Rotha, renomado documentarista e historiador de cinema britânico.

De proporções internacionais, a Folha de São Paulo noticiou o crime na edição do dia 08 de janeiro. O mote da notícia é “diretor inglês famoso foi esfaqueado pela namorada rejeitada”, ao invés de “ex-atriz esfaqueia namorado”, mesmo ela tendo quase 20 anos de carreira, reflexo de que a carreira nunca deslanchou.

Em 1968 ela voltou a ser presa por mais uma vez esfaquear o affair, sendo agora condenada por tentativa de homicídio. Nos anos 70 eles tentaram morar juntos na Inglaterra, país dele.

Separados, Constance Smith não voltou mais para os EUA. Em depressão, teria tentado suicídio algumas vezes, além de dar entrada em hospitais fragilizada pelo vicio no álcool.

Nos últimos tempos de vida trabalhou, entre outras coisas, como faxineira. Em 2003, aos 75 anos, foi encontrada morta numa calçada de Londres, como completa desconhecida.

A segunda imagem é um oferecimento AllStar Pics

Veja também:
Imitação da arte: Calvário da filha de uma estrela
O Crime que abalou Hollywood
Tentativa de suicídio na primeira página
Atriz e coelhinha condenada por tentativa de homicídio

[Ouvindo: Little Fairy – Easy Going]

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Trevas é o limite em Skyfall

Bom tempo que não me sentia tão satisfeito com uma aventura de James Bond quando com 007 - Operação Skyfall (Skyfall , 2012 de Sam Mendes). Longa vida e morte ao agente!

 O herói está tão enfurecido com sua organização que ele mesmo poderia também ser o Silva, o vilão bizarro da vez. Como se a dualidade deles pertencessem a uma mesma pessoa.

Sam Mendes ainda quebrou a quase regra de que diretor cabeça se estrepa ao assumir franquias populares. Preservou o que tinha que ser preservado e adicionou longas camadas de sentimentos sombrios.

O tempo todo nos lembra de que nada permanece do jeito que é para sempre. Tudo nasce e morre ou morre e renasce, lado a lado, independente dos nossos interesses mundanos.

É uma coisa tão óbvia, mas mostrada raras vezes de forma tão divertida e bem filmada. Sequencias absurdas de ação intercaladas com irônica fé no maniqueísmo.

Qualquer semelhança com Nosferatu (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens, 1922 de F.W. Murnau) talvez seja mera coincidência, mas faz sentido. O solar Bond nunca esteve tão envolto em suas sombras.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mixtape #6: Going Away


Novíssima mixtape no ar! Ouça no player abaixo ou clicando aqui.

Do mesmo jeito que não sou dos maiores apreciadores de vídeo clips, não curto muito listar as faixas utilizadas. Sempre podam o poder imaginativo da música, além do trabalhão que dá.

Mas como sempre pedem, enviam e-mails e tudo, olhaí embaixo! Qualquer coisa, encare como spoiler e não leia antes de ouvir.

  • Lovebug - Orchester Lou Castell
  • O Monstro - Radio drama Teatro de Mistérios
  • Cani Arrabbiati - Stelvio Cipriani
  • The Tragedy of Bijinda - Chumei Watanabe
  • Trevas (Noite Sem Luz) - Dorinha Freitas
  • Metal Hypnotized - The Earthbound Papas
  • Nagareboshi No Dance - Yuji Ohno
  • Latin'ia - The Sentinals
  • Irresistable You - Bobby Darin
  • El Cumbanchero - Charles Magnante
  • Chop Chop Boom - The Dandeliers
  • Youkali Tango Habanera - Kurt Weill
  • Suki Sa Suki Sa Suki Sa - Nana Kinomi
  • Rumba - Nino Rota
  • Imitation Of Life - Earl Grant
Nem todas as faixas estão na íntegra. Algumas delas podem ser apenas fundo musical, mixadas com outras, etc.

Como há limitações de espaço free no Soundcloud, tenho respostado as mixtapes anteriores em conta do Mixcloud, adicione! Não dá pra trocar plenamente um serviço pelo outro porque o player do segundo é bem ruinzinho.

[Ouvindo: Spy – Yoko Kanno]

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A outra esposa de Herman Monstro

Tem lá seu lado chocante. Após todos estes anos soube-se que Lily Monstro não foi a primeira e única esposa da Família Monstro (The Munsters, 1964-66). 

No piloto (colorido!), inédito até ser bônus nos DVDs da série lançados no mercado internacional em 2007, a esposa atendia pelo nome de Phoebe. E mais! Ela era interpretada pela atriz Joan Marshall, a versátil atriz de Homicidal (1961 de William Castle).

Ela não está nada ruim, bem mais macabra do que a Lilly, mas os produtores acharam muito parecida à Morticia Addams, da série da emissora concorrente. Morticia por sua vez era calcada na Vampira, interpretada na TV pela Maila Nurmi na década de 50, mas isso já é outra história.

Também é outra história o comentado caso de espionagem industrial envolvendo Os Monstros e A Família Addams. As mães das famílias idênticas talvez configurasse o plágio de forma gritante.

 Marshal e Carolyn Jones, a Mortícia, ainda eram parecidas fisicamente, para azar da primeira que teve que dar tchau ao trabalho. Assim entrou na parada a Lily de Yvonne De Carlo com figurino similar ao da filha de Bela Lugosi no clássico A Marca do Vampiro (Mark of the Vampire, 1935 de Tod Browning ).

De Carlo, conta-se, estava decadente, deprimida, precisando pagar as contas médicas do marido. Na década de 60 a TV era ainda muito mal vista pelo povo do cinema, aceitar um personagem fixo no veiculo era preciso certo desprendimento.

 A atriz teve uma carreira “A” estranhamente rápida, que talvez algum fã possa explicar os motivos. Segundo o Refer me contou, ela foi muito popular no Brasil na segunda metade da década de 50, chegando a ter seu LP orquestrado por John Williams editado aqui.

Começando como dançarina e cantora, teve seu auge cinematográfico em papel de destaque no blockbuster Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments , 1956 de Cecil B. DeMille). Ironicamente seria agora mais lembrada como a bizarra matriarca televisiva e a tal da Phoebe entrou pra obscuridade.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

As Certinhas do La Dolce

Louisa Moritz
Caseira
[Ouvindo: Diga Que Me Ama – Sonia Delfino]

Stalkeando Tarantino, o balconista

Sabe aquelas matérias bem comuns nos portais de mexericos onde o leitor é induzido a enviar fotos dele com celebridades? Daí fulano envia junto ao Zezé di Camargo, cantoras de axé e ex-participantes de BBB a dar com um pau?

Se esse Todd Mecklem enviasse as dele (originalmente postadas no Flickr), iria de Beija-Flor pra avenida. Fechou o jogo!

Encontrou a Pam Grier no shopping Del Amo (Torrance) durante as filmagens de Jackie Brown (1997 de Quentin Tarantino). Ainda com o figurino de aeromoça e com cara de exausta após um dia inteiro de trabalho.

De camiseta de Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992 de Quentin Tarantino) tirou foto também com o chefão do filme. Em sua página pessoal; Mecklem explica uma antiga relação com o diretor.

Quando foi morar na casa da namorada na Califórnia em 1987, ela era cliente da locadora de VHS em que Tarantino trabalhava como balconista. Ficavam longas horas papeando sobre cinema, até que o rapaz sumiu do emprego.

Tempinho depois leram notícias sobre ele, agora todo paparicado por Cães de Aluguel. O reencontro 10 anos no shopping rendeu além destas duas fotos, um trabalho de figurante que acabou ficando de fora da edição final.

E sempre supus que o lance do Tarantino ter trabalhado recentemente numa locadora fosse pegadinha hollywoodiana, para deixar sua biografia mais interessante. Mas parece que realmente ele saiu de trás do balcão pra virar Tarantino.

[Ouvindo: ECT – Cássia Eller]

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Palmas para a tatuagem extrema. E só!

Curioso recorde de um filme registrado no Guinnes: Maquiagem que mais tempo demorou pra ficar pronta num dia. Façanha do filme Uma Sombra Passou Por Aqui (The Illustrated Man, 1969 de Jack Smight).

O ator Rod Steiger se submeteu há 20 horas (!!!) para que a pintura de seu corpo ficasse completa. Peladão ele aparece em poucas sequências, mas torço e braços em muitas delas.

Baseado no livro de contos homônimo de Ray Bradbury, o sacrifício todo ficou praticamente esquecido hoje. Belo, mas enfadonho, o filme caiu no obscurantismo.

Parece que escolheram as piores histórias e alinhavaram com o andarilho de corpo ilustrado (ele implora pra não chamarem de tatuagens) narrando suas desventuras futurísticas. Parece legal, mas é bem aborrecedor.

Como consta que foi um bonito fracasso em seu lançamento, nem dá pra dizer que envelheceu mal. Envelheceu como nasceu: Chato!


[Ouvindo: Red River rock – Roberto Delgado]

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Uma princesa Inca no topo das paradas

Quem sabe a maior estrela internacional do Peru, Yma Sumac dizia ser uma herdeira do império Inca. Era comum aos músicos de Exótica adotarem não só nomes estranhos, mas biografias também.

No caso dela havia mais chances de ser verdade do que a história do indiano Korla Pandit. Aquele que só foi descoberto como afrodescendente norte-americano, após sua morte. Relembre clicando aqui.

Yma Sumac foi originalmente batizada com um nome bem mais legal do que o seu artístico: Zoila Augusta Emperatriz Chavarri del Castillo! Lembra bastante o novo nome que Phoebe Buffay escolheu para si, Princesa Consuela Bananahammock.

Foi assim, envolta em mistérios e excentricidades, que, como cantora lírica das mais refinadas, conquistou enorme popularidade em todo planeta a partir dos anos 50. Arrastava multidões para ouvi-la entoando canções folclóricas e pseudo folclóricas.

No player abaixo (ou clicando aqui) ouça Malambo n°1, bizarra mistura de ritmos latinos com erudito. Quase um exercício para ela expor seu poder vocal que podia chegar a espantosos 2270 Hz.


Falecida em 2008, suas antigas gravações aparecem volta e meia nas trilhas sonoras de produções com temática peculiar, como O Grande Lebowski (The Big Lebowski, 1998 de Ethan e Joel Coen) e Confissões de Uma Mente Perigosa (Confessions of a Dangerous Mind, 2002 de George Clooney). Seus timbres também são comuns em remixes de música eletrônica.

A primeira imagem é um oferecimento artyfakt*, a segunda, Chuck T.

[Ouvindo: The Name Game – Shirley Ellis]

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

King Kong 2: Ele está com a macaca!

Se King Kong 2 / A Volta de King Kong (King Kong Lives, 1986 de John Guillermin) não aparecer em qualquer lista das maiores ideias de jerico cinematográficas, é porque este mundo é muito injusto mesmo. Obscuro, tinha vaga lembrança da sua existência.

Lembrava do SBT o anunciando junto a Superman 4 e tantas outras bombas que ele adquiriu na alavancada 80’s da emissora, pra competir com da Globo. Aliás, o King Kong e (1976) foi exibido com alarde na concorrência em 1986.

A ideia é tão bizonha que causa estranhamento logo de cara, nos créditos iniciais, os nomes do produtor De Laurentiis e do diretor John Guillermin, os mesmos do filme dos anos 70. Não é uma picaretagem qualquer, é uma picaretagem oficial!

O roteiro começa exatamente de onde acabou o anterior, inclusive com cenas dele onde aparecem os astros Jessica Lange e Jeff Bridges. Macacão é baleado, cai das Torres Gêmeas, corte, volta ao presente!

Ele está em coma, necessitando de uma transfusão de sangue para que o coração artificial possa ser usado. Sim! Todos nós, criancinhas que viam a Sessão da Tarde, choramos à toa.

Kong está mais pra cá o que pra lá, mas há chances de sobreviver. Ele está aos cuidados de Linda "Terminator" Hamilton, doutora competente (com a escova do cabelo em dia), que por sorte, tem contato com um explorador que conhece uma macaca super desenvolvida em matas selvagens sabe deus onde (eles falam, mas é tanto absurdo que não guardei o nome).

Hilário quando o novo macacão se estufa bem diante da câmera, revelando proeminentes ~ peitinhos ~. Para que não haja dúvidas de que se trata de uma fêmea, claro.

E mesmo depois de toda a merda que acontece no final do primeiro filme, eles levam essa macaca pra civilização! E mesmo depois de toda a merda que acontece no final do primeiro filme o exercito investirá pesado contra o casal Kong.

Com o agravante da fortuna que custou a operação pra salvar o astro principal ser jogada no lixo pelas maldades do exército. Mas não dá pra esperar lógica nenhuma em nada!

O grotesco embalado por uma sucessão de obviedades, como o romance entre os gigantes, assim como o da Doutora com o explorador loirinho e descolado. Os quatro (cada qual com o parceiro de sua espécie, of course) arranjam tempo pra transar, mesmo sabendo que os soldados estão na caça, por exemplo.

Listar poucos momentos estramboticamente incríveis é tarefa árdua. King Kong come um caçador (herbívoro/ carnívoro?) e depois limpa os dentes, retirando de lá o boné do cara, transito de veículos louco dentro de um depósito, humanismo exagerado entre os animais, etc.


Se você amava a música “King Kong e o Seu King Konguinho”, sucesso dos palhaços Atchin & Espirro, vai ficar completamente satisfeito com o previsível final. Acho que isso nem pode ser considerado um spoiler...

[Ouvindo: Mini Skirt – Orchester Lou Castell]

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Outro punhadinho de dias para coisas doces

E assim entramos em um ano novo! Nada menos do que o 11º deste blog!!! Nem pude, por motivos de força maior, celebrar em 2012 uma longa década de existência. Celebrando a diversidade!
Chame como quiser. Mais um ano juntos! Feliz 2013.

A primeira imagem é um oferecimento Retro-Space

[Ouvindo: Johnny Are You Queer – Josie Cotton]
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