sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Breve trajetória de uma estrelinha Universal


Causa estranhamento o nome de Sidney Fox vir antes de Bela Lugosi nos créditos iniciais de Murders in the Rue Morgue (1932 de Robert Florey). Um ano antes ele se tornou um astro muito famoso com Drácula (de Tod Browning).

Sidney Fox
Ordem de nomes nos créditos (ou nos pôsteres) é coisa sagrada no show business. E reparar no sobe e desce dos mesmos é uma diversão a mais em qualquer filme.

A explicação rápida é que a bonitinha Sidney Fox era uma aposta da Universal Pictures para se tornar estrela. Universal nunca foi um grande estúdio como a Fox ou Warner, nem contava com salas de exibição próprias, mas entendia que para o negócio vingar precisava ter seus próprios astros e estrelas

Mesmo assim, não justifica o destaque, porque também era interessante promover a presença do já conhecido Lugosi. Realmente no cartaz da época todo o destaque é para ele.

Fox, de família endinheirada que perdeu tudo, foi descoberta no teatro por Carl Laemmle Jr., filho do chefão e produtor do estúdio. Além de funcionária, ela caiu na boca do povo como sendo sua amante, embora o magnata fosse casado, pecado que Hollywood raramente perdoou, ao contrário de vícios como alcoolismo, aborto, etc.

Carl Laemmle Jr
Que muitas estrelas e astros tiveram apadrinhamentos amorosos de produtores para chegar lá é coisa corriqueira desde Atenas nos idos de Eurípides. Mas no meio da indústria cinematográfica, alimentada por uma imprensa famigerada por pudores e escândalos, sempre se destacou os que vieram de baixo, batalharam seu lugar ao sol com muito suor.

A atriz acabou casando com um roteirista da própria Universal para tentar amenizar as fofocas. Atitude muito comum para abafar relacionamentos que pudessem atrair publicidade negativa, como homossexualidade e casos extra-conjugais.

Sem sucesso, parece que aconteceu o inverso. Passou a correr que Fox ia pra cama também com o pai do amante, Carl Laemmle, enfim, uma devassa aos olhos da moral da época.

Assim, mesmo conseguindo destaque nos filmes dos Carls, a carreira passou a minguar. Como resultado das baixas bilheterias associadas a seu nome, foi ficando restrita a produções B, com papéis cada vez mais escassos ainda coincidindo com a troca de donos do estúdio.

Reclamava do calvário que era ter uma aparência física tão frágil que não condizia com seu interior. “As pessoas esperam que eu seja uma ingênua, uma boneca, e eles ficam terrivelmente desapontado quando descobrir que eu não sou.”, declarou indicando o descompasso com o meio que a cercava.

Deprimida, foi encontrada morta em 1946 com overdose de pílulas para dormir, aos 35 anos de idade. Pairou a dúvida entre suicídio ou dosagem acidental por muito tempo, prevalecendo a primeira causa.

É um daqueles rostos (como Jean Harlow e o próprio Bela Lugosi) que nunca veremos em fotos coloridas. Pessoas que morreram antes da popularização do Tecnicolor e da fotografia com cores.

Por ironia, seu filme mais conhecido é este Murders in the Rue Morgue graças à presença do co-astro Lugosi. Sem esta produção, nem estaria sendo lembrada aqui e em tantos outros lugares na Internet.

Pra termos uma noção de quem ela poderia ter sido, seu trabalho de estréia foi Bad Sister de 1931. Bette Davis também debutou neste filme.

A segunda imagem é um oferecimento Fanpix, a terceira, Rotten Tomatoes. Algumas informações oriundas de Seraphic Press.

Veja também:

Belas e suicidas
Charles Boyer, romântico como na ficção
O dia em que Geoge Sanders se entediou
Controversa morte de Lupe Vélez
Uma vida em tons de cinza


2 comentários:

Jefferson C. Vendrame disse...

Ótimo Post,
Ainda não assisti esse filme mas já conheço muito sua fama. Tem até uma música do Iron Maiden com esse nome.

Abraços!

Miguel Andrade disse...

Jefferson, mas se pá, a música deve ser por causa da literatura, né? Veja. Curtinho e indolor.

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