sexta-feira, 29 de julho de 2011

Uma tigresa no divã

Imagem super cool de O que Há, Tigresa? (What's Up, Tiger Lily?, 1966) estreia de Woody Allen na direção. Coprodução entre Japão e Estados Unidos, ele dividiu os créditos com Senkichi Taniguchi.

Dividiu a direção mesmo. Tratava-se a princípio de um filme japonês sobre espionagem nos moldes de 007 que a American International Pictures comprou pra distribuir no ocidente.

Quando perceberam que a trama era muito confusa pras plateias norte-americanas, apostaram em Allen para dublá-lo, remontar e acrescentar novas sequencias, o transformando em comédia. O alvo espiões passou de um microfilme para uma receita de salada de ovo.

Em 2002 o comediante Steve Oedekerk fez o mesmo em Kung Pow - O Mestre da Kung-Fu-São (Kung Pow: Enter the Fist). Pura bobagem em prol de algumas risadas.

O que Há, Tigresa? teve a sorte de contar com a belezuras Akiko Wakabayashi e Mie Hama. No ano seguinte elas seriam Bond Girls de verdade em Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (You Only Live Twice, de Lewis Gilbert).

A sugestão fálica da ilustração dá bem o tom do que se trata. E da facilidade do cinema ianque em adaptar outras culturas ao seu jeito.

O cartoon é um oferecimento Film Forager


Cavalheiros das trevas

Somando a idade do elenco, História de Fantasmas (Ghost Story, 1981 de John Irvin) tem séculos de experiência em cinema. Entre estes senhores estão os lendários Fred Astaire, Douglas Fairbanks Jr. e Melvyn Douglas.

Pra você ter uma ideia, o mais moço dos rapazes nasceu em 1909! O filme foi o canto de cisne de todos os três na tela grande.

Muito respeito baluartes como eles, que quando distantes de seus tempos áureos , aceitaram participar de películas de terror. Emprestando seus consagrados nomes a produções nem sempre gloriosas, ajudaram a tirar um pouco o estigma que o gênero sempre carregou de entretenimento menor.

Ghost Story não pode ser considerado um filme ruim. Até me surpreendeu que com tal elenco possua certa violência explícita, nudez frontal masculina, nudez parcial feminina e alguns sustos e momentos bem macabros.

Palmas principalmente ao roteiro que conseguiu utilizar os velhinhos durante todo o filme sem que eles necessariamente estivessem em cena. Não se percebe que embora vitais à história, foram utilizados apenas em sequencias espalhadas por toda a duração.

[Ouvindo: The Robots - Kraftwerk]

Grandes nomes da pancadaria: The Fabulous Ones

Não precisa sentir culpa se ao ver estas fotos imediatamente ter os pré-julgado como atores de pornografia gay 80’s! Acho que todo mundo hoje deve bater as vistas e dizer o mesmo.

Ambiguidades à parte, na realidade a dupla (casal?) era uma popular equipe wrestling em atividade entre 1982 e 1987. Com o nome de The Fabulous Ones, Stan Lane e Steve Keirna conquistaram vários títulos nacionais e internacionais a partir de Memphis, sua terra natal.

Mas o maior feito deles foi terem sido precursores na autopromoção dos lutadores deste esporte como se fossem astros pop. Além de bancarem os mocinhos louros com roupas modernas, estrelaram videoclipes e campanhas publicitárias, alcançando um grande número de fãs.

O estilo visualmente extremo (aos padrões atuais) ficou conhecido entre praticantes de wrestling como "Pretty Boy". Não demoraria muito para ser copiado por muitas outras equipes, algumas delas assumindo a inspiração.

Pelo exotismo, claro que muitos dos vídeos deles sobreviveram e foram parar no You Tube. Deleite para quem gosta de deixar opiniões pessoais sobre a vida alheia em comentários da Internet.

Aqui tem uma galeria boa com imagens deles e de outros esportistas de Memphis. E a gente que ouvia falar nessa cidade e pensava apenas em Elvis e consecutivamente sanduíche de pasta de amendoim com banana?

Veja também:
A Fabulosa Moolah


[Ouvindo: Zafé co ida– Léona Gabriel]

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Estranhos hábitos das venusianas

Feliz em mostrar minha cena favorita de Viagem Ao Planeta das Mulheres Selvagens (Voyage to the Planet of Prehistoric Women, 1968 de Derek Thomas). O ritual em que a grande rainha Moana elege novo deus para adoração.

Moana é interpretada pela memorável Mamie Van Doren, mais conhecida com a Marilyn Monroe dos pobres e estrela de vários filmes B sobre delinquentes juvenis. No Sci-fi em questão, teve a chance de liderar um exército de garotas usando perucas de canicalon loiras!

Encantadora a seriedade com que todas interpretam, provavelmente acreditando ser esta a grande chance de suas carreiras. Inclusive quando a rainha é coroada com um tipo de chapéu de mestre cuca!!!!

Mais importante que contar a sinopse deste filme (que faz muito pouco sentido) é entender sua existência. Os americanos editaram a ficção científica Voyage to the Prehistoric Planet (1965) com o soviético Planet Bur (1962), incluindo vozes em inglês, atores e muitas outras imagens de arquivo e lançaram este outro em 1968.

A tripulação da espaçonave que sai da Terra em “1998” é composta por atores norte-americanos. Os astronautas perdidos no misterioso planeta são russos filmados depois, com visível mudança de cor na fotografia desbotada, por tanto, jamais se encontrarão por razões óbvias.

As cenas com Mamie Van Doren e suas beldades parecem ser sobras de um terceiro filme já que a liga delas com os astronautas é sempre por vias esquisitas. Um dos terráqueos encontra uma pedra com rosto de mulher, o que os leva a crer na possibilidade de Vênus ser habitado.

As venusianas são religiosamente fiéis a um pterodátilo gigante de papier mâché. Um bicho pré-histórico semelhante (mas que é pra gente acreditar que se trata do mesmo!) ataca e é morto pelos astronautas o que deixa as louras furiosas ameaçando uma guerra interplanetária que também por razões óbvias jamais acontecerá.

Por serem um povo bastante evoluído (embora vivam dormindo ao relento em cima de pedras) elas não falam. Não como todo mundo, mexendo a boca, mas apenas por telepatia!

Confuso? Esse samba do russo doido não é fácil pra ninguém, e precisa de certa paciência pra chegar ao fim, embora todo momento vejamos coisas de humor involuntário e até difíceis de serem acreditadas.

Como se nada disso bastasse, o tal diretor Derek Thomas é na verdade pseudônimo do agora consagrado Peter Bogdanovich. Anos depois desta barbaridade ele foi indicado a dois Oscares por A Última Sessão de Cinema (The Last Picture Show).

Assista (se for capaz) ao trecho legendado de Viagem Ao Planeta das Mulheres Selvagens no player acima ou clicando aqui.

Veja também:
Mamie Van Doren: A trajetória da Marilyn dos pobres


[Ouvindo: Theme for Young Lovers - Percy Faith & his Orchestra]

Homens e segredos on the rocks

E o jornalista Renzo Mora assina hoje (quinta-feira, 28) “3 Homens e Nenhum Segredo”, seu novíssimo livro, a partir das 19h30 no teatro Santo Agostinho em São Paulo. Às 21 horas acontece o espetáculo “Sinatra – O Homem e a Música” com a Jazz Big Band, como roteiro também de autoria de Renzo.

O livro conta a trajetória (como o título já sugere) de três dos mais importantes membros do chamado rat pack: Frank Sinatra. Dean Martin. Sammy Davis Jr., durante os melhores anos de Las Vegas. Quando atraiam multidões a seus shows e ditavam um estilo de vida.

Como coadjuvantes da história, estrelas do naipe de Marilyn Monroe e Angie Dickinson. Os que pensam que sabem viver bem precisam conhecer a vida que estes rapazes levaram!

Para outras informações sobre a noite de autógrafos, endereço ou o espetáculo musical que acontece depois, podem sem conseguidas na página do autor.

[Ouvindo: Beyond the Sunset- Korla Pandit]

Bonita por dentro

O perigo ronda Hannah em outra capa produzida sob o cálculo “pulp fiction = moça belíssima + caveira”! Aliás, outraS!

Encontrei a mesmíssima (creio eu) caveirinha de peruca loira ilustrando este livro do Reymond Chandler aqui ao lado. Nem me pergunte qual veio primeiro, mas ilustradores populares costumavam reciclar artes.

As próprias editoras também nãos e faziam de rogadas para conter custos e baratear o máximo possível seus livros. Pulp é pulp, né? Ordinário por natureza.

Tem uma coisa bizarra a mais na The Big Sleep ser da Avon. Creme anti-idade a lá Resident Evil!

Mas editora Avon e a fabricante de cosméticos são duas empresas distintas. Fiz um post sobre isso antes, veja aqui, embora a dúvida com Avon produtora de Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof, 1958) persista.

Bem capaz o filme ter sido bancado pela editora do que pela vendedora de batons homônima. Ou existiu uma terceira empresa e Avon era “da Silva” pras empresas deles.

A primeira imagem é um oferecimento Pulpmaster e a segunda El Blog Ausente

Veja também:
Muitas outras capas de pulp fictions


[Ouvindo: Godanaw- Alem Kebede]

quarta-feira, 27 de julho de 2011

As Certinhas do La Dolce

Rose McGowan
Espalmada


Um oferecimento Girls Wallpaper

[Ouvindo: MAN HUNT – Tomohiro Odawara]

Rica figura na mira de Spielberg

Veja que bacana o textinho que encontrado no Guia de Vídeo da Nova Cultural, edição de 1989! Nem tudo é marketing no blablablá que diretores e produtores de cinema costumam falar às vésperas de um lançamento.

A adaptação de Tintin para as telas realmente é um velho sonho de Steven Spielberg! Aliás, o texto de 22 anos atrás já o dava como “antigo projeto”.

De lá pra cá havia lido outras vezes ele falando na ideia, mas agora, com o filme quase saindo, o sabor é outro. Só não sei se cinematograficamente é o momento certo.

Momento rico em tecnologia, pobre em teor artístico, tentando preencher apena as expectativas do grande público. Inclusive essa interminável onda de dar tons realistas ao que foi criado e desenvolvido livremente no mundo da fantasia dos quadrinhos.

Spielberg mesmo, hoje lembra bem pouco o cineasta inventivo que já foi. Um dos poucos diretores que de tão populares são citados nas chamadas da Tela Quente antes do nome das estrelas.

Tenho a sensação que gente como ele sobrevive basicamente do nome que conquistou no passado. Em comparação à época em que apenas eles detinham a dispendiosa tecnologia digital, seus trabalhos evoluíram muito pouco com a popularização das técnicas.

terça-feira, 26 de julho de 2011

E esta é Jessica Drew

Confesso que curtia mais a Mulher-Aranha do que o Homem-Aranha do cartoon que passava no Balão Mágico. Achava as historinhas melhores.

Muito me revoltou ter ouvido quando adulto de que ela não prestava! Da boca de um desses nerds que levam HQs a sério demais, CLARO!

Além de tudo Peter Parker era um garoto, não um homem pra ter esse nome quando botava o uniforme! E nem voar ele voava, com providenciais teias que saiam das axilas...

Assistindo, é evidente a chupada na Mulher Maravilha cujo seriado 70’s fazia sucesso. Ela se transformava dando a mesma giradinha.

Embora Spider-Woman seja de 1979, o assistia em 1985. Houve uma confusão na minha cabeça com O Beijo da Mulher-Aranha (The Kiss of Spider-Woman), filme muito famoso de Hector Babenco naquele ano, que eu não tinha idade pra assistir.

Vai ver que o desenho não prestava mesmo, afinal, durou apenas uma temporada, ou 16 episódios. Não recordo se o Homem-Aranha apareceu em algum, embora isso pareça inevitável.

Seria histórico se algum vilão os transformasse em inimigos! Diria agora que vi duas aranhas postas pra brigar em horário vespertino da TV...

[Ouvindo: A Beautiful Mine - E.M. Hayes]

Dona Maria, a professora de datilografia

Cada país tem o Genival Lacerda que merece. Os patrícios portugueses estão muito bem servidos com a sanfona do Quim Barreiros!

O rei lusitano das músicas de duplo sentido, ou “música pimpa“, como eles se referem lá. Autor de hits duvidosos como Queres É Levar Com O Chouriço, Tira Fora Que Vem Gente, Bacalhau à Portuguesa e tantas outras.

Ouça Curso de Datilografia no player abaixo, ou clicando aqui. Espere pelo refrão, evidentemente.

Agradeço ter conhecido Quim Barreiros numa daquelas mixtapes inenarráveis que o Hoje Acordei Meio Reacionário volta e meia nos regalava. Pena que o endereço anda relegado ás traças.

[Ouvindo: At the School - Kou Nakagawa]

E as calcinhas da Tallulah?

De vez em sempre se tem ainda alguma novidade sobre as séries da Lucille Ball, hein? Agora saiu um livro (dica do JCOlive) contando os bastidores do programa, um dos que mais recebeu celebridades em participações especiais.

Diz que Joan Crawford demorava em aparecer no cenário pra ensaiar. Uma vez, depois de muito esperarem, a encontraram no camarim. De QUATRO! Faxinando porque aquilo ali estava uma sujeira só!

Quando Bette Davis não pode participar, a substituíram por Tallulah Bankhead. Ironicamente, Davis teria se inspirado em Bankhead para compor seu personagem de A Malvada (All About Eve, 1950 de Joseph L. Mankiewicz).

Tallulah Bankhead chegou a uma reunião de elenco tão bêbada que caiu em frente a todos! Numa ocasião dessas, quando Lucille Ball elogiou sua camisola ela simplesmente a despiu e presenteou a colega.

Vivian Vance, a vizinha de Lucy na série, igualmente elogiou as calças e também as ganhou de presente ali na frente de todo mundo! Detalhe: estava sem calcinha...

Engraçado que mais tarde Vivian Vance ganharia outro presente da Tallulah, sua poltroninha exclusiva, em circunstâncias etílicas parecidas. Leia a respeito clicando aqui.

Quanto à ausência de roupas íntimas, esse detalhe já havia sido percebido pela equipe de filmagens de Um Barco, Nove Destinos (Lifeboat, 1944 de Alfred Hitchcock). Quando o diretor foi notificado do pormenor teria dito: "Eu não sei se este é um assunto para o departamento de figurino, maquiagem, ou cabeleireiro.".

A foto colorida é um oferecimento Lucy Fan

Veja também:
Tudo sobre Eve: Tallulah Bankhead, a verdadeira Margo Channing?


[Ouvindo: Fame - Irene Cara]

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Enfim, Odorama ao alcance de todos!

A maior notícia do mundo cinematográfico dos últimos tempos! Robert Rodriguez anunciou que Pequenos Espiões 4 será em 4D, ou seja, além de profundidade terá CHEIRO!

Essa ideia de filme com cheiro foi posta em prática anteriormente por John Waters. Mais precisão em 1981, na comédia Polyester.

O público recebia na entrada do cinema uma cartela com números. Antes de o filme começar, aparecia um esfuziante cientista louco contando sobra a invenção do Odorama.

Funcionava de forma bem simples. Dependendo da situação dos personagens, um número piscaria no canto da tela, bastando riscar com a unha o correspondente na cartela e cheirar.

Como Francine (Divine) vivia cheirando tudo, o que não faltava era oportunidade de sentir o mesmo. Infelizmente a vida dela não era fácil, veja a demonstração animada abaixo:

Cheiro de sovaco vencido, pum, chulé, vômito, gambá, comida azeda! Todos os piores odores imagináveis cruzaram pelo seu caminho.

Robert Rodriguez promete o mesmo esquema de cartão com números a serem arranhados e cheiros nem sempre agradáveis. Leia mais sobre o célebre Odorama clicando aqui.

[Ouvindo: Tee Tee Cocò - Lorraine Bowen]

Se meu liquidificador falasse...

Entendi porque tanto filme bacana passa batido enquanto tanta porcaria é alçada a grande coisa. Tomando por exemplo o macabro Reflexões de Um Liquidificador (2010 de André Klotzel) superior a boa parte dos atuais sucessos de bilheteria nacionais.

Para a grande plateia, não importa em absoluto o conteúdo da produção e sim seu desfecho. Pode ser uma obviedade ridiculamente constrangedora por 90 minutos, contanto que seu final seja edificante, mocinha fique com mocinho, uma última piadinha e fim.

Filmes com finais abertos, tristes, que necessitem de ínfimo raciocínio são fadados ao fracasso ou no máximo a não receberem a merecida atenção. Não importa se a trama é baseada num caso policial verídico, que todos sabem que nunca foi solucionado...

Lembro-me de casos como o de Hollywoodland - Bastidores da Fama (Hollywoodland , 2006 de Allen Coulter) , pichado como péssimo quando na verdade é apenas simples. Execrável, não só no cinema, mas na vida, é a obviedade, a previsibilidade.

O mais recente de Klotzel é recomendado pelo esmero da trilha sonora, direção de arte, fotografia e um raro e humor negro. Só por fugir da enfadonha estética daquelas comediazinhas da Globo Filmes (as Globochanchadas conforme cunhou Guilherme de Almeida Prado) já é um alento.

Esperava muito pouco por não assistir nada do diretor desde 1996, numa malfadada sessão de Capitalismo Selvagem (1993) com a presença dele no saudoso Cine Vitrine de São Paulo. A vergonha alheia da tela se estendeu quando a plateia começou a fazer-lhe perguntas (ataques?) indignadas pela qualidade do que foi exibido.

Reflexões de Um Liquidificador está anos luz de Capitalismo Selvagem. Até por centrar toda sua força na atriz Ana Lúcia Torres, não mais do que FABULOSA como a dona de casa suburbana que mantém um tête à tête com o eletrodoméstico do título.

Derrapa na filosofia de botequim que o liquidificar narra o tempo inteiro com a voz do onipresente Selton Mello . Se levarmos em conta que sua função na vida era justamente fazer batidas num boteco, isso nem é tão grave assim.

E o final, claro! Nem tentaram solucionar o rocambole passional do roteiro. Aparecem os créditos e ficamos naquelas de “Ué! Acabou?”.

Deviam ter prestado atenção ao que respondeu a anti-heroína quando o aparelho celebra a facilidade de moer vísceras: “Moleza, claro! Coração, intestino... Quero ver é OSSO!".

[Ouvindo: La Amorosa - Atahualpa Yupanqui]

Pausa para nossos comerciais

9 de cada 10 estrelas usam Lux

E Diana Rigg é uma delas! De quando o sabonete passou a usar não só estrelas do cinema americano.

Após a revolução cultural 60’s, quando o glamour de Hollywood perdeu força, o leque das tais 9 estrelas foi aberto para atrizes de outros países. Pra gente teve uma fase no começo dos anos 80 com Bia Seidl, Vera Fischer, Torloni e o memorável de quando a Sônia Braga foi pros EUA: “Sônia, você ficou fresca?".

A inglesinha Rigg ficou famosa sobre tudo ao participar do seriado de TV Os Vingadores (The Avengers). No cinema, historicamente foi a responsável pelo agente 007 mudar de estado civil em 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade (On Her Majesty's Secret Service, 1969 de Peter R. Hunt).

Como agora é quase nada conhecida aqui no Brasil, esse anúncio me chamou atenção por estar em português. Mas não como deixar de acreditar que o “diz-nos” do texto refere-se ao português de Portugal.

O anúncio é um oferecimento Mac Magic

[Ouvindo: Koi no bakansu (The Vacation Of Love)– The Peanuts]

sábado, 23 de julho de 2011

R.I.P. Amy Winehouse

Faleceu hoje em Londes, aos 27 anos a cantora Amy Winehouse, de causas ainda não esclarecidas. Triste ter ido tão moça, assim como a previsibilidade da rápida passagem terrestre.

Uma das figurinhas mais talentosas a surgir no recente cenário da música pop, sempre afeito a promover qualquer coisa. Amy se destacava, não só por alimentar sites e revistas de mexericos, mas porque realmente foi uma grande artista.

Que descanse em paz!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Precisa ter juntas duplas e sangue húngaro

Quando blogs tiverem som, você me ouvirá pronuciar “Childrrrrren of the night. What music they make!” no início de posts como este. Hahahaha! E com insuspeito sotaque húngaro. Tá pensando o quê?

Esses frames são da mesmíssima cena do Drácula de 1931 filmado pela Univeral para o mercado latino e o célebre de Tod Browning com Bela Lugosi no papel principal. E está na hora de quebrar tabus!

Que nhenhenhém é esse dos “sábios” criticões de Internet desfazerem do filme de Lugosi? Isso condiz bem com a atual realidade, onde qualquer um diz qualquer asneira com relativa visibilidade.

Sem o filme de 1931 provavelmente não haveria qualquer outro sobre o conde imortalizado no romance de Bram Stoker. Não com o mesmo destaque.

Amigo, não dá para avaliar um filme antigo, ou QUALQUER coisa que seja, sem levar em conta sua localização histórica, seu impacto no momento em que surgiu. Drácula de Tod Browning foi um marco, o Avatar de 1931.

Fiz um post sobre seu peso cultural e nem faz tanto tempo assim. Foi tanto que décadas depois da sua estreia, quando o ator principal faleceu , a Folha de São Paulo aqui no Brasil publicou em sua primeira página fotografia dele como Drácula. Reveja clicando aqui.

A versão espanhola não deixa de ser curiosa. Quando o cinema passou a ser sonoro, Hollywood se viu numa encruzilhada, já que não bastava apenas trocar os letreiros no país em que seria distribuído, como era na fase muda.

Piada foi que não sacaram logo que bastava DUBLAR o filme em outra língua. Refaziam o filme inteiro, com elenco específico pra cada região do planeta!

Só a versão latina de Drácula de 31 (outra prova do hit!) permaneceu na roda hoje em dia, como excentricidade, sendo comentada no documentário O Caminho para Drácula (The Road to Dracula, 1999 de David J. Skal) embora os estúdios tenham feito várias outras versões. Tal atitude teve sua importância histórica para o cinema.

Foi assim que Luis Buñuel conseguiu o primeiro contrato no cinema, adaptando roteiros para a língua espanhola. Acha pouco?

A quem interessar possa: Mexeu com Bela Lugosi mexeu comigo. Sim! Como aquela carinha em relação á Xuxa. Humpf!

PS: Nas duas ultimas ilustrações do post, compare (se puder) Bela Lugosi com Carlos Villarías. Tem o que discutir?

[Ouvindo: Requiem Rex Tremendae Majestatis - Wolfgang Amadeus Mozart]

Boogie nights: França vs. EUA

Alban Ceray e Richard Allan (aka Richard Lemieuvre), os lordes do cinema adulto francês de sua era de ouro. Em 1985, no frame de Fantasmes de Femmes (Wild Playgirls) e em 2010, durante o lançamento da biografia de Allan chamada “8000 femmes, mémoires d'un Casanova du cinéma”.

E em se tratando de um ator pornô daquele país nos anos 70/80, não duvido realmente do número de parceiras. As garotas eram de alta rotatividade, os rapazes quase sempre eram apenas esses dois aí.

No livro Allan contabiliza ter participado de cerca de 520 filmes numa carreira de pouco mais de 15 anos. Como o IMDB é bem precário (ou desleixado, refletindo também o hipócrita estigma) com o gênero X, sua filmografia contém apenas (!!!) 191 títulos.

O cinema pornô da França viveu um momento único em todo o planeta durante o período. Assim como em outros países, a revolução sexual e comédias picantes a partir dos anos 60 descambaram para filmes explícitos, principalmente após os números astronômicos que Garganta Profunda (Deep Throat 1972 de Gerard Damiano) conquistou nas bilheterias.

A diferença é que as películas estrelados por Alban Ceray e Richard Allan apresentavam impecável qualidade técnica, enquanto que em outras lugares imperou a precariedade cinematográfica já que "descobriram" que sexo atraía público de qualquer maneira. Algumas das nossas pornochanchadas da Boca do Lixo, por exemplo, chegaram até a serem rodadas utilizando negativos com prazo de validade vencido.

Em relação ao império Norte Americano, firme e forte atualmente, a singularidade é mais gritante ainda. Daria pra escrever um tratado gigantesco a respeito da visão capitalista aplicada á sacanagem.

Na primeira metade da década de 80 os americanos viviam e deliravam com o boom do VHS. Mercado aberto e fácil (não precisávamos mais frequentar insuspeitas salas de cinema, podendo assistir na intimidade do lar), sem falar nos custos muito mais baixos de produção.

A matemática quantidade versus qualidade derrubou nos EUA (depois em todo planeta) qualquer antiga ambição de transformar a pornografia num gênero artístico como qualquer outro. O momento de auge e decadência (artística) da indústria é poeticamente mostrado no filme Boogie Nights - Prazer Sem Limites (Boogie Nights , 1997 de Paul Thomas Anderson).

Assistindo hoje, difícil dizer (se não levarmos em conta a estética do elenco) que os filmes franceses e americanos foram produzidos naquela mesma época. No Velho Mundo continuaram a usar negativo, cuidados com a fotografia, cenários e todo o apuro que o cinema merece, enquanto na Terra do Tio Sam foi o pega pra capar de colocar duas (ou mais, claro) num espaço, ligar a câmera de videoteipe e ponto!

Geraram assim uma quantidade absurda de vídeos. Infelizmente, como americanos sempre foram excelentes em distribuição (vide o domínio Hollywoodiano), invadiram mundialmente o mercado de videolocadoras como nenhum outro país.

Da Hollywood clássica aderiram (e usam curiosamente até hoje) ao sistema de star system exclusivo e subgêneros para todos os gostos. E assim o Tio Sam deu olé nos pioneiros suecos e nos caprichosos franceses.

Veja também:
Incrível carbono erótico
Nem tudo foi mar de rosas no pornô 70’s
Garganta Profunda, sinos e jorrões


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