quinta-feira, 31 de março de 2011

As Certinhas do La Dolce

Mamie Van Doren
Burlesca


Um oferecimento Truus, Bob & Jan too!

[Ouvindo: He Lied – Renee Raff]

Recontando Grace Kelly

No quase universo paralelo onde existem os telefilmes “baseados em fatos reais”, a cinebiografia Grace Kelly, de 1983, merece atenção. Rodado um ano após a morte trágica da princesa de Mônaco, claro que pega bem leve em sua trajetória.

A escolha do elenco é um achado! A começar por Christina Applegate como a jovem Grace Kelly, que infelizmente só aparece quase que apenas nos crédito iniciais.

Aos 12 anos, não ganhou texto nem o nome na abertura. Ficaria internacionalmente conhecida como a Kelly Bundy no seriado Um Amor de Familia (Married with Children 1987-1997).

Ao crescer, Grace Kelly vira Cheryl Ladd! Outra figurinha fácil da TV americana que despontou após substituir Farrah Fawcett na segunda temporada de As Panteras (Charlie's Angels 1977- 1981).

Ladd lembra em muitos momentos bem mais Tippi Hedren que Grace Kelly. Embora sua aparente fragilidade física combine com o tom de açucarado de contos de fadas da dramatização.

E como toda história de princesas encantadas, o telefilme vai apenas até o casamento da atriz com o príncipe Rainier. Interessantemente, misturaram cenas reais da cerimônia com a reconstituição.

Veja também:
Agitada vida sexual de Grace Kelly
Grace Kelly: trágico fim da vida gloriosa
Os múltiplos talentos de Cheryl Ladd


[Ouvindo: Mamée la créole – Léona Gabriel]

Como uma lenda brasileira virou sucesso em Hollywood

Interessante que O Monstro da Lagoa Negra (Creature from the Black Lagoon, 1954 de Jack Arnold) foi intitulado na Alemanha “Der Schrecken vom Amazonas”. Pra não ter dúvidas da nacionalidade da criatura!

Bem antes de Rodrigo Santoro arranhar o inglês em Hollywood, já tínhamos esse brasileirinho por lá. Raramente Santoro se tornará tão popular quanto o ser das profundezas do Amazonas, um (desculpe o trocadilho) divisor de águas no cinema de horror.

Mas as cenas em que aparecem escritos em português, como “Instituto de Biologia Marítima”, foram filmadas nos EUA mesmo, num lugar chamado Portuguese Bend, na Califórnia. Talvez por isso não derraparam escrevendo em espanhol.

A origem de O Monstro da Lagoa Negra remete a Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941 de Orson Welles). Conforme conta o historiador Tom Weaver, o produtor William Alland era ainda um dos atores da trupe Welles.

Em Cidadão Kane, Alland faz o repórter (sem rosto) que tenta decifrar a palavra “Rosebud”. Num dos jantares na casa do diretor, costumeiros para confraternização de elenco, estava Dollores Del Rio, então namorada de Welles.

Mexicana, deve ter convidado o conterrâneo cineasta Gabriel Figueroa. Este, a certa altura da noite (não se sabe se com alguns graus etílicos a mais) começou a contar sobre suas andanças pela América Latina.

Fez cessar o burburinho dos convidados mais precisamente na hora de uma certa história que ouviu no Brasil, numa aldeia de pescadores. Os moradores temem o ser metade homem, metade peixe que uma vez ao ano sai das águas parar levar uma das mulheres ao fundo do rio Amazonas.

Os ouvintes ficaram incrédulos, e alguns até riram. Figueroa insistiu por uns cinco minutos que não era piada, a criatura existia mesmo, os habitantes de lá viviam falando nisso e até já tinha visto uma foto dela.

Quando William Alland tornou-se produtor, lembrou da história que ouviu 10 anos antes, sinal deu lhe foi marcante. Misturou a ideia com King Kong (1933), e assim gerou um dos mais famosos (e queridos) monstros do cinema.

Evidente que se tratava do folclore amazonense sobre o Boto, realmente dito como verdade pelos caiçaras locais até hoje. A mesma lenda também filmada por Walter Lima Jr. em 1987 como Ele, O Boto.

O poster germânico é um oferecimento Nice Dawg

quarta-feira, 30 de março de 2011

Proteção espacial

Se um dia eu fizer terapia, vou passar muito mais tempo falando da frustração em nunca ter tido uma arminha de raio laser, do que mal da minha mãe. Batata!

Laser é modo de dizer, óbvio. Só o design retrô já é o máximo! Quem nunca brincou com que o secador da mamãe era bom pra matar alienígena?

Nem tô sozinho nessa! Veja esta galeria no Flickr, só com “armas” do tipo.

A imagem é um oferecimento deebe63

[Ouvindo: Quiet Sound– Liz Damon's Orient Express]

Pornochanchada com kibe

Polêmica! Senta No Meu Que Eu Entro Na Tua (1985 de Ody Fraga) seria uma mera cópia de Pussy Talk - Le sexe qui parle (1975 de Claude Mulot)?

Pelo menos o episódio “Alô Buça!” em que o órgão genital da protagonista se rebela em alto e bom som pra sua dona. Nas palavras da dita cuja, ela “Se esfrega em qualquer um e depois sou eu quem leva pau”.

Um dos mais bacanas filmes da fase explícita da Boca do Lixo, tão hilário e crítico quanto grosseiro com os hábitos sexuais. O cume é a dona cantando “Isso me dá tique-tique nervoso” em coro com sua vagina.

O francês, produzido uma década antes, parece quase se tornar um filme de terror, embora também tenha humor. Ainda há incontáveis semelhanças nas sequências, não só no argumento.

Com certeza descobrir coisa destas antes da Internet era quase impossível. Bem aventurada a rede que nos regala com luz em obscuridades cinematográficas.

[Ouvindo: Mademoiselle Denise – Caco Velho]

Pausa para nossos comerciais

Un caguro? No, un ragazzo "pon-pon"

Desde a invenção do bambolê, aquela roda plástica álibi para qualquer rebolado, que inventores quebram a cuca afim de algo tão simples e que cole na gurizada. Febre mesmo só o Cubo de Kubrick, aka Cubo Mágico, e o ioiô conseguiram.

Fora isso foi um tal de mola maluca, chaveirinho de fio de telefone que vira colar, vai e vem e o flop Pogobol. Uma bobagem de plástico cara que a Estrela tentou transformar em algo cool na década de 80.

Ragazzos “pon-pon”, assim como qualquer outra brincadeira propensa a virar coqueluche, vai e volta. Lembro-me da Christina Applegate saltitando nele em Viva! A Babá Morreu (Don't Tell Mom the Babysitter's Dead, 1991 de Stephen Herek).

Meu sobrinho teve sua fase ragazzo “pon-pon”! A contragosto do pai, que olhou de soslaio, evidentemente.

A imagem é um oferecimento Sonobugiardo

[Ouvindo: Ouriço – Serguei]

terça-feira, 29 de março de 2011

O cachorro mais feliz do mundo

Joey Tribbiani e Mozzarella, num dos mais inesquecíveis momentos de Friends. Aquele Com O Vídeo do Parto (The One with the Birthing Video, 2002), 185ª episódio e ainda com lampejos ótimos.

Quando ele fica deprimido com a paixão não correspondida por Rachel, Phoebe empresta-lhe um cachorro emprestado. Não qualquer cachorro, mas o mais feliz do mundo!

Não demora muito para que Joey deprima o cão, enchendo suas orelhas com lamúrias amorosas. O cachorro acaba confirmando a fama de grandes ladrões de cenas que são os animais.

E de todo o elenco, Matt LeBlanc parecia ser o mais fraco. Levou duas ou três temporadas para “entender” seu personagem cafajeste, facilmente ofuscado na comédia física, desprovido de qualquer graça.

Revendo todos os episódios agora em DVD, na sequência, como um filme gigante, acaba tornando-se um dos favoritos. Ocasiões como o do episódio comentado, da oitava temporada, revelam um humor clássico, melancólico.

Pena que na época todos torceram para que Rachel ficasse com Ross no final. Joey foi o único que realmente evoluiu durante a década em que o seriado durou.

Lamentável também que o spin-of Joey (2004-2006), seu show subsequente, utilizou o personagem de 10 anos atrás, não o que nos cativou durante Friends. Não dava pra esperar outros dez anos.

[Ouvindo: Mr Fantasy's Love – Fantastic Plastic Machine]

Estrelas morrem em trio?

Doentinha, já com as duas pernas amputadas, Zsa Zsa Gabor ficou em pânico com a notícia de que Elizabeth Taylor falecer. Garantiu que seria a próxima a morrer já que estrelas morrem de três em três.

Jane Russell, Liz Taylor e ela! Nunca tinha ouvido falar nessa lógica astral com estrelas de Hollywood.

Enfim, estava errada! Farley Granger faleceu no último domingo (27) aos 85 anos, longe de ser mitológico como as outras, mas um astro!

Com longa carreira, começou em 1943 e seu último trabalho foi neste ano, Granger será lembrado por Festim Diabólico (Rope, 1948) e Pacto Sinistro (Strangers on a Train, 1951). Em ambos, dirigido por Alfred Hitchcock.

Em 2007, na autobiografa "Include Me Out" confirmou a sua sempre comentada bissexualidade, revelando casos com estrelas femininas e masculinas. Manteve romance com o produtor Robert Calhoun por décadas, até a morte do parceiro em 2008.

Cá pra nós, o brasileiro Leonardo Brício é a cara de Farley Granger. Sempre achei...

[Ouvindo: Bongo Rock – The Incredible Bongo Band]

Norma Bengell sem autorização

Foi o Refer quem me enviou esta capa aí por e-mail. Recordou o probleminha que a atriz Norma Bengell teve com a Odeon no comecinho da carreira.

A gravadora usou uma de suas fotos promocionais de teatro rebolado para ilustrar (possivelmente) esta capa em 1957/58. Bengell era conhecida, mas não muito, e estava prestes a estrear no cinema, como a estonteante espiã sósia de Brigitte Bardot em O Homem do Sputnik (1959 de Carlos Manga).

Então ela entrou num acordo, se lançando como cantora no 78 rpm "Ooooooh! Norma" também em 1959. Com sonoridade bossa nova, regravou músicas populares como C'est Si Bon e That Old Black Magic .

Sacada de mestre de uma das maiores estrelas do Brasil durante os anos 50 e 60. Num tempo em que entrar em estúdio e gravar um disco não era conquista lá muito fácil, lucrou muito mais se promovendo do que se tivesse requerido na justiça uma quantia em dinheiro.

Conta-se que La Bengell apareceu pela primeira vez na tal chanchada de Carlos Manga, o que não é de todo correto. Na biografia de Ney Latorraca há uma foto dela autografada para o então jovem fã.

Foto dos idos de vedete de Carlos Machado. Latorraca a sita como sua paixão de adolescência, o que nos dá certa noção de sua popularidade anterior ao trabalho de atriz nas telas.

[Ouvindo: Begin The Beguine – Alvino Rey]

sexta-feira, 25 de março de 2011

Vista do observatório Griffith

Desculpe o trocadilho, mas Sal Mineo sempre me pareceu a figura mais sem sal de Hollywood. Essa foto aí me fez automaticamente pensar: “Tá olhando pra onde, rapazinho?!”.

Tenho uma antipatia que nem consigo explicar. Talvez pelas mesmas carinhas e bocas que usou em todos os papéis, como se certa fragilidade fosse predicado...

... Ou porque a primeira vez que o vi foi empatando o samba entre James Dean e Natalie Wood em Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955 de Nicholas Ray). Quem precisa de pílula com um carinha CHATO segurando vela?

A imagem é um oferecimento TikiLizzy

[Ouvindo: Happy days – Bear]

Eles estão dentro de nós!

Outro cartaz lindão assinado pelo artista Weaver Lima para o Filmes Malditos. A edição deste mês acontece amanhã (sábado, 26) no Cine Majestik em Fortaleza (CE).

Como se percebe pelo pôster, serão exibidos três filmes sobre o tema parasitas. Pérolas do cinema independente, raras de serem vistas em tela grande no Brasil.

Na ordem de projeção: Brain Damage (1988 de Frank Henenlotter), O Escondido (The hidden, 1987 de Jack Sholder) e A Noite dos Arrepios (Night of the Creeps, 1986 de Fred Dekker). Trailers, endereço e mais informações sobre os filmes e a mostra na página do evento.

Cinéfilos vão gostar de saber que podem adquirir esse cartaz em tamanho gigante(112cm x 76cm) exclusivo da sessão lá na hora. E por apenas 5 Reais!

[Ouvindo: Samba De Rei – Leny Andrade]

Os Jetsons: 5 tecnologias reais hoje

Produzido em 1962 pela Hanna-Barbera, Os Jetsons era uma forma de satirizar os costumes de sua época, os refletindo no século XXI. Exatamente o tempo em que vivemos.

Há alguns exageros, como os carros disco voador, cozinhar ou fazer as mais bucólicas ações do cotidiano simplesmente apertando botõezinhos. Releva-se, do mesmo jeito que sabemos que homens jamais conviveram com dinossauros conforme aparece em Os Flintstones.

1 – TV de Led ou plasma - Febre absoluta no começo dos 60, a televisão (chamada na dublagem brasileira de aparelho televisor), eram uns monstros grandes e pesados. Grande sacada notar que o tubo seria extinto no futuro.

2 – Monitor no desktop - Visto apenas na mesa do chefe, o rico Cosmo S. Spacely, onde constantemente conversa com a austera esposa por vídeo chamadas (Skype?).

Provável que a câmera seja embutida como em muitos computadores em 2011. Nem de leve aparenta ser uma TV da época também.

3 – Vigiar como está seu filho na escola/creche – Serve bastante comum via internet prestado por creches e escolinhas. Ainda só não é possível pegar o filho com uma garra mecânica de lá até em casa.

4 – Manter amizades à distância – O pequeno Elroy tem o hábito de bater-papo até altas horas com um amiguinho que não conhece, morador de Plutônia. Muito parecido à relação pai – filho -MSN, o pai precisa mandar ele várias vezes desligar e ir pra cama.

5 – Aparelhos de comunicação móveis – Ao fundo se vê alguns senhores entretidos em aparelhos similares a TVs portáteis. Mas também podem ser smartphones, distraídos em redes sociais como Twitter, com o mundo todo à volta.

Repare no senhor de chapéu à direita. Estaria lendo notícias num tablet?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Procurando confusão

Se há cliché sobre o comportamento humano que duvido não estar correto é este! Garotas invariavelmente se encantam pelo cara errado.

Palpite de conselheira sentimental de revista feminina: Mania (maternal?) de querer cuidar, consertar, ajudar... Em miúdos, crê que pode mudar o outro.

Não se apaixona pelo sujeito em si, mas pelo que ele se tornará graças a ela. Pretensão besta que vai render frustração pra todos os lados.

A capa é um oferecimento Ernie Uszniewicz

[Ouvindo: Mr Lucky – Betty Wright]

Pondo as aranhas pra brigar

Filmes com sociedades dominadas por mulheres malignas ruíram junto à conquista de alguns direitos básicos femininos. Mulheres no poder agora aparentam ser menos assustadoras.

Em países como a China, esse argumento deve ter vingando um pouco mais. As sete demônias aranhas são de Pan si dong, aka Cave of Silken Web, produção de 1967 da lendária Shaw Brothers.

Bem feitinho, aparenta ser mais novo do que é. E capricha ainda nos efeitos especiais!

Dúvida se a cor da roupinha influencia na cor da teia que cada uma expele, mas aí, só perguntando pras mesmas. Embora como elas se reproduzem, ali, numa caverna erma, parece ser algo mais contundente.

Já sei! Já sei! Vão dizer que eu penso logo em sexo... C'est la vie!

Imagens são um oferecimento Monster Movie Music.

[Ouvindo: Follow the Duke – Stereophonic Space Sound Unlimited]

As Certinhas do La Dolce

Erika Blanc
Napoleônica


Um oferecimento Medusa Fanzine

[Ouvindo: The Peanut Vendor– Alvino Rey]

Related Posts with Thumbnails