sexta-feira, 22 de julho de 2011

Boogie nights: França vs. EUA

Alban Ceray e Richard Allan (aka Richard Lemieuvre), os lordes do cinema adulto francês de sua era de ouro. Em 1985, no frame de Fantasmes de Femmes (Wild Playgirls) e em 2010, durante o lançamento da biografia de Allan chamada “8000 femmes, mémoires d'un Casanova du cinéma”.

E em se tratando de um ator pornô daquele país nos anos 70/80, não duvido realmente do número de parceiras. As garotas eram de alta rotatividade, os rapazes quase sempre eram apenas esses dois aí.

No livro Allan contabiliza ter participado de cerca de 520 filmes numa carreira de pouco mais de 15 anos. Como o IMDB é bem precário (ou desleixado, refletindo também o hipócrita estigma) com o gênero X, sua filmografia contém apenas (!!!) 191 títulos.

O cinema pornô da França viveu um momento único em todo o planeta durante o período. Assim como em outros países, a revolução sexual e comédias picantes a partir dos anos 60 descambaram para filmes explícitos, principalmente após os números astronômicos que Garganta Profunda (Deep Throat 1972 de Gerard Damiano) conquistou nas bilheterias.

A diferença é que as películas estrelados por Alban Ceray e Richard Allan apresentavam impecável qualidade técnica, enquanto que em outras lugares imperou a precariedade cinematográfica já que "descobriram" que sexo atraía público de qualquer maneira. Algumas das nossas pornochanchadas da Boca do Lixo, por exemplo, chegaram até a serem rodadas utilizando negativos com prazo de validade vencido.

Em relação ao império Norte Americano, firme e forte atualmente, a singularidade é mais gritante ainda. Daria pra escrever um tratado gigantesco a respeito da visão capitalista aplicada á sacanagem.

Na primeira metade da década de 80 os americanos viviam e deliravam com o boom do VHS. Mercado aberto e fácil (não precisávamos mais frequentar insuspeitas salas de cinema, podendo assistir na intimidade do lar), sem falar nos custos muito mais baixos de produção.

A matemática quantidade versus qualidade derrubou nos EUA (depois em todo planeta) qualquer antiga ambição de transformar a pornografia num gênero artístico como qualquer outro. O momento de auge e decadência (artística) da indústria é poeticamente mostrado no filme Boogie Nights - Prazer Sem Limites (Boogie Nights , 1997 de Paul Thomas Anderson).

Assistindo hoje, difícil dizer (se não levarmos em conta a estética do elenco) que os filmes franceses e americanos foram produzidos naquela mesma época. No Velho Mundo continuaram a usar negativo, cuidados com a fotografia, cenários e todo o apuro que o cinema merece, enquanto na Terra do Tio Sam foi o pega pra capar de colocar duas (ou mais, claro) num espaço, ligar a câmera de videoteipe e ponto!

Geraram assim uma quantidade absurda de vídeos. Infelizmente, como americanos sempre foram excelentes em distribuição (vide o domínio Hollywoodiano), invadiram mundialmente o mercado de videolocadoras como nenhum outro país.

Da Hollywood clássica aderiram (e usam curiosamente até hoje) ao sistema de star system exclusivo e subgêneros para todos os gostos. E assim o Tio Sam deu olé nos pioneiros suecos e nos caprichosos franceses.

Veja também:
Incrível carbono erótico
Nem tudo foi mar de rosas no pornô 70’s
Garganta Profunda, sinos e jorrões


6 comentários:

Daniel Tavernaro disse...

E da-lhe "Home Made" nos dias de hoje, com câmeras do tamanho da palma da pão gravando em full HD...

Miguel Andrade disse...

Dabiel, vale qualquer coisa. Vingando o estilo americano AINDA!

Daniel Tavernaro disse...

ops, "mão", ao invés de "pão". Que coisa, não, rs!

Miguel Andrade disse...

Dabiel, tinha entendido! Relaxe, vc está em casa AQUI!

Anônimo disse...

Adoro o Peter North fingindo que gosta da fruta nesse poster... hahaha! Já viu os primeiros filmes dele? Dava o rabo que só ele! kkk
Nunca vi filme com esses dois outros aí. Pelo menos não que eu me lembre. Sou ignorante nessa área... pensei que o bambambam dos pornôs naquela época fosse o Rocco. E o John Holmes!!! não esqueço de um que ele fez com a legendária Cicciolina. Não lembro o nome do filme agora.

Miguel Andrade disse...

Anônimo, ah, quem sabe? Tudo é possível. Pode ser realmente um grande ator. rs

Embora nos straight seu desempenhos sempre deixava a desejar... Morno.

Assim, Holmes era dos EUA. Rocco é bem posterior e italiano, e teria entrado na área justamente através da França.

Na biografia de Richard Allan ele diz se orgulhar de ter (no sentido profissional, rs) introduzido o Rocco ao cinema X-Rated.

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