segunda-feira, 31 de maio de 2010

Multiplicando o horror

A Casa de Drácula (House of Dracula, 1945) pertence à segunda fase dos monstros. Quando os novos donos da Universal estavam ávidos em por as mãos em seus maiores tesouros.

Colocaram pra quebrar, literalmente, com todas as criaturas que na década passada foram responsáveis por levar multidões aos cinemas em filmes solos. Depois de Filhos e Filhas, Drácula e Frankenstein passaram a ter casas!

Este A Casa de Drácula colocaria fim aos crossovers tenebrosos iniciado com Frankenstein Encontra o Lobisomem (Frankenstein Meets the Wolf Man, 1943). Os monstros voltariam a se reunir mas para fazer rir em Às Voltas Com Fantasmas (Bud Abbott Lou Costello Meet Frankenstein, 1948).

A sátira leva a vantagem de ter novamente Bela Lugosi usando a capa de Conde Drácula, papel que vinha sendo interpretado por John Carradine. Além de se ouvir no final a voz de Vincent Price como o Homem Invisível.

Tanto A Casa de Drácula quanto A Casa de Frankenstein (House of Frankenstein, 1944) foram lançados em DVD por duas distribuidoras no Brasil. Pela Universal naquela coleção de capas verdes padronizadas, e pela finada WorksDVD (DarkSide), que juntou os dois num mesmo disco.

Fora o fato de que a casa virou mansão no título, o da WorksDVD (DarkSide) contem vários trailers da serie. O do estúdio oficial tem a capa mais feia (não sei se confundiu Boris Karloff com Glenn Strange) e traz apenas um trailer de bônus.

Os motivos para reunir todos eles numa mesma produção eram esdrúxulos. Em A Casa de Frankenstein por exemplo, Lobisomem procura um médico/cientista bondoso que está disposto a lhe curar de sua maldição.

E não é que Conde Drácula também está cansado de ser um morto vivo e também decide sarar? Só que ele acaba mordendo o doutor, que se transformar num cientista louco ao ponto de ressuscitar o Monstro de Frankenstein!!!

Os aldeões enfurecidos que preparem as tochas. Terão um trabalho dos diabos!

Veja também:
A era das trevas
O Filho de Frankenstein em quadrinhos
Sucrilhos monstros Universal


Pausa para nossos comerciais

Linit – Amido de Engomar

Minha amiga dona de casa! A senhora pensa que tem uma vida difícil, trabalhosa?
Imagina sua colegas 60’s? Tinham que aparentar jovialidade e se descabelar pra ENGOMAR suas anáguas!!!!

Isso se não quisesse correr o risco de ficar menos cativante... Olha que anos 60 não faz tanto tempo assim.

Escaneei o anúncio de uma revista de 1962, ano exato em que se passa Mad Men. Sempre que há evento especial na série, lá estão elas passando um sufoco com as saias super volumosas e a cinturinha bem acentuada.

E é bem visível o desconforto delas ao sentar e levantar de uma mesa. Claro que há muita diferença entre as atrizes com o figurino de época com as mulheres realmente daquela época.

Mas dá pra ter uma noçãozinha do que elas passavam. Além do trampo de antes, quando engomaram, passavam... Nem faço ideia de como isso era feito.

[Ouvindo: What's Happening In The City? - Zombie Zombie]

Demented forever

Se menos ocupado eu fosse, um tiquinho menos, sairia gerando arruaça em blogs que promovem o mau cinema. Montaria uma cyber ganguinha em prol do cinema de verdade tal e qual o Cecil B. Demented do filme de 2000.

“Quê? Sex an the City 2? O primeiro não era descartável o suficiente?” ou “Mesmo um lixo você gasta todo esse tempo falando mal, com tantos outros filmes relevantes que não ganharão uma só vírgula de promoção!”.

Com coisas medíocres o ideal seria simplesmente ignorar já que falando bem ou mal se está ajudando para que tamanhos abacaxis existem. Mas não há campanha de marketing, por mais forreca que seja que essa gente não caia feito um pato!

A tal da necessidade de pertencer a um determinado grupo prevalecendo sobre a vontade própria do indivíduo. Quanto mais fácil for o conteúdo mais agregará consumidores.

Época de Mostra Internacional de Cinema todos se matam pra ver quem comenta primeiro qualquer produção vinda de países que se bobear nem saneamento básico possuem. Nos outros meses do ano juntam-se numa corrente pelo que Hollywood faz de pior.

“Não é a continuação de mais um filme com adulto fantasiado de palhaço com super poderes que está errada, mas é você! TONTO! Não só pagou pra ver isso como a está propagando!”. Trollagem com causa nobre é isso aí!

A foto maior é um oferecimento Ainda Não Sei o Que Escrever

domingo, 30 de maio de 2010

Corram por suas vidas!

E filme de monstro gigante vindo do espaço sideral sem multidão histérica correndo não tem graça nenhuma! A de A Bolha (The Blob) original de 1958, é especial.

Isso porque, no clímax, quando a gosma vermelha invade um cinema, todos, incluindo crianças e velhinhas (mesmo passando um filme do Bela Lugosi), se acotovelam pra sair pela única porta. A maioria simplesmente olha pra câmera e dá risada!

Tão bom que é necessário ficar voltando a cena pra observar todos em detalhes. Pode ser um dos pouquíssimos casos em que o remake (de 1988) supera o original, mas só por essa sequência, já ta valendo!

[Ouvindo: Backdrifts (Honeymoon Is Over) – Radiohead]

Gracinha do inferno

Brasinha, nome em português para o Hot Stuff, The Little Devil, é uma das melhores adaptações. Denota a época em que o personagem desembarcou no Brasil, na era do iê iê iê.

Quando “é uma brasa” significava que era uma coisa boa. Criado pela Harvey Comics em 1957, faz parte de sua galeria de monstros da mitologia que dificilmente se vê associado a seres “fofinhos”.

Os mais famosos, com serie de desenhos animados e produções de longas Hollywoodianas, são Gasparzinho, O Fantasminha Camarada e Riquinho. De camarada Brasinha nunca teve nada, embora suas maldades demoníacas sejam semelhantes às de qualquer criança.

Embora a criação de ambos seja atribuída a Alfred Harvey, não transitavam no mesmo universo, tendo cada qual uma turma específica. Abaixo, veja o início de uma historinha publicada na revista Gasparzinho n° 86, onde Brasinha faz rara figuração.


Ele teria sido publicado pela primeira vez aqui como tirinha na revista O Cruzeiro. Mais tarde ganhou sua própria revista pela editora Vecchi, mais tarde Rio Gráfica Editora.

Desde que seus direitos expiraram na década de 80, antes da RGE vir a se chamar Editora Globo, que Brasinha não dá as caras nas bancas brasileiras. Mesmo nos EUA, seu país de origem, ele não é publicado desde a década de 90, aparecendo apenas em algumas compilações.

Pode ter ajudado em seu ostracismo a sua adoção como símbolo de gangues de motoqueiros, tema recorrente em tatuagens e a possível mensagem satânica. Sem falar nos tempos pseudo moralistas em que vivemos, onde se pode fazer de tudo, contanto que publicamente tenhamos a aparência que uma igreja qualquer aprove.

De qualquer forma, no esporte o personagem dos infernos foi abraçado como mascote de forma não oficial. Na Austrália por um time de artilharia, e no Brasil pela torcida do futebol do América do Rio de Janeiro.

[Ouvindo: Party – Pizzicato Five]

Dennis Hopper e a invenção da rebeldia

No começo era a luz, e Hollywood disse: Façam-se as trevas! E centenas de jovens com distúrbios de personalidade tomaram as telas.

Foi no cenário transitório da metade da década de 50, quando o público médio deixou de ir ao cinema para ficar em casa vendo TV, que o cinema americano apontou para outra plateia até então quase ignorada. O jovem que jamais deixaria de sair de casa para se divertir ou namorar.

Afinal, que lugar mais propício para se levar um interesse amoroso que a sala de cinema? E assim, adolescentes, que já eram considerados pela indústria fonográfica graças ao Rock, foram notados também como público alvo dos estúdios cinematográficos.

Oportunamente lançaram dezenas de produções com rebeldes inconformados com o mundo em que estavam inseridos. Dennis Hopper, falecido ontem (29/05) surgiu nesse período.

Seu primeiro papel relevante foi em Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955). Junto a O Selvagem (The Wild One, 1953), a obra de Nicholas Ray é germinal ao subgênero “gangues de maloqueiros”.

Hopper é só mais um no bando de deliquentes que hostiliza o mocinho James Deam, mas preservaria a aura de à margem da sociedade pro resto da vida. Com Dean ainda faria Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1955).

Como era de se esperar, ao noticiarem seu falecimento foi amplamente lembrado por Easy Rider – Sem Destino (1969), Veludo Azul (Blue Velvet, 1986) e Velocidade Máxima (Speed, 1994). Mas o que não nos faltam são lembranças dela em dezenas de outros.

Com fama de ser tão durão nos bastidores quanto nas telas, era do tipo de ator que parece nunca dizer não aos papeis que lhe oferecem. Ativo por 6 décadas, o encontramos tanto em obras menores como A Noite do Terror (Night Tide, 1961) como em máximas como Apocalypse Now (1973), sem esquecer de Super Mario Bros (1993) e várias outras bombas homéricas.

Por este estilo vale-tudo, sua “pirraça social” foi vista em 202 produções. Deixou um filme pronto a estrear, “The Last Film Festival”.

[Ouvindo: Anything Goes – Pat Suzuki]

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Quase um século, sr. Price!

E não dá nem pra dizer que parece que foi ontem porque realmente foi! Vincent Price faria 99 anos ontem, 27 de maio!

Até tinha deixado anotado, mas eu esqueço de olhar minhas anotações... Pra não passar a data em branco: Happy Birthday, Vincent Price!

Achei que ornou bem com a data a fina ironia desta imagem do museu de cera californiano. Reproduzindo Vincent Price no filme Museu de Cera (House of Wax, 1953).

Foto um oferecimento Image-archeology

Veja também:
Susto no museu de cera


[Ouvindo: Summertime – Clara Rockmore]

Vanusa linda Spindler

De tempos em tempos surge uma lindeza que os assessores, com o auxílio da imprensa sempre ávida a revelar novidades, tentam nos convencer de que é a futura maior belezoca que o mundo já viu. A vez de Vanusa Sppindler foi nos anos 90.

Gaucha e bonitona, com ares de diva clássica, era divulgada como “a que está quase chegando lá em Hollywood”. A revista Sexy abre a matéria dizendo que ela está apostando tudo na carreira internacional, e logo depois dá sua ficha corrida: Miss Pantera, modelo fotográfico, promoter e atriz.

E ser capa da Sexy não era como é hoje não! Era pra quem podia, não opção de ex-BBB recusada pela Playboy, sendo que ela também apareceu na revista do coelhinho em 1989.

Até dei uma checada no IMDB pra ver por onde anda. Talvez com a ajuda da numerologia, pra carreira deslanchar, agora se chama Spindler!

Pelo site, está fora da careira de atriz desde 1998! Pelo Yahoo! Respostas cheguei ao Orkut da moça, que agora vive no Rio de Janeiro, trabalhando na produção de programas de TV.

Com 168 centímetros de busto (!!!) estreou no cinema brasileiro em O Escorpião Escarlate (1989) de Ivan Cardoso e depois trabalhou em As Feras (1995) de Walter Hugo Khouri. Mas quando a gente ouve o nome dela lembra sempre do mestre zen das Tartarugas Ninja.

Ladies and gentlemen:

Dona de casa, rica e desocupada, passa a receber ameaças de misterioso assassino. Ou tudo pode ser fruto de sua mente ociosa.

[Ouvindo: A Touch of Blue – The Jonah Jones Quartet]

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Gente que é gente se entende

Putz! Mas o Agnaldo Timóteo apareceu assim na capa do compacto de A Galeria do Amor?

Mas nem tinha que ouvir a música pra saber do que ela se trata... Como diria o Vanessão de Ji-Paraná, o babado é certo!

Na canção, Timóteo estaria fazendo ode à galeria Alaska do Rio de Janeiro. Famoso reduto de encontros entre rapazes.


Ouça no player acima e tente prestar atenção APENAS à letra, não nos “erres” lindamente pronunciados. Tão dramático!

Veja também:
Na Serra Pelada


[Ouvindo: Isnt it Romantic – Alvino Rey]

Onde se ganha o pão...

Deve ser dureza, dureza trabalhar na industria X-rated. Ganhar a vida em qualquer área de entretenimento geralmente É furada!

Glenn Steers é o editor boa praça, mas eu me encantei mesmo nesse filminho da Colt com a moviola 16 mm! Filmes sobre filmes são ótimos para se observar os equipamentos da época.

Da obra-prima Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950) a este The Company We Keep (1983). E quanto mais pobre a produção mais antigo parece ser!

Outra coisa curiosa, é que a tecnologia está relacionada diretamente ao teor artístico e comercial. Em qualquer gênero cinematográfico.

[Ouvindo: Que Sera Sera – Doris Day]

Mulher ou monstro?

De marte ou das trevas, Hazel Court foi a primeira dama do horror gótico inglês. Embora seja mais lembrada pela série de adaptações de Edgar Allan Poe que o americano Roger Corman dirigiu.

Dos 7 filmes apareceu em três deles: Enterro Prematuro (Premature Burial, 1962), O Corvo (The Raven, 1963) e A Orgia da Morte (The Masque of the Red Death 1964). Em todos, está do lado sombrio da humanidade.

Nem em A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein, 1957), estréia do estúdio conterrâneo Hammer no horror, ela pode ser chamada de boa moça. É a garota em perigo, mas casou com o primo, o tal barão “com sede de brincar de Deus”, com intenções financeiras.

Arquétipo da moça que não era pra casar. Seu corpo voluptuoso combinava bem com as intenções cristãs que tais produções utilizavam para dar medo.

Veja também:
Roger Corman - Quando economia não é base pra porcaria
Uma noiva para Satã


[Ouvindo: Tears On My Pillow – The Fleetwoods]

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Sylvia Kristel como nunca vimos: nua!

Lembrei da existência deste site, em que o cara transforma Barbies em estrelas de cinema, outro dia. Assistindo Precipício D’almas (Sudden Fear, 1952) reconheci que um dos figurinos da Joan Crawford era o mesmo que eu já tinha visto nas tais bonequinhas.

E já tinha postado a respeito! Bastava procurar nos arquivos do blog e checar se a memória não me traía.

Wow! Mas é um post de maio de 2003! 2003! E eu estava errado nele, o artista se vira até pra recriar as roupas.

Quanta água rolou desde 2003? Engraçado é que não consigo de jeito algum me lembrar de coisas banais, como os números dos meus telefones.

Talento para memorizar coisas inúteis deve ter alguma utilidade. Só preciso saber qual é...

Veja também:
Gente grande pra gente pequena


[Ouvindo: Klang Yok – Sornpetch Sornsupan]

As Certinhas do La Dolce

Jean Seberg
Calibrada.


[Ouvindo: Booker to Hooker – Khan]

De carne e osso para desenho

Inesquecíveis frames da abertura de Heidi (Heidi, Girl of the Alps). Anime dos anos 70, marcante para gerações de vários países.

Particularmente este trecho parece ter o toque de gênio de Hayao Miyazaki, um dos responsáveis pelo desenho. A perfeição dos movimentos lembra bastante o das suas obras como A Viagem de Chihiro (Spirited Away, 2001).

Mas não é! A dança em círculos de Heidi e Pedro é obra do animador experimental Yasuji Mori. Para conseguir o efeito mais realista possível ele teria filmado em Super 8 o colega Miyazaki e o diretor Yoichi Kotabe dançando de mãos dadas.

A técnica, conhecida como Rotoscopia, é bastante conhecida desde os primórdios do cinema. Walt Disney já a empregou no seu Branca de Neve e Os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs, 1937).

Isso pode explicar a repetição dos movimentos em incontáveis dos seus longas. Há algum tempo roda pela Internet um vídeo comparando determinadas cenas.

Branca de Neve dançando com os anões é idêntica à certas sequencias de Robin Hood, Mogli, etc. Todos da fase mais econômica do estúdio, na década de 60.

Reaproveitaram o trabalho com rotoscopia de Branca de Neve (que deve ter sido intensivo) para contenção de gastos. Assista clicando aqui.

Em 2006, Richard Linklater radicalizou dirigindo O Homem Duplo (A Scanner Darkly) apenas com a técnica. Utilizando PCs, claro, mas máquinas, como se sabe, não trabalham sozinhas.

Aquém das expectativas, o filme vale algumas estrelinhas a mais justamente pelo experimento. Pelo menos para quem realmente gosta de cinema e animação.

Veja também:
Rotoscopia e a Mulher Maravilha
O "Mickey"" da Warner...
Em glorioso preto e branco
A garota dos Alpes


terça-feira, 25 de maio de 2010

Orientando damas e cavalheiros

Muito me frustra nunca ter sido convidado a cuidar da identidade visual de uma empresa. De uma empresa que tivesse dono com cuca legal eu quis dizer!

Por exemplo, adoraria usar essa imagem do Ultaman G para indicar os toaletes, "ali e acolá". E o G do nome do herói é só mero detalhinho.

Sem referência com a sexualidade dos frequentadores. Ou sim!

[Ouvindo: Not Mine – Peggy Lee & Benny Goodman]

Pausa para nossos comerciais

Presenteie com emoção neste natal – Dado Group

Mas é muita emoção, hein Rosa? Tanta emoção que periga enfartar o pobre Bom Velhinho!

Os vídeos picantes da nobre deputada Ilona Staller (aka Cicciolina) e os de zumbi do Lucio Fulci eu ficaria muito agradecido em ser regalado. Seria um natal dos diabos!

E faz falta essa Dado Group lançando no Brasil tudo e qualquer coisa que o cinema comercial italiano. Tal e qual a Everest Vídeo com o Japão.

Nos bons tempos do boom do VHS, as distribuidoras menores se viravam como podiam. E a fartura era bem maior em termos de variedade nas locadoras.

Olha, tem doido no Mercado Livre vendendo fita da Dado Group por R$ 300,00!!! E logo do lastimoso Canibal Ferox...

[Ouvindo: A Land For Renegades - Zombie Zombie]

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