sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Jeitinho hollywoodiano de por fim a romances inconvenientes

Robot Monster (1953 de Phil Tucker) leva a expressão filme trash a um patamar todo especial. O monstro espacial ser resto de fantasia de gorila com capacete de escafandrista reaproveitado é mero detalhe.

E é tanta vergonha alheia que se para pra pensar quem são aqueles “atores” pra toparem tal projeto. A tiazinha, na verdade a mãe, Selena Royle, estava em fim de carreira mesmo, graças a ter caído na lista negra dos simpatizantes comunistas.

O caso mais curioso é o do herói da fita, o intrépido Roy que passa a maior parte da fita sem camisa. Aquele que consegue ter cabeça pra praticar sexo no meio do mato com a mocinha em plena apocalipse alienígena!

George Nader foi um dos poucos a ter alguma chance posterior em Hollywood. Conseguiu contrato com a Universal Estúdios e em 1955 foi agraciado com o Globo de Ouro de jovem ator promissor.

Só que ele era gay, e namorava o secretário de longa data do astro Rocky Hudson. Também contratado da Universal, Hudson era o maior nome masculino do estúdio, e um dos maiores galãs do cinema norte americano da segunda metade da década de 50.

Os dois acabaram se envolvendo (embora na biografia de Rock Hudson Nader negue envolvimento sexual), o que era prato mais do que cheio para as famigeradas revistas de fofoca da época. Tempos em que publicações como a Confidential e Whisper farejavam o ar em busca de escândalos sexuais das estrelas.

Pipocando rumores sobre o relacionamento deles, ainda tiraram fotos num fim de semana de sol a pino. Ponto! Departamento promocional do estúdio de cabelo em pé!

Levaram em conta que George Nader valia infinitamente menos nas bilheterias. Assim sendo, colocaram um fim na história o mandando morar na Europa.

Segundo a biografia Liz, escrita por Donald Spoto, a Metro teve atitude semelhante com Elizabeth Taylor quando era garota e namoradeira. A cada escândalo que se apontava no horizonte a mandavam ao Velho Mundo.

Com Nader parece que foi diferente, porque ele fez carreira sem seriados da televisão inglesa. Já deve ter ido pra lá com contrato fechado, para não voltar tão cedo.

Mesmo assim ele manteve contato com Rock Hudson. O astro de Robot Monster foi um dos beneficiários do espolio de US $ 27 milhões que Hudson deixou ao falecer em 1985, mais precisamente o único a ficar com os imóveis.

Aposentado das telas desde 1974, quando perdeu a visão num acidente de filmagens, se dedicou à literatura de ficção científica. Seu romance Chrome (1978) é considerado inovador por ser cheio de erotismo envolvendo robôs homossexuais.

Muito doente, morreu aos 80 anos em 2002. Na época, a Varity escreveu que foi um “Triste fim para uma vida glamorosa”.

Veja também:
O homem que peitou a máquina
Galãs acima de qualquer suspeita
O lar feliz de Cary Grant e Randolph Scott


14 comentários:

Glauco disse...

Do secretário para o patrão? Hunf! Alpinista...

Miguel Andrade disse...

Glauco, mas é estranho... Os dois continuaram jutos até a morte.

Não entendi isso.

Glauco disse...

Amor, Miguel, amor...

Miguel Andrade disse...

Glauco, continuo sem entender... LOL!

Refer disse...

Mesmo dentro do armário, Rock Hudson era uma bomba ambulante. Jim Nabors quase teve sua carreira destruída por causa de rumores de uma ligação com RH.

Miguel Andrade disse...

Refer, me espata ser tão difícil assim de ficar no armário. Ou a patrulha era realmente foda?

Refer disse...

Era tudo uma questão de business. Jim Nabors tinha pgm de TV — a emissora cancelaria o pgm dele porque os anunciantes não iam querer suas marcas associadas a um homo. Aí, os apresentadores de outros pgms parariam de convidá-lo pelo mesmo motivo; os colegas o evitariam para não ter sua imagem associada a um homo etc etc. Logo, o Nabors viraria um pária, um leproso, um Wilson Simonal.
O Nabors ficou tão apavorado que parou de ir ao Havaí, onde ele tinha negócios porque o RH tinha casa lá e costumava ficar lá sempre.
Pelo business até casamento arranjaram para o RH.

Miguel Andrade disse...

Refer, sim, claro! RH casou duas vezes com secretariazinhas da Universal.

Mas me referia como é que vazavam essas coisas. Como ficava tão evidente.

Muito antes da AIDS, nos anos 60, Dulce já tinha cantado a bola do Rock Hudson...

Refer disse...

Sei que vc gosta dela, mas a Dulce era uma baita língua de trapo.

Fiquei sabendo que Jeff Chandler era chegado no crossdressing (atenção fãs do Laerte!) lendo o que ela escrevia.

Miguel Andrade disse...

Refer, sei! Você já tinha dito isso aqui! hahahahaha

E mesmo sendo língua de trapo o senhor prestigiava seus escrito? hahahah

Refer disse...

Era muito bem informada, a bruaca.

Miguel Andrade disse...

Refer, verdade! Mas... Ela também dizia da Debbie Reynolds com a Agnes Moorehead.

Sendo que é bem controverso se Moorehead era mesmo lésbica.

Para Dulce fazia sentido a Debbie Reynolds ter "virado a mão" (expressão da Dulce mesmo) por causa dos cafajeste com que casou!!!!

Refer disse...

Marido de Debbie Reynolds só me lembro do Eddie Fisher (morreu este ano, se não me engano). Ele se casou com Liz Taylor, depois.

E daí que a DR "virou a mão"? É de se perguntar o que a dona Dulce tem com isso.

Miguel Andrade disse...

Refer, hahahahaha! Uai, é muito bem informada!

Acho que teve outro marido ou quase, se não me engano. Lembro que Dulce usava plural mesmo.

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