terça-feira, 19 de outubro de 2010

Nem tudo foi mar de rosas no pornô 70’s

Para a posteridade, Harry Reems será sempre lembrado como o Dr Young de Garganta Profunda (Deep Throat, 1972 de Gerard Damiano). O médico que descobre os motivos para a jovem Linda Lovelace não sentir prazer sexual: Seu clitóris se localiza no fundo da garganta.

Apareceu no também clássico The Devil in Miss Jones (1973) e dezenas de outros filmes pornográficos. Nem a prisão nos anos 70 o afastou do gênero, ao qual trabalhou até 1989, quando casou e se converteu ao cristianismo.

Assim como Lovelace, o bem dotado Reems ficou muito famoso com Garganta Profunda. Além das fronteiras dos que consomem o gênero X-rated.

Hoje, diante da industria pornográfica estabelecida (e ainda estigmatizada num nicho) é até difícil de entender o fenômeno pop desse filme. Não é à toa que muitos o consideram o ...E O Vento Levou da pornografia.

Tão forte que parecia ser a luz no fim do túnel aos grandes estúdios de Hollywood, desesperados sem saber lidar com a nova ordem pós-revolução cultural 60’s. A Fox quase falida com o monumental épico Cleópatra (1962) foi o principal alerta de que era preciso mudar.

É citado no documentário Inside Deep Throat (2005) um anexo que a Paramount chegou a construir para investir no ramo do sexo explícito. A Fox contratou o “maldito” Russ Meyer para dirigir o softcore De Volta Ao Vale das Bonecas (Beyond the Valley of the Dolls, 1970).

O problema foi que, junto ao oba-oba da sacanagem, os EUA viviam os negros anos de Nixon no poder, e depois de 74 as incertezas do que era ético. Para desviar a atenção pública, senadores atacaram a indústria pornô ferozmente.

Muito desses políticos descobriram depois, estavam envolvidos até o pescoço com corrupção. Só que eles eram a voz da moral e dos bons costumes, e colocaram o FBI no encalço de atores, produtores e distribuidores dos filmes adultos gerando muito barulho na mídia.

O ator Harry Reems inclusive foi detido nesta época, o que a princípio deve ter lhe ajudado na autopromoção. Já senhorzinho, ele aparece no referido documentário explicando o quanto isto lhe prejudicou.

Com lágrimas nos olhos, conta que esteve prestes a entrar no cinema mainstream, assinando para ser o professor de educação física em Grease - Nos Tempos da Brilhantina (Grease, 1978). Com medo da onda moralista, o estúdio recuou, rescindindo seu contrato durante a pré-produção.

Veja também:
Detetive Johnny Wadd em ação. CORRA!
Garganta Profunda, sinos e jorrões
A grande chance de Bill Cable
A única que dormiu com John Holmes



10 comentários:

Pri[s] disse...

Nunca tinha ouvido falar em Harry Reems mas julgando pelo "desempenho" que aparece na última foto... Ele deve ter sido muito bom mesmo ._. #chocada

Miguel Andrade disse...

Pri[s], hahaha! Sempre tem a primeira vez, né? :D

Ed disse...

Qria a versão 3D de "G.P."!!

Miguel Andrade disse...

Ed, seria ASSUUUUUSTADOR!

Leticia disse...

Nessa última foto ele parece um Falcon com olho de vidro...

Tal como a Acqua velva, eu lembro do bafafá de Garganta Profunda. Na minha cabeça (tipo 8 anos), se igualava ao Último Tango em Paris e Emanuelle. Como não sou cinéfila, não sei se podem ser comparados artisticamente.

De qualquer forma, se igualaram neste nosso país tão cristão.

Verif. de palavras: hutfunde, seja lá o que for!

Miguel Andrade disse...

Letícia, então... Sempre que eu vejo princípios morais sendo debatidos ferozmente por políticos lembro desse lance. Ótimo mote pra esconder assuntos sérios.

Não é a toa que nas véspera de uma eleição presidencial o povão tá mais preocupado com quem é contra ou a favor de aborto do que com projetos de educação.

Leticia disse...

Nunca vi uma eleição que trouxesse à tona tanta merda, Miguel. O que a gente esperava desde o tempo do "Vale Tudo"?

Que o mundo evoluísse, não? Mas se deu o contrário. Parimos uma geraçãozinha conservadorinha de subúrbio. Tenho medo dessa gente.

Miguel Andrade disse...

Letícia, verdade absoluta. Regrediu muito socialmente, politicamente.

Só evoluiu na aceitação da bandalheira. Brasileiro se sente vingado fazendo piada. tai o problema.

Leticia disse...

Não sei o que é pior: fazer piada ou levar a sério esses temas (argh!) "polêmicos". As opiniões são sempre tão bundas, tão superficiais...

Miguel Andrade disse...

Letícia, não tenho mais esperanças. Pra mim é como dizia aquele filme: Cronicamente inviável!

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