quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Triste (tristíssima!) vida de Suzan Ball

Amor impossível, holofotes de Hollywood, tragédia e o amado a reconhecendo numa possível reencarnação brasileira. A vida de Susan Ball parece uma telenovela ou um daqueles dramalhões de Douglas Sirk.

Prima de segundo grau de Lucille Ball, demonstrou talento para a dança desde nova, conseguindo fazer pontas em alguns musicais a partir de 1952, com 18 anos. No ano seguinte já era aclamada por Hedda Hopper, fofoqueira número 1 de Hollywood, como revelação do momento.

Dentro do conto de fadas cinematográfico em que sua vivia, encontrou seu príncipe ao conhecer Anthony Quinn. Só que ele era casado, e mesmo depois de um ano de romance proibido, não abandonou a esposa.

Dedicada à carreira, a starlet seguiu em frente, tendo a oportunidade de papeis cada vez melhores. A sorte profissional caminhava em caminho oposto à de sua vida sentimental.

Uma lesão no pé enquanto filmava (East of Sumatra fr 1953 com Anthony Quinn!) foi o estopim para a série de infortúnios. Mais tarde, foi informada pelos médicos de que haviam se desenvolvido tumores em sua perna direita.

Em janeiro de 1954, aos 20 anos, recebeu a trágica notícia de que precisaria amputar a perna. Três meses depois, tendo como convidados o casal Tony Curtis e Janet Leigh entre outras estrelas jovens, casou-se com o também ator Richard Long.

Longe dos musicais, tentou trabalhar na emergente TV, veículo em que seu marido atuava. Só que as dores não pararam chegando a desmaiar pouco antes de entrar em cena.

No hospital, outro choque ao ser constatado que o câncer tinha alcançado seus pulmões. 16 meses depois, em 5 de agosto de 1955 (mesmo dia e ano de Carmen Miranda), Suzan Ball faleceu aos 21 anos de idade.

Sua biografia do IMDB consta que, suas últimas palavras foram “Tony” forma carinhosa com que se referia ao amado Quinn. Ele só se divorciaria uma década depois, se casando outras duas vezes.

Com essa história me lembrei do que ocorreu quando Anthony Quinn esteve filmando no Brasil em 1998. Sabendo de como foi dramático seu romance com Suzan Ball, parece que faz algum sentido.

Foi bastante divulgado pela imprensa o susto que ele levou no Paraná ao ver a menina Maria Rosa de 11 anos, que estava ali para pedir autógrafo. “ficou paralisado, segurando a mão da criança até quando pôde. Ele falou que ela era a reencarnação de um grande amor da vida dele” disse a mãe da garota.



Veja também:
Das favelas de Calcutá à Hollywood
Charles Boyer, romântico como na ficção


[Ouvindo: Raphaël – Carla Bruni]

16 comentários:

Igres Leandro disse...

Nossa! Que história! Muito triste mesmo.

Só não entendi um trecho. Ela continuou trabalhando na TV mesmo depois da perna amputada ou ainda não tinha realizado a operação?

Miguel Andrade disse...

Igres, escrevi linearmente. Tentou trabalhar na TV após a operação.

Leticia disse...

Eu sabia por alto dessa "descoberta" do Anthony Quinn mas não do resto.

Bem fez Maria Rosa! E teria sido mais peremptória ainda em sua decisão de soubesse o lugar chinfrim que Susan Ball ocupou, de fato e por decisão dele, e sua vida, né mêssss??

Miguel Andrade disse...

Letícia, eu é que liguei as histórias. Imagina se no meio de tanta tragédia ele não guardou a culpa até ficar bem velho?

Mas não o culpo, porque, como bom mexicano devia ser católico, imagina o peso social que uma separação teria naquela época?

Mais: A mulher dele era filha adotiva de Cecil B. Demille, que, veterano na industria do cinema, devia mandar em meio mundo na indústria. Enfim... Fiquei só refletindo..

Quanto à Maria Rosa, muito absurdo a mãe da menina não ficar junto! Eu iria impor isso. "fico! Mas minha mãe também fica!".

Note que há uma semelhança nasal entre o nariz da Suzan Ball e o da Maria Rosa.

Leticia disse...

Ah, tá, entendi!

Ao contrário de Ingrid Bergman, que largou tudo pra ficar com seu amôôrrrr, esses caras eram uns borrados de medo, não?

Ou vai ver até Susan Ball não era "pra casar" mesmo, quem sabe?

Quanto à mãe da menina, saquei o tipo: estava toda animada pra largar a filha em Hollywood, e depois de passado o tempo, veio com esse papo de "ninguém vai nos separar". Tá, eu tô!

Miguel Andrade disse...

Letícia, sim! Jovem latino batalhando em Hollywood...

Mas acho que ela era pra casar sim porque casou correndo com outro! Deve ter sofrido pacas até sentimentalmente.

hahahaha também saquei isso da mãe da guria!

Refer disse...

Assisti a esse filme, 'Ao Sul de Sumatra', no cinema — não me lembro porranenhuma. Também, eu não tinha nem 10 anos.

A história de Maria Rosa tá bem distorcida. Ela ficou uns 3 meses nos EUA e não queria ir pra escola de jeito algum. Mas saía todo dia para fazer compras no shopping, e a bruaca da mãe dia e noite no tel. pedindo coisas: 'compra um tênis pro teu irmão', 'um som pra tua irmã', 'um sapato pra mim'.
O A. Quinn tomou uma advertência das autoridades: nos EUA o responsável tem de pôr a criança na escola.
Aí, ele deu uma enquadrada na biscatinha, que se saiu com o seguinte: 'Não vim pra cá pra estudar e só vou ficar se a minha mãe vir morar comigo.'
O AQ sacou a besteira que fez, ficou com medo de ser preso e no dia seguinte mandou devolver a miniperua para a bruxa da mãe dela.

Miguel Andrade disse...

Refer, wow! Tinha me esquecido disso. Comentaram na época que teria acontecido isso mesmo.

Não sei se é neste vídeo que coloquei no post ou num outro que vi no You Tube, do Fantástico, que dá pra sentir um tom desdenhoso na voz dela quando diz "Ele queria que eu estudasse"...

Mas enfim, que loco você ter visto esse 'Ao Sul de Sumatra'. Um dos poucos filmes dela.

E ela foi morrer logo no dia da Carmen Miranda... Mal devem ter noticiado sua morte.

Aliás, eu cheguei até ela por causa da data 5 de agosto, mesmo dia da Marilyn, só que em 1962.

Daí fui ver a lista de todos que faleceram naquele dia e me surpreendi com a pouca idade da Suzan Ball. Lendo a sua biografia me lembrei do lance do amor perdido do AQ.

Leticia disse...

Miguel, acho que naquele tempo mulheres que não eram pra casar acabavam casando...

Refer, voilá! Eu estava achando essa história muito fofinha pra ser brasileira. (

Dizendo pra mim mesma "A fórmula aqui é uma só, aprenda, criatura!")

Miguel Andrade disse...

Letícia "Eu estava achando essa história muito fofinha pra ser brasileira." Verdade! Hahaha

Eu também... A gente se engana!

Leticia disse...

Não tem como. Não gosto muito de cair no lugar-comum da crítica pela crítica, mas, cá pra nós, a gente é um povinho bunda mesmo, não? Estamos sempre às voltas com um rolinho e, pior, com discursinho piegas. Isso enche!

Cris Mitsue disse...

Os traços dela me lembra a Uma Thurman.. hmmm

Miguel Andrade disse...

Letícia, enche tanto quanto a patriotada que aplaude seu futebol e dá as costas para as coisas que realmente são relevantes.

Cris, verdade! Não tinha notado isso.

rocky gadelha disse...

Suzan Ball continuou a trabalhar no cinema, mesmo com a perna amputada. Posteriormente, teve que amputar a outra perna e no seu último filme, um western, aparecioa sempre sentada. A sua doença foi explorada por Hollywood.
Na véspera da sua morte, Carmem Miranda tinha enviado flores para ela, no hospital, desejando sua recuperação.Morreram no mesmo dia,mas o mundo deu poca atyenção ao fato de Suzan Ball, por causa da morte de Carmem Miranda.

Miguel Andrade disse...

Rocky, exemplo de força de vontade. Pois é, no mesmo dia 5 de agosto de Carmen Miranda.

Aliás, num 5 de agosto 7 anos depois faleceria Marilyn também. Se não me engano, foi por isso que cheguei até Suzan Ball.

Fã da TV e Cine disse...

A «vidas« não é uma das principais revistas de portugal.
É um suplemento de oferta de um jornal. Poucos conhecem.

O resto não sabia mas nunca dá para saber ao certo qual a verdade.

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