segunda-feira, 13 de abril de 2009

Pausa para nossos comerciais

Cigarro nunca tem hora certa pra acabar. Souza Cruz

Todos nós estamos calejados de saber que cigarro é um trocinho fedido pra cacete e nos fará (há controvérsias!) passar nossos últimos dias implorando por um pouco de oxigênio. Mas isso é um direito de cada um!

Essa lei votada recentemente, onde fumantes podem usufruir de seu vício apenas em casa, é só mais uma das rebarbas do tempo em que o Brasil vivia com sua liberdade cerceada. Mas ao mesmo tempo, perto de tantos desaforos, como a mulher não poder decidir sobre sua própria gestação, significa muito pouco.

E foi um susto ir hoje comprar (com MEU dinheiro, conquistado honestamente, e daí?) cigarro e descobrir que 10 reais não dão mais pra comprar três maços e sobrar um troco. É o que faltava pra escancarar a pouca vergonha nacional. Apenas fumaça nos olhos do Zé Povão.

Governador José Serra (sei que o senhor acompanha avidamente o La Dolce Vita! Rá!), menos teatro e mais ação! Pago uma fortuna de ICMS mensalmente. Tenho direito a me entupir de gases cancerígenos e mesmo assim exigir um sistema público de saúde decente.

Aguce seus esforços numa jornada anticorrupção. E aí sim, sobrará bufunfa. Não queira me fazer de idiota!

Nada justifica, por exemplo, se pagar por um quarto de hotel e lá dentro não se poder ao menos dar umas tragadinhas. Sabemos que enquanto se paga a diária o espaço é nosso.

Quem trabalha honestamente, e isso não é mais do que obrigação, tem sim o direito de viver LEGALMENTE como bem entender. E o Estado que invente outra forma de dizer que está de olho na gente!

[Ouvindo: Yoneyama Sankara – Peanuts]

18 comentários:

Metheoro disse...

ABALOT!

Miguel Andrade disse...

Metheoro, mas não é verdade? ;) !!!

Leticia disse...

Nem ligo, Miguel... (Isso porque sou uma fumante que quer parar de fumar um dia.)

Pra mim essa lei é como proibir a entrada de bolsas ou máquinas fotográficas em museus. Só vou chiar quando me proibirem de fumar na minha própria casa.

Sugestão: compra os pacotes (que deveriam ter desconto, né?). Assim não tem de sair toda hora.

Miguel Andrade disse...

Leticia, não sabia que você era fumante. E os pacotes não são mais baratos, acabam dando no mesmo.

Leticia disse...

Pois é. Comerciante vende cigarro na faixa, por isso que não dá pra dar desconto no pacote. Mas eu compro assim, é bom porque não tem de ir comprar sempre.

Miguel Andrade disse...

Letícia, já tô praticamente ítimo dos tiozinhos da mercearia.

Igres Leandro disse...

Eu ia dizer, "Miguel, não fume", mas deixa pra lá, haha.

Miguel Andrade disse...

Igres, hahahahhah! Tento parar, mas como sempre volto, e fico muito deprimido com isso, prefiro nem tentar mais.

Mas isso vai além de eu fumar ou não, diz respeito à pouca vergonha em que vivemos, aos governantes de mentirinha que nos cercam, à pessoas que dormem em berço esplêndido sem terem noção de como vivemos, etc. etc.

rick lima disse...

Plebiscito?

Miguel Andrade disse...

Rick, pra quê?

Nivaldo disse...

Polêmica à parte, eu gostei mesmo foi do texto do anuncio que vc publicou... hahahahahaha

Miguel Andrade disse...

Nivaldo, raiva de fumante que não sabe que o cigarro vai acabar e fica filando o alheio. Ah tá! hehehe

Olga disse...

Miguel, sou tabagista e parei de fumar há dez anos, antes de trabalhar pela mudança da legislação que tirou a propaganda de cigarros da TV. E acho que cigarro deveria custar, no mínimo, R$ 5 o maço.
Sou a favor da descriminalização de todas as drogas, mas quero que tenhamos o mesmo lucro que as empresas de fumo têm, ora. E essa grita mundial contra o cigarro só se deu porque o custo social do tabagista é muito maior do que a arrecadação de impostos pelos derivados de tabaco. Ou seja, é muito caro pagar tratamentos para doentes terminais por câncer causado por tabagismo;
Agora, sejamos realistas: 90% dos pacientes de câncer de pulmão são fumantes. A fumaça do cigarro também é tóxica.
Então, vamos dar ao cigarro o mesmo ar ritualístico que havia quando eles entraram na sociedade e eram enrolados manualmente. Que os fumantes se dirijam aos salões de fumar após as refeições, como aristocratas do início do século XX.
Ah, a média de tentativas de abandonar o cigarro é de cinco vezes. Ou seja, fumante é de quinta mesmo. Só consegue largar na sexta (rsrsrs)
Então, continue tentando, Miguel, continue. Você vai ficar com cabelos e pele lindíssimos... Beijo!!!

Miguel Andrade disse...

Olga, compreendo isso tudo, mas me parece que a opinião própria do cidadão está relegado a segundo plano sempre!

Olga disse...

Bem, o convívio social exige que o individualismo se curve ao coletivo. Opinião, todos têm a sua. Mas a lei é feita para regular a convivência social.
Reduzir um hábito arraigado tem que ser de maneira comportamental. E isso as campanhas antitabagismo conseguiram, derrubando o glamour do ato de fumar. Foi muito bem feito. Depois, veio a lei, matando a publicidade.

Miguel Andrade disse...

Olga, um quarto de hotel, não é um espaço coletivo, por exemplo.

Ao que parece a lei acaba com o espaço para fumantes ao invés de regularizar estes espaços. No maior shopping de Jundiaí por exemplo, enjoei de ver mamães sentadas com nenêzinhos no espaço que EU deveria estar.

Olga disse...

Daqui a pouco, fumar será um prazer solitário...

Miguel Andrade disse...

Olga, Mario Quintana já dizia que era!

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