quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A grande chance de Bill Cable

É mais fácil um camelo passar por um buraco de agulha do que um astro pornô seguir carreira em Hollywood.

Se quem faz TV nos EUA ainda é relegado às películas menos profundas, por assim dizer, imagina quem já participou de hardcore? Embora muita gente não se cansa de tentar.

Marilyn Chambers chegou a trabalhar com Cronenberg em Enraivecida, Na Fúria do Sexo (Rabid), mas não foi além disso. Tracy Lords, a ninfeta que passou a perna em toda indústria pornográfica com apenas 14 anos de idade, apareceu em Mamãe é de Morte e Cry Baby de John Waters, um Roger Corman e mais qualquer trash que lhe ofereceram.

No campo masculino, Bill Cable foi um dos modelos mais famosos da década de 70 ao ser capa da edição de novembro de 1974 da Playgirl. Antes, com o nome Stoner, era contratado da Colt Studios, produtora de material adulto voltada ao público gay.

Cable conseguiu seu primeiro papel em um filme de verdade justo na produção infantil A Grande Aventura de Pee-wee Herman em 1985. Esta produção da Warner é também o primeiro longa-metragem do diretor Tim Burton. Fez um policial que aparece muito pouco, mas enfim, era preciso começar de algum ponto.

Dois anos depois seria outra vez um homem da lei em Elvira A Rainha das Trevas. Produção B, mas bastante cultuada devido às incansáveis reprises na TV e ao carisma da protagonista Cassandra Peterson.

Sua grande oportunidade na tela grande viria só em 1992, com o mega sucesso de Instinto Selvagem (Basic Instint). Ele é o ex astro do rock Johnny Boz, vítima na cena que abre o filme, quando a loira misteriosa o amarra na cama para perfura-lhe o pescoço com o picador de gelo.
A morte de seu personagem desenrola toda a história, embora tenha entrado mudo e saído calado. Ainda gerou polêmica na mídia não só pela violência da seqüência, mas porque há um close dos genitais dele enquanto a polícia vasculha a cena do crime.

Principalmente por esta produção, que chamou a atenção do mundo à Sharon Stone, o nome de Bill Cable está presente em qualquer livro, ou registro sobre cinema.

Como se todo esse barulho fosse por nada, a carreira “séria” do ator não passou disso, ficando a obra de Paul Verhoeven como último trabalho na curtíssima filmografia. Faleceu em março de 1998, de acidente de motocicleta, aos 51 anos de idade.

Exclusivamente para maiores de 18 anos, o site Blackdogue's mantém uma galeria com seu ensaio para a Playgirl entre outras imagens mais antigas.


7 comentários:

Olga disse...

Tão artísticas, as fotos...
Ângulos elaborados, imagens tocantes.

Só vc pra desencavar essas histórias do mundo trash, Miguel!
Beijo

Tia Cris disse...

Tô no trampo e num posso ver as fotos agora, hehe.

Ma genitais são a alma desse filme (que, cá pra nóis, é daqueles que eu não canso de ver)!! Será que teria bombado mesmo sem a antológica cruzada de pernas de Miss Stone?

Ah, e óia só, vi esse quiz e lembrei de você:

http://www.empireonline.com/features/posterletters/

Tia Cris disse...

Ops, esqueci de comentar mais uma coisa: outra atriz pornô que tentou carreira no mainstream é a minha ídala Ashlyn Gere, mas parece que a coisa de maior relevância que ela conseguiu foi uma ponta num episódio do Arquivo X, e com outro nome artístico, como uma dona de casa que é assassinada.

Pelo jeito os coitados dos atores pornôs só entram nos filmes pra serem assassinados... o.Ô

Sagesse disse...

oi, tudo bem? Só vim avisar q pus uma referência a um post seu no meu post de hj ;).

Até mais.

Miguel Andrade disse...

Olga, é quase capa de Julia, mas com algum tempero a mais... Rs Ah, e ele não é trash não! É um luxo! rs

Tia, aaaaaaaaah, pq? São fotos tão bonitas! Impressione seu chefe! Salve todas elas e troque os papéis de parede da firma por elas!

Vou lá no link, gracias!
Pois é! O Tarantino parece que está querendo usar uma atriz pornô pro remake de Faster, Pussycat! Kill! Kill!

Sagesse, obrigado! Enchanté for you too!

Igor Leoni disse...

Que coisa...já é a segunda vez que estou buscando por algo no Google e me deparo com seu blog fazendo uma matéria interessante sobre o assunto.
A primeira vez foi quando procurava algo sobre o lançamento em DVD da série Boca do Lixo (nós até discordamos sobre a atuação do casal Pfeifer e Frota), e agora me deparo com uma matéria sobre meu eterno Johnny Boz, vítima do terrível quebra gelo de Catherine Tramell.
Não há como negar que Bill Cable é talvez o "capa Playgirl" mais cool que já passou por nós.

Miguel Andrade disse...

Igor, opa! Servimos bem para servir sempre! Hehehe!

Lembro sim! Da Boca do Lixo! :)

Pena que o senhor Cable foi-se tão cedo. Iria longe ainda.

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