quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O Crime que abalou Hollywood

O relógio marcava exatamente 21h30, no dia 4 de abril de 1958, sexta-feira santa, quando vizinhos escutaram gritos vindo da formosa mansão da estrela Lana Turner.

Cheryl Crane, sua filha de apenas 14 anos, havia cravado uma faca na barriga de Johnny Stompanato. Ela o ouviu ameaçando desfigurar o rosto de sua mãe caso não lhe desse dinheiro suficiente para liquidar dívidas em Las Vegas.

O rapaz de 33 anos, conhecido gângster e então atual namorado de Turner após quatro casamentos mal sucedidos, teve morte instantânea, alimentando a imprensa mundial por anos a fio.

Muitas suposições foram levantadas. Houve quem achasse que o crime teria sido cometido pela atriz, que para não ir à câmara de gás colocou a culpa na filha com idade insuficiente para pena capital. Também se cogitou a formação de um triângulo amoroso com final infeliz. Cheryl teria tentado matar a mãe por ciúmes de Stompanato, morto por tentar impedi-la.

No julgamento, o depoimento de Lana Turner, no banco dos réus respondendo pelo ato da filha menor de idade, levou às lágrimas quase todos os presentes. Os jurados foram unânimes no veredicto de homicídio justificável. A imprensa marrom apontou ser esta a melhor interpretação de sua vida. Lembraram até do Oscar que tinha perdido alguns meses antes por A Caldeira do Diabo.

Mesmo assim, acabou perdendo a guarda da garota, que passou a morar com a avó. O juiz entendeu que aquele não era um lar para se criar uma garota.

Em 1988, Cheryl Crane lançou o livro “Detour: a Hollywood Story” relembrando a tragédia trinta anos depois. Diferentemente de outras filhas de estrelas hollywoodianas, como Christina Crawford, não acusou a mãe de nada, confirmando realmente ter esfaqueado Stompanato.


Entre algumas outras revelações, contou ter sido violentada por anos pelo namorado anterior de Lana Turner, que ao tomar conhecimento disto apontou uma arma para o violador dando 20 minutos para que sumisse do mapa. Ainda assumiu jamais ter amado algum homem, e estar vivendo feliz com outra mulher por décadas. Sua mãe, falecida em 1995, nunca demonstrou contrariedade à sua orientação sexual. Crane, também não a culpou por isso, nem o assassinato que cometeu para salva-la.




[Ouvindo: Modern Jazz Samba – Kevin MacLeod]

11 comentários:

Leticia disse...

Super-história, hein? Eu já conhecia marromenos. Mas não sabia desse final cordato entre mãe e filha.

Tia Cris disse...

Baphón!!!

Cacildis, as divas sempre acabavam se envolvendo com algum FDP destes.

Miguel Andrade disse...

Letícia, pois é! E o que é o John Waters nesta foto com a ex guria? heheheheh Achei no IMDB. Também descobri o projeto Stompanato, que deve estrear em 2010 com a Zeta Jones de Lana Turner. Picirica!

Tia, lembra de Los Angeles Cidade Poibida? Esse Stompanato era da pior espécie. Tem um personagem lá com o nome dele. Numa das cenas o policial confunde a verdadeira Lana Turner com uma das prostitutas que se fazem passar por divas só porque o está acompanhando. Mulher no geral parece ter tendência gostar destes tipos.

MARCUS disse...

PUXA... O QUE ME FICOU NA CABEÇA É UM AMOR REAL DE MÃE E FILHA, QUE SE DEFENDIAM QUANDO AMEAÇADAS POR OUTROS. ESTAVAM CERTAS DE AGIREM ASSIM.

Miguel Andrade disse...

Marcus, estava discutindo exatamente isso agora a pouco com um amigo. Parece que não há arrependimento nenhum mesmo...

Nivaldo disse...

Essa história é sensacional! Outro dia (já faz um tempinho) eu ví um documentário sobre o assunto naquele programa "E! True Hollywood Story", no canal E! (também conhecido por CNN Gay). Mas eles omitiram o detalhe "bafo" do final que você relatou aqui. É que Hollywood é muito certinha né? Embora seus personagens nem tanto.

Miguel Andrade disse...

Hollywood é certíssima, acabei de ver 70% do filme Freaks, aquele banido por mostrar pessoas deformadas de verdade e refletia exatamente sobre isso. Quero só ver se o filme sobre essa história rolar mesmo no que vai dar... Nivaldo, outra coincidência, achei pra comprar hoje A Caldeira do Diabo, o filme que Lana Turner tinha sido indicada ao Oscar pouco antes da tragédia.

luci disse...

incrivel! tava lenso o post sobre veronica lake, depois cliquei no "veja mais" (ou qq coisa assim) e acabei vendo um post sobre lara turner. dai, um mintuo depois, vi um post em outro blog falando sobre a mesma coisa! muita coincidencia! vou deixar os links aqui pra tu:

http://thetarnishedangels.blogspot.com/2010/01/as-cicatrizes-do-coracao.html

http://thetarnishedangels.blogspot.com/2010/01/as-cicatrizes-do-coracao-take-2.html

http://thetarnishedangels.blogspot.com/2010/01/ciume-e-sangue.html

;)

luci disse...

espero que voce tenha entendido o que eu quis dizer, porque eu reli e nao entendi nada! :P

beijos!

malu disse...

Acabei de assistir a um filme com a Lana Turner na Net, o Imitaçao da Vida, e como sempre faço fui pesquisar sobre a atriz na Internet. Eu me lembro da Lana, sou mais ou menos dessa geração, tanto que quando ela esteve no Brasil nos anos 50, eu a vi passar de carro com o Jorginho Guinle na Av.Atlantica, muito loura... Era muito glamurosa, uma verdadeira star, sempre bem penteada, bem vestida super classuda.Não sei se foi canastrona como atriz, mas seus filmes faziam sucesso. Ela se envolveu nessa confusao, mas parece que nao deu em nada!

Miguel Andrade disse...

Luci, hahaha! Entendi! Desculpe só ter visto teus comentários agora!

Comigo também acontece isso muitas vezes. E a galera pergunta: "Como vc tem as ideias pros posts?".

Assim, ao acaso. Indo de um lado pro outro, tropeçando.

As vezes basta uma frase que me dá um estalo pra querer saber mais.

Malu, eu também corro pesquisar depois que vejo um filme. Gosto muito de Imitação da Vida e da Lana Turner.

Então... Qualquer outra teria se dado mal. Ela conseguiu bem reverter esse escândalo.

Fez uma série de filmes com filhas problemáticas depois, coisa e tal. Bem diva.

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