quarta-feira, 28 de junho de 2006

O Fantasma do Futuro

E o que seria uma reunião de pauta sem assunto se não houvesse a psicologia? A Renata Ceribelli ia pra fila dos desempregados. Se você não for (como este que vos bloga) alérgico a chocolate, com certeza come chocolate desenfreadamente, porque é gostoso. Mas é tão mais xiqui se autodenominar chocólatra... Falou-se em TOC e o que não faltou foi gente sofrendo de tal mal. A atriz (!?) Luciana Vendramini (quem?) foi presença constante em não sei quantos programas para justificar com a tal moléstia sua ausência da mídia. Estava curada e pronta pro batente. Ux, mas já faz tempo, será que agora teve outra coisa? Pobrezinha... Até o rei Roberto Carlos foi “obrigado” a revelar que possuía a mesma enfermidade, justo quando lançava CD novo. Tenho uma amiga bipolar que achou um monte de ponto cruz que havia feito pela metade. Largou o bordado e tá curada. Não sem antes anunciar aos quatro cantos. Parece que é verdade que a Lídia Brondi tá com síndrome do pânico, nunca mais a vi mesmo. Ao contrário da Angélica, que quando nem a pau emplacava mais um programa infantil, divulgou na revista Contigo! ter se curado do mesmo mal. E perceba que matérias na TV sobre estes assuntos são sempre cheias de voluntários demonstrando seus dramas. Esta semana vi uma sobre a doença que acomete quem tem acesso a muita informação. E lá vamos nós assistir aquela enxurrada de classe média exibindo o que há de mais novo em eletro-eletrônicos. “Olha, eu vou dormir e deixo meu laptop ao lado da cama, pra acordar e ligá-lo na hora, daí eu uso meu palm enquanto meu ultra-mega-celular envia dados pra minha nona”. A esposa, com sorriso de ponta a ponta da orelha, conta que até problemas domésticos foram resolvidos por e-mail. Ainda estou pra ver uma matéria com depoimentos de felizes portadores de oxiurose.

[Ouvindo: El Justiciero – Os Mutantes]

domingo, 25 de junho de 2006

O Clamor do Sexo

Se há algo que brasileiro sabe fazer bem é telenovela. Pode ser a mais furreca do canal mais miserável, que mesmo assim ainda dá de dez em qualquer mexicana, portuguesa ou ainda mais norte-americana. O bom de se morar sozinho é o domínio do controle remoto. Quando aparece aquele romancezinho chulé é só mudar de canal. E toda novela que se preze tem um romancezinho chulé, herança dos folhetins. Ruy Castro dá uma explicação no prefácio de Núpcias de Fogo, obra no gênero de Nelson Rodrigues: “(...) só podiam existir numa época de grande repressão sexual, em que o desejo se convertia em paixão e a falta de sexo (ou de amor) tornava as mulheres histéricas.” Talvez aí esteja a diferença das nossas para as do resto do mundo, não se prendem apenas a isso. Silvio de Abreu é de longe meu autor favorito, suas histórias raramente giram em torno da mocinha pobre de marré que ama grã-fino mau caráter. Prefere andar na linha tênue que separa o dramalhão latino do escracho das chanchadas. Amarga fracassos homéricos quando tenta ousar. As Filhas da Mãe seria uma das melhores, se não fosse encurtada em 10 semanas (!!!). Não deve ser fácil ter o que dizer às massas. Agora entrega Belíssima (maravilhoso nome chupado de Luchino Visconti) redondinha, sem nada muito estrambótico na trama. Repetiu alguns elementos, como o morto que não morreu tal e qual Laura de Otto Preminger, entre costumeiras referências cinematográficas, tempero ao cinéfilo mais atento. O elenco em si é o supra-sumo do que se pode esperar de tal produto. Coube a Carmem Verônica e Íris Bruzzi o papel de divas de outras épocas de volta aos spots. A cena em que interpretaram Two Little Girls From Little Rock, com coreografia similar à de Marilyn Monroe e Jane Russel já está nos anais da TV. E só no Brasil para uma indicada ao Oscar dar preciosas colheres de chá toda noite. A pérfida Bia Falcão de Fernanda Montenegro faz a governanta de Rebecca parecer seguidora da irmã Dulce.

[Ouvindo: Olê Olá – Chico Buarque]

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Durval Discos

Uma das mazelas desta encarnação off-line é a escassez de MP3. Estou convertendo ao formato boa parte do que realmente gosto da minha CDteca. Ficou chato pegar um CD só pra ouvir apenas uma música. Uma pastinha com centenas de MP3 das mais-mais resolve o caso. Fiz o mesmo com os DVDs x-rated. Só as cenas mais interessantes no HD. Para que servem 80 Giga? E o CD não vai deixar saudades. Vi em uma dessas lojas de departamento uns 500 amontoados como se fossem cebolas na feira. A xepa musical! Aquele famoso contrato da banda Korn e a EMI, onde a gravadora vai ganhar uns trocados não só com as vendagens do disquinho mas com os shows, é o mais honesto dos caminhos a serem seguidos neste maravilhoso novo mundo. Uai, os caras não são cantores? Então que vivam de shows e suas gravações (free!) serão um esplêndido material promocional de sua arte. Exatamente como era desde os tempos de sei lá o quê. Com discos raros, no máximo se comprava os métodos pra tocar no piano e alegrar saraus, os cantores eram ouvidos gratuitamente no rádio e pagos em shows. O que seria o CD se não uma embalagem encarecedora que ainda por cima faz volume e junta pó... Há exceções, claro! Como Madonna! Está se tornando um produto obsoleto, fadado a gloriosas lembranças tal e qual uma película do Tarzan. Ainda é uma celebridade com discos divertidos, compraria na boa Confessions In The Dance Floor na certeza de levar o que há de melhor no gênero, se custasse no máximo uns 15 mangos. Achei-o praticamente pelo dobro do preço de cada um dos DVDs que já havia escolhido no dia. Um disquinho de plástico, pop, feito aos milhares e só com áudio!!! MP3 de graça é joinha, óbvio, mas os seus trabalhos possuem um conceito, por mais ralo que muitas vezes se apresentem, com músicas discernindo entre si amarradas em um material visual sempre de primeira. Não aparentam ter fôlego para sobreviverem sozinhas nem a cantora atributos suficientes para abrir mão dos recursos extravagantes do show business. Sabe quando se vai tomar Coca-Cola de máquina e a mocinha coloca em um copo descartável branco? O gosto não parece mudar?

[Ouvindo: I Do, I Do, I Do, I Do, I Do – Abba]

segunda-feira, 19 de junho de 2006

A Fantástica Fábrica de Chocolate

Acredito, quase que inconsciente ou involuntariamente, que certos objetos me dão mais sorte. Menos sorte jamais... Do mesmo jeito que levo amorosamente a sério desejos positivos de velhinhos e pessoas desprotegidas, e nunca pragas e afins. Andar pela rua e ver uma foto de Marilyn Monroe ao acaso (onde quer que seja) é sempre um bom sinal. Conheci uma senhora meio extremista. Se ao sair de casa visse um urubu voltava dormir, não venderia nada naquele dia. Ou era capaz de andar quilômetros até achar um segundo. Tal ave torna-se magicamente de bom agouro se visualizada em quantidades pares. Claro que foi inevitável perguntar o que seria se fosse visto um bando delas, daí é sorte porque não dá pra ficar contando!!! Duvidou? “Ah meu filho, os antigos já diziam isso!”. Em época de provas minha avó presenteava cada neto com saquinhos costurados por ela mesma contendo aqueles ossos brancos que tem dentro da cabeça de peixes grandes. Quando chegava à escola e percebia que toda a classe tinha estudado pra chuchu e eu, no dia anterior, até nem tinha esquecido mas não havia dado a mínima importância, apelava pro meu anjo da guarda. Reza, reza, reza.... Wow, o professor faltou! Quem sabe na semana que vem eu estudo! Reza, reza, reza! De sorteio já ganhei um livro no programa Revistinha da TV Cultura e na mesma emissora um par de ingressos pra A Ópera do Malandro. Tudo que fiz foi ser o primeiro (e talvez único) a telefonar pro programa da Soninha Francine e dizer o nome de duas músicas do Chico Buarque. E minha mãe que já levou uma moto do bingo da igreja com cartela comprada só pra vendedora parar de encher o saco? O que é esperar demais da sorte é mandar uma mensagem SMS pra faturar um carro zerinho da silva ou comprar um pote de achocolatado, do menorzinho, de olho em um I-Pod! Ok, esse último eu fiz. Humpf...

[Ouvindo: Groove Is In The Heart – Deee-Lite]

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Vampiros de Almas

Desde que o Araquém era o showman que a cada quatro anos respondo a mesma pergunta: Pra quem você vai torcer, pro Brasil ou Portugal? À qual respondo, nem sempre com a prontidão que a boa educação me permite: Torço pra que este mês passe rapidinho! E a nossa amiga blogueira de além mar, dona do Nuvem Número 9, que já deixou um comentário (quando postei sobre futebol e a febre que a Copa do Mundo causa nessa gente) dizendo que seria bom que Portugal tivesse uma alegriazita, já que é um país tão triste... Toc, toc, toc! Ela não imagina a fuzarca que é isso aqui de tantas alegriazitas! Assim, depois da notícia de um absurdo fuzilamento em uma escola pública carioca entra ao vivo o cada vez mais estúpido Pedro Bial, hilariamente em tom apocalíptico (e ele agora narra até estouro de encanamento em tom apocalíptico), para falar das bolhas causadas por chuteiras. Criancinhas feridas não dispensam ninguém do trabalho... A não ser que você seja pai de alguma delas, né? E durante o primeiro jogo deu pra colocar posts em dia e dar uma zapeada pelas outras emissoras. A TV Gazeta continuou com o Mulheres ao vivo firme e forte. Dava pra Mamma Bruschetta fazer um strip e a Cátia Fonseca tirar catota do nariz que absolutamente ninguém estava assistindo. Ainda entrou uma dupla sertaneja, de tanta certeza do traço no ibope. Aqui em casa é o túmulo da Copa. Só o Agente Boris Bola paga o mico de se vestir de verde e amarelo. Aliás, ainda tenho que controlar os seus nervos que ficam em frangalhos por causa dos fogos. Tão sensível... Graças por ter sido apenas UM gol (hehehehe) e não precisa ser Mãe Dinah nem nada pra saber que não haverá muitos outros por aí!

[Ouvindo: It's Not Right But It's Ok – Whitney Houston]

terça-feira, 13 de junho de 2006

Macunaíma

É bom saber, ainda faltam quase dois meses para este que vos tecla chegar na casa dos 30, e sair por aí dizendo que aniversário é coisa de criança, que me acho melhor fisicamente agora, blábláblá, entre outras coisas de quem já começa a esperar uns fios brancos aqui e ali... Mas já ganhei um presente! Muito melhor do que se fosse uma pin-up emergindo de um bolo glaçado é uma câmera fotográfica digital, e isto você deve concordar! Justo eu que gosto tão pouco de fotografar, né? Qualquer coisa que eu aponte pro Boris (até o controle remoto da TV) ele já fecha os olhos esperando o estalar do flash. O celular ainda leva a vantagem de estar absolutamente com a gente em qualquer lugar, mas não dá pra se comparar na qualidade da resolução. Lembra quando se fotografava e tinha-se que esperar 15 dias para a revelação? E era uma tristeza de vez em sempre... Depois em uma hora em qualquer esquina dava pra ver o resultado, pagando os olhos da cara, e ter como resultado um borrão de cores ou cortes mal feitos. Hoje é papum e a gente reclama da preguiça de ter de descarregá-las no PC! Já deixei de fotografar só pra não precisar ligar o computador depois. Humpf! E a revolução do USB virou um emaranhado de cabos pretos ao meu redor. Descobrir qual cabo vai aonde e em que aparelho é que são elas! Preguiça... E o rebotalho me dá preguiça com sua mania de papel. Não pode ver uma imagem digital que logo se lamenta de não ter impresso. Vê com as mãos... Já não disse que uma amiga acha ruim porque, se acabar a luz, não dá pra ver as fotos? Vai ver que descobriu papel fosforescente e tá escondendo o jogo! Acabou a luz e ela vai à gaveta procurar os indefectíveis albinhos. Em pouco mais de duas semanas já enchi um CD com todo tipo de foto e estou a caminho de outro. Em forma de negativo só se eu fosse feliz proprietário de uma pequena fortuna . E o bacana do digital também é fazer uma espécie de backup de absolutamente qualquer coisa para a posteridade. Quebrei a cabeça de São Francisco de Assis? Ufa, pelo menos tirei foto! Arroz empapou? Cruzou na rua com uma bichinha espalhafatosa ou um Chevette verde limão? O que será do mundo se isso não for registrado? A posteridade será muito mais cínica, mas será um lugar muito mais divertido.

[Ouvindo: Wake Me Up Before You Go Go – Wham!]

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Corpo Fechado

A Terra nem precisou rodar três vezes no sentido contrário. Superman está (azulíssimo) na capa da revista Set deste mês! E quase todas as capas dela me fazem prometer que nunca mais irei comprá-la... Até o próximo mês! A de agora pelo menos me trouxe aquele clima retrô de quando se via um filme e tentávamos imaginar como os efeitos especiais foram feitos. Hoje só há uma hipótese: computadores!!! Superman (e isso já devo ter escrito aqui pelo menos umas 5000 vezes! Gott!) era não só meu herói preferido, como praticamente o único. Seus poderes ilimitados me faziam ignorar a existência dos outros. Teria tatuado o símbolo dele se, bem na hora H, não me lembrasse que o Bon Jovi tem um igualzinho. Não me perdoaria! Cresci achando que ele era um ser mitológico, como um deus asteca, que sempre existiu. A ficha só caiu quando trabalhei com animações de festas infantis e encarnava só o Batman, jamais o filho querido de Jor-El. Colocava aquela máscara preta, me olhava no espelho e na hora achava minha boca a coisa mais beijável deste planeta. Sexy a dar com o pau, literalmente. Passava o resto da festa escapando de tias solteironas mais afoitas. Os blockbusters do Tim Burton eram recentes, o que fez o homem-morcego ser o preferido da petizada daquela época. Na minha época foi o filme Superman de 78, quando a Warner conseguiu a façanha (estampada nos cartazes com estrondo) de fazer o homem voar, que levava qualquer criança a achar que algum dia poderia ter superpoderes e até voar também, porque não? Muito mais a película do que os quadrinhos da DC, escuros e rabiscados demais, sem falar que as histórias tinham o péssimo hábito de já terem começado em alguma(s) revista(s) anterior(es). Comprar a Set com o herói na capa foi quase como voltar vinte anos no tempo. Neste Superman - O Retorno, o personagem (que é o mesmo dos outros filmes) ficou algum tempo fora da terra e ao retornar a fila andou, Lois Lane inclusive é mãe e está noiva de outro. Em um mundo diferente (e mais violento) do que estava acostumado, precisará achar seu lugar, lidar com as transformações. Não vi e já gostei. Não tive como não criar um paralelo entre hoje e a década de 80. O que aquele garotinho que usava fantasia azul e vermelha enquanto assistia Os Bárbaros no Balão Mágico faria se me visse hoje, como ele reagiria à realidade do agora? Wow! Um filme de herói pra pensar!

[Ouvindo: Drifting Along – Jamiroquai]

terça-feira, 6 de junho de 2006

A Malvada

Conversa sob o varal... Cê viu, há alguns dias, a Thaís Araújo no Programa do Jô? Achei podre! Em ares de beladona desfez o máximo que pôde de sua primeira telenovela de destaque, Xica da Silva. Reclamou do excesso de nudez, do sofrimento de se expor ainda menor de idade, entre outras coisas, como se aquilo tudo não tivesse passado de um episódio da Turma do Didi. Xica é um marco da cultura pop não só por ter quebrado um verdadeiro tabu com a primeira protagonista negra (a própria Thaís lindamente) em um país predominantemente negro, mas porque também era divertidamente trash, com o elenco sempre suado, sujo, com os figurinos e perucas se deteriorando com o passar dos capítulos... E ela em si estava muito bem, sim senhor. Até as orelhas da Galisteu mandou cortar, e esta nunca reclamou! Na reprise recente do SBT não perdi um só dia sequer. Inté já falava qui neim sinhô ou qualquer cousa parecida. Pelo que ouvi no Jô, pareceu-me que ia pras gravações de baixo da chibata. O Walter Avancini dirigindo: “Diz teu texto, insolente!” E ela nada. “Que tronco o quê!!! Só por isso vai ter que mostrar as muxibinhas todo capítulo ímpar e ainda beijar o Víctor Wagner logo depois que ele beijar a Cicciolina!”. É um caso raro da atriz que deve sua carreira exclusivamente a um personagem. Vem cá! Sejamos realistas... Com as inclinações artísticas tão limitadinhas como vem demonstrando trabalho após trabalho, se não tivesse tido a sorte de fazer esse papel ia estar fazendo qual personagem hoje em dia? Servindo cafezinho no cenário da Suzana Viera? Batata! Cuspe? Sopa? Há tanta mocinha de mais talento sem contrato com a Globo pra pagar o aluguel no fim do mês... Eu hein, Rosa!


[Ouvindo: Drifting Along – Jamiroquai]

segunda-feira, 5 de junho de 2006

A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes

Mesmo sendo tão caseiro quanto uma compota de geléia de uva, as minhas insones madrugadas costumam ser bem animadas. Revendo pela milionésima vez Bus Stop achei Ed Fury entre os figurantes! Este clássico de 1956, com Marilyn Monroe no auge de seu esplendor, no Brasil virou Nunca Fui Santa. Falando em santa, Fury é um dos mais famosos beef cakes da época, e quase chegou a se tornar um astro na década seguinte, protagonizando o épico trash Ursus! Em Bus Stop aparece sentado no bar (com jaqueta de franjas castanha típica de cowboy) ao centro da cena em que Marilyn canta Old Black Magic. Entra mudo e sai calado. Hoje (ainda é vivo!) está aparentemente aposentado, mas as fotos glamourosas daquele período podem ser vistas facilmente pela Internet, muitas delas em poses, como vou dizer, totalmente desprevenido! Sonhando, talvez, com o mesmo que Darlene Sampayo (com ipslône!): “Ainda vou ficar famosa!”. E a Joanna Lumley? A Patsy do seriado Absolutly Fabulous noite dessas deu as caras aqui em (Wooooooooooow) uma produção da Hammer!!! É preciso se começar por algum lugar, né? Ela é a mocinha (!!!) de Os Ritos Satânicos de Drácula, produção de 1973 com Christopher Lee e tudo! No embalo fui atrás de muitos e muitos outros DVDs da lendária produtora inglesa, todos a preço de jujubinha. De uma forma geral, filmes da Hammer (que a TV Record exibia à exaustão em nossas infâncias), quando não causam risos dão, sim, calafrios! Nessa semana depois que assisti a uns noves me senti mais católico! O que o papa não conseguiu Mr. Lee consegue! O poder da cruz é imbatível em meio àquela avermelhada fotografia desbotada! Durante as três décadas em que durou (50, 60 e 70), a Hammer passou por muitas fases, as sutilezas foram evaporando. Carmilla – A Vampira de Karnstein (The Vampire Lovers) de 72 quase descamba para um pornô soft lésbico! A sueca Ingrid Pitt cai de boca e não é só nos pescoços de jovens donzelas em camisolas esvoaçantes. Tríbade que impressiona! Outra bizarrice que descobri madrugada destas! O próprio Christopher Lee, em um documentário, revela que o anel que usava como Drácula era uma réplica do usado por Bela Lugosi. Crianças da noite! Que doce música elas fazem...


[Ouvindo: Words – F.R. Davis]

sexta-feira, 2 de junho de 2006

A Marca da Pantera

Gatos estão para a humanidade como fígado está para a culinária. Quem gosta, gosta loucamente, quem não gosta, azeite! Sai falando mal descaradamente. Todos os animais são fofos! Exceto aranhas, cobras, lagartos e a Carolina Dickman. Meu primeiro gato foi o Buiu, santo em sua paciência felina com uma criança malvada que o jogava contra as cortinas da sala só pra ver se ele grudava. Sempre me perdoou, não levo essa mágoa pro além! Depois vieram o Camões, Ai, Sininho, Akeme e mais qualquer outro esfomeado que aparecesse com seus bigodes alertas e misteriosos olhos amarelos. Nenhum deles se parecia entre si, muito menos com a Glenda, a atual representante da espécie em minha vida. Arrogante, mandona, teimosa, e incrivelmente independente. Abre e fecha portas de qualquer tipo. Cinzeiro sujo? Não tem problema! Cobre com o papel que estiver à volta como se fosse cocô. Se vou viajar, o Boris me recebe com sua efusiva alegria canina, ela fica distante por alguns dias só por pirraça. Se levar bronca, sai furiosa a ponto de dar uns tapas no primeiro cachorro que aparecer pela frente. E sempre é o Boris. Cachorro todo mundo gosta. Passear com o Boris e usar uma jaca no pescoço não deve ser diferente. Todos mexem, vêm falar, acham uma graça... Cachorros estão para a humanidade como a salsinha está para a culinária. Quem gosta gosta, quem não gosta não dá a mínima. Boris se tornou no afetivo Bolis. Do diminutivo de Bolis veio Bolinho, que gerou Bolo, Seu Bolinho, e se você chamá-lo de Cebolinha ele também vai atender! Minha mãe aderiu a todos esses apelidos, à Glenda se refere como A Gata e ponto! Bichanos não costumam fazer absolutamente nada para conquistar, convivendo no mesmo ambiente que você como se fosse um igual e com o passar dos anos vão ficando cheios de manias. Talvez aí esteja seu charme. Quando ouço de quem mal conheço “Odeio gato!”, com cerimônia idem não me faço de rogado: “Eles também te odeiam, e pelo jeito logo logo eu também!”. Gato não se discute!

[Ouvindo: Be Sample – Fernanda Abreu]
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