domingo, 26 de fevereiro de 2006

Blow Up – Depois Daquele Beijo


Dia destes estava assistindo aquele programa sobre livros que passa na TV Cultura. O que a gente não faz por amor, né? É aquele apresentado pela mais sem graça das lesbiquinhas de uma novela do Manoel Carlos, lembra? Pois é, não deu pra segurar o riso ao ver uma matéria sobre um desses gênios modernos das letras brasileiras. Tão inesquecível que não faço idéia de seu nome agora! A digitadora falou que era pedir muito descrever seu patrão. Ela, como quem não quer nada, mas querendo, óbvio, dar mais ar de cult ao pobre sujeito, deixou escapar que seu trabalho era necessário porque o escritor só escrevia à máquina... Nem faz tanto tempo assim que leigos achavam que bastava apertar um botãozinho para se perdia tudo no PC, e aí, ter outra brilhante idéia só na próxima aparição do cometa Halley... Ou insistia-se na máquina (verdadeira ferramenta de tortura física!) para firmar-se como caricatura de autor sério. O tempo passou e muitos mitos literários e informáticos foram consumidos pela terra. HD queimar, nessa vida, só vi duas vezes até agora. Uma foi há algumas horas de se fechar a edição especial de trinta e cinco anos da Folha do Sul. Pernas pra que te quero refazer tudo o que estava no disco rígido principal da rede. Nem tivemos tempo para chorar sobre os bits derramados. A outra foi semana passada aqui em casa. Justo quando fui (olha só que zica!) reinstalar o Nero para fazer backup dos meus arquivos. Nos anos de janela desde a época do finado Matusalém (que, se você for habitué daqui, deve-se recordar da ínfima cyber-saúde dele) aprendi que nessa área sempre há um jeito... Sempre se o problema não for no HD! Danaram-se TODAS as fotos que tirei nestes últimos seis meses. Milhares graciosas com a Glenda, o Boris, outras tantas enfadonhas da cidade, a escola, aliás, ex (!!!) escola, alunos, ex-alunos, amigos, quase inimigos e do cotidiano em geral. Sabe quais me restaram? Aquelas ali ao lado, que estão postadas no Flicker! Oh! Isso não deve ser nem 1% delas... Os originais das artes que faço aqui para o blog, arquivos com resolução muito mais alta, simplesmente pararam de existir. Triste como uma película da Libertad Lamarque... Nem vou mais tocar nesse assunto pra não me deprimir mais. Agora o Bruce tá com 80 Gigas livres da silva, prontos para o batente. Se você tiver uma foto bem bacana, ou nem tanto, do carnaval, manda pra mim que você pode ganhar sabe o quê? Absolutamente NADA! Ou melhor, será agraciado com a publicação aqui, juntamente com um comentário esculhambador em um dos próximos posts. Vale a pena! Quanto mais fotos, mais chances de ganhar!!! Envie a sua agora mesmo para miguelandrade100@gmail.com e comece a torcer desde já!



[Ouvindo: O Cordão - Chico Buarque]

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Um Sonho Sem Limites



E se a TV virou um ralo aberto em minha sala, tá valendo a máxima de que, se as coisas não andam bem, pode esperar que vão piorar mais um pouquinho. E nem tô podendo ter TV a cabo nem muito menos a rabo! Aquele pequeno cabinho que nos dá tanta alegria, como diria Homer Simpson. E que invenção do capeta as tais retransmissoras locais! Ux! O Roberto Marinho daria 32 voltas no túmulo assistindo à TV Tem. Alguma criatura achou que Jundiaí é pertinho de Sorocaba, então é de lá que vem a produção local da Globo. Os apresentadores do Tem Notícias (uma espécie de SP TV) estão naquela qualidade entre jornalzinho escolar e rádio comunitária. Outro dia a apresentadora, vendo algo triste, tascou um “Aaaah, judiação...” Estudou (tomara!) quatro anos pra ir à TV falar “Aaaah, judiação...”. Mas clássico mesmo é nas tardes de sábado. Anote! Jogo de Cintura poderia na boa ocupar a vaga do TV Pirata. Começando pelas apresentadoras, duas “madamas” no melhor estilo interiorano, que acabaram de se esbaldar comendo ovo frito com rabada e estão ali, de perninha cruzada, arrotando peru. Quase não se contendo por estarem aparecendo na Globo. Mesmo que a local... Uma a cara da Dona Jura e a outra com uns dentinhos salientes. Aposto uma maria-mole (com balão na ponta) como essa sua peculiaridade dentária se deve ao hábito feio de chupar chupeta até tarde! Lá a receita das chinfrins madalenas vira madeleines... Tá? A moçoila dos dentinhos, mesmo quase fanha, ainda faz a narração de umas vinhetas mostrando as mais longínquas cidadelas cobertas pela tal TV Tem. “Itapiroca da Serra preserva sua forte cultura e amor à terra, de olho na modernidade.” Vê-se uma bucólica pracinha com um cachorro se coçando, parecendo até foto. Só falta passar na tela um tufo de palha sendo levado pelo vento como nos filmes de cowboy. Daí encerra toda orgulhosa: “Itapiroca da Serra está na TV Tem!”. Azar o dela...


[Ouvindo: Mount Sims – How We Do]

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Uma Loira Por Um Milhão



O carnaval de 2005 foi trash como todo carnaval deveria ser ou é. Fui a um lugar absurdo, no meio do nada, com uma cantora de um quê trágico tal qual a Cherry de Bus Stop. Entre uma marchinha e outra, dava alguns chutes para colocar a iluminação capenga no seu lugar. Animadíssima em sua minúscula roupa de oncinha, como se aquele palco côncavo, ameaçando cair a cada pulinho seu, fosse o mais glamuroso de Las Vegas. Ou se ria ou chorava por toda pobreza humana. A certa altura da noite, ouvi de uma senhora, daquelas de fala grossa, camisa dobrada na altura do cotovelo e cabelo repicado: ”Que pena que hoje ela tá cantando sambas. Bom mesmo é quando canta Madonna. Mostra até os peitos...” E não seria eu mesmo se, após alguns graus etílicos acima da sociedade, não ficasse munido daquela piedade de quem vai a partir dali salvar o planeta e aproveitasse o intervalo para ir cumprimentar a “cantora” pelo maravilhoso show e, claro, avisar que não arredaria o pé dali se não a ouvisse cantar Madonna. E foi constrangedora a honra de, perante tão ilustre platéia que acabara de se esbaldar com “encaixa, encaixa, encaixa, remexe e agacha”, ter La Isla Bonita dedicada só pra mim!


[Ouvindo: Danny Elfman – Augustus Gloop Song]

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

A Morte e a Donzela



Já me choquei menos com a associação da beleza com a mais sóbria burrice feminina. Claro que inteligência é relativíssima, e me parece ser uma questão de valores. Não se perdoa, claro, um universitário que não consiga ler e entender um texto simples, e não são poucos. Ou aquele nerd que teve sua cueca puxada até o pescoço nos intervalos do ensino básico e, ao entrar na faculdade, adere entusiasticamente ao uso da maconha para tentar se tornar menos imbecil. Liberem a maconha e passarão a dar a bunda! Se ainda não o fazem, of course. Mas eles não me irritam mais que a mocinha possuidora de ancas de matrona e está certa que isso já lhe basta para se dar bem na vida. Fico com as marafonas da esquina, mais autênticas no uso financeiro dos seus atributos. A burrice masculina aparenta ser mais camuflada, até por meio de sobrevivência social. São eles que arquetipicamente irão prover o sustento da família, enquanto a finada beldade terá que lavar, passar, amamentar e, sonhando com seu passado glorioso de ex-quase-rainha da uva, esperar o papaizinho chegar em casa, cheirosinha. Aqui ainda é assim... Tinha um conhecido que se encantava com o gênero e tascou-me, como bofetada, quando indaguei como podia travar um mínimo diálogo: "Pra discutir o novo filme do Almodóvar, tenho amigos como você". Estamos chegando já já à década de 50!


[Ouvindo: Edith Massey - Big Girls Don't Cry]
Related Posts with Thumbnails