terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Crepúsculo dos Deuses


Momento dignidade já! Histórias do mundo real dos famosos costumam ser divertidas. Mundo real seria aquele que, para preservar convenções, fica fora de qualquer mídia. De boca em boca, ou daquele conhecido que teve um encontro acidental com aquele cara que foi naquele programa não sei quando, chegam os mais diversos causos. Verdadeiros ou não, todos maldosos! A Marieta Severo detestaria ir ao programa do Jô Soares. Tinha implicância mesmo, porque na estréia do programa dele no SBT, ela era uma das entrevistadas e, assim que se sentou, ouviu a famigerada pergunta do gordo: "Como é ser casada com Chico Buarque?". Suas décadas e décadas de trabalho na dramaturgia ficaram ali relegadas perante sua vidinha matrimonial... Durante um tempo preferia não divulgar seu trabalho a enfrentar tal acinte novamente. Houve um diretor de notórias pornochanchadas em décadas remotas que passou por algo parecido. Com novo trabalho na praça, foi ao programa da Ione Borges e, por erro da produção, esperou quase 8 horas para entrar no ar. Quando conseguiu, a apresentadora perguntou-lhe como se sentia em, depois de só fazer filmes infantis, passar agora ao cinema adulto. Wow! E umas amigas de neurônios ausentes encontraram a Betty Faria em um hotel e correram puxar o saco. Mas presta atenção: não estavam atrás da mitológica Rainha da Rumba de Bye Bye Brazil, ou de tantos outros magistrais trabalhos no cinema, teatro e TV brasileira, mas da malvadona da novela das oito. Nem idéia do nome da atriz certamente tinham! Pediram pra tirar foto e foram simpaticamente atendidas, até que uma mais afoita pediu um beijo. Recebeu peremptória recusa, porque a estrela estava saindo para um espetáculo e não queria estragar seu make-up. Betty já passou faz tempo dos 50, na foto nota-se que a tal pintura deve ter-lhe custado horas e horas, e as instantâneas ex-fãs número 1 ainda saíram espalhando cobras e lagartos da "antipática". E a Hortênsia, que teria dito na década de 80 que Itapeva era uma fazenda? Quando foi lá participar dos Jogos Regionais de 1985, ouviu em coro da torcida: "Olê! Olá! Se Itapeva é fazenda, a Hortênsia é a vaca!". E quando eu era mais pirralho, tentei deixar a então primeira-dama do país, Ruth Cardoso, em maus lençóis, só de pirraça, com uma série de perguntas estúpidas. Não consegui nem fazer a segunda. Saí de lá achando ela o máximo, inteligente pra chuchu e ponto! Sem nenhuma história infame para a posteridade...


[Ouvindo: Ná Ozzeti - Atlântida]

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

O Inventor da Mocidade



Professora Lígia foi a santa mulher que, em épocas de ginásio e colegial, cumpriu a façanha de me fazer achar alguma graça naquilo ali. Sambei bonito em praticamente todas as matérias sempre. Era tão enfadonho ficar sentado ali, naquele frio, ouvindo sobre os afluentes do Solimões, paroxítonas, raízes quadradas... Hoje em dia isso me é de uma utilidade avassaladora! Só não aprendi onde entram o W e o Y no abecedário! Lígia e suas aulas pra frentex conseguiam me tirar o sono. Era um grande teatro em que às vezes metade da classe era os senhores feudais, em outras, escravagistas... Nunca tive cadernos em dia com nada, quando os tinha, mas em suas aulas isso nunca importou muito. Bastava prestar atenção e touché! Poucas vezes tirei menos que 10 em História. E pra começo de conversa, sempre disse que o que menos importa é decorar datas e, sim, os fatos. Tá? A necessidade é a mãe das invenções, era outra frase brilhante (se é que era dela). Andei tendo um destes lampejos ontem. Pode não revolucionar o mundo, mas hambúrgueres congelados retangulares me dariam menos preguiça de comê-los. Uai, não é quase este o formato de um pão francês? Filãozinho, cacetinho, chame como quiser... Aquelas bordas saltando só não são piores que salsicha em hot dog escapulindo pelos fundilhos. Prefiro não comer a passar estresse! E me sentindo o Thomas Edson, passei a idéia via 0800 para uma destas empresas logo pela manhã, antes que me esquecesse. Afinal antes de ontem tive outra. Os ônibus circulares poderiam ter um dispositivo, e quem quisesse teria outro em sua casa. Assim que o coletivo se aproximasse a uma certa distância, ouviríamos um bip, a tempo suficiente para se fechar a porta e ir até o ponto. E compraria na hora isqueiros e controles remotos que também dessem um bip quando se assobiasse.


[Ouvindo: Gal Costa - Odara]

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Era Uma Vez No México



O tempo passou para mim, pra você e até praquela samambaia cada vez mais amarela ali da janela. Entra ano, sai ano, e só para o Chaves do 8 continua tudo absolutamente igual. Aquela vilinha não passa de uma versão guacamole da Terra do Nunca. Se vivêssemos em um mundo perfeito, aquelas crianças teriam finalmente ganhado 32 dentes tal qual qualquer um. Depois de três décadas, Chiquinha, com toda a sua malandragem, teria se tornado uma loura escrota de Wallstreet, e provavelmente nem daria confiança para qualquer referência a seu país de origem. Sempre de olho no sobe e desce da bolsa via laptop de última geração, pouco se lembra que um dia teve um pai, talvez ainda vivo em um asilo qualquer de Cidade Do México. Cansado de correr atrás de sanduíches de presunto, o próprio Chaves poderia na boa estar escondido no Brasil após fazer centenas de presuntos no narcotráfico latino-americano. Talvez, é claro, viraria um mega empresário do ramo dos refrescos de tamarindo, rivalizando com a Coca-Cola, mas como já disse, este não é um mundo perfeito. Dona Florinda, quem diria, após contrair núpcias com o Professor Girafales (vulgo Mestre Lingüiça) também contraiu uma série de hematomas. O outrora afável amante revelou sua verdadeira faceta logo na lua de mel. A velha carcomida deu queixa duas vezes na delegacia feminina de Acapulco. "Cafeína demais", declarou o educador inúmeras vezes às autoridades locais. Nem o Homem da Roupa Velha poderia ser tão desalmado. Por alguns mangos, Frederico, ou Quico, realizou seu sonho em uma extravagante viagem ao Marrocos. Voltou de lá pedindo para ser chamada de Kiki. Sim, toda aquela superproteção materna estragou o garoto. E a Bruxa do 71, aliás, Dona Clotilde, deu com as dez. Trinta anos a mais é muito tempo para uma idosa senhora. Aliás, senhorita.


[Ouvindo: Pixies - Where is My Mind]

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Ghost World


A Praça É Nossa é um dos programas mais bacanas já inventados pela TV do Brasil. Mal executado, mas mesmo assim genial. É muito tosco (pra não dizer criminoso) que ainda se ache alguma graça em mulher gostosa e burra de vestidinho de malha, ou de seres efeminados entre outras minorias, mas uma praça pública é o cenário ideal (a custo de paçoquinha) para os mais bizarros tipos transitarem. Só Deus sabe em que horário está agora, e isso realmente tanto faz. Se não fosse absurdamente provável que fora do ar aquele elenco "estrelar" não teria qualquer outro tipo de emprego digno, dava pra torcer pelo fim disso. Em frente de onde trabalho há uma praça que, de tão hardcore, não dá pra chamar propriamente de nossa. Quando saio para as inevitáveis fumadas nos intervalos, tenho a oportunidade de admirar muito mais que velhinhas surdas. Às 20h teve sexo explícito, em pé mesmo, pra não se perder muito tempo. A moçoila era uma coisa tão fina que aparentava ter chegado de Paris recentemente. Ainda nem devia estar acostumada com o fuso horário, a pobrezinha... E outra cena cinematográfica foi à tarde, durante as férias, quando dois sujeitos praticamente deformaram o rosto de um terceiro aos chutes e pontapés por causa de um par de tênis. Hiper-violência de deixar Laranja Mecânica parecendo um produto Disney. Se apenas o rosto encharcado de sangue negro não fosse o suficiente para ter me tirado o sono, os dois ainda espancaram um pobre vira-lata que passeava por lá e tentou impedir aquilo tudo. Os animais têm coração. E cachorro é o que não falta. O meu preferido é um poodle branco chamado Miguel que leva para passear seu dono de vez em quando. Acho que, das criaturas que vagueiam por lá, ele ser meu homônimo só me dá orgulho! Qual seria o nome do velhinho metaleiro que se presta a alimentar os pombos todo santo dia?

[Ouvindo: Meiko Kaji - Urami-Bushi]

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Carlota Joaquina, Princeza do Brazil



E ainda tenho que responder por que moro em Jundiaí... Bem, pelo menos é diferente de Itapeva. Você leu direitinho! Não é Itupeva, muito menos Itapevi ou coisa que o valha, e fica ao sul do estado de São Paulo, não em Minas. Fui lá no Natal, lugar que já declarei ser minha Rimini, título que, pensando hoje, retiro por completo. Minhas melhores lembranças, com certeza, não estão lá plantadas. E tive uma sensação bem negativa... Gente pouco amistosa, ranzinza. Não é o Brett que me acusa disso volta e meia? Touché! Tá explicado!!! O azedume local é indiscriminado, e se você teve (na visão deles) a sorte de escapar daquilo ali, tornou-se, pelo feito em si, uma persona non grata. Talvez sejam mais autênticos, mal disfarçando o desapreço por terceiros. Será qualidade? Não chuto mais pedrinha por aquelas terras benquistas por Joaquim Furquim Pedroso, e isso está longe de me causar qualquer tipo de saudosismo. Nem acho que Jundiaí seja lá essas coisas. Se um dia (talvez daqui a 400 e tantos anos, quem sabe) Itapeva evoluir economicamente, se tornará uma espécie de Jundiaí do Sul. Só vão precisar deixar de se ocupar com ranços coloniais e entender o que realmente é desenvolvimento. Vá conhecer (por sua conta e risco!) e descubra as mais lindas cachoeiras do estado. O difícil é saber quem conhece o caminho até elas, pois aos olhos locais parece não haver riquezas... Só rancor e, claro, a disputa pelo minguado vil metal. Já Jundiaí é aquele pobre de marré que ganhou uma herança fabulosa. Toma champanhe em copo de requeijão decorado com As Meninas Superpoderosas. A poucas horas da capital, ainda não conheci quem queira se mudar pra lá. Diferente do famoso nariz em pé sorocabano. Salve as coxinhas da Real, e pouco me importo com o que sobra de lá também. Jundiaienses possuem sotaque três vezes mais carregado do que em qualquer outro lugar onde morei. E na aula explico assim o RGB: "Verrrrrmelho, Verrrrde e Azul". Às vezes exagerava, tipo Rei do Gado, pra ver se eles percebiam a graça, mas que nada. Claro que hoje esse erre caprichado já me escapa autenticamente: "Carla, fecha a porta que esse ar me perturba!". Estou ficando nato, só dá pra perceber que sou forasteiro porque não como macarronada todo dia, meu sobrenome não tem aquele monte de eles, esses, erres, e ainda não aprendi a cantar o hino municipal! Pasme! Qualquer um aqui sabe cantarolar o hino a Jundiaí: "Ó terra querida Jundiaí, teus filhos amantes são de ti...".


[Ouvindo: Chingon - Malaguena Salerosa]
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