quarta-feira, 23 de novembro de 2005

Fé Demais Não Cheira Bem



Antigamente parecia que demorava uma eternidade para chegar o Natal. O tempo diminui assim como os presentes... A data mais cool do ano. Sinto uma euforia Burtoniana ao ver as ruas decoradas com luzinhas. Lembro bem o cheiro do pinheiro na sala, tendo embaixo um presépio gigantesco. E quando meu falecido gato Buiú fez cocô na areia do caminho que levava à manjedoura foi um drama! Toda manhã eu e minhas irmãs íamos correndo até o presépio pra fazer os reis magos andarem mais um pouquinho até que, naquela manhã, qual não foi a surpresa!!! E, nessas horas, às vezes dava briga, porque alguém os fazia andar demais, o que os faria chegar até o redentor bem antes do dia 25. E havia chocolates espalhados pela mesa que me levavam ao furto logo nesta data sagrada. Nunca podia comê-los por causa da alergia. Passava o ano novo me coçando, o que acabava me denunciando. Visitar os presépios das vizinhas apurou meu senso crítico logo cedo. Principalmente o da Rosa do Bumbo, o qual ocupava metade da sala azul turquesa. Protegendo o menino Jesus viam-se até pequenos soldadinhos de plástico verde com possantes rifles em punho! Parece que só eu ainda acho um dia mágico. Junto com a degradação do catolicismo, ele também está indo para o ralo! E tô bege até agora com aqueles católicos falando igual a Oompa Loompas no Fantástico! Cê viu? Chegaria a ser triste, se não fosse risível! E, além do teatro, ainda chuparam a mania dos crentes pra pedir aqüé? Nem tenho sintonizado aquele canalzinho deles na minha TV. Wow! No começo pensei que era uma emissora voltada ao público G, com tantos rapazolas de voz molenga, mas de saia e pedindo dinheiro daquele jeito já era demais, né não? E uma retórica sempre tão pobre... O dia em que ouvir uma igreja, seita, ou qualquer coisa REALMENTE renovada a ponto de pregar integralmente o respeito às diferenças e a todos os seres viventes sobre a terra, e não este imbróglio egocentrista, me converto! Podem começar evitando a poluição sonora, puramente em respeito ao próximo. Quem disse que Deus é surdo? "Enquanto os homens exercem seus podres poderes, índios e padres e bichas, negros e mulheres e adolescentes fazem o carnaval. Queria querer cantar afinado com eles, silenciar em respeito ao seu transe no êxtase, ser indecente, mas tudo é muito mau...".


[Ouvindo: Satri Dun - Played-A-Live (The Bongo Song)]

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

A Insustentável Leveza do Ser



Sou magro. De frente não pareço que estou de lado, nem tampouco de lado pareço que fui embora, mas bem longe de ser gordo. Óbvio que, para minha altura, ganhar peso não é tarefa fácil. Olhando direito, nem alto sou. Tenho pernas curtas. Se me chamar de mentira, eu desço o braço! Por um mistério da anatomia, aparento altura. No supermercado, sou do tipo para quem as velhinhas pedem aquele pacote de açúcar. Cheguei a fazer aquela simpatia de achar uma moedinha, chegar pra amiga acima das medidas e pedir pra comprar alguns quilos de seu toicinho. Depois é só dar a moedinha ao primeiro mendigo que achar. Bem, pela simples existência deste post dá pra perceber qual foi o resultado, né? E, criado no meio de tantas mulheres, nunca me faltaram aquelas revistas Claudia da vida, e jamais achei um matéria sobre ganhar peso. Nem nas Caprichos. Tipo, somos uma minoria altamente excluída! E pior, raramente alguém chega a um gordo e diz: "Cacete, como você tá gordo! Baleia mesmo!!!", mas aos magros parece haver um prazer mórbido de lembrá-los da balança. É como se você carregasse uma plaquinha escrito "como estou dirigindo?", mas em vez disso: "quanto estou pesando?". É consenso que gordura ofende, magreza não. E que alegria aqueles quilos a mais, mas que logo vão embora... Posso ganhar quatro quilos, basta me alimentar mal um dia e já se vão embora seis!!! Ou ter uma dor de barriga daquelas. Olha ali na porta, enquanto escrevo este post devem estar me escapando uns três. Acho tão sexy umas gordurinhas extras. E que ódio da Anna Hickman vendendo balinhas com apenas duas calorias! Eu só compraria com mais de 5000. Pensou se tenho anorexia às avessas? Olho no espelho e me vejo magro, exatamente o contrário da realidade, e vou engordando, engordando. Quando pararem de perceber que emagreço, talvez seja um sinal disso.


[Ouvindo: Marilyn Monroe - I Wanna Be Loved By You]

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

As Aventuras de Chatran



Nunca me foi muito grata a idéia da existência de santos. Pessoas rezando diante de uma estatueta, implorando para quem já morreu. Entendo que é só uma simbologia, como se fosse um retrato de um ente querido, mas por que não pedir a Deus diretamente? Tem um deles que admiro pra caramba, e outro dia até ganhei uma imagenzinha em resina. São Francisco de Assis não só mandou toda a herança, nome e tudo à merda para se dedicar a uma causa maior, como amou os animais independentemente de serem fofos ou não. E até os poodles devem ir para o céu! Mesmo com seus donos egocêntricos declarando que são os bichos mais espertos do mundo. De ouvir isso tantas vezes, acho que devem ser mesmo. Até mais que os golfinhos, né? Aranhas são abomináveis, mas um dia vão morrer deixando centenas de aranhinhas recém-saídas dos ovos dando tchauzinho. E muito provavelmente nem terão um Wilbor que derrame lágrimas por elas... Na frente da minha casa tem uma árvore, infelizmente ainda não é do tipo Tim Burton como a da vizinha, (mas um dia quem sabe?) e descobri que lá há um ninho de rola! Daquelas de penas cinzas. Só não entendo que no mais ferrado dos temporais, dona rola não caia ou derrube os ovos. E que alegria quando abro a porta e o agente Boris Bola tem a explosão de felicidade lancinante. E mereço? Domingo mesmo comprei, por pura muquiranice, uma ração mais barata para ele... Certa vez uma fulana teve a audácia de me falar que era nojento dormir com animais. "Muito mais nojento é dormir com um velho bafento como teu marido!!!" teria dito eu, se fosse um terço menos educado e/ou mais corajoso. E wow! Nem contei o dia em que a Glenda foi abduzida! Desapareceu no começo do ano, assim, sem deixar recado. Cheguei a andar embaixo de chuva atrás de seu cadaverzinho atropelado depois de um dia inteiro sem pista alguma. Já era tarde da noite quando ela voltou (absolutamente seca!!!) intacta. Fim da história, faltam agora só 4 meses para eu tirar o papel de parede do meu PC com o São Francisco de Assis.


[Ouvindo: Siouxsie and the Banshees - Face to Face]
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