domingo, 12 de dezembro de 2004

O Casamento de meu Melhor Amigo


E já não falaram que o melhor da festa é esperar pela festa? Então, meu cérebro (quê?) entrou em erupção quando o Júnior (aqueeeeeeele de Paudalho, sabe?) disse, e a própria confirmou, que Nix, a rainha do "hauhauhauaha", deve juntar as escovas lá pelo fim de 2005! E levando em conta o tempo a jato em que estamos vivendo, logo logo chega, né? E bacana, bacana é a possibilidade de TODO mundo que volta e meia zanza por estas playas se encontrar finalmente depois de quase 3 anos bloguísticos. Brett, CB, Diana, Pedro, etc e tal! Pensou a torre de babel de sotaques e culturas? Chega a ser emocionante. Se não me engano, os únicos que se conhecem pessoalmente somos eu e a noivinha em questão que, blogueira que só ela, achou um moço blogueiro que só ele, e nem boba nem nada, tratou de fisgá-lo! A pequena Itapeva City, já pintada por Debret (sabia?), deve tremer!!! E nem digo nada se este encontro não for um dos momentos mais emocionantes da minha vida após, claro, a descoberta de minha alergia a penicilina... Oh! E legal que depois de tantas febrinhas da Internet os blogs ainda respiram sem aparelhos. Brasileiro invadiu flogs e orkuts da vida porque tem preguiça de escrever e ler (se é que este povo sabe isso, né?). E querem marcar presença online. Este encontro já está desde já sacramentado como uma espécie de último(!!!) episódio de Beverly Hills 90210. Claro que nem me iludo e sei que provavelmente fulano e beltrana desmarcarão de última hora sua viagem, que o Brasil tem uma geografia continental, e que estamos espalhados por todo território, mas só de imaginar já está tudo bem e dá um frio na barriga. E se ninguém for com a minha cara? Falando nisso, a CB por exemplo, que está em cada foto com um rosto, com qual ela se apresentará? E se ao vivo aquele cara tão legal não tiver nada a ver com sua persona virtual? Não dava para pensar nisso sem brotar de minha mente (mesmo com pouquíssimo tempo livre) meu primeiro flash-post. CLIQUE AQUI LOGO enquanto 2005 não acaba!

[Ouvindo: Björk - Odd Duck]

terça-feira, 16 de novembro de 2004

O Cozinheiro, O Ladrão, Sua Mulher e o Amante


Ainda tô longe de dar uma receita de gaspacho de cabeça, mas adoraria no clímax de uma conversa tensa lascar um "Y una pontita de ajo", mas dou minhas cacetadas na cozinha! Assim ou assado, aliás, assado só se for no microondas, que ainda não rolou um fogão de verdade, desses que vem com forno embaixo, sabe? Quando se sabe que moro sozinho da silva, ou melhor, sem a companhia de outra figura humana, ou morre-se de pena, lamenta-se da solidão ou, na pior das hipóteses, tenta-se arrumar uma esposa. Humpf! E tô pra provar um arrozinho melhor que o meu. Nem minha progenitora, mestre em bife (aquele misterioso pedaço de carne tão simples e por isso tão complicado de ser feito), jamé conseguiu um como o meu. Só não gosto de seguir receita. Prefiro provar ou imaginar um sabor e depois ir criando na mente até chegar ao resultado satisfatório. Não tolero fresco que não come alho nem cebola. E sempre tem um mané que não come alho nem cebola. E há comida sem alho ou cebola? Ou melhor, isso tem um sabor tão gritante assim que chegue a incomodar? Meu, e por favor, não é sua mãe que está te fazendo o almoço, portanto come, agradece e vai com Deus. E aquele que quer colocar queijo ralado(!!!) no molho? Você fica horas e horas bolando um sabor, combinando gostos como se fosse uma orquestra e neguinho vai lá e coloca aquele pozinho cheirando a fanfa e acaba com tudo! Assim, cleck! Num estalar de dedos. E nem me pergunte o que é fanfa, que você deve imaginar muito bem o que seja! "O júri é muito simpático, mas é incompetente."


[Ouvindo: Sittin' on the Dock of the Bay - Otis Redding]

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

Short Cuts


No capítulo anterior: Nosso intrépido blogueiro tasca uma boa mochila nas costas e vai chutar pedrinha em outras playas. Continuando literalmente sem lenço e sem documento, colocando sua velha e conhecida boa vontade e ironia à prova. Corte brusco. Passagem de tempo. Vê-se letreiro indicando "um ano depois". Sua tatoo continua sem ser retocada, mas nem perdeu a cor. Hoje já tem uma "comunidade" real e tenta achar graça nas virtuais. Quanto a Orkut, continua preferindo iogurte! Ah! Mas já tô lá também, né? E o tal de Multiply? Tente entrar em http://miguelandrade.multiply.com!!! E a vida continua sendo dolce, dolce, dolce! E chegando em casa, morto de cansado depois de horas a fio tentando ensinar que o botão direito do mouse não serve para absolutamente nadica de nada na maior parte do tempo, sou brindado com quilos do mais puro e doce afeto animalesco! Senhor Boris Bola e dona Glenda Glen Glen dividem novamente o mesmo teto! Oh, fazia quase um ano que não via as duas pestinhas, e agora eles estão tão perto! E a Glen, depois de sua estadia em Itapeva, onde pariu, pelos meus cálculos, uns 15 itapevensinhos de 4 patas, manda dizer que não é piranha, não senhor, mas que num tá pra brincadeira! Hoje vive calminha, sem gandaias noturnas nem nada, mas acabou de parir 5 lindos rebentos. Calculando direitinho, graças às suas escapulidas em terras fundadas por tropeiros, vieram ao mundo nada menos que 80 patinhas peludas, o que é gato pra chuchu, né? E ela andava com um piriri que ce neeeeeeeeeeem imagina! Haja areia higiênica! Putz! Aliás, Putz é a marca mais baratinha e a mais bacana também, né? E o Boris (vulgo Bolinho) que continua correndo atrás de paninhos e todas as outras coisinhas que ele sempre fez, só que agüenta muito menos passear sem pedir colo, e claro, já tá cheio de pelos brancos. E se antes, quando tinha apenas meses, já falavam que ele era velho (devido a sua pelagem de "arame"), imagina agora, com 7 (!!!) anos a mais! Pronto, tá a par dos emocionantes capítulos? Hu?


[Ouvindo: Elis Regina - O Canto de Ossanha

sábado, 9 de outubro de 2004

Um convidado bem trapalhão


E chama a Glorinha que eu tô na área! Líder absoluto das gafes intencionais ou não! Como gafe leia basfond, barraco, bobeira etc. e tal, né? Tipo, chego a uma festa e vem um senhor sorridente me cumprimentar: "Ah, você é o Miguel, irmão da fulana?", e eu estendendo a mão e tendo que pensar muuuuuuito rápido: "Putz, esse cara é parente daquela senhorinha...", então em um esforço de simpatia digo "E o senhor é irmão da dona Sicrana?", "Não, não, ela é a minha mãe..." Silêncio absoluto... "Pra você ver como sua mãe tá bem conservada!" Detalhe, a véinha aparenta ter 250 anos! "Com licença, vou ao toalete..." Saída pela direita! Bem de fininho! Ja peguei o metrô lotado pela manhã e achei um banco vago. Nesse minúsculo espaço de tempo que tinha para conquistar tal oásis nem tentei refletir sobre sua existência. Quando fui sentar escorreguei o pé e só aí descobri que embaixo dele estava TOTALMENTE vomitado. Ugh!!! Já fui expulso por atos libidinosos de uma casa noturna! Outra vez levei um hipermega porre em um vernissage que acontecia na Casa da Cultura. E dá-lhe glicose na veia e o que é bem pior, vomitei em público e disse poucas e boas em alto e bom som para quem estivesse presente. Querendo ouvir ou não! Nesse mesmo lugar, durante um happening em comemoração ao aniversário da cidade, preparei um número surpresa. Enquanto todos os artistas locais exibiram poemas e danças exaltando sua terrinha natal, fiz uma performance para nos lembrarmos dos excluídos. Ao som de Titanomaquia entrei coberto em um cobertor velho e depois abandonei ele e fui até a platéia, formada quase que exclusivamente de velhas senhoras tomando chá, pedir esmola trajando... uma cueca muito pequena! Assim, a troco de muito pouco. Quando, anos depois, surgiu a oportunidade de mostrar a Dolce Vita na G disse que não. O cachê era ridículo! Humpf! E outro dia que uma aluna escreveu na redação da prova de Word: "As aulas são boas e o professor é engraçado e divertido." Nem o Bozo faria melhor!


[Ouvindo: Cosmic Dare (Pretty With a Pistol)-Seatbelts]

domingo, 26 de setembro de 2004

Conduzindo Miss Dayse


Já disse o profeta dos bits: "Sua mulher quer dirigir? Compre uma enceradeira para ela!!!" Que o profeta nunca entendeu muito de mulher não se é de estranhar. Vindo de um eremita do mundo cheio de uns e zeros nem se deve exclamar de possíveis incorreções políticas, mas uma dessas criaturas motorizadas tem me irritado infinitamente. Nos capítulos anteriores tomamos conhecimento de que este doce escriba agora depende de buzão para ir à labuta. Motorista é aquele ser que fica sentado o dia todo dando voltas pelo mesmo lugar em um calor espartano e muitas vezes não perde o humor. Com que sonhariam os motoristas? Outro dia, ao abrir-se a porta, dou de cara com uma figura seríssima de (wow) sunglasses cyber, cabelo tigelinha, e inacreditáveis luvinhas de motoqueiro, talvez para não ressecar as delicadas mãos que seguram aquele volante por horas. Como, benzadeus, peguei pouquíssimos coletivos na vida, nunca tinha visto uma mulé no volante profissionalmente. Depois de risadinhas internas (of course), apenas pelo ineditismo, me senti uma pessoa muderrrrrrrna e gostei. Achei graça do quanto ela andava devagar, cautelosa nas curvas, e putz, preciso aprender a dirigir nesta vida! No segundo dia me irritei com essa mesma cautela excessiva, e nos dias consecutivos mais ainda. Dou uma semana para eu ligar à companhia reclamando da mosca morta! A infeliz passa sobre TODAS as lombadas que encontra pela frente sem nenhuma sutileza. Não é difícil termos que nos levantar para aparar velhinhos que estavam em pé, esperando para descer e quase se esborracham. Quando isto acontece, a dita pára o ônibus com uma finesse tipo Tonhão e pede para eles aguardarem o veículo estacionar sentados. Quando um senhor começou a bravejar sobre a (falta de) competência da fulana, outra passageira imediatamente berrou: "Ce tá reclamando porque ela é mulher! Vai lá e faz melhor!!!" As vezes pertencer a uma minoria tem lá as suas vantagens. Humpf! Como é a única profissional na área que conheci até agora, não posso aqui medir parâmetros, ou tascar um post chauvinista. A coitada é medíocre mesmo! Ao contrário de coletivos, posso, sem medo alegar que elas não nasceram para dirigir filmes! Fora o lampejo chamado "Carlota Joaquina", me indique uma película que seja digna de nota e te dou uma maria mole cor de rosa de presente! As periquitas que me perdoem, mas escrever novela também não me parece ser o forte deste sexo. E Glória Perez tá aí para não me deixar mentir... Em compensação, interpretar é coisa delas. Há atrizes mil vezes melhores que atores. É a profissão feminina por natureza. A sensibilidade aguçada faz com que listemos em poucos segundos 10 atrizes estupendas, já com eles esta mesma lista dá um pouco mais de trabalho. A canastrice é cara ao sexo masculino. Claro que há exceções, mas uma coisa é preconceito, outra é constatação. Independente do que se carrega entre as pernas. Ou não, né?!


[Ouvindo: Suck My Kiss - Red Hot Chili Peppers]

sábado, 4 de setembro de 2004

Gatinhas e Gatões

E tive uma amiga com mãe sábia. Velha senhora católica, ouvia as maiores barbaridades que a filha havia feito na noite anterior com seus muitos coleguinhas em festas particulares. Só ouvia. Eram historinhas regadas a vinho e todo o hype vindo de Londres, devidamente filtradas pela fome de modernidade, típica do início da década de 90. Ficava calada ou falava o mínimo, talvez por gostar da confiança que a filha sempre depositou nela. "Mas até o Miguel? Como tá esse mundo!!!" Bem diferente da maioria que freqüenta tal religião, evitou qualquer julgamento a quem quer que fosse, muito menos à sua menina primogênita, que adorava nesses encontros berrar com um drink na mão:"À luxúria!". Jamais deixou de saber de tudo. Quando tinha oportunidade, tascava um nada bíblico "A língua é o chicotinho da bunda" e ponto. Muitos e muitos anos depois, esse ditado continua ecoando nos ouvidos deste escriba. De preferência quando preciso rever um dos meus conceitos. Claro que não sou como ela. E lá resisto a falar em alto e bom som o que acho disto ou daquilo? Como até os aborígenes já devem saber, né? Parece que toda a minha falta de apreço pela adolescência, nunca escondida de ninguém, está por um triz! Sempre achei uma estupidez que pessoas vindas ao mundo nos anos 80 levantessem a voz para mim. Simplesmente as evitava. Já ouvi e vi tudo o que elas poderiam me falar ou mostrar em melhor quantidade ou qualidade... Nem por esnobismo, mas por impaciência. Hoje sou praticamente obrigado a conviver na maioria com pessoas que nasceram até na de 90! E nem está sendo tão ruim assim. Como sou meio (!!!) distraído, notei que quase todo mundo à minha volta tinha bolinhas na cara... Acnase nelas! Recebi um convite para uma "balada" onde o mais velho deve ter perdido sua primeira dentição recentemente! Jogou o dentinho pra fada ontem! Assim como os de antes, acham que são os primeiros a tentar comprar Coca com o casco de Pepsi! Aliás, nem fazem idéia do que seja casco. Fico na minha, observando, não é sempre que há a oportunidade de se voltar a fases de nossas vidas em que não nos demos muito bem. Uma espécie de De Repente 30 às avessas. Estranho que, mesmo com a internet gritando e toda a oportunidade de se conhecer coisas musicais novas e boas, o som deles continue sendo aquela bobagem de ontem com guitarrinhas sujas escondendo o pouco talento. A falta de preguiça também continua não sendo um dos predicados dessa idade. Vinde a mim as criancinhas...

[Ouvindo: Yoko Kanno - Chicken Bone]

segunda-feira, 16 de agosto de 2004

Pink Flamingos

Teria todo brega seu dia de cult? Aliás, quantas vezes nesta encarnação você acha que já tentei definir as duas coisas aos incautos e curiosos? Assim por cima, dá para arriscar que o brega pode ser cult, mas o cult jamé será brega! O cult pode não mudar sua vida em absolutamente nada, mas vai te divertir um bocado! O que nada mais é que pura questão de gosto e/ou opinião pode beirar a discussão sociológica canhestra, tão familiar à demagogia brazuca. E que país fantástico para a fabricação de mitos cults! E que Luz Del Fuego nos ilumine!!! Há um caso absurdo de junção do erudito e do brega que gerou um saborosíssimo fruto cult! Os Saltimbancos Trapalhões, reprisado à exaustão na sessão da tarde na década de 80 (quando éramos mais felizes?), reuniu, de uma tacada só, o popularesco Os Trapalhões e a ousada peça de Chico Buarque. Nada menos que comunismo ("...Começo a me sentir melhor agora que somos três...") para criancinhas. Os Trapalhões me deixam com a pulga atrás da orelha: se éramos mais ingênuos, ou se eles ficaram péssimos com o passar dos anos... Se mesmo antes do grupo ser desfeito já não havia a mínima graça, hoje em dia Renato Aragão é intragável! Mas quanto à película, nunca tinha entendido a lógica da coisa na época, ou quem sabe, absorvi um pouquinho daquilo tudo sem nem perceber. A canção da gata, interpretada por Lucinha Lins, mostra de forma graciosa o quanto é importante ser livre, seguir nossos instintos, nos juntarmos aos nossos iguais para sermos mais fortes, ao invés de uma vida pacata, porém cerceada, com nosso eu aniquilado... Não vale a pena! Boa parte desta trilha pode ser pega no bom e velho Kazaa. Seus petits precisam conhecer isto!!! Agora pra você, imperdível mesmo é o desde já não só cult, mas CRRRRRRRRRRRRRRRRássicu vídeo da Rita Cadillac! E cê acredita que a princípio fiquei constrangido em comprar? Mas como resistir? Rita é patrimônio pop trash nacional! E sacrilégio seria deixar isso passar em branco. Um vídeo com ela dando o cadillac e tudo deveria ir parar na cinemateca nacional! Sim, é hardcore até ao osso (Wow, quase rola um fist!), mas muuuuuuuuito divertido! Entre uma cena e outra de sexo (são duas, e bem tosquinhas se é que você me entende) rola (sem acento circunflexo, note bem!) uma espécie de entrevista nos back stage. Meu, Patty Diphusa, aquela personagem de Almodóvar, perde feio! E ela tá com 50 aparentando 60!!! A produção perfeita, com make up bem 70's, sapato tipo Dancin Days, cílios postiços, e ela chacoalhando o cabelón no melhor estilo chacrete!!! Muito bacana mesmo... Oh! E durante a entrevista ela deixa bem claro (uma dez vezes, acredite!) que está fazendo aquilo por experiência. Ok, esta senhora na verdade é uma cientista! MARAVILHOSA!!! Precisava ter esta pérola na minha coleção. Só faltou ela cantando Maria Sem Vergonha, cujo CD procuro há quase 10 anos e nada! Nem a entrevista da Tati Quebra Barraco à Preta Gil (momento histórico de finesse em nossa TV, cê viu?) é tão cult!!!

[Ouvindo: TAKAKO MINEKAWA - maxi on! - ]

sexta-feira, 30 de julho de 2004

Um Dia a Casa Cai

E é curioso ter a sua primeira casa, mesmo que seja alugada... Mas ok, enquanto pagar é minha! E oh!!! Nunca me imaginei sonhando em ter uma geladeira só minha! Agora leio encarte de loja de móveis. Menos das Casas Bahia, por motivos que você já sabe, né? Qualquer coisinha, leia uns três posts atrás. E essas casas antigas são bizarrice pura. Todas as tomadas e interruptores são muito altos. Seriam os antigos de estatura mais elevada? Sim, sim, pelo menos eles não tinham PCs, já que não há fio de estabilizador que chegue até eles. Pelo menos achei uma pia de cozinha que bata na minha cintura, e não, como normalmente elas são, nas minhas partes pudendas. Acabava de lavar louça e parecia que tinha feito pipi nas calças. Fora isso, também são uma graça os azulejos da cozinha, psicodelia pura até metade da parede. Ainda não consigo ir ao banheiro sem fechar a porta. Hábitos antigos não acabam assim, de uma hora para outra. E me irrita a descarga daquelas de cordinha, sabe? Sempre acho que vou ficar com ela na mão. Era uma casa muito engraçada, não tinha parede, não tinha nada! Casas antigas possuem a conveniência de serem enormes, pero quando não se tem muitos móveis dá vontade de andar de bicicleta dentro delas! Aliás, não tenho coisa nenhuma, além do Júnior Menezes, TV, vídeo, sofá-cama, fogãozinho de duas bocas (meia boca) entre outras tralhas. Pouco, mas muito para quem chegou de mochilinha nas costas. Tô quase tirando a TV do quarto só pra sala não ficar tão zerada, e achar rapidinho um tapete que esconda aqueles tacos (!!!!) riscados que me dão nos nervos também. E a vizinhança tá me parecendo óoooooootima! Deu 22 horas não se ouve nada! It's oh so quiet. Shhhhhhhhhhhhh, shhhhhhhhhhh... E tem buzão na porta? Tem sim, senhor! Como disse uma amiga, dá pra tomar cafezinho na porta, mandar o motorista parar, guardar a xícara, etc. Nunca tive que pegar ônibus para ir ao trabalho, mas agora até que tá divertido. No primeiro dia peguei um errado que entrou numa favelinha. Turismo sociológico às sete da matina. Observei uma coisa: provavelmente pra fazer demagogia com eles, há um ponto de ônibus a cada 2 metros. Antigamente os vereadores prometiam dentadura nesses lugares, né? Buzão slow motion. Falando em porta, ainda é preciso me lembrar os dias em que o lixeiro passa. Segundo uma tiazinha me disse, terças, quintas e sábados, sempre pela manhã "pros cachorru não virá", como se eu não tivesse nada para fazer antes do meio-dia. E ainda sentir à flor da pele a lei máxima do solteirão: "Se a gente não fizer, ninguém o fará". Se aquela louça suja te incomada, rapaz, se tu não colocar a mão na água fria, pode ter certeza de que no outro dia ela ainda estará lá, sorrindo. Ou a cama, ou o chão sem varrer, ou trocar a lâmpada queimada, a lâmpada acesa, a conta da mesma para pagar, o pó dos livros, a roupa que você acabou de tirar, a toalha para secar...

[Ouvindo: Chico Buarque - Caçada]

quarta-feira, 21 de julho de 2004

Rosalie Vai às Compras

O mundo é das bugigangas! E logo no carro abre alas vem aqueles sebos abençoados por sei lá quem com aquele monte de livros imprescindíveis para nossas vidas que nunca serão lidos, mas sem eles aquele dia tão cinza teria menos graça. Pelo valor ridículo de R$ 1,30 (!!!!!!!!!!) sou o feliz proprietário de As Panteras Acorrentadas!!! Versão em romance de um dos mais famosos episódios de Charlie´s Angels. E sim, Sabrina, Kelly e Jil estão estampando a capa com a escova no cabelóm em dia! E a biografia da Maria Callas? CD do Ed Motta, representante máximo da babaco music, que vale só pelo design da capinha? Gosto daquela seqüência de Clube da Luta quando a mocinha chega em casa com vestido (se a memória não me falha) de debutante. "Custou tão pouco e já foi tão importante para alguém." Não é exagero almoçar a mixórdia do McLanche Feliz (?), ficar com fome o resto do dia, mas ter um personagem da Pixar/Disney super bacaninha enfeitando a mesinha da sala. Nem adianta tentar negociar aquele ridículo X-alguma coisa por um Big Mac que as mocinhas são irredutíveis! E me coço pra não comprar o ET, relançado na época do mal sucedido retorno aos cinemas. Originalzinho e grandão por 14 pilins na lojinha dos Chineses! Só que pra receber este faz-me rir trabalho um bocado, né? Hoje penso no valor das coisas também em horas e não só em reais. Essas lojinhas asiáticas em si já me dão gastura! Precisa ver minha garrafa térmica verde limão, que está me inspirando para a decoração de TODA a cozinha. Sim, sim, sou dono de uma cozinha, e isso me faz hoje em dia, achar graça em utensílios bizarros e Tupperwares. Falando em Tupperwares, e os Softwares? Dá pra não ficar babando em cima daquele programa que você ama em versão ultra mega atualizada que você nem sabe se o Júnior Menezes vai agüentar rodar? Haja garrafas de rum... Supermercado tá virando apelação! Caixa de sucrilhos com relógio (oh!) do Shrek deu pra resistir, mas esponja para banho do Bob Esponja é muuuuuuuuuuuuito legal! E lá tem ainda aquele monte de revista encalhada de uns anos atrás repletas de programinhas jóias! É tudo tão baratinho, quase sempre tão insignificante a olhos alheios... Mas é tão bom aquele gostinho de ter achado um tesouro, uma raridade. Mesmo sabendo que quase sempre ela foi feita em Taiwan por trabalhadores que ganham 2 cents de dólar a hora. Só você achou aquela pequena obra do gosto e/ou utilidade duvidosa. Não basta ser funcional, tem que ser engraçado! Se achar a cabeça do Bozo empalhada, por um preço simpático, não tenha dúvida. Levo pra casa na hora!

[Ouvindo:Towa Tei (Kahimi Kari) - SuperFreak Remix ]

segunda-feira, 19 de julho de 2004

Mamãe faz 100 anos

E tá que este blog festeja dia 19 nada mais do que 2 aninhos? Cacetada! Parece que foi ontem! É post pra chuchu, né? E tô doidim, doidim pra mudar tudo isso aqui, de template a conteúdo, pero sien banda larga aqui em casa necas de piti-biriba! E não é que o blog da Nix, ex-Lilith, subiu no telhado? Oh, me senti órfão... Ele foi o primeiro blog de verdade que vi na vida. Tadinho, tá no cyber limbo a essas horas. Acenda as velas! E isso aqui, como o Beto disse certa vez, a gente cuida como se fosse um bichinho de estimação. O fods é que ele meio que não sai disso... Vou ficar pelado pra ver se o ibope aumenta. Ou despenca de uma vez! Um dos prazeres da minha vida. Ter o blog, não tirar a roupa, of course. Se bem que pensando melhor... Aliás, lilás, vi só esta semana o derradeiro episódio de Friends. Alunos fofos que gravam para o fessor assistir depois!!! Comecei a assistir Friends quando a Sony nem legendava os episódios. E que saco era quando acabava a temporada e tínhamos que esperar meses por capítulos inéditos. Como Chandler lamenta o fim da sofrível "Melrose Place", algo importante de um período de sua vida, chega a ser óbvio o paralelo com a série dos seis amigos do Village. Estava há 3 anos sem acompanhar o programa, mas era bom saber que ele estava lá. Hug? Mas o que me incomodou mesmo foi ver a mesa de pembolim destroçada, e quem me conhece um pouquinho sabe que me aborreci um bocado. Tipo a morte da mãe do Bambi, se é que você me entende. E Friends era aquele prazer secreto no começo. Quase ninguém conhecia. O enlatatão americano aqui tinha cara de descoberta, coisa para poucos. Depois todo mundo viu, sabe, e gosta, ou detesta. Aliás 2, logo após Eu Compro sua Televisão o Ross ainda nem se declarou pra Rachel. Oficialmente no Brasil faltam só 10 anos para ela trocar Paris pela paquera de adolescência. E prazer secreto também já foi Matrix, o primeiro. Hoje, depois de ter me sentido um mané vendo o 3º, não suporto nem olhar a cara do Keanu Reeves, ou até aqueles cafonas caracteres verdes despencando em qualquer lugar. Eich! E Almodovar? Dava pra acompanhar filme após filme sem ter que discuti-los com pseudo-intelectuais. Sempre prontos a repetir que "este é o trabalho mais maduro" a cada lançamento. Se o cara tá cada vez mais maduro daqui a pouco apodrece e cai. Não deve faltar muito... Humpf! E é meio por isso que evito tocar nestes assuntos aqui. Se bem que caí mesmo feito um pato no conto do vigário Matrix, lembra? Uma das minhas vergonhas aqui. Salve Nossa Senhora da Tag Fechada, que é blogueira! E que em muitos outros anos rogai por nóis!

[Ouvindo: Odd Duck - Björk ]

sábado, 10 de julho de 2004

O Nome da Rosa

Sempre achei tudo saber que o segundo nome de uma de minhas irmãs foi tirado da criação mais famosa de Maurício de Souza. A diferença é que o da sorela tem grampinho ao invés de chapeuzinho do vovô na letra "O". A história do meu é curiosa, e me fascinava na infância, já que era inconcebível que um adulto se chamasse Miguel. Me assustava crescer e perder o nome. Era incômodo "Miguel Franoná" (nem me lembro como se escreve isso, e a preguiça de procurar o Dicionário da Globo também não ajuda em nada), o Raul Cortez em Água Viva. Foi assassinado, o que considerei um alívio. Grande Gilberto Braga e seus milionários mortos à procura de um culpado! Mas minha mãe sempre contou que seria Nuno. Oh! Graças a um menino mal educado que morava no apartamento acima, que também era Nuno, sacou Miguel de uma de suas fotonovelas favoritas. Cruel como só as mães sabem ser, me jogava na cara que mudou, mas "por castigo divino és pior que o outro". Miguel gera os mesmos e óbvios apelidos: Mi, Lito, Miguelito. Fala sério! Mi aprendi a gostar, Lito lembra litro, e Miguelito me soa irônico, debochado, etc. Tipo Los Três Amigos. " -Como te chamas? - Miguelito", Laertón saca sua arma e: "POW! Chamavas!" Huahuahauahauahau. Mas dá pra gostar vindo à mente Marylin Monroe, sempre sinal de bom agouro quando a vejo estampada em qualquer lugar (e a vejo muito, acredite!), cantando Heat Wave: "-Chico, Miguelito!". Ultimamente mais ouço Fessor e Professor. Posso estar tomando um cafezinho com um aluno fora da escola e continua me tratando por professor... Nem me estressa, só não tolero "teacher". Dependendo do meu humor (Humpf!) nem atendo. E esse povo daqui que tem sobrenomes complicadíssimos!?! Suor frio na hora de conferir os presentes na classe. Acostumado com o seu, óbvio, me corrige como se eu estivesse cometendo um erro de redundância gramatical. Traz o Záccaro que ele consegue falar direitinho esse monte de g, f, s, meu filho! E todos que têm a idade do meu sobrinho mais velho são Thiago. Com 19/20 anos são Jenifer, Jonatã e eles nunca ouviram falar do casal Heart, olha que absurdo! Seguindo essa linha, seriados clássicos tem a Sabrina, Kelly, Samanta entre outras homenagens a mocinhas de escova nos cabelos. Da música vem alguns Roberto Carlos, quase quarentões. Adolescentes pedem a cada semana para serem chamados por nomes diferentes e na chamada para não se falar sobrenome ou nomes do tipo Maria. Aliás, naquelas centenas de listas amarelas deve ter outros milhares de casos "raros", mas o mais difícil desse ramo é associar tantos rostos com o título que a progenitora lhes achou merecido. Sorte não dar aula para as filhas da Baby do Brasil... Pensou?

[Ouvindo: i love my daddy - ELECTROCUTE ]

segunda-feira, 21 de junho de 2004

As Amazonas na Lua

E lá se vai o tempo... Cada post publicado aqui, sempre penso que já dá pra escrever outro logo em seguida, porque idéias sempre existem (benzadeus!), mas há sempre tanto e tanto a ser feito e o tempo às vezes prega armadilhinhas dia após dia... E nada de ter a boa e velha net a meu bel prazer. Mas antes que me esqueça: HUMPF!!! Ah, e não é que o Júnior (o PC, não o Paudalhense) agora anda por aí vestidinho de XP? Eu hein, Rosa, de fazer o finado Matusalém se retorcer de inveja! E parece que meu medo do bicho era puro preconceito. Pelo menos por enquanto ele anda beeeeeeeeeeem melhor que o 98... Aliás, 98 já faz tempo pra chuchu, né? Aliás 2, ele só tá XP porque quase deu com as dez quando inventei de reinstalar o maledeto Corel 10! Comeu tudo quanto foi DLL do coitado!!!! Depois dessa só uma plástica! O Júnior virou a cyber Glória Meneses! Júnior Meneses!!! Esticadinho com um XPezinho básico! E cê sabia que XP vem de Experience? Hu? Eu não! Fora isso, nada de muita novida... Meu caro amigo, aqui na terra tão jogando futebol... Tenho me divertido HORRRRRRRRORES vendo a programação da Rede TV! de fio a pavio... Desde já o clássico trash absoluto da TV brasileira. Preciso começar a gravar isso! Se sair 24 horas do canal em DVD eu compro! Huahauahuahaua! Nem dá pra ter saudades do TV Pirata. E o Clodovil colocando um sapato de couro de jacaré: "-Tô colocando isso aqui, mas pode ter certeza que na minha imaginação é uma sandália liiiiiiiiiiiiiiinda de strass"... Tá? Melhor que isso só o Swing com Siang (quem?) na Gazeta! NÃO, muito melhor que isso são as mocinhas do Happy Line!!!!!!! Já viu? Uma com sotaque nortista que passa a madrugada toda tentando esconder a calcinha em sua micro (?) saia: "Olha, sou a prova viva de que vale a pena insistir nos sonhos. Há seis meses eu não era ninguém!" Quê? Ah, entendi, ela já deve de tar sendo reconhecida na padaria perto da casa dela... Fora o padeiro, que é quem mais assiste a seus dotes de apresentadora-modelo-atriz, só eu que exercito meu lado masoca... Trash Line! Vixe, não sabe da última!!! Vou mandar fazer um crachá escrito RELÓGIO pra ir trabalhar... Se é que você me entende! Humpf! E a praga da vida moderna é o paraibinha símbolo das Casas Bahia com sua pança de fora e seu sorriso cínico! A vitória da cafonalha! Não se tem mais sossego nesse mundo? Para ele que tô querendo descer, tá? Antigamente o mundo era mais silencioso. Era 3 em 1 para poucos, o que não significava muita coisa em termos de potência sonora, e radinho de pilha ou aqueles toca-fitas pretos para muitos. O que também não significava absolutamente nada em KW. Hoje essa gente decide quanto quer pagar por aqueles aparelhos gorduchos e durma-se com um barulho desses! Tô ranzinza o suficiente? Tô entrando na velha forma...

[Ouvindo: A White Shade a Pale - JOHNNY RIVERS]


domingo, 30 de maio de 2004

Ghost In The Shell

Quando pequeno queria ser muitas coisas! Inocentemente (fomos algum dia?) nem sonhava que depois da virada do milênio trabalharia com alguma coisa que ainda seria inventada, ou aperfeiçoada. E não digo que o futuro é agora? Oh! Vi na rua dia desses um quase mendiguinho usando um tocador de MP3 minúsculo! Ok, ok, você me diz maldosamente que ele deve ter dado a Elza (alô gíria mofada!!!!) em algum desavisado, mas o cara baixa MP3 de onde? Hugh? De qualquer forma, minha coleção de vinil faz cada vez menos sentido nesse mundo de muita informação e pouca civilidade... E tava tirando o pó deles e meu sobrinho mais novinho chegou perto e ficou olhando, olhando sem falar uma palavra. "Sabe Lucas, antigamente era com isso que se ouvia música. Não havia CD, só estes discões pretos", "Mas até os de computador eram assim?" Wow, imagina quando ele estiver com a minha idade o que será disso aqui!!! Eu não queria ser pianista como repetia aquele cara na propaganda da época. Queria ser cozinheiro pra comer apenas o que eu quisesse, "médico de grávidas" pra ver mulher pelada, e desenhista. Nem uma coisa, nem muito menos outra! Humpf! Mas no desenho ainda dou minhas cacetadas. Há dez anos criei a Neide Neidinha, de que até já postei uma tirinha aqui, lembra? E é tão legal que a fulana ainda assombra meus lampejos de criatividade. Nessa década exata tanta gente e tanta coisa foi-se com o vento, e ela sobreviveu ao mundo sabe-se lá por que cargas d'água. Foi com Neide Neidinha que dei meus primeiros passos nas artimanhas do Flash MX, fazendo um site de teste. Só agora deu pra colocar no ar, você sabe muito bem por quê. Óbvio que já tô bem melhorzinho na tecnologia da Macromedia, aliás, tô apaixonadão mesmo. Aliás 2, tenho até um e-mail celebrativo "miguelandrade10@yahoo.com.mx"! Enquanto seu lobo não vem, clica aqui ó: http://geocities.yahoo.com.br/neideneidinha

[Ouvindo: There Is A Light That Never Goes Out - THE SMITHS ]

quinta-feira, 13 de maio de 2004

Denise está chamando

Do que é capaz o coração de uma mãe aflita! Nos faz aderir às (até então) mais sórdidas tecnologias. E lá sou de ficar dando satisfações de onde estou? Pago pra, em maus momentos, ficar incógnito em meio a multidões. Leia-se maus momentos como deprimido, chateado, desempregado, etc... Aliás, dando aula isto é cada vez mais difícil. Ficar incógnito, não em maus momentos! No banco, no meio da rua, indo trocar a válvula do botijão, escuto: "Oi, professor!". O mundo está cada vez menor... Mas enfim, demorei anos e anos para ter um celular, exatamente porque acho esse aparelhinho uma gigantesca (cada vez menor) bobagem. Ainda mais para um workaholic como eu, que ou está trabalhando, ou está em casa preparando o trabalho do dia seguinte. E aquela aura de status que celulares tinham há uns anos sempre me enojou. Não admito a substituição do ser pelo ter, jamé! Mas mãe é mãe e como estou há meses sem telefone fixo, eis que em uma bela tarde chega uma caixinha de Sedex com um dito cujo dentro!!! A graça de toda coisa é que ele tem prefixo de Itapeva, ou seja, mesmo se eu pedir uma pizza ali da esquina estarei fazendo interurbano. Não há créditos que cheguem... E como as coisas mudam rápido!!! Lembro quando reprisou A Próxima Vítima no Vale A Pena Ver de Novo, e APENAS o núcleo Ferreto, que morava nos Jardins possuía aqueles tijolões. E essa novela nem foi feita há tanto tempo assim para a coisa estar tão popularizada. Uma amiga ouviu a seguinte conversa outro dia " -Alooooô? É a Cráudia... Tô no crube andando de bicicreta." Huahuahauahauahau!!! E se eu torcia o nariz para o trem, hoje já o vejo como imprescindível. Aquela sensação de quando se tem antipatia por alguém à primeira vista e depois descobrimos se tratar de um doce de pessoa, sabe? Fui às compras, alguém me pediu para trazer margarina. Qual marca? Tasco o bichinho do bolso e ligo de lá mesmo. Como vivi sem ele esse tempo todo? Óbvio que antes a gente saía e ia até um orelhão, a forma mais indigente de se comunicar. Mas não dá mais pra sair de casa desprovido de um comunicador destes, e recarregado. Pelo menos de bateria. A gente realmente se acostuma a tudo nesta vida...

[Ouvindo: A Vida em Seus Métodos diz Calma - Di Melo ]

domingo, 25 de abril de 2004

Madadayo

E po-po-pode apagar as velas! Estou trabalhando! E que acaso aquele post anterior, hein? Naquela semana em que o Santo dos Últimos Dias o postou começou a acender uma luzinha. Só que pra contar aqui queria ver a coisa ficar mais concreta. Se bem que concreto, concreto em relação a emprego a gente nunca tem certeza, né? Sabe o que estou fazendo pra ganhar meu pãozinho de todo dia e ainda garantir o leitinho das crianças? SOU PROFESSOR!!!!! Oooooooooooooooh! De informática, mas de segunda a sábado lá estou em meu melhor momento Sidney Poitier. Só falta ouvir a Lulu e seu indefectível To Sir With Love! Nuuuuussa, e nos primeiros dias era bizarríssimo ouvir me chamarem de professor. "Quem eu?" E nunca pensei que era tão legal assim! Tipo, descobri vocação mesmo. Amei!!!! Fiquei imaginando os mais bacanas que me educaram (!!!) e porque não os mais carrascos. E acredite, as vezes é preciso ser carrasco também, o que é doloroso. Adolescente mal educado querendo ser engraçadinho? Tem sim, senhor! Será que eles pensam que são os primeiros a fazer pirracinha em uma aula? Eu pensava que sim. E que gratificante ver aquela pessoa quietinha com os olhos vidrados na sua explicação, e quando a gente escreve qualquer coisa no quadro branco (qualquer coisa mesmo) ela copia em um caderninho. Muito bom... Lembrei também o quanto os professores pareciam mitológicos. Só existiam dentro da sala, para mim. Era inconcebível imaginá-los vivendo por aí, ou quem sabe indo ao banheiro que seja. E agora sou chamado de professor também... Tá? Ao mesmo tempo é tudo muito parecido com o teatro. Concentração, frio na barriga a cada entrada em turma nova (E se não me aceitam?), domínio de platéia, e algum texto decoradinho. Claro que TODAS as finalidades das camadas do Photoshop saem fluentemente da minha mente ene vezes ao dia, é porque estudei um bocado antes em casa. Outra coisa engraçada é que uma turma nunca é igual à outra. A aula de Excel (!!!!!!!!!!!) que passei duas horas explicando para uns direitinho, e no tempo certo, jamé será igual ao que será entendido e mostrado aos próximos que se sentarem à minha frente, diante de um PC turbinado, com caras de interrogação. Outra! Um dia passo 4 outras falando sobre o tal programa da Adobe, e logo depois passarei o mesmo tempo ensinando a outros os primeiros passos do mundo maravilhoso do Windows XP. Coisas do tipo: "Tá vendo aquele botão escrito INICIAR ali no cantinho?", ou "Bem, repare que no topo do programa há 3 ícones. Um risquinho, um quadradinho e um X. O risquinho, minimiza, ou seja, encolhe, o segundo aumenta, e o X fecha"... "Professor, o que é ícone?" E os maledetos dois cliques no mouse? Essas aulas, junto com as de HTML e Flash são as mais prazerosas. É o mesmo que apresentar seus grandes e íntimos amigos. Não dá pra esconder a empolgação. E de pensar que isso tudo começou com o Matusa... Que o cyber deus o tenha em bom lugar... E mantenha o Júnior, que o substituiu em boa e milagrosa hora, sempre saudável. Foi com ele que aproveitei meu tempo ocioso de desempregado e deu no que deu. Agora você já sabe o que dizer quando sua mãe te encher dizendo que você passa muito tempo em frente ao PC, né? Mostra esse post!!! E a Samantha que em uma certa manhã fria de julho me mostrou aonde digitar um endereço de internet no IE e agora faço o mesmo? Remuneradamente, of course!

[Ouvindo: Poema Dos Olhos Da Amada - MARIA BETHANIA & JEANNE MOREAU ]

segunda-feira, 5 de abril de 2004

Por uma vida menos ordinária

Muito pior, mas bota pior que isso, que estar desempregado é a pressão! Vou te dar muita pressão, ah, uh! E nem estou me referindo à pressão de todos os alejos que sempre ocorrem quando se anda na mica, mas das pessoas que "teoricamente" querem te dar uma força. "E aí, conseguiu emprego?"... Isso toda hora o tempo todo. Vontade de responder: "Ah sim, óbvio que sim, mas sabe como é, não abandonarei o hábito salutar de distribuir dezenas de currículos pelas manhãs. Estou viciado nisso! Deixei de roer unhas, mas já compensei com outro vício bacana. E nem quero imaginar qual terei quando me livrar do cigarro!!!". E tasco um sorriso amarelo, como tenho feito que só vendo pelas minhas pernadas matinais. E que beleza, fiz um currículo lado B. TOTALMENTE chinfrim. Tipo, agora estou me desqualificando pra ver se rola alguma coisa. E de que valeu ter entrevistado a primeira dama do país, trabalhado no lugar mais histórico e descolado da década de 90 no Brasil, ter desfilado, mantido duas páginas em um jornal durante anos a fio, saber HTML, (e wow, tô ficando craque no flash, aguarde!), escrever, desenhar, atuar, ter dirigido um curta, fotografar, etc., etc. como dá pra notar quem acompanha meu bloguim, se o que eles querem parece ser alguém com alguma experiência em não saber nada de nada, se é que você me entende. E dá-lhe portada na cara, entrevistas "agora parece que vai", e moçoilas energúmenas atrás de mesas de chefia. Ah, e falando em moçoilas, nem vou falar das que estão atrás do mesmo objetivo que eu trajando "sofisticadas" mini-saias. Não quero ser repetitivo. Tá ruim pra todo mundo, mas se é pra apelar, prefiro fazer uma versão mais simplesinha do meu currículo, né? Mais que isso só se mandar estampar camisetas com aquelas frases que a Malibu Stace, a boneca da Lisa Simpson, gosta de proferir. Então fica assim, se não quer, ou não pode me ajudar, torce e não me pergunta nada. Depois disso tudo, quando fiiiiiiiiiiiinalmente conseguir o tão almejado emprego (e nem tô sonhando muito não, viu?) todos ficarão sabendo, muito provavelmente até tu, Brutus. Ah, e depois passa na Dona Zizinha, pega duas compotas de jamelão e 500 gramas de mocotó que não tô podendo!

[Ouvindo: Aterciopelados - Miénteme]

quarta-feira, 24 de março de 2004

Esqueceram de Mim
Santa sincronia!!! Ir ao cinema ver Big Fish (com a desnecessária tradução de Peixe Grande - Dããããã) e ser atendido por uma bilheteira anã com os braços felpudos já é demais! Chama o Paulo Coelho! O mundo está conspirando a meu favor. Pelo menos o mundo cinematográfico, né? E Tim Burton mesmo quando quer ser mais alegrinho ainda é sombrio pra chuchu! Que simpatia aquele Ewan McGregor! Meiguice a dar com um pau. Fazia tempos que não terminava de ver um filme sem saber se gostei ou não. E isso sempre acaba descambando para o sim. Mais informação do que meu cerebrozinho pode assimilar em 2 horas, mas Tim Burton é Tim Burton, e tenho dito! E tô sem internet em casa, o que para mim é o mesmo que ficar sem tomar banho. Ficar sem, até fico na boa, mas incomoda pra caramba. My name is Dita! Basta virar minhas cyber costas e a Lilith nem se chama mais Lilith... Uai? Como assim? Vai ser tão duro me acostumar com isso, mas fazer o quê? Ah, e sabe Paudalho? Aquela cidade com nome de duplo sentido de onde veio o Junior, o agitador cultural do mundo blogueiro? Pois é, tava eu fuçando meu Dicionário da Globo (Na falta de coisa melhor pra fuçar, confesso) e não é que Paudalho tava citada lá? Diz que lá serviu de locação pra versão televisiva de Lisbela e o Prisioneiro. Tá? Xiqui, né? E tá rolando uma debandada buniiiiiiiiiiiiiita do blogger brazuca... Sorry, mas não dá pra não encarnar o antipático: Num falei? Num falei que era furada? E nem pense que a falta de net é só agora, já faz mais de um mês, e a gente vai se virando como pode, né? Tô ficando igual aqueles televizinhos, lembra? Quando a TV era novidade, a gente sempre recebia uma vizinha meio surda pra ver novela. Postar em PC alheio é aquela coisa meio constrangedora, tipo usar banheiro que não seja o nosso pra fazer nº2. Mas ler coments eu leio ainda, sim senhor! Os poucos que me sobraram... Fala pra Mainha que tô vivo ainda! Catando coquinho, maaaaaaaas vivo! Rogaram praga! Beijaram o sapo... Huahauahauahau! Também não brinco mais! Huahauahauhauahauah

[Ouvindo: Fat Boy Slim feat. Macy Gray - Demons ]

domingo, 7 de março de 2004

Cantando na Chuva

Amores são eternos e infindáveis... Uns mais assim, outros mais assado, mas nem por isso menos amores. Já convivi com a Emília inteligente, que espantosamente se transmutou em Cuca... Depois do vendaval tudo sempre ok! Sempre ok na medida do possível! Não consigo é ter pudor em gostar intensamente de praticamente tudo que me encantar. Meu amor pelo Boris Bola ou pela Glenda Glen Glen é inabalável, e me preocupo muito com eles (Miss Glen pegou para si o título de Mãe Loira do interior sul paulista e não larga! Saiba que atualmente amamenta 8 - !!!!!!! - petits), assim como continuo amando o Sam, no céu dos roedores tão cedo, o Toby, o Ruque, a Maia, o Lugosi, etc e tá! Animais são ótimos porque não abrem a boca pra falar que você está um saco, falando pelos cotovelos, que sua camiseta daqui a pouco anda sozinha, ou que tua calça parece que estava guardada em uma garrafa... Fofos em sua ignorância e carência insolúvel! Mas sempre me pego imaginando o quanto também é absurdo que nesse mundão de meu Deus, com pessoas das mais bizarras e/ou canhestras preferências ainda se ache algo especial. Alguém que prefira mil vezes chocolate branco ao outro, saiba o que é (e goste!) de catira, mesmo gastando horas e horas entretido enquanto estuda sobre os homens mais inteligentes ainda ache graça em fazer download do tema daquela tosca novelinha mexicana infantil para morrermos de rir juntos. Alguém que, mesmo sabendo do empenho dispensado na cozinha, diz que não achou a mínima graça naquele prato feito com tanto carinho, que sua mãe já o fazia desde que se entende por gente e que você adora! De uma forma tão simples e desprovida de qualquer outra intenção que não nos sentimos ofendidos. Ter alguém que acorda ao seu lado sorrindo sempre já vai pro trono direto, e se não tiver o hábito de dormir com meias então... Companhia fiel para ver programa trash na TV em dia chuvoso. Aquela modelo e atriz de ontem rondando a reporter- modelo e atriz de hoje para espremer mais 15 minutinhos de fama se referindo sempre a incríveis e secretos futuros projetos profissionais. "Quem é essa?", você, graças a sua e desavergonhada cultura de almanaque, dá nome, CIC, RG da moçoila cada vez mais turbinada, mais os últimos (tomara que sejam mesmo!) 5 "trabalhos", e tudo bem, esta sagrada figura continuará confiando no seu taco na hora de escolher o programa para sábado á noite. Agora, bacana, bacana mesmo é você ver os seus principais defeitos refletidos em outra pessoa e tentar os mudar em si, e principalmente (e para mim isso tem uma importância avassaladora), que se for preciso paga o quanto puder pra não sair de casa á toa. E nem se preocupe, este post é protegido pela fabulosa arruda de São Martim! E que seja infinito enquanto duro, digo, dure!

[Ouvindo: Kiss Me - Sixpence None The Richer ]

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004

Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos

E assim, como quem não quer nada, sobrevivi a mais um carnaval sem fazer ABSOLUTAMENTE n-a-d-a!!! Nem posso falar algo contra a esbórnia da corte de Momo, apenas prefiro sossego. Mesmo aquele povinho que todo ano aparece no Jornal Nacional se acabando no frevo, maracatu e outros eventos folclóricos do sertão. Acho lindo... Pra ver em um programa da Regina Cazé. E só! Falando em ver o da Sapucaí eu até gosto de assistir, nos primeiros 30 minutos de cada escola. Depois torra. Parece que antes a transmissão da Globo era melhor. Agora é só planos aéreos, o que torna todas absolutamente iguais. E tem menos gente pelada também! Vendo pela TV, Sampa continua sendo o túmulo do samba. Ainda bem! Murchinho, murchinho... Fui convidado para desfilar uma vez na X-9. Era bem assim, a gente desembolsava 200 pilas em uma fantasia medíocre e pronto! Fantasiado de dragão da independência por uma hora e pouco. Nem rola! E por que esses desfiles são tão óbvios? Fala-se em Dom Pedro e lá se vê um boneco de isopor gigante em cima de um cavalo tosco... Lembro da terrinha quando se ficava até altas horas vendo isso tudo. Detalhe, tanto não era ao vivo, como nem daquele ano era! Hoje eles se vangloriam de estarem transmitindo para mais de 100 países em todos os continentes... Amei no TV Fama (Queeeee?) a ex-senhora Gugu alfinetando uma outra bunitôncia: "A minha fantasia não custa 70 mil como a dela! Custa 40 mil. E além do mais com tanta gente passando fome, nem fica bem gastar tanto assim..." Hauahuahaua!!! E a Björk que em Salvador teria tatuado uma entidade da macumba? Fofa! Falando em Salvador, ux! Quer me castigar? Obrigue-me a passar mais do que dez minutos no meio daquele povaréu nessa época do ano. Bizarro não ter mais os bailes finos de salão, coisa que a Band faria melhor negócio em mostrar. Fora o Gala Gay, of course, que deveria se chamar Gala Trave. Em meio aquelas marchinhas contratantes o "repórter": "-Qual o seu nome? -Venho todo ano!", "Qual sua idade? -Suzelene Silva", "Afinal, qual seu nome? - Modelo e atriz".

[Ouvindo: Are You Real - Art Blakey & The Jazz Messengers ]

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004

Hairspray


Ligar pra aparência eu não sou de ligar... Uso na boa meias pretas com sapato preto, tênis velho, etc, sem a mínima culpa, mas me sinto incrivelmente forte e seguro de cabelo cortado. Mas não leia isso imaginando: "Noooossa, que supimpa, esse cara deve ir ao cabeleireiro todo o mês!". Não vou e, se pudesse, não iria nunca! Não tenho a mínima afeição por utilizar estes profissionais, sempre tão bem informados quanto ao cotidiano alheio. Já fiquei quase um ano sem cortar a juba, o que me deixa feliz para ficar em casa. Na rua, dá-lhe gel (sim, sim, sou um rapaz new wave!), boné, ou qualquer coisa que dome todo o "volume". Aliás, aparento, benzadeus, que não ficarei calvo antes dos 95 anos! Oh! Sou extremamente tímido, e qualquer coisa que possa fazer as pessoas olharem torto já me assusta. Jamais me pergunte como na adolêscencia ele foi lilás (aliás..), azul e verde! Só os hormônios em abundância podem responder! Acho um saco ir cortar o cabelo e ficar duas horas imóvel, e o pior, quase sempre sem fumar. Respondendo a perguntas sobre onde moro, o que faço, quem sou, blablabla!!! E imaginando: "Safado, quer saber por quê? Vou virar as costas e vai desembocar todas essas informações no próximo a sentar aqui...". Mas respondo, sempre respondo. Jamais seria rude com alguém com arma branca em punho. "E se eu não for legal e ele não der um jeito nisso aqui?". Já me diverti perversamente imaginando que se eu contasse que era um arqueólogo prestes a achar a Arca da Aliança, e só depois marcaria casamento com a modelo e atriz da capa daquela revista ali, em pouco tempo nem precisaria mais usar os seus serviços, já que o que importa se o cara parece o capitão caverna se ele é a reencarnação do Errol Flynn? Wow! E poderia criar um blog inteirinho só sobre causos de salão! Tinha um que quando eu era moleque (Humpf, e isso nem faz tanto tempo assim!) aproveitava pra esfregar... Bem, você sabe o quê... Em meu cotovelo. Bastard! Devia ter uns 70 anos e ficava fungando. Uma mocinha que toda vez que ia lavar minha cabeça enfiava o dedão dentro do meu ouvido. Com unhas gigantescas vermelhas e tudo, sem o mínimo dó do meus canais auditivos... Sobre hálitos pútridos nem vou falar. Mas a coisa mais, mas muito mais MESMO, insuportável que sempre acontece comigo, é avisar pra tomar cuidado com o sinal (verruga é o catso!) de nascença que tenho na nuca. Meu pai também tinha. Uma espécie de herança física familiar. "Ah, sim, eu já vi. Pode deixar!" Diz sorrindo, pra logo depois eu gemer de dor e quase, mais uma vez, lá se vai minha espécie de herança física familiar.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2004

Boogie Nights

E como quem não quer nada assisti pela primeira vez esta semana um filme com o tal Rocco... Oh! Já conhecia o moço de uma matéria no finado Eurotrash com Gaultier, mas, repito: Oh! É tanto aquilo aqui, depois acolá, de novo lá, e mais uma vez aqui, com uma assepsia que impressiona! E o elenco (talentosíssimo!!!) é tanto que se fosse uma coisa made in Hollywood, seria algo comparável a Ben-Hur. Só que lá não tinha figurantes. Como tenho em mente sempre que arrumo minhas pastinhas X-Rated no PC, um é solo, dois é fuck, três é orgy! Assim, cada foto de modalidade "esportiva" ganha seu devido lugar. E ver um trem desses acompanhado? É um olho no gato e outro na sardinha! Não sei se parto pra ação, ou se não incomodo pra não se perder o rumo da trama intrincada. E o medão de parecer uma pessoa influenciável? E a raiva de não de conseguir um terço de "Uhhhhhh", "Ahhhh", "Ooooooh", do que se vê na tela? Saudades das ingênuas e brazucas pornochanchadas, onde clássicos do porte "Sou Dou o Que Elas Gostam, e o Que Elas Gostam Não é Mole" coravam moçoilas casadoiras...

[Ouvindo: radio activity (orbit remix) - KRAFTWERK ]

quarta-feira, 28 de janeiro de 2004

Até as Vaqueiras Ficam Tristes

Vícios vão assim como chegam! Não, não senhor, nem tô me referindo ao indefectível cigarrinho, cujo já postei que estava parando e necas de piti biriba!!! Mas parei completamente de roer as unhas... Assim, por alto, mantive esse "higiênico" hábito por cerca de 23 anos, e jamais me imaginei vivendo sem ele. E dá-lhe avó, irmãs, amigos, etc e tal reclamando, se assustando com minhas cutículas em carne viva. Pô, e agora ninguém nota a mudança? Peguei gosto pela coisa quando minha mãe as cortava. As primeiras, no ano de 1976, devem ter sido guardadas dentro de um livro. Fez isso com todos os filhos e netos, na esperança de que o pimpolho tomasse gosto pela literatura quando crescesse. Sei lá qual o fundamento científico disto, mas enfim... Mas também não recomendava cortar unhas de noite para não atrair as bruxas, e guarda-chuva aberto dentro de casa atraía desgraça. Mesmo não botando fé nisso, ainda sigo essas regras, mais por costume do que por qualquer outra coisa. Nem carrego cachorro no colo em dias de trovoada, e de preferência nessas horas corro pra cama e fico no escuro beeeeeem quietinho. Voltando às unhas, nem me passa pela cabeça fazer a cutícula, agora que as possuo intactas. Se há coisa cafona nesse mundão de Deus é homem de unhas feitas e pior ainda, esmaltadas... Comecei a devorá-las exatamente porque minha progenitora as conferia periodicamente. O problema é que sempre as aparava demais, meus dedos doíam por dias com uma sensibilidade irritante. Para acabar com o sofrimento descobri a maravilha que era se fossem roídas. Cheguei a devorá-las quase que completamente em alguns dedos, o que acabava não dando crédito aos motivos originais. Como doíam! Desencanei disso assim como com outros vícios até perigosos e ilegais. Sem remédio, simpatia, rezas bravas ou coisas do gênero. Apenas encheu o saco! De brinde ganhei mais um dilema. Não faço a mínima idéia de como usar um trim, tesourinha, ou lixa (qualquer coisa. Tenho tentado tudo!) na mão direita. Passei obsessivamente a observar mãos direitas de qualquer pessoa: "Oh, ele consegue!". Até posso ter muitos predicados, mas certamente entre eles não está a destreza (!!!) de conservar unhas bonitas.

[Ouvindo: Mondo '77 - Looper ]

quinta-feira, 22 de janeiro de 2004

Neblina e Sombras

O motivo para eu amar ou odiar uma pessoa quase sempre (leia bem: QUASE!) é por motivos tolos. Esse meu lado maniqueísta sinto que não será abandonado tão fácil. Buñuel passou a nutrir ódio por um colega de quarto após observar que todas as manhãs ele passava horas em frente ao espelho penteando os cabelos e ia trabalhar com os detrás da cabeça todos bagunçados. Em sua biografia "Meu Último Suspiro", o cineasta espanhol dedica um capítulo inteirinho a seus amores e desamores. Quando o li na hora me veio a idéia deste post, mas o Matusalém nem estava por aqui, depois deu com as dez, e até eu ter o Júnior (com o qual poderia postar mais freqüentemente, confesso) acabei me esquecendo disso. Tenho nutrido uma secreta vontade de catarrar bem no meio da testa de pessoas que trabalham em bancas de jornal, sebos ou livrarias e ficam com cara de tédio, bocejando... Por mim todas as aranhas, cobras e animais peçonhentos (exceto as lagartixas, as quais acho meigas) poderiam sumir da face da terra (o que seria péssimo, já que haveria mais mosquitos, os quais também abomino), ou terem áreas restritas de moradia. Pessoas pedindo esmolas, cigarros na rua (justo quando está tão gostoso, depois de ficar tanto tempo sem poder fumar em algum lugar...), dinheiro para instituições de caridade me dá náuseas! Aqui está virando indústria. Ligam para casa, exigem um valor "X" e cobram-no todo santo mês. O caminho mais fácil, mas o que mais enche o saco. Cadê aquelas quermesses pilantras mas incrivelmente deliciosas que arrecadavam fundos a causas humanitárias no passado? Continuo odiando e achando cafona o som de guitarras, amando vilãs de novelas, sentindo um enorme prazer em comprar a revista Set todo mês há mais de 10 anos só pra ver quem está na capa, e xingar pela milionésima vez em que Tom Cruise a ilustra (como a de agora, malditas garotinhas teenagers!!!), e o conteúdo cada vez mais babaca. E sempre prometo: Se não melhorar, no mês que vem eu paro! Aliás, odeio adolescentes e suas pretensões volúveis. Pessoas que se vestem vulgarmente na hora errada, como garotas trajando uma micro saia quando vão disputar uma vaga de emprego. Qual a diferença entre isso e aquelas moçoilas que ficam na esquina a noite toda? Palmas para essas. Tenho tido cada vez menos paciência para pessoas desocupadas, arrumando sempre problemas para suas vidinhas medíocres, e quando não os acham buscam na gente. Odeio auto-intitulados coitados, amo os que se assumem de qualquer forma que seja. Lastimo piamente os que se escondem em religiões a fim de ocultar seus pecados ao invés de tentar não os ter ou tentar viver melhor com eles. Cada vez menos amo os que dizem odiar gatos, e que por isso nunca tiveram algum. Como se pode odiar o que não se conhece?

[Ouvindo: La em Copacabana - Towa Tei e Bebel Gilberto ]

sábado, 17 de janeiro de 2004

A Fortuna de Ned


E Ontem tive uma alegria daquelas beeeeem provincianas, mas fazer o quê? Descobri que o site que fiz para Tim Burton, "Tim Burton, O Mestre do Pesadelo Pop" foi linkado no Internet Movie Data Base!!!!! Sim, sim, naquele site poderoso, referência a todos os que gostam de cinema no planeta! Assim, quando alguém quiser buscar informações em português sobre Batman, Ed Wood, Marte Ataca! entre tantos outros, e for no IMDB, vai acabar acessando aquele especial de CQ? após ter ralado dias sem achar grande coisa por aí. O que fiz sobre Garotos de Programa (My Own Private Idaho) também está lá, para quem quiser pesquisar sobre, por exemplo, a carreira de Keanu Reeves. Bacana, só que Tim Burton, é Tim Burton! Uma das pessoas (junto com Woody Allen Chico Buarque, e talvez Almodovar) a qual me ajoelharia se os visse pessoalmente. Caraca, um dos gênios vivos em Hollywood, e eu colaborando em um espaço como o IMDB. Burton, mesmo naquela máquina de aniquilar talentos, que sempre foi o cinemão americano, consegue imprimir sua marca e refletir sobre esse mundo de aparências em que vivemos sem ser óbvio, sem ser maniqueista, sem ser chato. É pouco? Gozado foi ver o nome do site traduzido pelos ingleses como Tim Burton, The Master of Nightmare Pop! E havia pensado em postar sobre a possibilidade de eu trabalhar de gravata em momento Calma Cocada, etc, divagar sobre os motivos de se carregar esse símbolo fálico no pescoço na frente de todo mundo e ainda acharem ser sinal de respeito, mas descobrir o link me deixou feliz e queria dividir isso. Fiz mal?



[Ouvindo: Its My Life - No Doubt ]

sábado, 10 de janeiro de 2004

Delicatessen

Não faz muito tempo aprendi uma coisa lendo um livro. E nem era livro de auto-ajuda não! "Pobre só se fode" diz a certa altura o fotógrafo Morel em O Caso Morel de Ruben Fonseca. Ele relembrando o tempo em que tirava retratos de formandos e na saída do evento apresentava seu trabalho aos pais. A princípio eles ficavam felizes achando que seria de graça, e depois se assustavam com o valor das imagens para a posteridade. Na maioria das vezes só os mais humildes compravam, com vergonha de dizerem que era um valor alto para suas posses. Pobre só se fode! E não é que hoje á tarde fui lindo louro e japonês comprar umas coisinhas pro lanche e ouvi essa frase ressoar forte em meus ouvidos. Pedi 200 gramas de mussarela. A mocinha pegou um monte de folhas colocou na balança, embalou e boa! Não disse nem uma nem duas. Quando estava indo já em direção ao caixa olhei o adesivo por mera curiosidade e lá estava 250 gramas... "Vou lá reclamar", um amigo que me acompanhava na hora se colocou contra, afinal, "Pra que arrumar encrenca por tão pouco". E nem confiança pra ele, voltei gentilmente e pedi para retirar o que não pedi. Era justo uma atendente que já havia me estressado porque ela sempre se recusa a fatiar a mussarela na hora, tentando me impingir a que está já a não sei quanto tempo no refrigerador. Na minha guliver, se pago o que eles querem, nada mais justo que eles vendam o que eu quero. Nem é por culpa de míseros centavos, nem nada, se bem que sem uns míseros centavos certamente não me deixariam sair sem coisa alguma do supermercado, né? Mas porque não estava certo, nem justo, e se continuarmos a deixar para os outros fazerem as coisas certas, ou justas, "pobre continuará se fudendo". Depois, no caminho pra casa ainda ouvi que "tua ética é tão grande que me dá nojo!". C'est la vie!!!

[Ouvindo: Björk - Army Of Me ]

quarta-feira, 7 de janeiro de 2004

A Dança dos Vampiros

Há coisas tão podres, mas tão podres, como a música que estou ouvindo neste momento, que já nos causaram tanta repulsa, tantos discursos inflamados sobre o bom gosto, que vistos depois de muito tempo tornam-se uma graça! Reflexos de toda uma era... Ontem revi Entrevista com o Vampiro, a bomba que se originou do romance que Anne Rice publicou em 1976. Quando fui vê-lo a primeira vez tinha acabado de ler o livro, com os personagens que minha mente formou ainda (literalmente) frescos. Esperava tanto, e me foi mostrado um engodo com os maiores "astros-de-menininha" da época vivendo dois travestis com caninos protuberantes. Meu Deus, o que eram aqueles apliques medonhos? O que fizeram com o Armand? Um personagem impoprtantíssimo e muy sexy relegado a uma mísera ponta, no primeiro papel norte americano de Banderas. Quase saí aos berros do cinema! Um absurdo! E ainda teve aquela patética música que a Claudia Ohana interpretou inúmeras vezes melhor do que os babacas do Guns in Roses! Quase 10 anos depois e muito tempo depois de ter lido o livro, sabe que nem achei tão ruim assim? Ok, Cruise continua com aquele pirucón loiro risível, os figurinos continuam carnavalescos até o osso, e a história truncada e pasteurizada como bem cabe às produções hollywoodianas. Bem que poderíamos ter um Lestat melhor, mas tudo bem, é só mais um filminho enquanto o sono não vem...


[Ouvindo: All That She Wants - Ace of Base ]

domingo, 4 de janeiro de 2004

Crepúsculo do Deuses

Se há alguma morte que merece ser comemorada é a do VHS! E olha que quem diz isso é um colecionador, com centenas e centenas de fitas. Caraca, fui rever copião do Come Bolacha, Graziela!, vídeo dirigido e co-roteirizado por este que vos escreve e levei uma fisgada no coração. A coitada está em vias de se deteriorar com bolor!!! Deu pra ver toda a alegria pós adolescente contida ali ainda bem e de cores bem vivas, como só o tosco sistema inventado pela JVC em 1978 permitia, mas a fita magética em si... Ai ai ai! Ainda bem que qualquer quarenta reais converte isso tudo para DVD! Gozado como do Vinil para o CD fui, e até ainda sou, reticente (Hummmmm, o cheirinho das capas dos bolachões!!!), mas para o DVD estou de braços abertos! E embora nunca figurará (por motivos óbvios) na lista dos 100 Melhores do Mundo, quero muito guardar Come Bolacha, Graziela! para a posteridade. Apareço nele com uma absurda barba cheia de falhas, disfaçada com cajal e magriiiiiiiiiiinho, cheio das gírias modernas de ontem... Técnicamente é bem tosco, com iluminação tipo Chaves, mas agora, passados quase 7 anos, e sabendo que faria tudo bem melhor, com outra cabeça, outros conhecimentos até que gosto como produto de teste. Ah, e como a tecnologia mudou em tão pouco tempo! Hoje daria pra fazer algo muito mais sofisticado com menos recursos financeiros, e beeeeem longe do mofo.

[Ouvindo: walk this land (edit) - E-Z ROLLERS ]
Related Posts with Thumbnails